Noir
14 Chicago
Jake
Decidido. Voltaríamos para Chicago em dois dias. Eu não podia simplesmente ficar lá parado em uma cama enquanto Fael tentava se matar. Mas virar professor... Urgh, a ideia me dava arrepios... Mas como Cherry reagiria a ser diretora?
O nome parecia um tabu, pois assim que pensei em sua reação, ela abriu a porta.
— Jay! – Gritou ela, me beijando. – Eu estava morrendo de saudade! – Eu me assentei:
— Cherry! Achei que nunca mais fosse te ver! – Disse eu, tomando-a nos braços. – Er... Eu tenho uma notícia pra você, e acho que você não vai gostar... Mas não pode esperar. Eu sou o novo professor de Fael...E você é a nova... Diretora. – Falei bem baixo. Ela considerou a ideia por um momento.
— Bem... Você ser professor me dá liberdade para te chamar quando eu quiser na minha sala... Certo?
— Certo.
— Fazer o que eu quiser, certo? – Perguntou ela, fazendo cara de malvada. Eu ri.
— Certo. E, Cherry... Tem uma coisa que eu quero te dizer... Eu andei considerando sua proposta... Acho que depois de quase morrer minha mente mudou um pouquinho. Eu aceito ter um bebê com você. – Falei. Os olhos de Cherry se iluminaram.
— E qual vai ser o nome do nosso bebê? – Perguntou ela
— Podemos pensar nisso quando ele nascer. – Pedi.
— Bem... Ele não vai nascer sozinho, não é? – Perguntou ela retoricamente. Então ela abriu os botões da minha camisa.
— Cherry... – Comecei eu. Ela me interrompeu, então abriu o botão da minha calça. – Cherry Jesse está ali! – Disse, antes que ela conseguisse me calar outra vez.
— Não está mais! – Disse Jesse passando pela porta e a fechando.
— Você é louca. – Concluí. – Eu não consigo nem me mexer direito!
— Vamos lá, Jake. Você nunca recusaria fazer amor... Não é hoje que vai recusar!
Levantei da cama, mesmo que eu mal me aguentasse em pé, e fui até o tapete.
— Por que o tapete? – Perguntou Cherry.
— Porque camas são muito mainstream. – Expliquei.
Terminando tudo, Cherry se deitou em meu peito.
— Jake, será que você é capaz de me dizer algo fofo? – Pediu.
— Hm...Pandas? – Arrisquei. Eu realmente não era bom em ser romântico.
— Não, Jake. Algo lindo!
— Ah, essa é fácil. Eu! – Falei, brincando.
— Você é um idiota, sabia? – Ela me beijou.
— Ah, maravilha! Você me deixa cego de um olho e o idiota sou eu? – ProvoProvoquei. Cherry me beijou e riu. – Mas, sabe de uma coisa? A pior parte de perder um dos olhos foi não poder ver você com os dois.
— Ownn, você conseguiu! – Alegrou-se Cherry.
— Consegui o quê?
— Me dizer algo fofo! – Cherry aninhou-se em meu peito e dormiu. Ela era tão linda dormindo. Olhei o relógio em cima da mesa. 12:00. Os enfermeiros deviam chegar lá no máximo 12:30. E eles não podiam nem sonhar com o que eu havia feito. Ok, eu tinha de arrumar o lugar. Me levantei. Então eu notei que estava muito suado, e todo dolorido. "Vamos lá, Jake. Você encarou Dlevin, caminhar um pouquinho é fácil." disse para mim mesmo. Mas não era tão fácil assim. Me levantei, e fui até a porta. Tranquei-a. Então andei até o montinho onde estavam minhas roupas e as de Cherry. Vesti minhas roupas, destranquei a porta e me agachei no tapete para acordar Cherry.
— Cherry. Eles não podem saber o que aconteceu aqui. – Ela riu. Ri com ela. – Agora vista-se. – Ela colocou as roupas e eu me deitei na cama de onde nunca deveria ter saído. Então Jesse entrou.
