Noite

9 Teorias Hollywoodianas


Notas iniciais
Hey, pessoas! Mais um capítulo pra vcs! Espero que gostem!!!
Boa leitura! :3

_Ainda 26 de Janeiro_

A Tabhita praticamente me espancou com o olhar e eu fiquei quieto. Iria dizer o quê? Nem eu sabia por que eu havia ficado encarando tão compenetradamente àquela mulher. O que resultou em eu – brilhantemente – abrindo e fechando a boca sem saber o que dizer.

— Hmmm — limpei a garganta tentando mudar de assunto — você não havia ido ao mercado com a mãe?

— Eu fui — ela disse ainda com a testa franzida —, mas vi você aqui, então...

— Ah... Eu vim falar com o Zeca. Quero ver a carta de suicídio da irmã dele. — eu disse aproveitando a deixa.

— Hmmm... Então você admite que eu esteja certa? — ela disse com um sorriso presunçoso.

Aí está o suprimido tio “Ego” da Tabhita ou deveria chamá-lo de excitação? Ela, certamente, não vai me deixar em paz agora... Não até eu arranjar a carta, matar o urso e desenterrar e ressuscitar o cadáver. – ou, OS cadáveres, devo dizer.

— Tudo em você soa absurdamente estúpido, Tabhita... Mas eu sempre acabo aderindo mesmo... — eu disse dando de ombros e ela sorriu.

— Vamos lá, então!

— Eu acabei de te insultar, sabia?!

— Ei, eu quero muito ver isso! — ela disse lambendo os lábios e me ignorando — Andei fuçando nos jornais locais, de um ano para cá, a taxa de mortalidade de Martina triplicou! Os motivos são os mais adversos... Suicídios, acidentes de carro, animais selvagens, desaparecidos...

— Hmm... E quanto as mortes por outras causas? — eu perguntei franzindo as sobrancelhas — Da taxa de mortalidade total... Quanto dela, são de mortes comuns?

— Comuns?! — Tabhita disse sem entender aonde eu queria chegar — você quer dizer, tipo morte de velhice e...

— É! Tipo casos de alergia, infarto ou até mesmo derrames como o da minha avó. Quanto dessas mortes tem esse tipo de razão?

— Ah, não sei... Acho que cerca de uns 40%! Mas estou chutando, viu?

— Ok. — eu disse meio distraído. Os chutes da Tabhita costumam ser cientificamente provados, acho que não conheço ninguém tão meticuloso e detalhista quanto ela.

— E?

— E, o quê?

— Por que perguntou isso? No que está pensando? — ela inquiriu como se fosse me bater se eu não lhe desse uma resposta satisfatória.

A verdade é que nem eu sei bem o que queria descobrir perguntando àquilo, mas acho que em uma cidadezinha onde todos vivem até uns noventa anos — como minha avó — e onde, meio que não acontece nada! Porque todo mundo se conhece, respira um ar by Text-Enhance\">saudável e dorme cedo... Mortes por doenças e variantes eram o que chamariam menos a atenção. Mas por outro lado, se suicídios e ursos fantasmas que devoram pessoas estavam se tornando comuns... Por que ninguém estava mobilizando-se nesse sentido? Quero dizer, nem a polícia, nem as pessoas... Todos só choravam, especulavam e lamentavam.

Só.

Morria aí! Não era óbvio que algum tipo de investigação deveria ser feita? Normalmente não gosto de me envolver com os problemas dos outros, mas o que Tabhita disse era bem perceptível para qualquer um que saísse do seu mundinho. Há algum psicopata forjando suicídios... E corpos devorados por ursos... E, quem sabe ele também não era o responsável pela alergia que meu pai mencionara ou pelo apocalipse zumbi que se aproxima?! Aff... Parei!

— Tabhita — eu disse pausadamente — crianças de nove anos não se suicidam... Pelo menos, elas não se suicidam e ainda por cima, deixam uma carta. — Ok, confesso! Depois que a Tabhita cutucou minha consciência eu dei uma bisbilhotada por aí... Umas quatro garotas já haviam morrido nas últimas duas semanas, pelas causas mais improváveis.

A Marcinha: suicídio;

A garota que os velhinhos mencionaram na padaria: urso fantasma;

A filha de um vendedor de pipoca: alergia;

A sobrinha do diretor do Colégio Eliza: alguma doença desconhecida que os médicos dizem assemelhar-se à tifoide.

O parâmetro era de dois por dois. As mortes soavam distintas e sem qualquer possível vínculo a não ser que todas eram garotas com menos de doze anos. Mas como raios eu posso associar um suicídio a uma alergia? Quanto mais eu espremo meus miolos, menos sentido faz e mais eu acho que há alguma conexão, mesmo que eu já esteja meio perturbado por não achar uma razão tátil. Afinal, teria que haver uma razão, não é?! – Isso, supondo que minha teoria de assassino psicopata, que mata garotinhas com alergias e suicídios misteriosos, tivesse alguma lógica.

Aff.

— Ei, Lipe? — chamou Tabhita como se percebesse meu dilema interno e achasse isso bom. — Deu tilte?

— Não... Ou quase, acho. — eu disse tirando os óculos escuros e massageando meus olhos, já estava começando a ficar com dor de cabeça — Vamos logo falar com o Zeca. — eu disse querendo me livrar logo.

— Correção: você vai! — Tabhita disse com uma piscadela — Vou ajudar sua mãe com os bolinhos de batata e, além disso, não acho que eu seja a pessoa certa para ir lá com você. — ela disse estalando a língua.

— Ok.

— Quero detalhes, depois, hein!

— Ok. — eu disse vendo-a sair enquanto cantarolava. Eu não tinha reparado, mas ela estava carregando algumas sacolas de compras e pareciam pesadas. Normalmente eu a chamaria de “fracote” e carregaria para ela, mas acho que estava nervoso demais pensando que talvez minhas suposições absurdas e hollywoodianas fossem reais.

Notas finais
E então... Estão gostando?! O que acharam??
Bjuus... :3
P.s.: Férias em uma semana! Muhahahaw