Noite
8 Glamour
Notas iniciais
p.s.: sorry, tive q repostar esse cap tb. Não sei pq, mas tava todo desformatado quando eu postava e quando eu editava continuava desformatado. Afff... Louka aki!
kkkk
Ok, agora podem ler!
_26 de janeiro_
I dream of you draped in wires
— Urgh! — eu murmurei tentando alcançar o celular com a mão.
Estava começando a odiar All Fired Up. Por que raios eu tivera a ideia brilhante de enfiar uma música que gosto como toque do despertador?
And leaning on the breaks
As I leave you with restless liars and dealers on the take
Não consegui alcançar o celular, lembrei-me que eu o havia deixado do outro lado do quarto. Estava tentando evitar que, em um surto de “quero dormir mais”, eu o tacasse na parede; como da última vez. – e meu celular não nenhum daqueles smartphones indestrutíveis da Nokia, é só um reles mortal touch screen.
And I can read you like a gun
You watched this meeting hall sweat and shake!*
Arrastei-me para fora da cama como um verdadeiro moribundo. Eu poderia culpar o vizinho babão, a Tabhita ou simplesmente meu cérebro — que inventa de maquinar na hora de dormir -; por toda a minha indisposição matinal, se isso não fosse algo cotidiano. Eu poderia ter dormido às 20h, 22h, 1h ou 3h que o sofrimento para levantar seria o mesmo.
Olhei a hora: 11h.
Dei um jeito no ninho de cobra que estava meu cabelo – pelo menos eu acho que dei. – enfiei a escova na boca e fiquei encarando meu reflexo, enquanto escovava os dentes vagarosamente. – não por zelo! “Sono” é o nome disso. – Depois de acordar, sempre tenho a sensação de que meio que não sou eu no reflexo. Fico olhando meu cabelo preto e liso ou meus olhos azuis e fico imaginando: por que não são castanhos? Ou se eu – a by Text-Enhance\">essência do meu eu – existiria de alguma forma, se meus pais não tivessem se apaixonado e se casado. Sei lá, como se talvez minha alma meio que flutuasse no universo. — Em uma teoria a lá Platão. – e quando alguém fosse ter filhos alguma das almas flutuando meio que se habilitasse para ser a essência do bebê. Não que elas já tivessem um traço de personalidade formado, como se suas ações e índole fossem algo destinado. Mas apenas no sentido existirem... Sei lá, isso soa muito estranho?
Tabhita costuma dizer que eu tenho muitas crises existenciais e afirma que é uma sorte eu não ser do tipo suicida.
Depois que eu finalmente desci atrás de alguma coisa para forrar o estômago, vi meu pai tomando uma caneca – daquelas bem grandes – de café. Ele estava cheio de olheiras e com uma expressão desgostosa.
— Pai?! Você está bem? — eu perguntei puxando uma cadeira para me sentar e mordendo uma das maçãs que peguei da mesa.
— Oi, Júnior. — ele disse me fitando, como se tivesse sido arrancado de algum mundo paralelo. — Acordou agora?
— Huhum. — eu disse dando outra mordida na maçã.
— Você não lavou isso aí. — disse meu pai com um olhar reprovador.
Olhei para a maçã que já estava quase pela metade e franzi o cenho. Ok! Normalmente eu me esqueço de lavar a maçã, ingerindo um monte de agrotóxicos e tals... Mas eu tenho a teoria de que se eu for morrer, pelo menos, morro feliz. – é nessas horas que a Tabhita me bate.
— Hmm... Desviando do assunto, pai? Por que está com essa cara de cadáver?
— Passei a noite no hospital da cidade. — ele disse massageando as temporas. — estou achando que as pessoas aqui estão ingerindo algum produto tóxico através da água ou maçãs que não são lavadas, por exemplo.
— Hmm? Por quê? — eu indaguei sem deixar de perceber a menção direta a mim e mordendo o que restava da maçã. — muitos casos do tipo?
— É. — meu pai disse com o cenho franzido. — quatro pessoas, sem qualquer ligação umas com as outras e os mesmos sintomas.
— E suicídios? Algum? — eu perguntei lembrando-me do que Tabhita dissera ontem.
— Não, nenhum. Por quê?
— Ah, nada. Por que você não vai dormir? Você passa o dia enfurnado naquele laboratório ou no hospital! — imagine quando o consultório dele for terminado! — Humanos, médicos ou não, precisam dormir.
— Mais tarde, acho. — ele disse com o olhar distante novamente. — tenho alguns relatórios para fechar antes.
— Ok, então. — eu disse mirando no lixo e jogando o talo da maçã em cheio. — e a Tabhita e a mãe? Onde estão?
— Foram no mercado, sua mãe vai fazer bolinhos de batata para o almoço.
— Oh... Por acaso, isso tem algo haver com o Festival da batata?
— Então você já está sabendo...
— É.
— É algum tipo de festividade local, sua mãe quer ir para dançarmos forró. — ele disse com um meio sorriso. — Não acho que será ruim.
— É. — eu disse vagamente, me levantando. — pensei em ir logo ao trabalho do Zeca, era melhor que visitá-lo e encontrar o Wagner; ou ainda, ir visitá-lo COM a Tabhita. – Agora eu sei que quando ele me encara, não é porque é gay.
Como sempre o sol estava escaldante e eu enfiei um óculos de sol, na cara, para conseguir andar pela rua sem lacrimejar. Ao longe, avistei um brechó, daqueles com um monte de bugigangas estranhas que pelo mesmo motivo que alguém vende, alguém também compra. Avistei Zeca por trás do balcão atendendo à uma moça.
Cheguei mais perto e percebi que a mulher era dona de uma daquelas belezas de parar o trânsito de alguma capital por aí. – em Martina não tem trânsito, pelo menos, não acho que posso chamar aquilo de trânsito. – Nunca a havia visto em Martina ou, pelo menos, não tive a impressão de já tê-la visto. – essa é a sensação que se tem quando se olha para a cara de qualquer um nessa cidade, depois de já estar morando aqui há dois meses. “Eu já vi você em algum lugar”.
Fiquei encarando-a fixamente. Seus olhos tão negros quanto seus cabelos, sua pele bronzeada e seu corpo perfeitamente delineado. Sem mentira, não sei o que deu em mim. Não sou de ficar encarando alguém, por mais linda de arrancar seu coração que seja. – eu fico encarando a Tabhita, por acaso?
Devo ter ficado assim por um minuto inteiro, até que ela olhou para mim e sorriu quando estava saindo. Até me perguntei se Martina era algum tipo de cidade secreta de modelos. – Felícia é irritante, mas tão bonita quanto a morena que saiu do brechó. – Fiquei me perguntando o que ela teria ido comprar lá, — sem tirar os olhos de sua silhueta que sumia ao longe — não tinha o perfil de alguém que faria compras em um brechó. Digo isso, não por ser bonita, mas por seu estilo sutil e elegante.
— Lipe! — Ouvi Tabhita praticamente berrar no meu ouvido. Dei um pulo e me virei, encarando-a ainda meio atordoado por meus devaneios terem sido interrompidos tão de repente.
— Por quanto tempo pretendia ficar encarando aquela mulher? — ela perguntou com um olhar reprovador.
Notas finais
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