— Por favor não façam mais isso! – Pediu ele. Eu e Cherry rimos. Deitei-me na cama improvisada que haviam colocado lá para mim e esperei chegarem os médicos. Mas ao invés disso chegou Celine.
— Você não tinha ido comer?
— Quanto tempo você acha que isso demora? E... O que aconteceu aqui? – Riu ela. Ela olhou para o tapete. Realmente ele estava todo bagunçado. Celine pensou por um segundo e notou o que havíamos feito. – Ah, então você está melhor... Bom saber. Agora nós podemos parar de te tratar como um enfermo – Disse ela, mordendo minha bochecha. Aquilo doía. – E já podemos te tratar como alguém normal. -– Disse ela, sentando-se na minha barriga. Meus olhos lacrimejaram com a dor. – Afinal, você já tem vigor para voltar às atividades normais, não é? – Ironizou Celine, apertando minha bochecha. Cherry riu.
— Celine... Para com isso... – Esbocei uma fala. – E Fael?
— Está dormindo. – E de repente toda a alegria que estava a cara de brincalhona dela sumiu. Ela parecia ter envelhecido 10 anos só com aquela fala. – Eu acordei ele para comer, mas ele não quis de jeito nenhum.
— Vamos lá, aguente só mais um pouco. Daqui a pouco nós voltamos para Chicago, e ele vai poder ser ajudado. – Tranquilizei. Mas Celine não se aquietou. Ela sentou-se no sofá, tirou o iPod do bolso e começou a jogar Angry Birds. Celine nunca foi de chorar na frente das pessoas, e à qualquer momento podia surgir alguém. Então eu não a vi chorar, embora tenha certeza de que ela estivesse muito triste. O médico chegou. Vários exames em mim e em Jesse, e eles disseram que Jese estava à um passo de receber alta... Mas que eu ainda precisaria de um tempinho. Segundo eles, meu olho estava melhorando. Suspirei. Realmente não era de meu agrado ficar preso lá.
E ser imortal. Ser imortal seria o pior. Digo, à muitas pessoas pode parecer uma maravilha, e eu admito que deve ser. E, sendo apenas um humano que vive demais, eu não tenho as obrigações que os deuses têm. Então para qualquer um seria uma maravilha... Mas seria péssimo ver Cherry envelhecer, e morrer. E ver nosso filho envelhecer, e morrer. E ver meus netos envelhecerem, e morrerem. E ver todo mundo morrer. Mas, acho que eu poderia pensar nisso depois. Mas... será que...
Mordi meu dedo. Ícor dourado escorreu pela minha mão.
— Então é verdade. – Concluí.
— É, você é imortal. Por que não está alegre? – Perguntou Cherry. Olhei para Celine. Ela entendeu o recado, chamou Jesse e o médico, e eles saíram do quarto. – Por que você mandou eles irem embora?
— Porque eu... Hm... Não sou bom em ser sensível. Ainda mais com pessoas vendo. Não torne isso mais difícil, ok? – Avisei – Cherry, você se lembra da minha tatuagem?
— "Born to Die"?
— Isso. Acho que era esse sonho que eu... Contraí naquela noite. Viver com você, morrer com você. Encontrar-te do outro lado da vida. Amar-te para todo o sempre. Eu sou imortal. Agora eu irei ver não só você, mas como nosso futuro filho, nossos futuros netos, cada um que eu amo morrer um dia. E ficarei por aqui amargando tais perdas. Cherry, eu não quero ser imortal.
— Você não precisa pensar nisso. Vamos lá, Jake. Eu só tenho 22 anos, ainda temos muitos anos pela frente. – Cherry me beijou e foi embora. Jesse entrou, mas Celine não. – Onde está Celine? E o filho de Apolo?
— Voltou para o chalé de Eros. Ela tem de cuidar de Fael. E o filho de Apolo foi embora também. – Avisou Jesse. – Você deveria dormir. Tem dias que não dorme direito.
— Como você sabe?
— Tem dias que eu também não durmo direito.
