Noite

4 Festa do Bicho Papão


Notas iniciais
Hey, pessoas! Dois capítulos num dia só! Tô ninja, hein! kkk
Boa leitura e obrigada pelos reviews!

_Ainda no dia 25 de Janeiro_

Saímos pela cidade sem um rumo certo, não quero depreciar a cidade dos outros, mas não havia muito o que mostrar. Bem, talvez os velhinhos da padaria?! Ah, sei lá. Fomos andando enquanto Tabhita formulava uma teoria de como, provavelmente, eu era um vampiro com um anel de bruxa para não queimar no sol.

— Oh, sério isso, Tabhita?!

— Claro! — ela estalou a língua — você é terrivelmente rabugento! Sem contar que tem essa expressão de cadáver em um dia de sol tão lindo!

— Ok, aonde quer ir? — perguntei tirando os óculos escuros enganchados na minha camisa e enfiando-os nos olhos, já que eu estava lacrimejando até não poder mais com o sol forte. E claro, querendo evitar o tema: “você que esmagou minha cara pela manhã, não tenho culpa se pareço um cadáver agora!”.

— Sei lá, podíamos comer alguma coisa, você nem me deixou provar o lanche que sua mãe estava fazendo! — ela disse com um olhar ressentido.

— Se quer saber, te fiz um enorme favor. Minha mãe tem tentado fazer alguns sucos diferentes com as plantas nativas, garanto que o resultado não é comestível.

— Quer dizer bebível, néh?! — ela murmurou e começou a rir.

— Tá vendo, ali? — eu disse ignorando o que ela disse e apontando para a padaria — nunca ria do que eles disserem, ok?! Ou você receberá um enorme discurso de como jovens de cabelo azul são fruto da má educação dos pais e muitos etcs. para eu ficar falando aqui!

— Hum?! Ta falando de quem? — ela perguntou enquanto eu a arrastava para dentro do lugar, que conseguia ser mais quente do que lá fora com aquele sol de arrancar o couro. Sério, não vai demorar muito para eu adquirir aqueles bronzeados de modelo de sunga.

— Nada, não. — eu disse segurando uma risada. Pedi dois sanduíches com by Text-Enhance\">chocolate para a Sra. Daura e fomos até uma das mesas, esperar o pedido ficar pronto.

Fiquei esperando algum dos velhinhos, que ficavam sentados na mesa ao lado, começarem a falarem algo do cabelo azul da Tabhita, mas eles não disseram nada. Achei esquisito, fiquei com a minha melhor expressão de expectativa, assim como Tabhita que me encarava sem entender.

— O que foi? — ela perguntou.

— Nada não, smurf.

— Essa piada já perdeu a graça, sabe... — ela dizia, quando Sra. Daura chegou com dois copos de Nescau e sanduíches de mortadela. Sério, sou viciado em sanduíches de mortadela. Tabhita estava em uma onda vegetariana, mas ela dizia sempre que mortadela era uma exceção. Eu, naturalmente,

fico

quieto, néh?! Um dia, ainda acho que ela será processara pelo sindicato dos vegetarianos.

— Valeu, Sra. Daura. — eu disse e estranhei a expressão melancólica dela. Quero dizer, quando uma mulher que sempre abre um sorriso banguela até mesmo quando você espirra, te lança um olhar desses, é de se estranhar. Fiquei com vontade de perguntar o que tinha acontecido, mas eu nem conheço a mulher direito pra ficar me intrometendo na vida dela... Então fiquei quieto e mordi meu sanduíche, encarando Tabhita que fazia algumas anotações em um guardanapo.

— O que está fazendo? — eu perguntei, tentando ler o que ela estava escrevendo.

— Shiiii! — ela sibilou, me encarando com seus enormes olhos castanhos e com a boca cheia de farelos. Nada elegante, mas era tão... A Tabhita! — Escuta! — ela murmurou, por fim.

Fiquei quieto e tentei entender o que ela queria dizer. Os velhinhos da mesa ao lado murmuravam a respeito da morte de alguém, pelo o que entendi.

“Ela era tão jovenzinha! Uma vez me ajudou a carregar as compras.”.

“Ela só ajudou, porque você deu balas!”

“Deixe de ser insensível, homem!”.

“A mãe dela foi sedada pelo Doutor.”.

“Claro! Que mãe não enlouqueceria se sua filha fosse comida por um urso!”.

“Seu parvo! Ursos não existem no Brasil!”.

“Existem, sim! Meu bisavô matou um... Perto da fronteira com o Peru.”

“Mas a fronteira não é bem o Brasil...”.

Depois disso, eles começaram a discutir sobre a existência de ursos no Brasil e se ursos panda eram ou não ursos. Encarei Tabhita, que tinha uma daquelas expressões enigmáticas e me perguntei quem era a garota que tinha morrido. Certamente, um urso não poderia ser a causa. Mas se estavam cogitando isso, ela deveria ter sido encontrada em um estado bem lamentável.

— O que estava anotando? — perguntei à Tabhita, quando ela finalmente voltou a comer seu sanduíche.

— Tive uma ideia para meu livro.

— Terá algo haver com garotas sendo devoradas por ursos?!

— Larga de ser insensível, Felipe! Com uma cidade desse tamanho, ela era praticamente sua vizinha!

— Ok, ok. Mas o que será que aconteceu? Essa cidade é nanica e tudo... Fica perto de uma floresta e tudo... Mas...

— Isso soa tão filme de terror, néh?! — Tabhita disse com aqueles olhos inflamados.

— É, acho.

— Que bicho você acha que foi? Pandas estão fora de questão. — ela disse com uma risada sem emoção.

— hmm... Não sei! Talvez um lobo... Mas ele teria que estar muito desesperado.

— Ela estava desfigurada e as marcas que acharam pelo seu corpo, pareciam ser de uma criatura muito maior que um lobo!

— Os velhinhos disseram isso? — eu perguntei franzindo as sobrancelhas, isso soa tão “a festa do bicho papão”!

— Não! — Tabhita exclamou, interrompendo meus devaneios — estou falando do meu livro.

— Ah.

— Hum? Hum? O que acha?

— Clichê. — eu disse tomando uma golada de Nescau.

— Você é muito insensível! — ela disse me chutando.

— Concordo, ele é mesmo! — eu ouvi aquela voz aguda dizer por traz de mim e como tenho uma memória muito boa para indivíduos não “bem vindos”, reconheci imediatamente quem era. Isso tá virando cotidiano. Consequência de se morar em uma cidade de 3000 habitantes?! Talvez. Pois é, em uma cidade minúscula, eu definitivamente estou fadado a encontrar criaturas que não me interessam e que gostam de falar comigo. Cara, por que, hein?! Eu nem legal sou! Talvez se eu enfiar um piercing na testa eles passem a achar que eu sou o filho do próprio Satanás e me deixem em paz.

Aff.

Notas finais
Gostaram do capítulo?! Deixem sua opinião!
Honestamente, nem eu sei o que vai acontecer... haha.
Essa fic foi mais... Digamos assim, um presente de aniversário que eu ME dei! *o*
Bjuus, até o próximo!