Noir

2 Jesse


Notas iniciais
Jesse entrou na história ;)

Jesse:
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Celine:

Eu havia perdido o dia mais especial da minha vida até o momento, e agora um cara metade cavalo e metade homem queria conversar algo sério comigo. Ele me olhou, com uma expressão séria, e me indicou uma poltrona. Ele começou a encolher até se tornar um homem normal em uma cadeira de rodas.
– Como faz isso? – Perguntei
– É meio complicado. Normalmente para enganar mortais ou caber em lugares muito pequenos para um centauro. Mas isso não é importante. O que importa é o seu passado. E o seu presente. E o seu futuro. Você sabe sobre onde nasceu?
– Aqui. – Respondi
– É, algo assim. Sua chegada foi... Peculiar. Pense que a sua mãe estava grávida de você, e em pleno trabalho de parto quando veio aqui pela primeira vez... Era uma manhã clara, nós havíamos acabado de acordar. Então apareceu uma mulher de dezesseis anos carregada por um homem... Em pleno trabalho de parto. Ele pediu que nós cuidássemos dela, e foi embora... Os filhos de Apolo fizeram o parto da mulher. Depois, ela nos contou a história. Por ser filha de uma deusa menor, demoraram a notar que ela é uma semideusa. Mas quando notaram de quem ela era filha começaram a persegui-la muito. Ela é filha de Nice. Nunca havíamos visto outra assim, ela é um amuleto importante para os deuses... E seria um amuleto importante para os monstros.
– Por quê?
– Você deve ter ouvido isso. Ela não pode perder. Nice, deusa da Vitória, sempre estava com Atena. Vários tentaram tirá-la dela, mas Atena sempre os vencia por causa da deusa. Hoje em dia tentam fazer o mesmo tirando sua mãe de nós. Ela é muito poderosa, e igualmente perigosa. E assim é você, Celine. Eles tentarão lhe capturar para atingir sua mãe. Nice nunca perde, a menos que queira. Por isso você deve ser protegida. Já deve haver uma horda de monstros lá fora atrás de você. E isso tende a piorar, dependendo de quem for seu pai...
– Que animador.
– Desculpe, mas é a verdade. Agora vá encontrar seus amigos no chalé de Hermes. Sua mãe colocou algumas roupas lá, deve haver o uniforme do acampamento também. Ah sim, não se esqueça: cuidado com os filhos de Hermes.
Saí da casa. Assim que saí, veio um garoto me dar as boas vindas. Ele estava com uma bermuda preta e uma camiseta laranja onde se lia "Acampamento Meio-Sangue". Ai meu Zeus que garoto lindo! O garoto era um gato! Ele tinha o cabelo castanho claro e os olhos castanhos, lindos. Ele falou comigo:
– Olá! — E abriu um sorriso. Acho que eu comecei a ficar burra...- Você é nova?
– Ahn... Sim...Sou, cheguei hoje de manhã... – Respondi, provavelmente com a maior cara de idiota do mundo. Ele me olhou, olhou para si mesmo e se desculpou:
– Ah, desculpe! Eu não devia dar as boas-vindas do nada... – Ele riu. Que risada linda! – Você gostaria de... Sei lá... Um piquenique?
Oops. Desculpe, gato, mas eu tenho namorado. E ele me ama. Eu já falei sobre Fael? Ah, ele é demais! Ele é loiro, tem os olhos dourados. Ele é forte, viril, me dá segurança. E ele é tão fofo comigo! Sempre que eu pergunto se ele me ama, ele me beija. Ah, se todo homem fosse como ele... Mas o outro garoto ainda precisa de uma resposta.
– Er... Desculpe, mas eu tenho namorado... – Falo, vermelha.
– Ah, não tem problema! Como amigos! – Ele responde, despreocupado. Porcaria! Será que o Fael não vai ficar com ciúmes?
– Tudo bem. Quando? Onde?
– Hm... Amanhã eu tenho um tempinho livre antes da aula de esgrima. Que tal ás 16, na praia? Provavelmente irão te levar para conhecer o Acampamento, e isso geralmente termina pouco depois do almoço.
– Parece legal. Vou estar lá!
– Te espero lá... Qual seu nome mesmo? – Ele estendeu-me a mão. – Prazer, Jesse do chalé de Afrodite.
