Notas iniciais
OIE! Demorei, eu sei... Mas tudo bem, porque só a Gina deixa reviews mesmo (brincadeira, eu levo vocês fantasmas em consideração). Aliás, eu tenho mais leitores, então sejam bem-vindos e que vocês deixem reviews... Se gostarem, claro :)

–Bom dia! — cheguei sozinha na DP naquela manhã de segunda, um dia depois do “incidente na cozinha”.

Estava com meu café na mão, uniforme e cabelo arrumados e um bom humor que não era meu, até Lene tinha me estranhado. Avisei Sirius que viria andando, porque o dia estava bonito e pude ouvir ele falar no telefone, antes de desligá-lo: “Que bicho mordeu essa menina hoje?”. Sentei-me a minha mesa e peguei a ficha do serial killer. Pensei, no caminho, que deveria reler minhas anotações e analisá-las por mim, sem a interferência dos meninos, porque assim eu pensava melhor.

A ficha tinha poucas informações: Tom Riddle, 45 anos, estatura mediana, caucasiano branco, cabelos e olhos pretos… Os aspectos físicos eram completos e objetivos, mas os psicológicos não tinham nem metade das informações necessárias. As minhas anotações, entretanto, eram bem mais e confusas.

–Querida, cheguei! — Sirius se jogou rindo na sua cadeira, na mesa em frente a minha — Já trabalhando?

–Eu estou brava com esse cara! Por que estamos demorando tanto para pegá-lo?

–Porque todo mundo está atrás dele e ele é um gênio louco, Lil! E é preciso ser um louco para entender o outro.

–Mas você disse gênio louco… Não posso ser um gênio ao invés de um louco?

–Nossos defeitos falam mais altos que a qualidade, ruiva — ele piscou e eu sorri em resposta. — Ahn, falando em defeitos… Eu me lembro que você sempre aponta que eu tenho um defeito enorme sobre garotas, certo?

–Sim, certo. Aliás, Sirius, precisamos falar sobre Marlene, não?

–Sim, nós precisamos! Era aí que eu queria chegar — ele pegou minhas duas mãos e beijou-as, e eu no humor que estava, ri do ato — Obrigado, obrigado pelos poderes de clarividência mais potentes do planeta!

–Ok, eu quero que você não magoe a minha amiga, por favor! — abri o Google no computador, afinal, pesquisa de campo nunca fez mal a ninguém.

–Então aí é que está o problema — tirei os olhos da tela e levantei a sobrancelha pra ele — Lene é ótima! Engraçada, linda, legal… Mas é que eu não quero que ela se apegue, entendeu? Porque não é como se fôssemos exclusivos ou coisa do tipo!

–Bonjour, meus parceiros! — Remus entrou sorrindo e nos cumprimentou.

–Uau, o que uma namorada na cidade não faz com o humor de homem, não é? — eu brinquei, fazendo-o rir e corar

–Quero que vocês todos a conheçam, tudo bem? Frank disse que vai marcar um churrasco e nós todos temos que ir!

–Eu estou dentro, com certeza! — James disse, chegando a minha mesa também. — Aliás, bom dia Sirius! — ele lhe deu um hi5 — Bom dia, Lily! — então, ele se debruçou e me deu um beijo na bochecha. Rápido, comum e sem muita importância, mas que me corou e arrepiou.

Eu me virei rapidamente para o computador e os outros dois sentaram a suas mesas, enquanto eu ouvia a risadinha baixa e discreta de Sirius, já sabendo o porquê. James pediu minhas anotações e eu as passei. Ele lia, relia, passava a limpo para as dele e teclava como um maníaco. Percebi que eu estava encarando demais o trabalho do Potter e voltei para o meu. Comecei a tentar traçar as semelhanças das vítimas, mas o espaço que eu tinha era realmente muito pequeno e estava começando a me dar dor de cabeça. Então, como é comum, eu resolvi ir alimentar o meu vício.

–Vou pegar café, alguém quer? — os três negaram.

–Ah, mas já que vai dar uma pausa, Lily, vou com você e fumo um cigarro — ele se levantou e eu assenti sorrindo. Enquanto estávamos saindo, eu pude ouvir Remus falar “o que aconteceu que nós não sabemos?” e fiquei aliviada por ele não ter dito o que aconteceu. Talvez tenha mesmo amadurecido.

–Estou exausta com esse caso — admiti, depois de dar o primeiro gole no meu café — Sirius disse que o cara é um gênio louco e temos que ser loucos para entendê-lo, mas eu não… Eu não consigo!

