Ninguém é o que parece
6 Capítulo 6
POV EMMA
Eu odeio segunda-feira, trazem mais tantos dias pela frente e ainda tenho aulas chatas. Killian me ligou assim que sai de casa, fui pra escola falando com ele no celular.
Ele estava reclamando que eu não tinha mais tempo pra ele e minha paciência pra escutar reclamação logo cedo não existe. Avistei Gus e companhia limitada e desliguei.
– Bom dia! — Falei me sentando na escada com eles, Gus, Robin e Ruby.
– E aí Loira. — Falaram em uníssono.
– Sabe de Regina? — Robin me perguntou e estranhei, porque eu saberia.
– Acho que não sou a melhor pessoa para saber dela. — Falei mexendo no celular.
– Já são duas vezes que te vejo não deixando ela se estrepar bêbada por aí. — Ele disse indiferente.
– Garantindo meu lugar no céu cara. — Falei brincando e a vi vindo em nossa direção. — Preciso ir galera.
Peguei minha bolsa e sai em direção a biblioteca da escola. Depois do que houve na casa dela estou mantendo uma distância boa, não por nada, mas Regina carrega um pisca alerta escrito problema na testa. E sem contar a parte que ela me deixa confusa.
Peguei dois livros e fui para sala, o sinal já havia batido a um tempinho e só me liguei nisso quando vi os corredores vazios.
– Posso entrar? — Falei colocando a cabeça na porta.
– Não, ninguém entra atrasado em minha aula Srta. Swan.
– Ok. — Falei sorrindo para o professor e fiz meu caminho de volta até o fundo da biblioteca.
"Fica fugindo de mim e perde aula" Olhei a mensagem e dei um riso fraco, como essa doida conseguiu meu número?
"Não estou fugindo de ninguém, Regina. Mas você com certeza está me perseguindo, não lembro de ter te dado meu número."
"Mas deu para outras pessoas. E é só eu chegar que você sai, se isso não é fugir, é o que?"
"Estou me mantendo longe de problemas. Cada uma por si, lembra? E você poderia ter pedido meu número que eu teria dado."
"Se você não fugisse de mim, eu Teria pedido -.-"
"Ok, ok." Respondi e voltei ao meu livro. Olhando para essa conversa eu até penso que poderíamos ser amigas, ou algo do tipo. Mas aí lembro de algumas merdas que ela fala e não da pra defender.
– Por sua causa foi expulsa da sala! — VI ela jogar a bolsa na cadeira e sentar de frente para mim.
– Minha causa? Você me mandou mensagem, lembra?
– Você me deixa nervosa. — Ela disse revirando os olhos.
– O que eu fiz? Você é louca. — Falei balançando a cabeça negativamente.
– Você é assim e argh! — Ela disse fazendo uma careta e fui obrigada a rir. — Vai parar de fugir de mim?
– Não. — Respondi folheando meu livro, que Regina fechou e tirou da minha mão.
– Sabe quantas vezes fiz isso na vida?
– Perseguir alguém? Espero que poucas.
– Não Emma! — Ela disse passando as mãos nos cabelos. — Que saco, to tentando nos aproximar, mas você não vê isso. — Se levantou virando de costas para mim.
– Eu vejo. Mas sabe quando algo vai terminar terrivelmente mal? A sua forma de aproximação que vi até agora foi me beijar e isso vai dar merda. Se eu perco o juízo.. Sabe-se o que pode acontecer.
– Essa é minha forma de aproximação. Perde o juízo, perde a sua linha. — Ela disse se virando para mim que havia levantado e estava a menos de um palmo dela.
– Você nem sabe o porquê quer isso. Quando souber eu começo a pensar. — Falei pegando sua mão e fazendo carinho. — Se quer se aproximar, mesmo, o máximo que vamos ter é uma amizade.
– Tudo bem. — Ela disse sorrindo. O sorriso de Regina é desconcertante. — Killian fique esperto porque vai perder o que não tem.
– Regina.. — Falei a advertindo.
– O que? Não gosto de dividir as coisas.
Ri do jeito de late achei por bem me afastar, a proximidade era sempre um perigo.
– Só pra constar. Eu lembro viu? — Ela disse correndo os olhos por meu corpo. Senti minhas bochechas corarem, devo ter ficado vermelha, roxa até azul se possível.
Seguimos para as próximas aulas, ela se sentou ao meu lado. Analisei algumas coisas, Robin e uma menina que ainda não conheci, nos encarou muito. Gus falou mais que o normal com a gente e Ruby nem nos olhou.
– As pessoas agem de maneiras diferentes a casa momento.
– Porque está falando isso?
– Porque as pessoas agem de uma forma como está com só com uma de nós e de outra quando estamos juntas.
– Porque você é linda.
– E o que tem haver?
– Porque as pessoas te querem.
– Besta. — Falei dando um tapa em seu braço.
– Para amanhã quero um trabalho sobre um livro que vocês gostem. — Zelena disse. — Uma análise do livro e em dupla. Me digam a duplas para eu anotar.
– Zelena não facilita minha vida. — Regina disse abaixando a cabeça na porta.
