No One Can Help Me
1 No One Can Help Me
Notas iniciais
28 de Julho de 1914, Paris — França
E lá estava eu, mais um dia voltando da escola a pé e todo cheio de machucados, aqueles meninos mais velhos da escola sempre me xingavam e me batiam, todo santo dia era a mesma coisa, "Lá vem o gordo rolha de poço" e "Gordo imundo, você deveria morrer, estou com nojo de olhar pra você".Esses monstros faziam da minha vida um verdadeiro inferno. A escola era sempre um saco, apesar de que eu sempre fui um bom aluno e tirava sempre as melhores notas da turma.E a única coisa que me dava vontade de continuar indo para aquele purgatório, era pela minha melhor amiga, seu nome era Caroline, e ela era a menina mais bonita de toda a escola. Eu era apaixonado por ela, mas eu sempre tive medo de assumir isso pra ela e tomar um fora. Eu podia aguentar ser humilhado pela escola inteira, mas não por ela.
Nós nos conhecíamos desde o jardim de infância, e sempre fomos bons amigos, até que com o tempo eu fui percebendo que era com ela que eu queria casar e ter uma família, era como se eu fosse o único capaz de dar à ela a vida que merecia, uma vida de felicidades, onde juntos realizaríamos nossos sonhos mais distantes. Ah, como eu amava aquela menina!
Logo depois da aula, a "gangue" de valentões da escola, como sempre me xingavam por causa da minha aparência, e depois começavam a me bater. O menino que comandava eles, era Páris, um menino loiro de olhos azuis, era um magrocelo, mas sempre vinha com 5 ou mais meninos pra cima de mim, nunca estava sozinho. Ele era o menino mais rico da escola, então sempre comprava os outros com brinquedos e promessas. E naquele dia, como de costume, tomei uma surra.
Caroline chegou logo em seguida e me viu caído no chão e com o nariz sangrando, e tirou um lenço da mochila para limpar meus ferimentos. Parecia que ela era a única naquela escola que estava do meu lado. Ela me viu e disse:
—Meu Deus Cartman, de novo esses trogloditas idiotas mexeram com você? Precisa contar isso pra sua mãe, não pode deixar barato assim!!!
—Se eu falar vai ser pior, vou preocupar minha mãe atoa, ela vai vir na escola, eu vou passar vergonha na frente de todos, e no dia seguinte, eu ainda iria apanhar o dobro, porque esse babaca do Páris ia querer descontar em mim.
—Nossa Cartman, você não pode deixar eles fazerem isso com você – Disse ela se aproximando e dando um beijo em minha bochecha.
Caaaara, eu fiquei em estado de choque, estava totalmente paralisado, seria aquilo um sonho?
—Ca...Ca...Ca...Carol!!!??? – Perguntei ainda meio atordoado
—Minha mãe sempre diz que um beijinho sempre ajuda a curar os machucados rsrsrs.
Depois disso nos despedimos e fomos pra casa, ela morava na esquina da rua de minha casa, então voltávamos juntos, e sempre conversando sobre a vida e essas coisas do dia-a-dia.
Mas como sempre, eu chegava em casa e fingia que nada demais aconteceu comigo na escola, porém, naquele dia havia uns homens com umas roupas engraçadas na frente de casa, pareciam com fardas do exército, mas por que o exército estaria ali? Bom, não devia ser nada sério (pelo menos não aos olhos de uma criança de 10 anos), entrei em casa e mamãe como sempre me perguntava:
—Como foi na escola hoje Filho?– Perguntou ela com um tom de ênfase no olhar .
—Bem mãe –("uma menina beijou minha bochechaaa", tive vontade de dizer) – e como está o papai? – Meu pai estava doente, pois um corte que ele havia feito na perna esquerda, infeccionou e foi ficando cada vez pior.
—Está melhor, logo logo ele já vai estar 100% recuperado — respondeu ela com um certo ar de tristeza.
—Posso ir ver como ele está? –Perguntei entusiasmado.
—Pode sim, Cacá, só não demore muito, seu pai ainda precisa de descanso –Cacá era o apelido que minha mãe me chamava (confesso que era meio vergonhoso, mas no fundo eu até gostava hahaha)
Subi as escadas do sobrado em que morávamos, andei até o final do corredor e então abri a última porta à esquerda, onde ficava o quarto dos meus pais.
E para minha alegria, quem estava lá? Giovani! Meu irmão mais velho...