Ele deu um risinho e puxou o sorriso para o lado, antes de dar mais uma tragada no cigarro pendente entre seus dedos. Eu me virei, emburrada e estava prestes a mandar o meu melhor “O que foi agora, traste?”, mas ele começou a falar antes disso.

–Você sabe por que somos quatro pessoas atrás desse homem, Lily Evans? — eu bufei e dei mais um gole — Porque sozinhos não vamos conseguir MESMO. Por isso pedi suas anotações, por isso passei as minhas a limpo e vou pegar as do Sirius agora: vai ficar mais fácil!

–Tá, você pode até estar certo, mas mesmo assim! Nós não vamos pensar como ele…

–Você sempre foi o gênio, a brilhante, aquela com o maior QI da sala… Eu sempre fui o inconsequente, o imprudente, o louco… Talvez, se nós nos juntássemos, acharíamos ele bem mais fácil.

Eu sorri de lado com a observação e percebi que ele ainda sorria abertamente com o olhar perdido. Odeio admitir, mas essa cena sempre mexeu comigo. Não que eu aprovasse cigarro, eu odiava! Meu avô havia morrido por conta disso, eu tinha apenas más lembranças, mas e James… Era só mais alguma coisa ao redor dele. O centro era ele, e aquilo era algo sem importância. E essa mesma cena dele com o cigarro, os olhos vazios e profundos mirados no nada, os ombros relaxados e o meio sorriso pendendo no lado esquerdo da face… Isso era de me tirar o chão. E hoje me matava por dentro.

–Ahn… Vamos voltar lá pra dentro, então? Vou pegar aquele painel velho e vamos traçar todas as vítimas e semelhanças entre elas… Eu vou prender esse homem, nem que seja a última coisa que eu faça! — joguei o copo no lixo e ele apagou o cigarro, ainda com um sorriso pra mim — Por que o sorriso afinal, Potter?

–Gosto do seu olhar decidido de policial — eu sorri, corei e quis sumir.

–Cala a boca e vamos trabalhar, que tal? — disse ainda sorrindo e rumando para a sala, com ele atrás.

–Aliás, já disse como você está bonita hoje?

—-

Estávamos os quatro acabados, entupidos de café, James e Sirius com os maços diminuídos notavelmente e estressados até a raiz dos cabelos. E não tínhamos resolvido aquilo ainda.

–Vocês precisam ir para a casa — nosso chefe estava ali, fechando a própria sala — Toda a DP já foi para casa, sabiam? — eu assenti, esfregando os olhos — E vocês também deveriam! No estado em que estão, não vão conseguir resolver isso… Precisam de um banho, descanso e depois revejam.

–Enquanto nós vamos dormir, ele mata mais alguém — Remus constatou — Não podemos deixar isso acontecer.

–Ok,ok — ele bufou contrariado — Pelo menos saiam daqui! Tomem um banho e tirem essa tensão… E revejam o caso em suas casas, simples assim!

Ele saiu e eu bufei, jogando a cabeça pra trás no encosto da cadeira. Fechei os olhos por alguns segundos e pude ouvir os ruídos do isqueiro e dos dedos batucando na mesa, como se fossem resolver toda aquela teia de aranha que tínhamos criado na nossa frente.

–Quer saber? Ele está certo! — juntei minhas anotações, agora passadas a limpo e coloquei na pasta — Eu realmente preciso de um banho quente e tomar meu remédio da enxaqueca. Vocês vêm?

–Acho que sim — Sirius disse, suspirando — Você quer carona agora pra voltar? Tá escuro e tudo mais…

–Claro, por favor — ele pegou as suas coisas e os outros dois também começaram a arrumar suas mesas — Aliás, você não vai pro meu apartamento também, não?

–Como? — James soltou, um pouco rápido demais, fazendo Sirius segurar a risada.

–Eu tô ficando com a Marlene, lembra, James? Que vive com a Lily, foi no nosso resgate na cabana e tal… — ele assentiu, baixando o olhar de novo e eu me segurei para não sorrir com aquela cena.

–Certo, certo… Eu tinha esquecido — ele sorriu e bagunçou o cabelo pela nuca — Bom, acho que vou pra minha casa também e rever isso.

–Todos vamos — Rem bufou e eu tive uma ideia péssima, mas que realmente tinha me parecido boa na hora.

–Que tal vocês todos irem pra minha casa, então?

Notas finais
Tomara que vocês tenham gostado! Boa semana! xx