– A aaah você não gosta de estudar? Não vou fazer com você.
–Professora minha dupla é a Emma! — Ela disse alto e riu. — Miga sua louca, você não vai ser livrar de mim. Lembra?
– Aposto que amou eu te chamando de "miga sua louca"
– Amei. — Falou fazendo aspas com a mão.
Saímos da sala, graças a Deus a aulas acabaram. Saímos conversando e paramos no portão da escola.
– Desde que você disse à meu pai que iria lá, ele só fala disso. Não quer ir?
– Não dá, se eu não for minha mãe almoça sozinha e não gosto. Mas vai em casa hoje para fazermos o trabalho, ok?
– Qualquer hora eu apareço lá. Tchau Emma. — Regina disse dando um beijo em minha bochecha.
Segui rumo a minha casa e ouvi passos atrás de mim, pensei que fosse Regina, mas era Robin. Estranhei.
– Emma me ajuda. — Ele disse me fazendo parar.
– Com que Robin?
– Regina, faz meses que tento chegar nela e ela não entende. Ou se faz se desentendida. — Um frio correu a espinha só de imaginar ele com ela.
– Vou tentar. — Falei assentindo e voltei a andar. Não gostei dessa ideia.
Fui a passos largos pra casa, estava com fome e muito sono. Cheguei, coloquei a bolsa no sofá e ainda assustei minha mãe na cozinha.
– Quando eu enfartar você vai chorar. — Ela disse com a mão no coração.
– Você nunca vai morrer mãe.
Almoçamos conversando sobre uma festa que ela iria trabalhar e me chamou.
– Regina vem aqui hoje.
– Vai vir conhecer a sogra?
– Mãeeee! Amizade, conhece isso?
– Emma, eu vi como ela te olha. Amizade é algo que ela não quer. Mas cuidado para não se machucar.
– É só amizade. Ela não entende algumas coisas..
– Sobre o que você é?
– Exatamente.. É complicado.
– Se algo te incomodar, me fala ok? — Ela disse dando um beijo em meio a meus cabelos e assenti. Amava o carinho dela.
Ajudei ela a arrumar a cozinha e subi para meu quarto. Arrumei tudo, coloquei um short e blusa soltinho e deitei. Desliguei meu celular e tentei dormir.
POV REGINA
Depois de conversar com Emma e estabelecermos uma amizade, fiquei feliz. Como ela mesma disse, eu realmente não sei o que quero em relação a ela.
Cheguei em casa e falei ao meu pai que ela iria vir aqui, ele ficou animado. Não vejo ele animado assim com ninguém além do meu ex namorado.
– Acho que vai trocar de filha. — Falei quando desci depois de me trocar.
– Acho que vou viu. — Ele disse e joguei a almofada nele.
– Me leva na casa dela? Tenho um trabalho para fazer.
– Claro.
Saímos e em minutos chegamos, a casa dela não era tão longe. A mãe dela nos atendeu.
– Emma está dormindo, sobe lá. — Ela disse simpática, assenti e deixei-a falando com meu pai.
Fiquei meio perdida, mas entrei em um corredor e abri as portas uma a uma até achar ela. O quarto é em um tom lilás, assim como os lençóis e seu edredom.
Estava muito fofa toda enrolada no edredom. Andei a passos leves e quando cheguei perto me joguei sobre ela.
– AÍ MEU DEUS. — Ela disse assustada e gargalhei. — Nunca mais te chamo pra vir aqui. — ela disse com a voz manhosa e se enfiou totalmente embaixo do edredom.
– Sua cara de sono, é ótima. Vamos, levanta. — Falei cutucando ela.
– Você é muito chata. — Ela disse se sentando.
– Isso não são horas de dormir.
– Sempre é hora de dormir Regina.. — Ela disse deitando de novo. Que preguiçosa, meu Deus. Conclui que ela tem muitos pijamas de bichinhos, porque ela estava com um muito fofo.
Ela levantou, ligou o celular e me pediu para esperar. Enquanto ela estava lá fora alguém estava ligando, peguei para entregar o celular pra ela e não pude deixar de ver "Kill".
– Aff. — Falei soltando o celular na cama.
– Que foi? — Ela disse aparecendo na porta com alguns livros nas mãos.
– Seu celular esta tocando. — Falei entregando para ela.
– Oi Killian. Depois te ligo. — Falou e desligou o celular.
– Não gosto dele.
– Mas você nem o conhece.
– Nem quero. — Falei irredutível.
Eu gosto de ler, o que facilitou nossa vida. Escolhemos o livro "O alquimista" para fazer a análise, nossas visões sobre o livro era a mesma. O livro nos ensina muito sobre quem somos, o que queremos ser e a acreditar nas coisas.
– Se eu acreditar em algo, isso pode mesmo acontecer né? — Ela disse soltando o livro e me olhando.
– É, você tem que se esforçar e tal.
– Se eu acreditar que vou ter mais que amizade contigo, eu consigo? — A olhei e ela riu e levantou os olhos me olhando.
– Talvez. — Isto já é um começo, né?
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