Noite

13 Colégio Silvana Batista


Notas iniciais
Oie, Gente! :3
Esse capítulo está um pouco grande, mas espero que vocês gostem!
Boa leitura!

_Ainda 28 de Janeiro_

Meus pais não haviam voltado e a Tabhita enfiara-se no quarto, já fazia uma hora. Dei uma espiada no que ela estava fazendo, abrindo levemente a porta; estava tudo escuro, exceto por seu rosto que tinha um aspecto pálido demais, iluminado pela luz fraca da tela de LAD, do seu lap top. Admito que por mais que eu saiba que foi apenas um sonho, estiquei um pouco o pescoço para me certificar de que seus olhos não eram duas órbitas negras e vazias.

— Escrevendo?! — eu disse para mim mesmo, fechando a porta sem fazer barulho; não sei nem porque, já que a Tabhita estava tão concentrada que eu poderia começar a tocar guitarra ali e ela nem repararia.

Dei uma enrolada e fui à casa do Zeca.

Sabe aquele drama adolescente, cheio de “pra quê isso” e com um fim trágico e melodramático? Senti-me em um, hoje.

Aff.

Toquei a campainha e contei, involuntariamente, os passos que ouvi do lado de dentro da porta, até que a maçaneta, finalmente, girou.

— Hmmm... Júnior?! — disse Wagner com aquele jeito cantarolado de falar. Eu, sinceramente, estou torcendo para que não sejamos alocados para a mesma turma no Colégio Eliza, já que pelo o que sei, ele é do mesmo ano que eu. — O que veio fazer aqui? — Ele disse olhando por trás do meu ombro, como se esperasse ver mais alguém; pelo o que suponho, a Tabhita, especificamente.

— O Zeca está aí? — eu perguntei com uma expressão que tentava soar calma, apesar de que, certamente, alguma veia minha já estava quase estourando.

— Oh... — Ele disse, surpreso, me olhando de cima a baixo e cruzando os braços com um ar de satisfação — Não está sabendo? O Zeca foi para a Capital, morar com os pais dele, esta manhã.

— Hah... O quê? — Ótimo! O Zeca é do tipo bem temperamental que resolveu sair fora e me deixar com cara de idiota; esperando para ler a porcaria da carta.

Voltei a estaca zero.

— Hmm... Ok, então. — Eu disse sem esconder meu desânimo e virando-me para ir embora.

— Talvez ele apareça aqui no Festival da Batata. — eu ouvi Wagner dizer. Por um momento virei e estudei seu rosto, imaginando se não seria algum tipo de troll com a minha cara, mas como eu não sou perito em ler pessoas, apenas acenei em concordância.

Cinco minutos depois que cheguei em casa, minha mãe entrou, seguida pelo meu pai. Olhei-o bem, esperando não sei bem o que, mas como Tabhita dissera mais cedo, não parecia ser nada grave.

— Oi. — eu disse sentando-me ao lado dele no sofá — Como se sente? — sua testa tinha um enorme curativo e seu pescoço também, um menor. Fora isso só alguns arranhões pelo nariz.

— Bem, sua mãe que exagera.

— Eu ouvi isso, Pedro! — ouvi minha mãe dizer lá da cozinha.

— O que aconteceu exatamente? Que animal foi? — eu perguntei, tentando me conter para não tornar a situação desconfortável.

— Não vi bem, porque estava escuro. Mas acho que foi um cachorro. Estava machucado e deve ter se assustado quando eu tropecei e pisei no rabo dele ali perto do Colégio Silvana Batista, deveriam arranjar uma localização mais fácil para essa escola! Francamente... E se fosse um estudante?

— Hmm... Um cachorro... E onde ele está?

— Ele fugiu. — disse meu pai com um olhar distante. Não sei o porquê, mas tive a sensação de que algo estava errado. Normalmente meu pai xingaria um monte quem abandonou um cachorro machucado por aí e, provavelmente, arranjaria um jeito de vasculharem a floresta atrás de qualquer ser mais nocivo que uma minhoca. Ele tem esse aspecto calmo e compenetrado, mas quando está irritado é pior que eu.

— Levou pontos?

— Cinco na testa. — ele disse com um ar de pouca importância.

— Não menospreze, Pedro! — repreendeu minha mãe, colocando biscoitos e café na pequena mesa de madeira da sala — Poderia ter sido pior! Foi uma sorte a diretora ter arranjado alguém que te socorresse logo.

— Deveria agir mais como um médico, hein... — eu disse pegando alguns biscoitos e me dando conta de que já era umas três da tarde e eu não havia comido nada além do supra café da manhã que a Tabhita me obrigara a engolir.

— Apenas fique quieto, moleque! Está melhor da gripe? — disse meu pai servindo-se de café.

— Ah, claro. — eu disse com a boca meio cheia — e mãe?

— Hm?

— O que foram fazer no Silvana Batista? A Tabhita quer estudar lá? — Diferente de mim, a Tabhita está no terceiro ano e vai prestar vestibular, portanto, não seria estranho ela querer ir a um colégio tipo o Silvana Batista, para estudar e tals... Por falar nisso, de que que ela quer fazer faculdade mesmo?! Não acho que existam faculdades por aí, como: “estudos avançados de aliens” ou “aspirantes a escritores” e eu, simplesmente, não consigo imaginá-la fazendo direito ou algo assim. Imaginem uma advogada de cabelo azul? Isso destruiria toda a minha concepção de mulheres elegantes e estoicas que falam da forma mais complicada possível em um tribunal.

— Não, — minha mãe começou a dizer com um sorriso — eu matriculei você lá!

— O quê? — eu perguntei quase engasgando com o biscoito.