– Prazer, Celine do chalé de ninguém... Pelo menos ainda. Apertei a mão dele. – Ele riu e me disse que logo eu seria reclamada:
– Não sei qual deus iria demorar a reclamar uma garota tão linda. – Ele se virou e foi embora. Meio cavalheiro demais para o meu gosto. Mas nunca tão cavalheiro quanto Fael. Fui até o chalé de Hermes, ao qual me foi dito para ir. Não me parecia grandes coisas... Um garoto veio me dar oi.
– Olá! Sou Connor Stoll! Bem, você encontrará sua cama à esquerda, deve ser a única que está vaga. Eu estou com pressa por agora, mas Quíron deverá te explicar melhor sobre o Acampamento amanhã. Tenha um bom dia! – Ele me estendeu a mão, assim como Jesse fez, e eu notei que havia um botãozinho de choque. Tarde demais. Que truque velho. Mas eu ri, mais para não ser indelicada do que pela real graça da brincadeira. Connor pareceu encantado com a minha risada e foi embora, após parecer se tocar do que havia feito.
Adentrei o chalé. Ele parecia uma pousada de praia, com vários beliches de madeira. Virei para a esquerda e encontrei uma cama com uma camiseta laranja, uma calça jeans e tênis. Eu não seria obrigada a usar isso, seria? Eu consigo perfeitamente correr e me movimentar no meu salto doze. Eu amava usar meu corset. Jeans folgados como aqueles NÃO me agradavam. Coloquei as roupas do acampamento na mala que estava ao lado da minha cama. Me sentei e comecei a ler Romeu e Julieta. Por mais que eu tivesse um pouco de dificuldade para ler textos mais extensos, eu queria ler Romeu e Julieta. Era uma história que eu gostava, então eu não me importava de demorar-me um pouco mais nela. Será que eles existiram mesmo? Um tempo depois, Connor me chama para uma tal de fogueira... Espere. Não era Connor.
– Você deve ser o irmão de Connor. – Conclui.
– Travis. Sim, sou eu. E você é uma das poucas que não nos confundiu. – Ele pareceu bobo e foi embora. Por que todo homem faz assim?
Saí do chalé, e fui em direção à um lugar que parecia um anfiteatro, mas ainda estava vazio... Exceto por uma garota de uns doze anos, com um lenço marrom na cabeça e um vestido simples da mesma cor. Sentei-me ao seu lado. Ela estava atiçando o fogo.
– Olá? – Chamei a garota. Passaram-se alguns segundos até que ela virasse o rosto para mim.
– Já faz um tempo desde que alguém veio me cumprimentar.... Nico foi o último, imagino onde ele está agora. Você deve ser Celine. Estou certa? – A garota falava calmamente.
– Sim, está. Como você sabe quem eu sou? – Perguntei, desconfiada.
– Ah, querida, Você é conhecida entre os deuses. Por causa do seu pai, por causa da sua mãe...
– Desculpe, poderia dizer quem é você?
– Héstia. Bem, acho que eu deveria dar-lhe alguma... "Dica" do que está por vir. Então preste atenção: Talvez você se encontre na França, se um dia se perder de si mesma. E eu acho que isso não irá demorar. Cuidado, garotinha. Os deuses do Olimpo querem jogar um jogo perigoso com você e seus amigos. Esteja preparada. Tenho de ir, a fogueira já vai começar. Boa sorte. – A fogueira se acendeu e Héstia sumiu. Sobre o que ela estava falando? Um jogo?
Não tive tempo para pensar sobre. Nesse momento, Fael surgiu, seguido de Jake. Ele me abraçou e nos levou até um assento em volta do fogo.
Houve muita cantoria e marshmallows assados na fogueira. Até que o fogo começou a ficar quase incontrolável. Todos os campistas se afastaram um pouco. Eu posso jurar que vi a face de Héstia nas chamas, que murmurou algo como “começou”. Então notei que havia um homem parado na entrada do anfiteatro que abrigava a fogueira. Um homem gordo vestido em estampas de leopardo roxas (bem bregas, por sinal) se levantou e dirigiu-se ao homem. Eles começaram a conversar em uma língua que eu, não sei como, identifiquei como sendo grego antigo. Então, se dirigiram à nós.
