Noite
10 Água Quente
Notas iniciais
Enfim... Espero que gostem! :3
Boa leitura
_Ainda 26 de Janeiro_
Quando submergi na água quente, acho que meu corpo relaxou imediatamente. Tive a sensação de que faziam eras que eu não entrava em uma fonte termal e pensar nisso não foi muito bom, porque me lembrei de que fazem exatos dois meses e quatro dias que não me enfio em uma piscina e nado até quase morrer.
Segurei firme minha respiração, tentando curtir a água quente, ao invés de lembrar-me de mais alguma coisa incômoda que costumo tentar ignorar.
Era a segunda vez que eu entrava na enorme piscina rasa e quente, além do calor não me estimular muito... Meus pais tinham contratado uma empresa especializada para melhorar o espaço e atrair não sei que turistas; eles haviam feito todo um estudo do terreno e o resultado tentava conservar o aspecto anterior – como meus avós idealizaram – porém, com mais segurança e qualidade. Em minha opinião, estava a mesma coisa! Tabhita listara uma série de melhoras e eteceteres, incentivada pela minha mãe, mas eu não prestei atenção. Fiquei encarando suas sobrancelhas azuladas e me perguntando se toda mulher quando pinta o cabelo, pinta também as sobrancelhas.
Acho que fiquei uma hora inteira emergindo e submergindo, contando os segundos que conseguia ficar sem respirar e desejando que o espaço fosse mais fundo e maior; tentei esvaziar minha mente e conter minha expectativa. Ok! Estou muito curioso! E ir falar com o Zeca, pode não ter sido tão péssimo como eu supus, mas foi no mínimo intrigante. Afinal, poxa... Ele estava estranho e nem disse nada sobre a minha teoria de conspiração. Comecei a fazer bolhas na água, com a boca, e a imaginar se eu não tinha comido by Text-Enhance\">bolinhos de batata demais no almoço. Acho que não gosto de bolinhos de batata, mas estava tão aéreo hoje que minha mãe enfiou mais comida que o normal, goela abaixo. Em certos momentos ela acha que comer resolverá qualquer problema e eu não posso negar que ajuda, porque sempre acabo rindo.
Quando entrei na loja, de primeira, o Zeca nem reparou que eu estava ali. Aparentava ter tido o cérebro abduzido por algum alienígena enquanto fitava compenetradamente um lustre daqueles que deixaram de ser cristalinos e tornaram-se amarelos, como se tivesse uns mil anos.
— Zeca? — eu chamei tirando-o de seja lá onde que a cabeça dele estivesse.
— Bom di... Ah, oi, Felipe! — ele começou a me cumprimentar quase automaticamente, até perceber que eu não era um cliente. Ossos do ofício, acho. — Veio comprar alguma coisa? — ele indagou com a testa franzida. Poxa, era tão inadmissível assim a hipótese de que eu viera fazer uma visita sem qualquer pretensão? Tudo bem que eu não sou do tipo que visita ou liga ou manda SMS ou... Aff... Ok, eu mesmo me contradisse!
— Hummm... Acho que não. — eu disse esquadrinhando o brechó. Eram tantas bugigangas e roupas antigas e excêntricas, juntas, que eu teria achado que era algum galpão de circo se o Zeca não estivesse parado ali, atrás do balcão, me encarando. — E aí, está legal? — eu perguntei, apoiando o cotovelo em um manequim de madeira.
— Melhor do que você supõe, Felipe. Mas imagino que você não veio só me perguntar isso. — ele disse com um sorriso manso.
— É tão evidente assim?
— Um pouco.
— Hmm... Talvez tenha algo haver com a mulher que saiu daqui... — eu disse brincando, mas não posso negar que estava curioso mesmo.
— Ah, a Sabrina? Ela é minha tia.
Oh, sério... Zeca é parente de todas as gatas da cidade mesmo eu nem supondo, em um milhão de anos, já que não se parecem nem um pouco! Digo... O Zeca tem um tom de pele cor de chocolate e uns dredes no cabelo, já a Felícia é super loira e a tal Sabrina tinha o cabelo liso e preto; e claro, tem o Wagner que tem o cabelo castanho claro e os olhos pretos. Poxa, ninguém se parece nessa família! Já na minha, por parte de pai, quase todo mundo tem o cabelo preto e liso... É tipo um ctrl C ctrl V. E na da minha mãe, quase todo mundo tem aquele nariz empinado e os olhos azuis.
— Ei, Zeca... Cara, você foi adotado! — eu devia estar com uma expressão realmente intrigada, porque ele gargalhou um tempão, como um idiota. Fiquei um pouco feliz por ele não estar numa fossa por causa da irmã, não saberia como agir.
— Hmmm... — eu comecei a dizer, finalmente — eu realmente não vim aqui só para dizer que você é adotado...
Zeca ficou em silencio, esperando eu continuar. Era evidente que ele já sabia disso desde o início.
— Vou entender se você me achar maluco, mas...
— Mas?
— Acho que há algo errado com essa cidade e isso, provavelmente, tem haver com a morte da sua irmã... — eu disse estudando sua expressão que permanecia atenta e impassível — Eu quero ler a carta dela.
Xinguei-me umas mil vezes pelo pedido ter soado tão estúpido e sem fundamentos, mesmo eu tendo treinado tantas vezes o que dizer na minha mente. No entanto, felizmente, não tive muito tempo para me martirizar, já que o Zeca não pareceu me achar maluco nem nada. Só me lançou aquele olhar de pena. Era pena? Ou eu realmente toquei na ferida e ele estava se deprimindo de novo?
— Você não deveria fazer esse tipo de pedido, Felipe. — ele disse pausadamente e foi meio confuso, porque ao mesmo tempo em que ele soava satisfeito, também parecia que eu tinha feito alguma coisa horrível. Sério, me senti mal.
— Ok, passe na minha casa amanhã à tarde, ok?!
Devo ter resmungado mais alguma coisa antes de sair de lá. Não sei dizer bem, mas me senti mal. Mal mesmo. Acho que a Tabhita sentiu o clima na minha face azeda, porque não perguntou nada, mesmo sendo evidente a sua curiosidade.
Depois disso eu desenterrei minha bermuda de natação, do fundo da mala, e me enfiei na água quente. A tarde tinha se nublado de repente, como se traduzisse meu conflito interno. Acho que fiquei encarando o negrume do céu por um bom tempo antes de tentar esquecer meus problemas tentando dissolver meu cérebro em vapor, como se as coisas fossem tão fáceis...
Agora, estou espirrando como um louco. Ficar umas duas horas em uma fonte termal e depois desfilar por aí com bermuda de natação não é uma boa ideia, afinal, como a Tabhita disse: "Existe um negócio chamado choque térmico!".
Notas finais
http://www.trisport.com.br/produtos/Bermuda_Arena_REVO_Plus_detp.jpg
É um dos modelos comunmente usados pelos atletas. Ele é colado e vai da cintura até os joelhos. :3
Hey, gostaram??? *-*
Bjuus... Téh o próximo capítulo!!!
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