— Não sei bem o que me deu ontem, mas eu passei no mercado e quando estávamos voltando para casa eu vi a diretora do Colégio Silvana Batista e me deu uma enorme vontade de ir lá...

— Então você foi? — eu disse meio incrédulo.

— Sim. — minha mãe concordou com uma expressão satisfeita.

— E conseguiu me matricular sem exame de admissão e faltando três dias para o início das aulas?

— A diretora viu o seu histórico escolar e concordou em te dar uma bolsa, já que havia umas duas vagas sobrando, ela foi realmente gentil.

— Acho que isso foi ótimo! Nós não poderíamos pagar o Colégio esse ano, tivemos muitos gastos. — disse meu pai tomando outro gole de café.

— Hah... — eu suspirei desanimado. Honestamente, eu não estou a fim de lidar com egos gigantes, nem nada...— E a Tabhita?

— Infelizmente eu não tenho umas notas tão perfeitas como as suas, Lipe! — ela disse, surgindo do nada, com uma caneca de café, vazia.

— Mas lá tem piscina, Júnior! — minha mãe começou a dizer toda animada — Um clube de natação e a estrutura do lugar é ótima!

— Sei, sei... — eu disse sem tirar os olhos da Tabhita que depois de encher de café, quase até a borda, àquela caneca enorme; acenava para que eu fosse lá para cima.

— ... Apenas aproveite a oportunidade e faça um monte de amigos, ok? — terminou a minha mãe e eu sorri, porque achei que deveria sorrir e acenei em concordância me levantando e subindo ás escadas, imaginando o que a Tabhita queria.

— Lipe! — ela me puxou para o quarto dela — Olha isso! — ela disse empurrando o lap top na minha cara.

— O quê? — eu inquiri tentando acostumar meus olhos ao contraste da escuridão do cômodo com a luz provinda da tela do lap top.

— Olha isso aí! — ela disse, dando play em um vídeo.

Era uma gravação amadora, datada de hoje e com muitos ruídos, o que tornava difícil de distinguir o que diziam.

“Filma aqui, mais em cima!” disse um cara que parecia meio bêbado e tinha uma garrafinha de ICE na mão.

“To filmando, porra! Você que não fica em pé!” Disse a garota que estava filmando, enquanto tinha uma crise de risos.

“Faz logo o que você quer fazer, eu quero ir embora. Está ficando frio, Marcos!” disse outra garota, de cabelos longos e ruivos.

“Estou dizendo que eu vi! Tinha prezas e tudo, era uma vampira muito gata!” disse o cara que identifiquei como sendo Marcos.

“Deixa disso, véih! Você está bêbado pra porra!” disse outro cara que abraçou a ruiva.

“Vocês estão com medo, sabe...” Começou a cantarolar Marcos.

“Deixa ele, Deny! Eu vou esfregar isso na cara dele amanhã!” disse a garota que estava filmando.

— Tabhita, fala sério... Para que que eu quero ver isso? — eu disse já meio entediado, entregando-lhe o lap top.

— Termina de assistir, Felipe! Larga de ser chato! — ela disse empurrando o lap top para cima de mim de novo.

“Hmm... Você voltou, Marcos? Trouxe até o que eu pedi!” disse a voz de uma mulher que não pude ver pelo vídeo.

Depois disso, Marcos soltou um estúpido: “eu disse” e todos saíram berrando e gemendo. A câmera rolou pelo chão e eu pude ver um par de sapatos pretos com bico de ponta, andando vagarosamente atrás dos que correram. Depois de alguns segundos de silêncio, com a câmera filmando o chão, alguém a pegou e saiu correndo para o outro lado; desligando-a em seguida.

— O que foi isso, Tabhita? — eu indaguei com as sobrancelhas franzidas.

— Olha isso! — ela disse mostrando-me o link do vídeo no Youtube, que exibia a seguinte mensagem:

“Este vídeo foi removido pelo usuário!”

— E?

— Você ficou lerdo, é, Lipe? Eu fiz download desse vídeo tem uns dez minutos e logo em seguida ele ficou off.

— Aí você se impressionou com isso? — eu indaguei visualizando os comentários do vídeo — Você e um monte de gente...

— Ok, nem é nada alarmante até que eu te mostre uma coisa! — ela disse puxando o lap top das minhas mãos, pausando e dando zoom em uma parte. — Olha esse cara.

De início, fitei a imagem do cara que havia abraçado a ruiva, sem entender. Analisei os detalhes de seu rosto e de suas roupas, procurando algo que eu deveria achar anormal, mas não achei.

— Vi, o que tem ele? — eu indaguei meio minuto depois.

— Olha isso, agora! — Tabhita disse, vasculhando um monte de papel em cima da cama, pegando um folheto e enfiando-o na minha cara.

— Cara, como você acha essas coisas, hein? — eu perguntei sem tirar os olhos do folheto, onde tinha a foto de um cara muito parecido com o da gravação, que sorria indiferente ao apelo a que era destinado.

“Denildo Magno Ferreira Júnior está desaparecido desde o dia 25 de janeiro. Foi visto pela última vez, trajando um jeans gasto, uma camisa vermelha e uma jaqueta de couro. Tem cerca de 1,80m de altura e possui uma pequena cicatriz na mão esquerda.

Caso saiba de algo, favor ligar para o número...

Oferecemos recompensa.”

— Onde você conseguiu isso, Tabhita? — eu perguntei sem saber direito o que pensar, mas tendo certeza de que minhas teorias de conspiração não eram tão teóricas afinal.

— Estava fixado ao mural do Colégio Silvana Batista.

— Vampiros, é? Com certeza essa não fazia parte do meu estoque de hipóteses.

Notas finais
Gostaram????
Até o próximo cap! :3
Bjus!