Notas iniciais
Hey, estou de volta! Eu disse que não ia demorar a postar :3 Na verdade, havia comentado que talvez postasse ontem, mas estava uma confusão para os preparativos do aniversário de 4 anos da minha sobrinha, e não consegui terminar e postar. Aí está hoje XD Boa leitura e até lá embaixo!

Eu estava ansioso.

O mundo humano, parecendo tão minúsculo visto dali, oscilava mais próximo e mais distante conforme eu me balançava.

Minha primeira missão.

Me lancei ligeiramente para frente, deixando meu corpo ser puxado pela gravidade, sentindo que iria cair, e então arrastei as asas dobradas para frente num movimento rápido, me colocando de volta em equilíbrio.

Eu praticamente sentia a tensão ao meu redor. Minha família havia se reunido para observar meu desempenho, e eu sabia como eles se sentiam. O “Príncipe do Amor” não deveria estar em uma posição em que precisasse sujar as mãos. Entendia aquela preocupação, mas eu queria fazer aquilo. Estava curioso. Quão abrangente era aquele universo? Como era além do Céu?

Assim que as portas de saída do Grande Palácio se abriram, para que eu encontrasse a alma que deveria coletar, meus olhos vasculharam avidamente o que chamavam de mundo dos humanos.

A primeira coisa que notei foi a falta de asas. Já sabia desse fato, mas vê-los me passou a sensação de surrealidade. Seres presos ao chão! Só conseguia imaginar que eles talvez tivessem tantos problemas e crises quanto haviam me dito por esse motivo. Ninguém poderia saber o que era a liberdade real sem poder rasgar os céus em um arco com a força dos próprios membros.

E então vasculhei as silhuetas distantes, analisando as diferentes tonalidades que cada uma delas adotava. Elas diziam muito sobre a forma de viver, o que faziam ou deixavam de fazer.

Meus olhos pousaram sobre a mais brilhante naquele momento, pois era o meu alvo. Melissa, haviam me dito o seu nome. A alma dela tinha um tom vívido de azul, e eu não fazia a menor ideia do que isso significava.

Meu corpo inteiro estremeceu por um momento, o sinal de que estava na hora.

Puxei o ar para meu pulmões, e então saltei para frente, caindo em alta velocidade na direção daquele planeta vasto, sentindo o vento passar forte e uivante ao meu redor.

Dei um sorriso involuntário, enquanto expandia os músculos das costas, estendendo minhas asas em todas as direções até alcançarem sua totalidade; que não era grande coisa, se comparada às asas de um Serafim. Imaginei se eu tivesse me tornado um deles, como todos meus irmãos imaginavam que aconteceria, e me questionei por que, de fato, havia sido escolhido como Coletor. Não que tivesse do que reclamar, muito pelo contrário.

O vento foi se acalmando até tornar-se uma leve brisa, e me vi planando sob um véu de estrelas. As construções e pessoas agora já não pareciam tão pequeninas, e estavam completamente alheias à minha presença.

Pude ver ao longe um oceano de águas escuras, e não consegui deixar de comparar ao Rio de Prata do Céu. Este jamais era influenciado por dia ou noite, já que não havia ausência de luz em meu lar.

Avancei até um sobrado, cujas paredes claras se destacavam no escuro. As luzes da entrada estavam acesas, revelando um enfeite de natal desgastado pendurado à porta, completamente fora de época. Era junho no mundo humano.

Pousei sob aquela pouca iluminação, já que os postes da rua estavam apagados, e esfreguei as mãos no jeans que usava, sentindo-as suadas. Só notei o quanto estava nervoso com aquela missão naquele exato instante antes de realizá-la.

Apertei os lábios, e estendi a palma da mão direita, apoiando-a na madeira da porta. Fechei os olhos e tentei me concentrar, focalizando em minha mente o espírito azulado.

Senti uma formigação em minhas costas, de onde as asas saíam, e então a textura sob os meus dedos sumiu.

Ao reabrir os olhos, estava em um quarto apertado. O único espaço livre era a entrada, onde eu me encontrava.