—O que você está fazendo aqui no quarto do papai, piralho!? –Giovani era um saco comigo praticamente o tempo todo, exceto quando estava com a namorada, Lana, que era uma moça de uma beleza sem igual, Cabelos ruivos, lindos olhos verdes penetrantes, e uma pele branca como a neve, e com algumas sardas no rosto, mas eram sardas com um certo charme e pareciam combinar com ela. Mas enfim, Giovani era um marmanjo resmungão de vinte e poucos anos, e que sempre vivia sendo chato comigo, tinha um corpo atlético, porém ele era baixinho e tinha uma cicatriz na testa (Não, ele definitivamente não era um desses bruxos de livros famosos, era uma cicatriz em formato de cicatriz)–É melhor não ter vindo incomodar nosso pai, e também é melhor parar de comer tanto, se não você vai acabar como nosso antigo porco, o Mr.Bacon!
—Não Giovani, eu não vou atormentar o pai, só vim ver como ele estava, e a propósito, eu não vou engordar e virar bacon, SEU BOBÃO. Ah, e a Lana está te esperando lá em baixo, eu acabei passando por ela e não tive tempo de cumprimentá-la.
Giovani uma risada um tanto maquiavélica e saiu do quarto, certamente para se encontrar com Lana.
—Filho, pode se sentar aqui ao meu lado um instante? –Disse meu pai –Quero lhe contar algo.
Não pensei duas vezes, logo sentei ao lado de meu pai, era uma cama de casados, velha e que rangia sempre que alguém subia em cima, meu pai estava deitado do lado esquerdo da cama, que ficava no meio do quarto e ao lado de dois criados mudos, um de cada lado.
—O que foi papai? O senhor está melhor? –Perguntei de forma cautelosa.
—Sim filho, já estou me recuperando.Mas não é sobre isso que eu te chamei aqui...
—Então para o que foi, paipai?
—Você viu aqueles homens ali do lado de fora? Perto da nossa casa?
—Sim, por que?
—Eles vão levar o papai numa viagem, o Giovani também vai conosco, e ficaremos fora por um tempo, então preciso que você seja forte e cuide da sua mãe, para que quando voltarmos, possamos passar bons momentos juntos.
—COMO ASSIM VIAGEM?Para onde papai? Por que? –Perguntei agitado, sem saber o que estava acontecendo.
—Você logo ficará sabendo, e você terá que ser forte, mas eu prometo que vou voltar logo, tudo bem?
—Hmmm......tudo bem papai –Eu respondi ainda meio sem saber o que estava acontecendo, para mim tudo aquilo não passava de só uma viagem de trabalho, como as que sempre meu pai fazia, pois ele era um maquinista, então achei que ele iria fazer algum tipo de viagem especial com o aqueles homens –O senhor promete que vai tentar voltar o mais rápido possivél?
—Com certeza Cartman!Eu prometo sim!
Nós dois descemos as escadas, ele já conseguia anda sozinho, mas eu tive que dar apoio para ele não se desequilibrar (mesmo ele tendo o dobro de minha altura), e quando nós chegamos na parte de baixo da casa, para minha surpresa, lá estavam mamãe, Giovani e Lana, todos abraçados e chorando.Eu estava bem confuso, quando de repente, alguém bate na porta, e logo depois um homem do lado de fora anúncia:
—Guarda Nacional Francesa, Abram a porta, ou vamos ter que fazer do jeito difícil!!
Giovani abriu a porta, e disse:
—Só nos dê mais dois minutos, estamos nos despedindo uns dos outros.
Meu pai apertou meus ombros, olhou bem fixamente nos meus olhos e disse:
—Você será o homem da casa agora, cuide de sua mãe e da Lana, ela vai morar com você e sua mãe a partir de hoje, e quando nós voltarmos dessa viagem filho, eu prometo que vou te levar para visitar a Torre Eiffel junto com todos nós, e vamos ser muito felizes.....tudo bem?
—.....você promete papai?
—Sim, eu prometo!!
Logo depois foi a vez de Giovani se despedir de mim.
—É isso ai gordo, cuide bem dessa casa, da mamãe e principalmente da minha Lana! Sério Cartman (uau, ele nunca me chamava pelo nome), me desculpa por todas as vezes que eu te xinguei e fui babaca contigo....eu acabei me tornando um idiota, mas esse sou eu hahaha.Adeus
—Adeus o caramba, só você que vai nas viagens legais, seu bobooo!!!
Novamente ele riu (como sempre fazia depois de conversar comigo...) e saiu pela porta da frente, mas dessa fez ele parecia um pouco triste, e eu me perguntava o por que dele estar chorando minutos antes.
Depois de Abraçar Lana e minha mãe, meu pai veio falar uma última vez comigo.
—Filho, você terá que ser forte daqui pra frente –Exclamou ele, de uma forma encorajadora.
—Sim papai, vou comer muito Feijão!
Uma lágrima de alegria saiu do olho de meu pai, ele saiu pela porta, olho para trás e disse
—"Adeus, meu amado filho" –E saiu da casa, entrando numa carruagem estacionada em frente da casa.
Aquela foi a última vez que eu falei com meu pai...
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