No Tenderness
3 III. Whisper
Notas iniciais
whisper/sussurro, cochicho.
Mais cedo, a equipe de Saber foi solicitada para uma aliança com Tohsaka Tokiomi. Maiya entregou à Irisviel uma carta selada com a insígnia da poderosa linhagem de sangue Tohsaka, elas se perguntavam o que eles pretendiam com uma trégua àquela altura da guerra. Encontrariam-se em uma reunião de noite na igreja de Fuyuki, e segundo a guarda-costas pessoal da Einzbern, seria um desperdício recusar a oferta sabendo-se do envolvimento de Tohsaka com Kotomine Kirei, atual objetivo da dupla.
Desde muito antes, os Einzberns e executores como Kirei não tinham um bom histórico de envolvimento, depois que Kiritsugu se aliou à família juntamente com Irisviel para garantir que eles obtivessem o Graal naquela guerra, a situação piorara. Com uma possível aliança e as palavras certas, os Einzberns poderiam tirar Kotomine da Quarta Guerra Santa. Mesmo que Tokiomi os considerasse mais fracos em relação aos outros, Irisviel não podia deixar aquela solicitação passar, afinal, Kirei era o único que poderia derrotar Kiritsugu e vencer a guerra.
Estavam ambas as equipes em três, perto do altar encontrava-se Tohsaka, Kotomine e Archer, enquanto no outro extremo da pequena igreja estava Irisviel, Saber e Maiya cuidando da entrada. A tensão exalou-se pelo ar desde a chegada das mulheres, ninguém sentia-se confortável ali.
― Primeiro ― Tokiomi iniciou quebrando o silêncio. ―, permitam que eu lhes agradeça por terem vindo ao meu encontro.
Saber dividiu sua atenção conforme Tohsaka falava. Ele prosseguiu com as apresentações e perguntou a sua mestra a opinião dela quanto ao andamento da guerra. Discutiam cada um suas propostas e ouviam abertamente ao outro. Até aquele ponto tinham uma reunião amigável, mesmo com Irisviel impondo suas condições acerca de Tohsaka compartilhar suas informações sobre Rider e seu mestre, e sobre Kotomine Kirei ser retirado da guerra. O que verdadeiramente incomodava a menina ali, era Archer colocado de canto na discussão. O Rei dos Heróis mantinha um sorriso sarcástico nos lábios durante toda a conversa, como se visse alguma diversão naquilo e sequer disfarçou em apreciar sua imaculada Saber. Ele conseguia irritá-la sem nem mesmo ter aberto a boca para falar.
― Algum problema para você, Saber? ― O cavaleiro havia distraído-se, voltou a si quando ouviu sua mestre perguntar-lhe algo que não entendera.
― Perdoe-me senhora, problema com o quê? ― disse ela ainda por fora da conversa.
― Tohsaka sugeriu que nossos servos fossem deixados em outra sala para não haver interferência ou que colocássemos a reunião em jogo enquanto negociamos.
Saber absorveu as informações piscando pensativa antes de assentir com um sinal positivo. Ela não queria ter aceito aquilo, não queria estar numa sala a sós com Archer, mas também não podia deixar que a possível aliança de Irisviel e Tohsaka fosse ameaçada por sua presença. Se eles julgaram ter os servos entre eles uma intimidação, eles deveriam retirar-se. O Rei dos Cavaleiros tocou o ombro da Einzbern, incitando que ficaria bem e em seguida direcionou-se ao altar da igreja onde se encontrava o outro espírito heroico. Gilgamesh não parecia feliz em receber ordens de Tokiomi. Quando Saber aproximou-se, o louro estalou a língua irritado e seguiu o caminho de uma porta que ela não havia reparado no púlpito. Arturia deduziu que deveria segui-lo.
Entraram em um corredor pouco iluminado, decorado com pinturas de santos que ela não conhecia e diversas cruzes penduradas. Ele aparentava conhecer bem aquele lugar. Não muito adiante o homem parou sem aviso prévio, como se pensasse aonde ir. Se a menina não estivesse atenta ao caminho poderia ter se chocado contra suas costas, agradeceu mentalmente estar alguns centímetros atrás dele. Havia algumas portas dispostas pelo corredor intercalando-se em meio aos quadros, Gilgamesh voltou a andar, abrindo uma daquelas portas e adentrando, Saber o seguiu instintivamente.
