No Ritmo da Amizade
5 Capitulo 04
Jaciara estava na correria, porque estava sozinha para atender os clientes e preparar os pedidos.
— Helena já foi e deixou o dinheiro.
— Argh. Aqui tem dinheiro a mais.
— Não precisa ficar irritada. É só você deixar o troco como crédito.
— Pode ser. Ai meu Deus! Cadê Allan que não chega?!
— Eu não sei cozinhar, mas posso te ajudar atendendo os clientes.
— Oh Sah! Muito obrigado, você vai me ajudar muito. Será que você poderia entregar essa bandeja na mesa IX? Aquela com 2 senhores.
— Pode deixar.
Saskia atendeu umas 6 mesas e depois de alguns minutos, as coisas ficaram mais calmas. Allan chegou.
— Allan onde você estava? Eu te liguei umas 100x e só dava desligado. Que saco!
— Desculpe amor, o meu carro quebrou e lá não tinha sinal.
— Vou fingir que acredito.
— É sério. Foi isso o que aconteceu. Desculpa. Mas por que você está assim tão irritada?
— Desculpa Mô! Estou nervosa, estressada, de TPM, não sei. Mas e aí, conseguiu fechar o negócio?
— Sim. Eu fechei com a Fazenda Atlanta. Eles vão nos fornecer todos os dias frutas, verduras e leite.
— Frutas também? Não ficou muito caro não?! Você sabe que a nossa situação não está fácil.
— Fique calma. Eles fizeram um bom preço.
— E você disse que vai buscar?
— Não. Eles vão trazer aqui.
— Allan o combinado era você buscar todos os dias, porque assim, não sairia tão caro. Agora deve ser uma fortuna.
— Calma amor! Toma uma água com açúcar.
— Eu estou calma!
— Descanse um pouco. Eu assumo as coisas. E depois, conversamos melhor. E também, a sua amiga está aí te esperando.
Jaciara chamou Saskia e elas sentaram-se à mesa perto do balcão.
— E me conte de Helena, o que vocês conversaram?
— Sobre a apresentação. Vai ser no próximo fim de semana.
— Ridículo ela chamar a gente para tocar.
— Eu vou tocar.
— Como assim você vai tocar? Por quê?
— Não sei. Estou animada para tocar. Eles acompanhavam a banda, fundaram um fã clube e fizeram até camisa. Acho justo, tocar na festa deles. Eu disse que falaria com você e...
— VOCÊ FICOU LOUCA? Eu disse que eu não vou! Você viu a correria agora há pouco. Você acha que eu tenho alguma condição de ensaiar? Saskia eu cresci. Agora eu tenho responsabilidades, contas para pagar. Não sou como você, que vive um conto de fadas, sustentada por papai e mamãe.
— Chega Jaciara! Ninguém aqui vive em um mundo encantado, estou ciente de minhas responsabilidades.
— Não parece.
Allan se aproximou da mesa.
— O que deu em vocês? Os clientes estão olhando.
Saskia puxou Jaciara, pelo braço, para fora do estabelecimento.
— O que você tem afinal? Está nervosinha demais! Entretanto, você não tem o direito de me julgar ou de dar palpite em minha vida. Só achei que seria legal, se nós três tocássemos juntas de novo.
— Nós? Que três?
— Como que três?! Gess, você e eu.
— Rá! Iludida. Acho bom você nem procurar por Géssica.
— Por quê?
Jaciara se acalmou um pouco, respirando fundo.
— A Géssica que um dia conhecemos, não existe mais.
— Por quê? Ela morreu?
— Não. Mas, ela está tão diferente e arrogante. Eu ainda toco o meu teclado em casa. E ela, nem a bateria levou.
— Onde ela está morando?
— Na cidade vizinha. De carro, é 1 hora e 20 minutos para chegar lá.
— Vocês estão brigadas?
— Eu diria afastadas. Eu não gosto muito dessa nova Géssica. Até mandei um convite da inauguração do Café Music, mas ela não veio, se bem que eu já esperava por isso.
— Você pode me passar o endereço?
— Não perca o seu tempo indo lá.
— Mesmo assim, eu quero ir.
Jaciara anotou o endereço da casa e pegou o cartão de visita de Géssica. Saskia guardou na bolsa e foi embora, sem nem dizer tchau.
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