Ninguém é o que parece
7 Capítulo 7
POV REGINA
Se tem uma coisa que sou nessa vida é persistente. Me sinto atraída por Emma desde a primeira vez que a vi, mas à medida que o tempo passa é mais que isso, é estranho, se assim posso dizer, e nada vai me fazer desistir disso.
O motorista estava me levando para escola e pedi que me levasse a casa dela. Apertei a campainha e Mary me atendeu.
– Bom dia? – Falou meio confusa.
– Bom dia! Emma já foi pra escola?
– Ah não, quer entrar? Ela ainda deve estar se arrumando, demora anos para sair da cama. – Mary disse me dando espaço para entrar.
Sentei na sala com Mary, conversamos algumas coisas aleatórias. E sobre a festa da prefeitura que eu sabia que meu pai chamaria ela para fotografar.
– Bom dia! – Emma disse aparecendo com a bolsa nas costas. – Está vindo me buscar em casa já, mulher boa viu mãe? – Falei brincando e Regina corou na hora.
– Assim que eu gosto, precisa me impressionar. – Minha mãe disse entrando na brincadeira e fiquei com dó de Regina.
– Vamos. – Falei pegando uma maça.
– Você come só isso? Por isso é magra assim.
– Não se engane, eu como muito. É que pela manha sempre levanto tarde. – Mas preciso falar de algo com você, Robin.
– O que tem ele? – Ela perguntou me olhando.
– Ele quer ficar com você e tal. Disse que já tenta há uns meses.. – Ela disse tentando formular as palavras. Eu já sabia desse interesse dele, mas ela estava mesmo me jogando pra cima de outra pessoa?
– Eu sei do interesse dele.
– Então? – Ela disse quando entramos na escola. Não fiquei feliz por essa situação.
– Talvez eu deva mesmo ficar com ele! – Falei e andei a passos longos até a sala.
Passei a aula inteira a ignorando por pirraça mesmo, até a hora que vi que ela estava no celular, revirei os olhos pensando que era Killian.
Deu a hora do intervalo e fui me juntar com o pessoal, troquei algumas palavras com Robin, mas ele realmente não me desce. Esperei que Emma fosse falar com a gente, mas ele nem deu as caras. Alias, eu a vi falando com alguém no celular lá do outro lado.
– É só um rolo mesmo que ela tem com alguém? – Gus perguntou vendo que eu estava observando.
– Sabe Deus. – Falei suspirando.
– Poderia dizer que está com ciúmes..
– Não tem nada disso. – Falei revirando os olhos e indo para a sala. Para minha alegria não vi que Emma também estava indo e nos encontramos na porta. Ela fez um gesto com a mão para eu entrar primeiro. Dei alguns passos e me virei dando de frente com ela.
– Resolveu falar comigo? – Ela perguntou friamente.
– Já chega de ficarmos sem nos falar.
– Estamos assim porque você é louca e resolveu que não falaria comigo, lembra? E nem sei por quê. – Ela disse e saiu da minha frente indo até sua mesa.
– Você fica me jogando para outra pessoa Emma! E ainda não sai desse celular com seu namoradinho.
– Primero, não te joguei para ninguém. Ele pediu para eu falar com você e assim fiz. Não te obriguei a ficar com ele. Segundo, Killian não é meu namorado. E terceiro se te alegra, eu estava com a minha mãe no telefone. E a aula vai começar. – Ela disse mostrando que havia pessoas entrando.
POV EMMA
Depois da manha nada agradável graças à loucura de Regina, eu e minha mãe iriamos trabalhar em uma festa da prefeitura. Coisa formal. Com muito custo achei um vestido que me deixasse à vontade, não mostrando nada. Soltei meus cabelos, coloquei um salto baixo e uma maquiagem leve. Minha mãe já é mais cheia de nhemnhemnhem, colocou um salto mais alto e um vestido muito bonito preto.
– A senhora é a mulher mais linda do mundo! – Falei quando estávamos saindo.
– Eu sei meu amor. – Ela disse piscando pra mim.
Saímos em direção ao salão onde foi realizada a festa, muitos carros, achar um local para estacionar foi uma luta. Nós procurávamos estar sempre vestida conforme a festa, para não chamar a atenção.
Entramos e fomos uma para cada lado, era uma espécie de jantar, várias mesas, muitas pessoas de ternos e vestidos longos, pessoas realmente sofisticadas. Fiquei até meio envergonhada por meu vestido.
– Você precisa trabalhar linda desse jeito? – Ouvi uma voz atrás de mim.
– Linda onde? Me sinto até envergonhada, olha essas pessoas como estão lindas, olha você.. – Falei vendo Regina em um vestido vermelho que lhe caiu super bem.
– Deixa disso, você está melhor que qualquer um aqui. – Ela disse me fazendo corar. – Mas eu odeio essas festas, sou obrigada a vir porque sou filha da prefeita. Você pelo menos tem um trabalho legal.
– Eu realmente amo fotografar. Alias, não bebe, por favor. – Falei a encarando.
– Hoje não, se eu pagar mico meus pais me deserdam.