A cadeira de couro posicionada atrás da escrivaninha, a decoração mórbida, aquela tintura marrom escuro sobre as paredes e principalmente aquele estranho xadrez com peças das classes de servos da Guerra Santa, tudo ali denunciava que aquela sala era de Kotomine Kirei. Saber reparou em cada canto empoeirado, cada estatueta e até mesmo nos papéis por serem preenchidos, o ambiente por inteiro lembrava-a do padre executor.
― Sinta-se a vontade ― Gilgamesh disse antes de despojar-se no sofá.
Arturia nunca em sã consciência sentaria perto o suficiente de onde os braços dele pudessem alcançá-la. Ignorou o convite implícito do herói dourado que deixara um espaço vago ao seu lado. Ela recostou-se a mesa, ajeitando o terno e pressionando os botões da manga. Estava ali por uma obrigação como serva, não era como se quisesse passar um tempo a sós com aquele homem.
― Deseja beber? ― ofereceu um dos copos de ouro que acabara de tirar do Portão da Babilônia, colocando-os sobre a mesa baixa que tinha em frente ao sofá.
― Obrigada ― negou e agradeceu num único movimento.
― Se vamos nos aliar, devíamos beber juntos como os bons reis que somos, não acha? ― Ergueu o cálice de ouro que enchera para si próprio, brindando sozinho.
A menina aquietou-se em seus pensamentos, refletindo no que o Rei dos Heróis dissera. Ele parecia certo daquela aliança, sequer considerara as possibilidades contrárias, o que significava o quanto Tohsaka era convicto de sua superioridade chegando a afetar Archer. Saber não aceitaria o convite do louro, preferiu manter-se calada e ignorá-lo até o momento em que pudesse voltar até sua mestra. Desde que entraram na sala e fecharam a porta, ele parecia querer caçá-la em ambiente fechado, esforçando-se em investidas falhas como deixar espaço vago no sofá e convidá-la para beber. Pena o nobre cavaleiro não ser assim tão facilmente tapeado.
Arturia desviou a atenção do herói dourado para analisar as peças no tabuleiro de xadrez sobre a escrivaninha. Perguntou-se a razão de Kirei tê-las, pareciam feitas sob medida. Substituíam as peças comuns do jogo lógico, mas obviamente não tinham a mesma função. Passou os dedos pelos peões na frente de cada classe de servo, provavelmente tomavam lugar dos mestres. E enquanto perdia-se na apreciação das peças, sentiu de súbito o Rei dos Heróis atrás de si. Ela havia o dado as costas e ele sabiamente aproveitou para aproximar-se sem ser evitado.
Gilgamesh sentiu o corpo da menina pressionar levemente contra o seu no susto, havia a feito recuar um passo, mas mudou de ideia quando o sentiu. Ele atravessou um braço em frente a visão dela, alcançando uma das peças do tabuleiro. Sentia a menina tensa contra seu peitoral. O ato de arquear-se para pegar a peça a deixou nervosa, achegou-se mais que o previsto e ela não reagiu como o esperado.
O Rei dos Heróis pegara justamente a peça que representava a classe Saber. Descolou-se dela quando voltou a sua postura ereta, dando espaço para que ela virasse para encará-lo, mas não espaço suficiente para que escapasse de si. Encurralada, ela não viu outra opção senão cedê-lo a atenção devida.
― O que você quer? ― questionou cruzando os braços outra vez sustentando o corpo na mesa, o encarava duramente sem desviar o olhar.
Sátiro. Cínico. Gilgamesh sorria da maneira mais sádica possível, satisfeito e incapaz de esconder o que sentia vendo-a tão presa a si. Saber podia jurar que desde seu tempo como Rei da Bretanha, nunca conhecera um desgraçado como ele.
