Noite
3 Joy Division
Notas iniciais
Sem delongas, boa leitura! :3
_25 de Janeiro_
Acordei sentindo um troço duro nas minhas costelas, estava doendo, mas eu suportei a dor por mais alguns instantes... Só pra poder dormir mais! Quando finalmente tentei abrir os olhos, percebi que o que me incomodava era um cotovelo. O cotovelo da Tabhita, especificamente. Joguei-me para o lado, objetivando me desvencilhar dela e ouvi um gemido by Text-Enhance\">baixo. Pra que, que eu fui fazer isso, hein?! O lençol da cama escorregou e eu me espatifei no chão, com direito a uma Tabhita metendo o pé na minha cara, gritando e caindo por cima de mim! – pensem em alguém, que além de cair em cima de você, berrou no seu ouvido.
— Ai! Lipe, o que você fez?! — ela berrou levantando-se subitamente de cima de mim, o que não foi uma boa ideia. Seu cabelo azul enganchou-se no zíper do meu casaco, fazendo-a voltar, instintivamente, ao sentir seu cabelo ser puxado e... Adivinhem?! Meter a cabeça na minha cara.
— Tá reclamando de quê?! Eu que vou ter minha cara amputada aqui! — eu disse gemendo de dor. Achei que iriam nascer dois galos ali, um pela pisada e outro pela cabeçada.
Tabhita soltou seu cabelo do meu casaco — que eu vestia só pela metade – e saiu de cima de mim, lentamente. Acho que ela ainda estava dormindo.
— Ai, Tabhita, me enterre logo! Isso doeu! — eu reclamei ainda jogado no chão do meu quarto.
— Oh, sério?! Então você sente dor, meu caro Watson?!
— É, as vezes... — eu murmurei me levantando.
Deixa-me explicar a coisa direito pra ninguém ficar achando que eu deixei de ser alone. Tabhita é um daqueles parentes que a gente tem, que estão tão lincada na família, que dá até preguiça de calcular o grau correto de “primitude” — essa palavra existe? — acabando por ser considerada uma prima de milésimo grau, ou algo assim.
Ontem, ela apareceu de surpresa com uma mala enorme lá em casa. Como eu estava demorando e começou a chover, ela foi atrás de mim no mercado. Tentei voltar de carona no guarda chuva dela, mas era um daqueles bem vagabundos e acabou por ter seu lado convexo invertido. Resultado: chegamos em casa iguais a dois pintos molhados!
Minha mãe lançou-me aquele olhar brilhante de “eu falei” e mandou a gente tomar banho. Depois disso, fomos para uma rodada de The by Text-Enhance\">Walking Dead enquanto nos entupíamos de fandangos e um monte de by Text-Enhance\">Coca Cola. Ficamos até de madrugada assistindo, imitando zumbis, apostando quem comia mais e formulando perguntas idiotas, como: “Em um apocalipse zumbi, se não tivesse nada pra comer, preferiria: morrer de fome ou comer tripas humanas?” ou “Quais eram os melhores zumbis, os de The by Text-Enhance\">Walking Dead ou os de High
School
of Dead?”.
Depois disso, é claro, eu enchi o saco da Tabhita chamando-a de ET azul, já que ela pintou o cabelo do nada. Na verdade ficou bonito. A Tabhita é daquelas garotas que você imagina que ficariam bonitas até vestida de abóbora e que faria qualquer cara se apaixonar facilmente. – que ela JAMAIS leia o que escrevi aqui! — Isso tudo, é claro, antes de você descobrir que ela é completamente doida e fuma formol nas oras by Text-Enhance\">vagas.
É o que me lembro. Depois disso, acho que ficamos bêbados de Coca Cola e desmaiamos onde deu, fazendo contorcionismo a noite inteira. Tanto... Que achei que um trator tinha estacionado em cima de mim durante a noite.