De frente para mim, uma cama ocupava quase todo o espaço, e era preciso estar sobre ela para mexer na mesa de computador à esquerda ou mesmo no guarda-roupa à direita. Era inusitado. No Céu, nossos quartos eram grandes salões nos quais dormíamos em grupos sobre lençóis e almofadas.

Me senti sufocado e estranhamente solitário ali.

Um movimentação me fez olhar para a humana. Um cobertor enroscava-se nela de forma engraçada. Da boca entreaberta deslizava um fio de saliva, e uma das mãos estava espalmada sobre a barriga, como se a estivesse coçando alguns momentos antes.

Melissa resmungou qualquer coisa, me fazendo saltar no mesmo lugar, surpreso.

Fiquei paralisado por alguns instantes, e então dei um sorriso tenso. Suspirei, não era preciso tanto nervosismo, meu trabalho deveria ser fácil ali.

Aproximei-me da humana, fazendo uso da minha capacidade de imaterialidade para transpassar as pernas na cama espaçosa. Me coloquei ao lado dela e observei o emaranhado de caracóis negros que se espalhavam pelo colchão, formando uma moldura desregular ao redor do rosto adormecido.

Uma estranha e incontrolável curiosidade me fez estender a mão, tocando a sua bochecha, observando como meus dedos extremamente pálidos pareciam confrontar aquela pele negra.

A textura, eu descobri, não diferia daquela que nós, os anjos, possuíamos. Era mais quente, mas nada muito brusco ou particularmente notável.

Abaixei o corpo para realizar meu trabalho, e notei por um rápido instante um aroma agradável, que eu não sabia dizer de qual parte da humana vinha, mas que me dava uma sensação aquecida de conforto.

Observei os traços do rosto de Melissa enquanto me concentrava em seu espírito, passando os braços por debaixo dela, meus membros sequer tocando seu corpo físico, mas sim puxando a alma contra meu peito.

A forma dela que se encontrava em meu colo era fosca e suas feições oscilavam, de forma que eu não podia mais identificá-la como aquela humana caída — agora morta — na cama.

Expandi as asas, que ignoraram completamente os limites físicos daquele mundo ao ocupar o mesmo espaço que todos aquele móveis amontoados, e me lancei para cima.

Meu coração se encontrava disparado. Eu estava muito próximo de concluir minha missão, e sentia certo orgulho por isso. Bastava apenas ir até o portão do Reino dos Mortos, e então deixar que ela seguisse seu caminho a partir dali.

Um empurrão súbito em meu peito me fez travar as asas, assustado, notando que a alma deslizava para longe de meus braços. Olhei para baixo, e vi que o espírito de Melissa havia tomado certa solidez, um par de olhos escuros me encarava com surpresa enquanto o contorno dos cabelos encaracolados esvoaçavam livremente.

Pasmo, ainda estendi a mão em sua direção, tentando capturá-la, puxá-la de volta para mim, minhas asas se viraram para descer em um rasante, mas a forma que eu buscava já havia sumido na construção abaixo, a casa da humana.

Minha surpresa havia travado todos os meus reflexos. Podia ver claramente a garota acordando bruscamente em seu quarto. Eu não…

Uma lufada de vento me fez erguer os olhos, e vi uma figura parada a flutuar.

Engoli em seco. Já havia ouvido falar sobre ele. As gigantescas asas negras. Os olhos frios e opacos. As cicatrizes que cortavam sua pele exposta. Não era um anjo, era outra coisa, uma criatura que vivia isolada em algum canto do meu lar.

Não sabia como podia ter chegado tão rápido ali, mas isso já não importava.

Era o Vingador. E ele só existia para um propósito: rasgar permanentemente as asas de um anjo que fosse expulso do Céu.

Notas finais
Espero que tenham gostado s2 Então, eu já estava sem computador, agora parece que fiquei sem internet também. Estou dependendo de vir na casa da minha avó pra usar a internet, então talvez eu demore mais do que pretendia pra estar postando (não muito mais que uma semana, prometo). Ah, sobre a história e detalhes da vida do Theliel, serão revelados mais à frente. E no próximo capítulo tem a visão da Melissa sobre esse acontecimento de quase-morte XD Críticas, sugestões, elogios, dúvidas: review ou MP, e também o facebook :3 hehehe Beijinhos