– Este é Eros, deus do amor, filho de Afrodite. Ele tem algo a dizer. – Disse o homem gordo. Só então eu reparei em Eros. Ele era lindo. Estava em um smoking branco lindo, com sapatos de couro – que eu notei serem Dior – preto. Ele abriu um sorriso lindamente tímido para nós, com seus olhos castanho-claros brilhando, assim como seu cabelo negro, coberto por um chapéu panamá branco. Ele olhou para nós, tímido. Ele chegava a ser fofo.
– Hm... Eu nunca fiz isso nesse acampamento, é uma honra encontrar vocês. Eu tenho algo a dizer, só não sei como. Então vou fazer do jeito mais simples. – As meninas suspiraram com o homem, e os meninos pareciam enciumados. – Eu tenho uma filha aqui. Gostaria que vocês fossem gentis com ela... Celine. – Eu? Esse homem era o meu pai? Ele mal aparentava ter idade para ser meu irmão mais velho! Mas, bem, foi de certa forma um alívio. Queria dizer que os filhos de Afrodite – Incluindo Jesse – Eram meus tios, logo, não dariam em cima de mim. Olhei para a fogueira, pensativa. Então me lembrei de que Eros estava ali. Meu pai, cuja saudade me transformou em uma frequentadora assídua de shoppings. Então acho que tomei a atitude mais infantil que eu poderia tomar. Eu corri até ele e pulei em seus braços. Ele certamente não esperava por isso. Por sorte eu não caí no chão. Seus braços fortes me seguraram, o que foi um alívio. Ele pareceu surpreso no início, mas depois de um momento retribuiu o abraço. Então me pôs no chão, e encarou Fael.
– Você é Fael. Existe algo que eu quero lhe propor. – Ele disse, sério. Uh-oh. – Talvez nem todos nós saibamos. Mas eu sei. E você também. Eu lhe joguei uma maldição. Você é, e sempre será, incapaz de amar.
– Papai, há um engano. Ele é meu namorado. É claro que ele é capaz de amar. Ele me ama. – Eu disse. Que ideia louca era aquela do meu pai? Porém quando olhei para Fael, vi que havia algo sério envolvido naquilo. Então apareceu um tipo de figura em cima da cabeça do meu namorado. Uma lira.
– Você acaba de ser reclamado, Fael. E, acredite, eu não gosto nem um pouco disso. Não gosto de Apolo. E não quero a minha filha envolvida com um filho dele. Apolo nunca me respeitou. Ele também não gosta de mim. Então, vocês dois não podem continuar juntos. E eu infelizmente não posso tirar a capacidade de uma filha de Eros de amar. Portanto, o fiz com você, Fael. — Não, não, não, não, não. Mil vezes não! Tinha que ser uma brincadeira. Mas o tom de meu pai indicava que não era. E o olhar de Fael também não.
– Então você... Para você eu era só...Eu nunca fui... Nada? – Eu perguntei, desesperada, para Fael. Ele tentou responder. Mas eu não ouvi. Eu corri. E corri. E corri mais. Até os chalés. Lá, estava Jake me esperando, com uma garrafa de vinho na mão. Eu não parei para olhar para ele. Mas ele me parou.
– Pare aí. – Ele tomou um gole de vinho. – Eu já havia sido reclamado. O homem gordo é meu pai. Dionísio. Eu já vim aqui outras vezes. Mas fugi. Eu não podia abandonar você e Fael. Vocês ainda são crianças... Por isso não viram nenhum monstro antes da górgona. Eu e Belle dávamos um jeito neles. Mas aquela górgona estava muito bem camuflada... Mentira, nem estava. Nós só não vimos ela. Bem, não podíamos lhes afastar dos monstros por muito mais tempo. Semideuses se tornam mais atraentes com o passar dos anos.
– Por que esta me dizendo isso? – Perguntei, entre um soluço e outro.
– Por nada, deu vontade. – Ele disse, despreocupado. Insensível. Eu levantei a mão e dei um tapa na cara dele. Ele riu. Estava bêbado ou sóbrio? Eu meio que detestava isso em Jake. Eu nunca sabia.
