No Tenderness
1 I. Hot
Notas iniciais
hot/quente.
Entre o escuro da noite, faíscas do mais puro metal iluminavam a mata em que se encontravam, o choque de suas espadas feria o ar e cortava sem piedade o que estivesse em sua frente. Ela carregava uma feição séria sem demonstrar sinais de dispersão, enquanto ele sequer preocupava-se em esconder sua excitação ao ver seu precioso tesouro tão dedicado a si. Aqueles lábios tortos num sorriso largo derivado de pensamentos sujos a irritavam por completo.
O Rei dos Cavaleiros avançou com sua espada lendária, estocando mais um ataque ao adversário que não estava assim tão distante. Alguns passos foram dados e ela estava sobre o belo homem, forçando sua lâmina contra a dele, e outra vez, ele sorria de maneira devassa.
Se não fosse por Artoria Pendragon, o Rei dos Heróis, Gilgamesh, não via motivos em continuar a batalhar esta Quinta Guerra Santa. Era um fato que primeiramente quando fora invocado há dez anos atrás tinha o interesse pleno no Santo Graal, mas somente até conhecer uma garota que auto intitulava-se rei, via a si própria como um nobre cavaleiro e insistia em dizer não ser mulher. E ela era graça e majestade, nem em todo seu reinado sobre Uruk conhecera uma menina de qualidades tão perfeitas como ela. Sua adorada Saber tornara-se tão preciosa quanto o próprio Graal, Gilgamesh a desejava mais que o cálice milagroso. Esperou dez longos anos desde o fim da Quarta Guerra onde a conheceu e lá lançou-lhe uma proposta pela qual ainda esperava a resposta. Ele não a queria apenas pela pureza incondicional que carregava consigo e muito menos somente por aquele rosto angelical, mas como um colecionar de tesouros, ele tinha bons olhos para achar espécimes raras e Saber era única para ele.
A única mulher que não o chamara a atenção apenas sexualmente, a única mulher que ele chamava de sua e sentia-se enciumado por, a única mulher que aceitaria como esposa e ele não aceitaria não como resposta.
Gilgamesh revidou na mesma intensidade, virando o jogo e saindo-se melhor. Uma de suas espadas atravessou a curta distância entre eles atingindo o tronco de uma árvore, milímetros separavam sua lâmina da cabeça de Saber, ele finalmente a encurralara. Seus olhos esmeraldas queimavam sobre o herói dourado, aquele cenho franzido e sua delicada boca entreaberta apenas o estimulavam mais. Ele puxou a espada com brutalidade jogando-a no chão, abriu espaço para seus braços rondearem-na. Podia sentir o hálito fresco da menina àquela proximidade.
Artoria fechou os olhos com a claridade que surgiu, abrindo-os em seguida e deparando-se com um Gilgamesh vestido em trajes casuais, sem mais sua armadura dourada.
― Você me subestima! ― Era um claro ato de ofensa a ela, achou que ele talvez não a considerasse capaz de livrar-se daquela situação.
― Tire sua armadura, cavaleiro, não vamos mais lutar ― respondeu olhando-a de cima, não com desprezo, mas com cobiça.
Saber não insistiria em uma luta onde seu oponente não tinha o mesmo desejo que ela, seu código de honra falava mais alto em horas como estas. Suspirou não vendo outras opções, trocando assim suas vestes como o Rei dos Heróis. Sua armadura protegida por magia deu lugar a sua camisa branca plissada e sua saia azul marinha habitual, trajes tão reservados como sua personalidade. Ele por outro lado, havia adequado-se bem aquela era, seu casaco branco de pelos e as calças sociais não negavam seu bom gosto até vivendo em uma época completamente diferente.
As mãos que cercavam-na pelo tronco da árvore envolveram sua fina silhueta num súbito abraço ansioso. Artoria não reagiu de imediato, perguntando-se o que se passava pela mente do adversário ao qual instantes atrás trocavam golpes. Gilgamesh a apertava como se sua vida dependesse daquilo ― e talvez dependesse mesmo ―, não deu brechas para que ela escapasse mesmo que tentasse. O aroma doce que o cabelo de Saber exalava era simplesmente tentador, aquilo o levou a brincar com os fios louros da menina, soltando então a fita de seda azulada que prendia-os sempre num coque bem feito. Emaranhou os dedos no cabelo dela agora solto puxando-os levemente de forma que pudesse inclinar seu rosto.
