No Tenderness
6 VI. Son
Notas iniciais
son/filho.
Arturia incomodou-se com a luz diurna vinda da veneziana escancarada, e somente por isso passou a ser acordada de seu sono. Tinha sono leve, qualquer inquietação no ambiente, sendo luz ou ruídos, era capaz de deixá-la desperta. Forçou as pálpebras sem antes abri-las e inspirou profundo sentindo uma agradável essência masculina, o que a fez lembrar-se imediatamente do que havia acontecido.
Finalmente abriu os olhos, percebendo seu rosto estar diretamente contra o peitoral nu do Rei dos Heróis com quem passara a noite. Ela comprimiu os lábios em nervosismo, piscando poucas vezes, tentando analisar sua atual situação; estava no embaraço de Gilgamesh, imobilizada por seus fortes braços que a cercavam até mesmo por sua perna. Só então a menina notou estar longe do travesseiro, usando o próprio bíceps do homem como apoio. Ela gostaria mesmo de evitar acordá-lo, mas no como se encontrava agora, seria impossível sair da cama sem o despertar.
Arturia fingia não saber o porquê Archer tanto se mostrou interessado nela durante suas batalhas, mas sempre soube sua real intenção. Não havia como negar aquela devoção a ela, e depois de terem se relacionado na noite anterior, tudo se tornara ainda mais claro. Suas finalidades sempre foram as mais egoístas, a teria absolutamente para si, e caso não tivesse, então tomaria drásticas atitudes. Não que isso o fizesse menos dominador, mas nunca a machucaria, pelo menos não em situações que não envolvessem rejeições.
Em todos os pecados que antes cometera, ela não lembrava-se de um que fosse tão prazeroso. Não sendo uma virgem santa como Caster a via, aquilo a tornara somente mais humana. Arturia mantinha a castidade como um dever por seu povo, não havia tempo para relacionamentos. Antes que pudesse tirar Caliburn da pedra, Merlin lhe avisara sobre um encargo maior que cairia sobre seus ombros, aquele que tirasse a espada cravada da rocha se tornaria rei de toda Bretanha, e como consequência, não mais seria humano. Suas palavras haviam sido claras. Nem mesmo Guinevere, apesar do casamento de fachada, pode tornar real o que Gilgamesh fizera em uma única noite, reverter Arturia Pendragon na menina que sigilosamente sempre fora.
― Já está acordada, ― resmungou ainda sonolento, chamando sua atenção. ― minha leoa? ― ela estremeceu ao ouvir o som rouco da voz de Archer.
Como ontem, ainda não havia vestígios de culpa ou arrependimento em sua mente, ao contrário, ela tinha realmente apreciado o que fizeram. Constrangeu-se com tal pensamento. Saber se encolheu entre o abraço do homem, sentindo suas fortes mãos a acariciarem pelo quadril, ganhando um beijo no olho esquerdo, outro arrastado pela sua bochecha e por fim, um demorado na testa. O Rei dos Heróis não media afeição se tratando de seu precioso tesouro recém conquistado.
― Prefiro que não use títulos para se referir a mim.
― Não são títulos, são apelidos carinhosos, Arturia.
― Prefiro que não use apelidos carinhosos para se referir a mim. ― ouviu-o estalar a língua, o conhecendo por tempo suficiente para entender tê-lo irritado.
― Nós vamos se casar, e então eu vou te chamar do que eu quiser, amor. ― ironizou afastando o lençol de seu corpo nu para então sair da cama.
O susto de suas palavras a tomou por um breve instante, desfocando sua vista, não havia pensado na sucessão do ato de ter transado. Arturia não podia entregar-se a um só alguém, todavia assim havia feito e agora lidava com a consequência de ter cedido seus instintos femininos.
― Você enlouqueceu? ― indagou com o tom alterado, puxando o lençol para cobrir-se.
― O quê? ― vestia um robe preto de seda fina, virando-se para encará-la tão surpreso quanto. ― Não me diga que você achou que faríamos apenas sexo! Arturia! ― riu ele.
― Não vou me casar com você! ― rebateu nervosa. ― Estamos em uma guerra, não sabemos por quanto tempo nossos mestres estarão aliados, e por favor, nós somos inimigos!
― Não é você quem decide. ― terminou de amarrar desajeitadamente o tecido, deixando uma longa abertura expondo seu peitoral forte, subindo na cama por cima da menina.
Colocando um joelho entre suas pernas e imobilizando-a pelos punhos postos rente seu rosto sobre o colchão, Gilgamesh a intimidou com um sorriso torto. Saber se viu outra vez presa aquele olhar rubro sangue, sem poder evitar ou negar, senão apenas entregar-se. Ele vagarosamente aproximou-se de sua mandíbula, percorrendo a linha de seu maxilar com a língua, parando para beijá-la o pescoço. O Rei dos Cavaleiros aproveitou a distração do homem consigo mesma para soltar os punhos antes presos, circulando as pernas pela cintura do homem, jogando-o por fim ao lado oposto, caindo assim sentada sobre ele. Gilgamesh expressou surpresa com um sorriso confuso, não esperava que ela gostasse de ficar por cima.
― Eu não vou me casar com você. ― afirmou convicta, mal percebendo que tinha as mãos sobre o peitoral exposto do loiro.
― Atualmente, se existem sete maravilhas nessa era, ― posicionou as mãos nas coxas paralelas de Arturia sobre si. ― eu sou todas elas e muito mais, então não vejo motivos para você não querer se casar comigo. ― sua frase proferida de forma natural a fez revirar os olhos com tanto convencimento. ― Além disso, não vamos apenas nos casar, você terá um filho meu. ― puxou-a para um beijo antes que viessem mais protestações. ― Ou filhos, porque sou eu quem decido. ― resmungou entre os lábios da menina irritada com a pouca consideração que ele tinha.
Abruptamente, Gilgamesh puxou o lençol que ainda enrolava-se pelo corpo nu de Arturia, percorrendo as mãos por onde desejasse. Rendendo-se então, ela deitou-se sobre ele sem mais reações contrárias, por outro lado ainda via-se irritadíssima, o que a levou a não submeter-se por completa, agindo tanto quanto ele, faminta tanto quanto ele.
― Não vou ter um filho seu. ― afirmou com as mãos dentro do robe fino, acariciando-o durante o beijo abrasador.
― Se continuarmos no ritmo em que estamos, muito em breve você estará errada. ― debochou.
― Essa é a última vez... ― choramingou ela sentindo-o subir as mãos pelo seu seio, ainda lutando em mostrá-lo o quão forte era tratando-se dele em especial.
― Não existe uma última vez comigo, minha leoa.
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