Fui dormir. Acho que Jesse tinha um ponto. Havia dias que eu não dormia direito, a dor não deixava. Mas agora eu conseguia, e estava devendo quase três dias de sono. Fechei os olhos e dormi como uma pedra.
Quando acordei, Celine me sacudia.
— Acorda, Jake! Estamos voltando para Chicago!
— Por quanto tempo eu dormi? – Supreendi-me.
— De sexta até hoje. Hoje é domingo. Você fica fofo, dormindo. Vamos lá, Jake, já temos aula amanhã, e você tem que arrumar um apartamento para morar com Cheryl.
— Tenho?
— Sim, tem. Vocês dois vão ser insuportáveis durante um bom tempo. Vamos lá, deem seu jeito.
— Ah, não preciso. Bem, quando eu fiz 16 anos mamãe comprou um... Prédio para mim. Hm, ela achava que eu precisava de... Espaço. Pelo mesmo motivo que vocês acham. De qualquer jeito, nós podemos morar lá.
— Ah é, esqueci que sua mãe é rica. Maravilha! Jesse pode vir morar conosco, e você e Cheryl moram no seu prédio. Ótimo!
— Sim. As aulas começam amanhã?
— Bem, sim. Começam no começo de agosto. Espero que esteja animado. – Brincou ela. Claro que eu não estava. Digo, eu não sou de ficar muito em casa, e não sou preguiçoso. Mas dar aula não me atraía muito... Mas era um sacrifício que eu faria por Fael. Bem, não posso reclamar. Pelo menos não terei de aguentar um chefe chato.
Saí da Casa Grande. Ainda estava um pouco doído, mas bem melhor. Eu não havia levado muitas roupas para o Chalé de Dionísio, então não me importei de deixá-las por lá. Afinal, eu voltaria ao acampamento mais cedo ou mais tarde. Entrei no táxi. Só havia um problema: Não caberia todo mundo naquele táxi. Precisaríamos de dois.Como foi não pensaram naquilo?
— Será que alguém se voluntaria a chamar outro táxi e ir depois? – Perguntei. Jesse levantou a mão.
— Eu ainda tenho que me despedir de Piper. Deixem o endereço, eu apareço lá depois. – Celine tirou o batom do bolso e escreveu o endereço na mão dele.
— Celine, quando eu acho que você não pode ser mais patricinha, você me aparece com isso. Dai-me paciência... – Estressou-se Cherry. Celine a ignorou. – Vamos logo!
Obedecemos e entramos no quarto. Chegamos em Chicago depois de horas de viagem, durante as quais eu dormi. Assim que entramos em Chicago, dei o endereço para o motorista, e ele deixou à mim e à Cherry no prédio. Dei oi para o porteiro:
— Quanto tempo, Samwell!
— Jake! Achei que nunca mais fosse ver você por aqui!
— Quase acertou! – Ri. Puxei Cherry. – Essa é Cheryl, minha namorada... Ela vai vir morar aqui, ok?
— Ótimo! Um movimento para esse prédio... Tenho que admitir que é chato ser porteiro de um prédio onde não mora ninguém. Todo mês sua mãe manda dinheiro para as despesas do prédio e o meu salário, então o trabalho é praticamente só esse. Seja bem vindo de volta! Qual apartamento vai querer?
— A cobertura, por favor.
— Ótimo, aqui estão as chaves! Tenha um bom dia! – Desejou Samwell. Cherry e eu entramos no elevador e eu apertei o número 15 e o elevador começou a subir. Cherry me puxou pelo colarinho da camisa.
— Onde fica a câmera? – Perguntou ela. Eu apontei o lugar. Ela tirou a blusa e a pendurou na frente da câmera. – Acho que nós temos uma casa nova para estrear. – Disse ela, literalmente rasgando a minha camisa.
— Ei, ei, ei! Vai com calma!
— Hm... Não. – Respondeu ela.
O elevador já havia chegado no 15º andar há muito tempo, mas nós estávamos ocupados com outra coisa.
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