No Tenderness
7 VII. Animal
Notas iniciais
animal/animal, selvagem.
Seu trono reluzia tanto quanto sua armadura, e todo fulgor do ambiente vinha de sua notável e resplandecente presença. O altar separava-se do salão por cortinas da mais fina seda, e suspensas a elas, correntes de ouro minuciosamente detalhadas sustentavam o tecido impedindo-o de bagunçar-se. Gilgamesh bebia do melhor vinho que podia obter-se no mundo, e em toda sua glória, era adorado como Rei dos Heróis pelos servos abaixo do altar.
Ele piscou e a atmosfera ali tornou-se instável, não havia mais guardas e serviçais, as cortinas antes imóveis agora esvoaçavam e ele sentia aquela ventania, embora não houvesse janelas na sala. Sentado ao trono e de punhos cerrados, o governante de Uruk por um instante não amaldiçoou os deuses que um dia lhe abençoaram em seu império babilônico, aquele transtorno cessou antes. As pedras ancestrais das paredes estremeceram e as cortinas vagarosamente abaixaram, então ele notou seus fios loiros caírem aos olhos e não estar mais de armadura.
Era como a calmaria após uma tempestade.
Através das cortinas translúcidas, ele distinguiu uma silhueta feminina atravessar o arco colossal da entrada. O salão alto e de paredes congruentes, era como um gigante corredor lotado em seus extremos com todos os tesouros já conquistados por Gilgamesh, todo seu ouro e preciosidades amontoavam-se pelo chão e formavam pilhas entre as colunas. Ela caminhava no centro pelo majestoso tapete que ligava o trono à saída.
Toda a lucidez da sala era refletida de seu ouro, contudo, nada ali parecia equiparar-se ao esplendor da menina que vinha a ele. Não tardou em reconhecê-la, Arturia tinha uma expressão solene, nunca antes vista pelo Rei dos Heróis, era uma feição apaixonada. Ela trajava as vestes de uma verdadeira imperatriz babilônica, tecidos em diferentes tons de azul cingidos sobre um vestido de alças neutro, e braceletes e pulseiras adornavam-na os braços. Era em geral semelhante ao que Gilgamesh vestia, entretanto transmitia feminilidade.
Ela parou aos degraus do altar, prostrando-se em uma rápida reverência, e então as correntes desprenderam-se das cortinas, e o peso do ouro em estardalhaços trincou o chão. Antes que Saber elevasse seu olhar ao rei, o cenário mudou, não estavam mais à sala dos tesouros. Localizado ao topo do maior templo de Uruk, estavam no trono principal e tinham uma ampla vista da capital. Ele por si só era um escultural monumento, pedras esculpidas em cuneiformes decoravam as paredes e exaltavam em palavras o épico herói.
Gilgamesh estava em casa, sentado ao trono, e a mulher que escolhera como sua avançava a ele o encarando com o olhar de um genuíno animal, como um predador estudando a presa antes de atacá-la. Seus fios soltos sutilmente moviam-se acompanhando seus passos mudos, a brisa também brincava com suas mechas mais leves jogando-as à frente de seus ombros expostos, e ele não podia conter aquele fascínio.
Saber subiu o assento alcançando a altura do homem pela ponta do pé direito e mantendo apoio com o outro joelho colocado entre a virilha do Rei dos Heróis. Suas mãos, postas aos braços do trono, cercaram-no. Ela curvou-se e suas faces se atraíram feito imãs, ele esperou um beijo que não veio.
Ela espreitou-se à nuca do louro, quase colando-lhe os lábios entreabertos ao ouvido.
— Faça-me sua. — era uma ordem.
A essência pura que ela exalava não condizia com suas palavras, não obstante, ali estava Gilgamesh dominado por sua sentença, entregue, de guardas baixas. Sem cerimônias, Arturia elevou o torço segurando o vestido para alcançar o trono, e estando agora sobre Archer, ela sentou-se sobre suas pernas contornando as dele.
Arturia tocou-lhe o peito nu e o empurrou.
Como se não mais existisse física, sua visão nublou-se e em uma breve queda suas costas atingiram o colchão da cama no instante seguinte, e para seu espanto, sua Arturia permanecia sentada sobre seu quadril. Identificou ser seu quarto pela mobília exuberante e os destaques dourados.
Antes que ele sequer tivesse a oportunidade de questioná-la, ela colou seus lábios aos dele em um beijo faminto. Sua língua sentia a urgência da dele, e Gilgamesh não demorou em correspondê-la. Suas mãos envolveram as coxas dela em um aperto, para então lhe apalpar a bunda e deslocá-la pela sua pélvis. Era capaz de senti-la removendo sua roupa com uma mão e a outra lhe arranhando a barriga exposta. Aquilo lhe parecia real o suficiente e o como se tocavam assemelhava-se ao selvagem.
Suas roupas caíam pela cintura, os tecidos foram arregaçados a fim de priorizar o sexo imprescindível. Gilgamesh jamais havia sido dominado antes, entretanto ter Arturia montada em si e assisti-la excitada, fazia-lhe querer viver aquilo pelo resto de sua imortalidade.
Seu interesse nela não era meramente carnal, os ideais e a teimosia do Rei dos Cavaleiros o encantou, Gilgamesh não acreditava que houvesse mulheres no mundo dispostas a recusá-lo. Ele a propôs em casamento, mas tinha em mente que seu brilho estava em se opor a ele, talvez fosse isso que tornava tê-la em si tão surreal.
Arturia nunca o amaria, e por algum motivo isso soava bem para ele, desde que pudesse sempre recorrer a ela ali, ele aceitaria sua platônica situação.
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