– Celine, não leve Fael a mal... Ele queria te amar. Só não conseguia. – Levantei a mão e fui dar outro tapa. Mas ele segurou a minha mão. E me ofereceu a garrafa. Recusei. – Mas acho que nada do que eu falar vai lhe mudar. Bem, se tiver algum problema pode me procurar. Eu sempre estarei aqui para você. – Então ele fez algo que eu o havia proibido de fazer. Ele me beijou.
Eu nunca havia falado para Fael. Mas por um tempo, eu e Jake havíamos namorado. Ele era um namorado ótimo... Mas não dava certo. Nós dois passamos quase seis meses juntos, mas não dava mais. Eu terminei com ele, eu estava à fim de Fael.
Seu beijo tinha gosto de vinho. Ele era muito experiente, eu sabia. Até ano passado, a boca dele era só minha. Ou pelo menos assim eu acreditava. Mas agora já não era. Eu sinto nojo da boca dele. Eu não sei onde ela já esteve, e prefiro não saber. Eu o afastei, mas ele voltou. Ele finalmente me soltou, e eu caí. Nesse momento eu notei o que eu era, para ele. Um pedaço de carne. Jake se virou para mim.
– Eu ainda estou aqui, se você quiser. Não me leve a mal, também. – Ele se virou e foi embora para o chalé de Dionísio. Eu não sei quando tempo fiquei sentada no lugar onde havia caído, chorando. Pelo que me pareceu uma era. Então surgiu outra pessoa. Provavelmente Fael me pedindo desculpas. Me levantei, e me virei para a pessoa. Era Jesse. Meu recém-descoberto tio. Ele abriu os braços e me envolveu.
– Como... Como você me viu aqui? – Perguntei.
– Você está do lado do meu chalé. Não foi difícil. – Ele abriu aquele sorriso lindo. – Agora pode falar, estamos entre amigos. O que aconteceu?
– Podemos... Conversar no meu chalé? Acho que é o único lugar à prova de Fael. – Pedi, desesperada. Ele considerou a possibilidade.
– Bem, contando que eu sou meio-irmão do seu pai, acho que não tem problemas. – Ele me levou até o Chalé de Eros. Havia apenas uma cama lá. Uma cama King Size. Em cima dela, as roupas mais lindas que você pode imaginar. E uma versão mais bonita do uniforme do Acampamento. Aquele chalé estava à minha altura. Havia vários sofás pequenos, namoradeiras, poltronas e afins por lá, e uma TV. O resto eu nem havia reparado. Me sentei na beirada da cama. Jesse se sentou também. Então eu me deitei no colo dele e comecei a chorar loucamente. Não me importava a imagem de mulher forte e segura que eu tentava passar. Eu não queria saber de nada. Então Jesse falou:
– O que aconteceu, Celli? – Celli. Ele me chamou de Celli. Eram assim que Fael me chamava no começo do namoro. E eu odiava. Então ele nem me chamava assim mais. Chorei mais ainda. Mas eu tive de engolir o choro, e contei a história para Jesse. Tudo, incluindo a conversa com Jake. Ele era um bom ouvinte. Não fez nada além de ouvir a história, até que eu terminasse. Ele me fitou, incrédulo.
– Isso é... Celine, isso é terrível! Eles te tratam tão mal assim? — Ele perguntou. Eu assenti. – Então vá dormir. É melhor. – Eu olhei para ele:
– Jesse... Eu não quero ficar sozinha. – Pedi.
– O sofá à direita é grande o suficiente para mim. Posso dormir aqui. – Eu me senti infinitamente melhor. Ele pegou um lençol no armário e colocou no sofá. Então, foi dormir. Eu chamei ele.
– Jesse.
– Oi.
– Será que você pode dormir aqui do meu lado? – Muitas pessoas pensariam coisas erradas. Mas ele é meu tio, e eu não teria vergonha de pedir isso para um irmão da minha mãe. E depois, Jesse parecia um anjinho, não havia maldade nele. Por que teria vergonha de pedir isso à um irmão do meu pai?
– Tem certeza? Digo... Se alguém vir, o que vão pensar?
– Se tiverem algo parecido com um cérebro, vão entender que você é meu tio.
Jesse não contestou e veio dormir ao meu lado. Eu me aninhei em seu peito, e dormi assim. Me sentia segura com meu melhor amigo.