Notas iniciais
Hm, queria deixar claro que estou explorando situações que não aconteceram nas rotas de Fate, vão entender o que quero dizer quando lerem esse capítulo. Trabalhar com o Gilgamesh e a Saber é bem complicado quando estamos falando de um vilão e uma protagonista, e mesmo todo mundo sabendo que eles tem sim momentos significativos (ainda mais se sabendo do amor/fanatismo dele por ela), criar cenas que obedeçam o enredo e os personagens se torna uma tarefa um pouco complicada. Ou seja, vou explorar situações na quarta e quinta guerra, imaginando que os mestres deles sejam aliados, ou encontros durante uma luta e outra, ou quem sabe modificar as próprias cenas deles retratadas nas novels e animes. Mas não se preocupem, não serei repetitiva quanto ao enredo e ambientação da história. Enfim, o capítulo de hoje foi baseado no episódio 8 de Carnival Phantasm. Espero que gostem!

loud/alto, barulhento.

Saber ainda perguntava-se onde estava com a cabeça quando chamou Gilgamesh para sair depois de seu turno.

Ainda que fosse apenas uma substituta como atendente, trabalhar por um dia naquele café maluco rendera-lhe muita dor de cabeça. Lembraria-se de não aceitar mais pedidos de ajuda como esse, porque tudo teria ocorrido bem caso aquele servo sem mestre não tivesse ouvido rumores de que ela estava mesmo ali, não que ele fosse o único culpado, mas desde que chegara ao local tudo piorara. E depois de tanto estresse, ela ainda deixou que sua versão alternativa a tomasse, certamente se estivesse pensando direito, nunca faria um convite daqueles.

Depois do pedido repentino de seu precioso tesouro, o Rei dos Heróis esperou até que o último cliente do café fosse embora e que contabilizassem o lucro do dia. Mesmo sendo contra, aguardou também que a loira trocasse o uniforme de maid ‒ o qual caíra-lhe muito bem, em sua opinião ‒, pelas roupas casuais. Gilgamesh não se continha em ansiedade de sair dali e levá-la ao melhor restaurante que pudesse achar, não deixaria que Saber se arrependesse de chamá-lo para sair.

No fim, acabaram de fato em um restaurante finíssimo, encarando lados opostos, com a menina entediada. Haviam inclusive perdido as contas de quantos assuntos foram puxados e morreram sem menos de três minutos de conversa. Gilgamesh reservara uma sala inteira somente para os dois e talvez aquele silêncio todo não estivesse ajudando.

O ambiente fechado era incrivelmente bem decorado com vasos e outros objetos que não pareciam ser baratos. Saber preocupava-se com as roupas que vestia serem simples demais para a ocasião, e o quanto seu acompanhante gastaria já que havia decidido pagar tudo sozinho. Absorta em pensamentos, seus dedos batiam inconfortáveis sobre a mesa de vidro. Passou a observar a porcelana esculpida dos pratos vazios e o quão límpido aquele copo à sua direita estava, eles pareciam mais adeptos àquele lugar do que ela.

― Você parece aborrecida, Saber ― comentou bebericando da taça de vinho que segurava.

A menina suspirou levemente, talvez devesse disfarçar melhor. Não queria estar ali, mas havia sido ela mesma quem o chamara para sair, devia ao menos entretê-lo. No fim não achou o que dizer ao homem.

― Sabe ― esboçou um sorriso fraco antes de continuar. ―, a construção do restaurante inteiro, o salário mensal de quem trabalha aqui, cada decoração e o que eles tiverem de mais caro neste lugar ― Ele sabia com exatidão o que incomodava seu mais precioso tesouro. ―, não é suficiente para se igualar ao seu valor. ― Assistiu a garota engasgar com o copo de água que bebia. ― E a única coisa que torna esse lugar verdadeiramente belo, é a sua presença. ― Aquilo realmente afastou o sentimento de inferioridade que passava-se pela sua cabeça e apesar de tê-la deixado tímida, Saber sentia-se melhor. ― Oh e claro, você está comigo! Quem não gostaria de estar comigo?! ― Gilgamesh terminou numa risada convencida, estragando o clima que ele mesmo criara.