— Ei, Lipe... Esqueci, de perguntar ontem! — disse Tabhita enquanto penteava seu cabelo com o meu pente, deixando-o cheio de fios azuis.
— Hum, esqueceu de perguntar o quê?
— Você estava falando com alguém lá no mercado, é um amigo seu?
— Humph, é só o vizinho.
— Você não bateu nele nem nada, néh?!
— Ei! Me erra, Tabhita!
— Uhhh... Como você é frio. — ela cantarolou, tirando os olhos do espelho e me lançando aquele olhar satisfeito. — Acho que não vai querer ver o Joy, então!
— O quê?! Você está com o Joy? Sério? — Não posso negar como fiquei feliz. “Joy” era o nome que Tabhita dera ao meu violão. Ela dissera que já que eu era obcecado por ele e o tratava como se fosse gente, ele devia, no mínimo, ter um nome! Aí ela veio com uma história de que tinha sonhado com o *Joy Division e que era um sinal, portanto, o violão passou a ter esse nome. Como eu já estava sofrendo por abstinência de violão, fiquei todo animado quando ela disse que estava com ele. Acho que o esqueci na casa dela, antes de vir pra cá... Já tinha fuçado na mudança inteira e estava achando que ele tinha se extraviado na mudança.
— Sim, sim... Mas antes, você vai me levar pra conhecer a cidade, néh?!
— Você quer conhecer o quê?! Aqui é minúsculo! — eu disse me sentando na cama.
— Ah, Lipe! Você é um chatão! Vou ficar uns seis meses aqui, então me mostre a cidade!
— O quê?! Seis meses? Vai fazer o que, aqui?
— Essa não é a hora em que você fica feliz? — ela disse sentando-se ao meu lado e me empurrando com força. — aff, você é tão insensível!
— Ok, ok! Eu te levo, satisfeita?
— Huhum...
— Mas espera! Você vai morar aqui?
— Sim, eu vou! Não posso?
— Poder, você pode. Mas, POR QUÊ?
— Sua mãe me implorou, já que ela não aguenta mais seu mau humor.
— Ambos sabemos que minha mãe não se abala pelo meu mau humor! Agora fale logo!
— Me rendo, ok?! — ela disse rindo e levantando as mãos — Ah, deu vontade! Você iria sofrer muito longe de mim! Além disso... Estou escrevendo uma história de terror! O que é melhor para uma história de terror do que uma cidade de 5000 habitantes?!
— 3000 habitantes — eu corrigi.
Agora a Tabhita se enfiou no banho. Ainda me pergunto, por que porcaria no mundo, eu a deixei ir tomar banho primeiro, hein?! A criatura morreu e está apodrecendo lá dentro do banheiro, enquanto exala um cheiro de sabonete que se espalha pelo meu quarto. Talvez garotas bonitas que fumam formol, cheirem a sabonete de erva doce quando morrem. Enfim, 10 quartos nessa pousada. 10 banheiros e 7 em reforma, 3 funcionando, sendo que só o meu e o dos meus pais estão limpos. Resultado: Tabhita morreu no banheiro.
Daqui há pouco eu vou apresentá-la a cidade, para que ela não se perca andando por aí sozinha. – tudo bem que é impossível alguém se perder em Martina, mas acho que a Tabhita conseguiria – mais tarde escrevo mais, minha mão já está doendo.
Notas finais
A característica mais marcante do Joy Division é sua sonoridade melancólica acompanhada de melodias com temas depressivos e cotidianos. Além de influenciar bandas brasileiras como Legião Urbana. *o* (u.u Amo!)
O nome desse capítulo seria algo como: "garotas que fumam formol, cheiram a sabonete quando morrem", mas... kkkk... O espaço reservado ao títuylo não foi suficiente! T.T kkkkk
Enfim, gostaram do capítulo?!
Está maiorzinho e eu não demorarei a postar o próximo! Obrigada a quem está lendo e não esqueçam de deixar um review! *o*
Bjuu!
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