― Quanto mais você me evitar, mais eu vou te querer. ― Levou a peça de Saber até a boca, roçando-a em seus lábios, não como num beijo, mas como uma carícia sensual. Seu olhar carmesim como sangue delatava seu desejo, gritava o quanto a queria. Ela quase não podia mais olhá-lo sem sentir-se afrontada. Um pensamento involuntário dizia quanto seu cabelo loiro rente aos olhos e baixo caiam-lhe melhor.
Ela quase não o via com roupas casuais, como inimigos era realmente bizarro estarem tão confortáveis um com o outro. A camisa folgada de gola aberta exibia boa parte de seu peitoral rígido, Arturia podia ver com precisão cada linha esculpida de sua clavícula. O colar dava-lhe o charme devido, a luxúria era um atrativo em si, o dourado evidenciava-se nele como em ninguém.
― Até quando vai fingir que não estou aqui? ― Puxou-a pela gravata, trazendo seu corpo esguio para si, sussurrando rouco em seu ouvido direito. ― Artoria Pendragon? ― enfatizou seu nome num sussurro, quase arrancando-lhe todo o fôlego dos pulmões.
Desde a derrota de Caster, onde Saber enfim usara abertamente seu Fantasma Nobre, ela sabia que os servos presentes reconheceriam-na, incluindo o Rei dos Heróis.
― Archer! ― repreendeu-o tentando falhamente se afastar.
Gilgamesh soltou a peça dourada que segurava, para poder levantá-la pela cintura e sentá-la na mesa. Encaixou-se entre suas pernas, voltando a mesma mão de antes para sua gravata deslocada, enquanto a canhota pressionava-lhe o quadril. Afinal, não diziam que Gilgamesh era um homem de pouca atitude. Acostumado a tantas concubinas cederem-lhe prazer sem esforço algum, desejar uma mulher como Saber e não tê-la era quase uma heresia, mas não negava divertir-se com as recusas da menina.
Afundou o rosto entre a curva de seu delicado pescoço, inspirando seu aroma, pronto para abocanhá-la. A mão que antes puxava-a, agora afrouxava sua gravata negra e desabotoava os primeiros botões da camisa social. Era um pecado seu bem mais precioso manter-se com tanta roupa numa situação daquelas. Um pecado mais hediondo era uma mulher como ela trajar-se feito um homem diante de seus olhos. Entretanto, Gilgamesh conseguia perdoá-la imaginando que seria melhor que não ela não se expusesse tanto por ser apenas sua.
Somente parou de torturá-la quando encostou os lábios a sua doce pele. Trilhou beijos úmidos pela linha de seu maxilar, em seguida o pescoço, ombros, chegando a clavícula exposta com o terno arregaçado. Passou a língua ali, arrancando um suspiro gostoso da menina que apreciava seus toques antes em silêncio. A mão do homem, que anteriormente apenas permanecia em sua cintura, passou a escorregar pelo quadril, alisando-a e descendo mais, matando-a no âmago com tudo aquilo. Saber podia ser um rei antes de ser uma mulher, mas isso não a impedia de permitir-se aquelas sensações.
― Está parecendo uma menininha ― sibilou ele roçando os lábios sobre a bochecha dela, pressionando-a com o queixo. Apalpou sua coxa, apertando-a com a mão inteira.
― Não que eu seja uma. ― Ela o empurrou com os pés de súbito.
Saber desceu da mesa num pulo, ofegante e corada. Abotoou a camisa e ajeitou a gravata, ignorando o que havia acabado de acontecer. Gilgamesh encarava-a da parede que havia sido jogado, abismado com a atitude da menina e talvez ainda mais encantado. Aquilo o lembrou da razão de ter se apaixonado pela menina da espada lendária. Ela sempre conseguia o controlar, independente da situação, ela podia manter-se sã sob ele.
― Irei checar a negociação, não venha atrás.
Gilgamesh assentiu vendo-a deixar a sala. Os últimos instantes ainda viviam intensamente em sua mente e não iria esquecer-se tão cedo do dia em que domou o leão. Apesar de ter sido colocado de lado em seguida, conseguia contentar-se com aquilo.
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