Em seguida os pedidos que haviam sido feitos chegaram, foi preciso três garçons para entregar-lhes tudo e a grande maioria dos pratos ficaram do lado que a menina sentava-se. O herói dourado pediu mais uma garrafa do melhor vinho que a casa tinha, então ambos focaram-se em comer.

― Servida? ― Seu adversário de outras épocas levantou a garrafa recém aberta, oferecendo-lhe educadamente.

― Por favor. ― Artoria estendeu-lhe sua taça e o assistiu despejar o vinho no vazio do recipiente.

Saber era um rei antes de tudo e ela como um, havia bebido em outros tempos. Não que isso fosse usual de sua parte, ainda que fosse pura em outros aspectos, ela não era uma criança. As diversas guerras pelas quais lutou, o sangue que viu de bravos guerreiros jorrar e tantos cadáveres que não podia contar, tudo aquilo a faziam madura o suficiente para aceitar uma taça de um bom vinho do Rei dos Heróis por vontade própria.

Mas mesmo depois de satisfazer-se com a ótima comida do restaurante, as taças foram esvaziadas continuamente após serem enchidas e aquele ciclo passou a preocupar Gilgamesh.

― Saber, hm, nós pedimos sobremesa, você se lembra? ― Fez menção de tirar a garrafa quase vazia de perto dela, mas levou um tapa na mão enxerida.

― Eu lembro! ― retrucou puxando o vinho para seu lado.

O homem de olhar carmesim encarou-a proteger a garrafa contra seu peito, imaginando o quanto gostaria de ser aquele vinho. O clima tornou-se pesado, não conversavam mais como antes enquanto comiam, ela estava deveras alterada e não havia sequer bebido tanto quanto ele. Cada um tinha seu limite afinal, e o de Saber esgotara-se na terceira taça. Mas talvez aquilo não fosse tão ruim se ele conseguisse controlar a situação.

Não demorou para que a sobremesa fosse servida, assim como mais cedo no café, ele havia pedido bolo. Era uma única fatia, coberta por glacê e apenas um morango decorava o pedaço. O Rei dos Heróis cortou uma pequena porção com o garfo, degustando-o rapidamente em somente um bocado. Ele admitia sim que, esse bolo era superior ao que comera no café, mas não gostava tanto assim de doces, estava satisfeito.

― Você não terminou seu pedaço de bolo. ― Escutou Saber falar consigo, assim como no café.

― Estou satisfeito, se você quiser pode ficar com...

― Você precisa terminar sua fatia de bolo! ― disse num tom alterado.

― Meu amor, você não pode me obrigar a comer isso ― concluiu que ela estava sob efeito do álcool, mas talvez não devesse ir contra sua vontade. ― Saber, eu disse que n-não quero! ― Assistiu-a sair do lugar, dirigindo-se até ele.

Dar a volta na mesa para encontrá-lo foi a parte fácil de sair do lugar, manter-se firme no chão que foi a difícil. Artoria caminhava em passos largos e desajeitados, seu rosto corado e aquele riso sinistro afrontaram seu acompanhante, o lembrou do porquê apaixonou-se por aquela menina.

― Eu sou o rei aqui! ― gritou encarando-o de forma superior, ela estava fazendo barulho o suficiente para atrair a atenção de outros clientes, e ele não gostaria de ser expulso do restaurante. ― Você vai comer ou ― Soluçou. ― terei que te forçar a me obedecer?

― Não gosto da ideia de ser forçado a nada ― suspirou puxando-a pela cintura. ―, a não ser que seja por você. ― Num movimento rápido sentou a menina em seu colo, ajeitando-a para encaixar-se perfeitamente em suas pernas.

Em outros momentos Saber teria o jogado longe, mas estava ocupada demais tentando alcançar o prato de bolo na mesa para pensar nisso.

