No Tempo Dos Marotos
17 Inconsciência
Notas iniciais

''O fim não é bom, se fosse bom, seria o começo.'' (Divã)
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POV Lilian Evans
Só existe dor. Minha cabeça, meu peito... Uma dor horrível. A lateral do meu corpo, meu braço. Embora eu tente, não consigo abrir os olhos. As palavras sussurradas ficam mais claras... Um farol na escuridão.
– Ela vai ficar alguns dias em coma, Sr.Potter. A maldição cruciatus, quando usada mais de cinco minutos, pode causar danos ao cérebro.
– Mas, ela já está desacordada a três dias.
– Sinto lhe dizer, que não sabemos quando realmente ela vai acordar.
Sinto a inconsciência novamente tomando conta de mim, arrancando-me da dor.
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Tudo pesa e dói: membros, cabeça, pálpebras, nada se mexe. Meus olhos e minha boca estão resolutamente fechados, negando-se a abrir, deixando-me cega, muda e dolorida. Á medida que emerjo das névoas, a consciência começa a pairar sobre mim, como uma sirene sedutora mas fora de alcance. Os sons se transformam em vozes.
– Não vou sair de perto dela. — sua voz é um sussurro tenso e angustiado.
James! Ele está aqui... Tenho que acordar.
– James, você precisa dormir.
– Não, Pai. Quero estar aqui quando ela acordar.
Pai?
– Eu fico com a Lily.
– Não. Como está a Lene?
– Esta toda grogue... com medo e com raiva. Ainda vai levar um tempo para que se acostume.
– Meu Merlin.
– É, eu sei.
– E agora a Lily... É tudo minha culpa.
– James, acalme-se. Lily é uma jovem incrível. Ela foi de uma coragem surpreendente.
– Corajosa, teimosa e cabeça-dura. — sua voz falha.
– Ei — murmura Charlie, pai de James — Não seja tão duro com ela, nem com você, filho... Acho que é melhor eu voltar para ficar com sua mãe. Já são mais de três da madrugada, James. Você realmente deveria tentar dormir um pouco.
A névoa me encobre.
– — — — — -
A névoa se dispersa, mas não tenho nenhuma noção de tempo.
– Onde eu estava com a cabeça em deixá-la procurar a Alice sozinha? — é a voz de Six.
Ele está aqui! Tenho que acordar!
– Não se culpe, Padfoot, nenhum de nós iria imaginar que haveriam comensais nos terrenos de Hogwarts. — é a voz de Remus.
– Eu fico me perguntando como eles entraram.
– Ninguém sabe.
A névoa me encobre novamente.
– — — — — — -
Sinto alguém tocando minha mão. Tento mexer o dedo, consigo. Abro os olhos. James e Six estão sentados um de cada lado da cama, com os braços sobre a cama e as cabeças sobre os braços.
– Ja... Si... — tento falar seus nomes, mas só sai murmúrios.
Eles me olham surpresos.
– Lily! — exclamam ao me verem de olhos abertos.
– Ah, graças a merlim! — diz Six.
– Lily! O que você está sentindo? — pergunta James.
– Muita dor, por todo o corpo. — respondo.
Eles me olham com pena.
– A quanto tempo estou aqui? — pergunto.
– Seis dias. — responde Six.
– Seis dias? — pergunto surpresa.
Eles assentem.
– Ah, Lily, nós ficamos tão preocupados. — murmura James.
– Me desculpem. — peço.
– Pelo quê? — pergunta Six.
– Por ter feito vocês passarem por tudo isso. — respondo.
– Não foi culpa sua. — diz Six.
– Claro que foi. — falo.
– Não, não foi. Foi minha. — diz James.
– E minha também. — diz Six.
– Não falem isso... — peço.
– Mas é a verdade. — diz James.
– A culpa não é de nenhum de nós e sim dos comensais. — falo.
Eles assentem.
– Preciso fazer xixi. — falo.
– Madame Pomfrey! — chama James.
Ela vem correndo.
– O que foi? O que foi? — pergunta preocupada.
– Ela acordou e quer ir ao banheiro. — responde James.
– Já era tempo. A senhorita está com um cateter. — diz Madame Pomfrey.
O quê? Ai que nojo. Olho tensa para os garotos e em seguida volto a olhar pra Madame Pomfrey.
– Por favor, eu quero levantar. — peço.
– Srª.Evans...
– Por favor.
– Lily. — advertem Six e James.
Faço esforço para me levantar.
– Vou retirar o cateter. Sr.Potter e Sr.Black, tenho certeza que a Srtª.Evans vai querer um pouco de privacidade. — diz Madame Pomfrey.
– Não vamos a lugar nenhum. — diz James.
– Jay... Por favor... — murmuro, pegando sua mão. Ele aperta minha mão por um segundo e depois me fita exasperado. — Por favor. — suplico.
– Tá bom! — ele passa mão pelo meu cabelo.
Ele e Six saem da enfermaria.
Depois de tirar aquela coisa, vou ao banheiro. Depois que me alivio, volto pra cama a mandado da enfermeira.
– Se estiver bem o suficiente, amanhã você terá alta. — diz Madame Pomfrey.
Olho sorrindo pra James e Six que estão sorrindo também.
Como é bom vê-los novamente. Quando estava sob posse dos comensais da morte, lembro-me de pedir a Merlin para ver meus amigos por uma última vez, antes de morrer.
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