– Preciso ir Regina. – Falei e ela deu um beijo em minha bochecha.
– Não deixa ninguém dar em cima de você.
Sai para o outro lado onde estavam os pais delas, tirei algumas fotos deles com outras pessoas, conversei com Henry e depois de quase duas horas as pessoas finalmente sentaram e foram comer.
– Essas pessoas falam demais. – Minha mãe disse me encontrando.
– Politica sempre rende. – Comentei.
– Olá. – Regina apareceu perto de nós. – Posso roubar Emma?
– Me traga minha filha inteira. – Minha mãe disse sorrindo.
Regina pegou minha mão e me levou até a parte superior do salão, tinha uma escada que dava em uma espécie de sacada.
– A vista daqui é linda. – Ela disse olhando para o céu. Fui obrigada a concordar. Tirei algumas fotos e a vi me encarando de lado.
– Pode falar.
– O que?
– Não sei, mas você está me olhando, deve estar querendo falar.
– Eu preciso entender como as coisas funcionam para você. Eu quero entender, não me leve a mal, mas nunca conheci ninguém assim. E desculpa, por hoje cedo. – Ela disse e percebi que estava procurando as palavras.
– Ok. – Falei respirando fundo. – Sempre fui muito “menina”, não de passar maquiagem ou ter toda essas frescuras que vocês têm. Mas na essência, sobre quem eu sou. Era estranho ver os outros garotos e não me sentir nada parecidos com eles, então conversei com minha mãe. Ela sempre foi muito aberta a tudo, é realmente a base da minha vida. E ela foi atrás de tudo que eu precisava saber sabe, conversei com outras pessoas assim e até fui ao médico, ele passou remédios, hormônios que tomo constantemente. E me sinto bem assim, sou a Emma, independente do que falam. Eu me machuco fácil com as palavras? Sim, mas ninguém muda o que eu sou. – Ela foi a primeira pessoa que eu consegui falar abertamente sobre isso.
– É muita informação. Mas eu entendi. – Ela disse pegando minha mão. – Sua mãe deve ter orgulho de você.
Não falamos mais nada, ficamos em silêncio alguns minutos, agora eu tenho certeza que quebramos uma barreira ao invés de levantar outra. Talvez ela realmente queira mudar, sorri ao pensar nisso.
– Vamos? – Falei mexendo em sua mão.
– Temos que ir? – Ela disse fazendo biquinho e me olhando.
– Temos, você precisa acompanhar seus pais e eu preciso ajudar minha mãe.
– Você deveria ser menos responsável.
– Alguém precisa ter juízo nessa amizade. – Falei tentando me convencer que realmente temos uma amizade.
– É. – Ela respondeu e saiu soltando minha mão. O que falar?
Desci e encontrei minha mãe, as pessoas estavam indo embora, fui lá fora tirar algumas fotos das saídas, enquanto minha mão ficou do lado de dentro. Pude ver Regina me olhando de longe, até sorri para ela e ela assentiu. Tenho uma definição para essa garota: confusa.
– Sabe o que é injusto mãe? – Falei a olhando enquanto entravamos para dar tchau a Henry e Cora.
– Depois você dorme a tarde toda, para de reclamar. – Ela disse dando um tapinha em meu braço.
– Isso dói! – Falei e rimos.
– Já disse que eu amo o trabalho de vocês? – Henry apareceu com Regina ao seu lado.
– Agradecemos. Precisamos ir, Emma ainda estuda amanha cedo. – Minha mãe disse dando a mão para ele.
– Deixei eu falar uma coisa com você, amanha nós vamos para a casa de campo, nunca temos tempo de ir, devido à correria de Cora, mas amanha ela arrumou um tempinho, eu sei que é dia de semana, mas você não deixaria Emma ir conosco? – Ele perguntou e olhei para Regina que estava sorrindo me olhando.
– Se ela quiser ir, tudo bem. – Minha mãe respondeu e todos me olharam.
– Escapar da aula? Eu vou com certeza! – Falei brincando com eles.
– Vai ser um prazer levar você com a gente. Vamos sair bem cedo, porque é longe. Fica por aqui, mando um motorista pra sua mãe e ele traz algumas trocas de roupa. – Henry disse muito animado.
– Tudo bem? – Falei olhando pra minha mãe e ela assentiu.
– Não dê trabalho. – Ela advertiu e concordei.
– Até mais mãe.
– Vem Emma. – Regina disse me puxando escada a cima.
– De quem foi essa ideia?
– Te levar? Do meu pai, ele quer te adotar!
– Notei.
Depois de alguns minutos conversando com Regina, uma das empregadas me entregou uma bolsa.
– Eu vou naquele quarto de antes, pode ser? – Perguntei meio sem jeito.
– Pode. Boa noite.. – Ela disse e dei um beijo em sua testa.
Fui até lá, tomei um banho e deitei. Estava animada para ir até esse lugar com eles, aparentemente eles realmente gostam de mim. E passaria um tempo sem escola e com Regina.
– Emma? – Ouvi a porta abrindo e virei.
– Posso dormir com você?
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