Ela o mimou como uma criança, levando cada garfada a sua boca até que o bolo acabasse, sem sequer notar que as mãos dele repousavam sobre sua coxa. O herói dourado aceitou cada bocado, sorrindo malicioso com os devaneios que invadiam sua mente, afinal, não sabia quando teria Saber em seu colo outra vez. Artoria se entreteve servindo-o, ora achando graça ora acanhando-se por estar ligeiramente perto do homem. Quando entregou-lhe o morango que restara diretamente em sua boca, teve o punho puxado num gesto carinhoso, deixou que Gilgamesh beijasse sua mão de maneira astuciosa entre seus soluços tímidos.

― Sobrou glacê ― ela comentou encarando o prato em suas mãos.

― Eu realmente estou cheio agora... ― O garfo voltou a entrar em sua boca impedindo que continuasse, dessa vez sem o mínimo de gentileza possível fazendo-o engasgar-se com a boca cheia.

Enquanto ele lutava para respirar, Artoria saiu de seu colo e da sala reservada, deixando-o para morrer sozinho. Até que ele recuperasse o fôlego, um alvoroço havia sido causado no salão principal do restaurante e seu pequeno rei estava envolvido. Ela inventou algo sobre trabalhar ali também como garçonete, invocando sua versão alternativa e o vestido de maid. E entre os berros da menina para que todos obedecessem suas ordens, Gilgamesh fechou a conta satisfeito com a noite que tivera, arrastando o Rei dos Cavaleiros para fora.

Ela demorou alguns minutos para recobrar a consciência, constrangida para conversar, deixava que apenas seus soluços falassem por si. Gilgamesh a levaria para casa, mas no meio do caminho ela decidiu comprar uma panela de pressão alegando ser aniversário de seu mestre. O Rei dos Heróis revirou os olhos, não suportando a ideia de levá-la para sair enquanto ela pensava naquele homem fraco. No fim, ela levou mais uma garrafa de bebida, e novamente arrumou confusão nas ruas antes que pudesse chegar à Residência Emiya.

― Obrigada. ― Artoria mal encarou o loiro, ainda segurando a garrafa agarrada ao peito. ― Desculpa.

― Tsc, da próxima vez nada de vinho pra você, Saber. ― Observou a casa atrás dela, certificando se estava tudo bem agora que haviam chegado.

― Próxima v-vez? ― repetiu sem jeito.

― Você não acha que depois de uma noite dessas, nós não iríamos ter outra melhor, não é mesmo? ― Colocou as mãos no bolso, encarando qualquer coisa que não fosse ela, um pouco sem jeito diante daqueles olhos brilhantes presos a si. ― Vamos sair outro dia, você irá sentar em mim novamente, mas você não estará bêbada e nem gritando com os clientes sobre ser um rei. ― Estalou a língua impaciente, irritado, mas no fundo feliz. ― Até mais, Artoria.

Dito isso, caminhou para longe dela, deixando apenas um rápido boa noite e um aceno. Gilgamesh não admitiria que aquele encontro houvesse sido ruim, mas em seus planos poderia ter sido muito melhor se seu pequeno rei estivesse sóbrio, e era por isso que estava determinado a tentar outra vez. Ela havia provado ao menos não ser como qualquer outra, como esperava, ela era digna de seu amor, mesmo que fizesse barulho demais e o quisesse assassinar enquanto bêbada.

Notas finais
Pra quem assistiu o episódio, sabe que a Saber chamou meeesmo o Gilgamesh pra sair sdyugfshdifj só que depois que ela sai daquele café, corta a cena e só mostra ela chegando bêbada na casa do Shirou com um presente pra ele. Eu amo demais esse episódio mesmo sendo uma paródia que não conta exatamente como canon, pois o Gil diz que ama ela e aws. Primeiro ela chama o cara pra sair, confere. Depois volta pra casa bêbada, confere. Enfim, vocês podem perceber que eu mantive a personalidade deles como é no Carnival Phantasm, um pouco mais de comédia e eles menos sérios. Apesar de eu amar um Gilgamesh dominador e sádico, eu também gosto dele submisso à Saber (?). Caso tenham encontrado erros durante a leitura, peço que me informem para que possam ser consertados, peço perdão caso isso aconteça. E não esqueçam de comentar, a opinião de vocês é muito importante!