― Seja minha ― ordenou colando sua testa a dela e mantendo o olhar fixo.
― Você não pode ordenar a um rei ― respondeu simplesmente.
Gilgamesh se perguntava onde havia errado com a educação de seu pequeno leão para ele o desafiar de tal maneira.
Com a mão ainda posicionada em sua nuca, trouxe o corpo esguio do Rei dos Cavaleiros para o mais próximo possível enquanto enlaçava sua cintura, quebrando então o contato visual somente para beijar-lhe. Artoria piscou algumas vezes antes de realmente perceber a língua experiente de Gilgamesh passear por seus lábios ainda fechados. Ele fora tão convidativo que não pode resistir, ela entregou-se em seus braços correspondendo à sua maneira tímida. O Rei dos Heróis não conseguia conter-se em ter finalmente Saber entregue em seus braços, esperou anos para vê-la depois da quarta guerra, sentia como se tudo tivesse valido a pena. Mas não era como se ele fosse se saciar com apenas um beijo.
Apertou Artoria ao tronco de árvore, traçando a linha de seu queixo até o pescoço em beijos molhados, arrancando leves suspiros da garota. Ela não pode evitar senão agarrá-lo pela nuca quando ele começou a lambê-la por aquela área tão sensível sussurrando o quanto sua pele era saborosa. Gilgamesh a sugava para deixar marcas visíveis, queria que ela soubesse que era dele quando as visse. O Rei dos Heróis divertia-se tendo-a para si, sendo recompensado por carícias perto da nuca e leves arranhões ansiosos, Saber havia bagunçado todo seu cabelo que antes estava em pé.
Gilgamesh desceu lentamente as mãos pela costa dela até chegar ao cós da saia, onde voltou a beijá-la sedento e abaixou descaradamente as mãos para apalpá-la e trazê-la mais perto de sua virilha se possível. Saber estava presa naqueles braços fortes com as mãos no seu peitoral estruturado, derretendo-se a cada toque e carícia do homem, desejando mais e não reconhecendo a si mesma agindo daquela forma.
As mãos grandes que antes apalpavam-na por trás desceram mais até as suas coxas medianas adentrando sua saia, brincando com suas meias em seguida, esticando e soltando-as, acariciando-a em longos movimentos circulares que iam de sua bunda até quase seu joelho. Devido a grande diferença de altura entre ambos, Gilgamesh estava dobrado apenas para poder alcançá-la e aquilo estava o cansando. O rei dourado ergueu-a pelas coxas, encaixando o corpo da menina em si, tendo completo alcance dela.
Artoria não sabia mais o que fazer ou como reagir, estava a mercê de Gilgamesh e ele não tinha misericórdia alguma.
Entrelaçou os braços pelos ombros largos do rei e as pernas pela cintura dele, buscando sua boca para contentá-la outra vez. Ele sorriu durante o beijo lascivo, deliciando-se com a pele macia dela sobre a sua. Suas mãos agora ocupavam-se em puxar suas meias que atrapalhavam-no em senti-la. Com Saber tão grudada a si, ele já sentia-se incomodado com o volume crescente em suas calças, ela o pressionava e nem sequer percebia.
― Artoria ― chamou-a parando o beijo subitamente procurando seus olhos naquela noite escura.
― Hm? ― respondeu corada ajeitando-se em seu colo.
― Não vamos fazer isso aqui, meu amor. ― Segurou-a pela bochecha forçando a encará-lo. Esmeralda e carmesim nunca combinaram tanto quanto o olhar deles. ― Não quero isso para você.
Saber parou para analisar a situação de ambos, estavam quentes, havia muita tensão sexual a ser resolvida entre eles.
― Você e-está certo, desculpe-me ― disse ela tentando afastar-se, envergonhada com o que causara a ele, podia senti-lo ali embaixo.
― Não tem com o que se desculpar, minha leoa, até por que não vamos parar. ― Sorriu torto da maneira mais sensual que ela já havia o visto. ― Vamos apenas para outro lugar.
Dito isto, Gilgamesh desapareceu com a menina ainda em seu colo. Sendo um espírito heroico invocado para guerra, aquela habilidade era de se esperar. De onde estavam só sobrara faíscas douradas de ambos os corpos, escondendo assim qualquer indício de que estiveram ali e o que fizeram.
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