Ninguém é o que parece
4 Capítulo 4
POV REGINA
Essa garota nova é um ponto de interrogação. Normalmente nem ligo pra quem entra aqui, só impliquei mesmo pelo fato dela entrar com a Bela na sala. Mas ela parece ser legal, alias vi ela conversando com outras pessoas e de fato ela é legal. Lembro de tê-la visto trabalhando na festa que teve em minha casa, depois não lembro de muita coisa, flashes dela me levando para o quarto, dela me colocando no chuveiro e tenho certeza que não foi um sonho, eu beijei ela. Mas, nunca havia beijado um garota antes. Preciso tirar a duvida, mas como se pergunta isso a alguém? Além de lembrar que alguma coisa me causou surpresa aquele dia, mas o que?
Ainda preciso mencionar aquela foto que ela me mandou no facebook, que vergonha, eu estava mais louca que o batman. Tenho até medo de ver as demais que ela diz ter.
Mas o que realmente está em pauta na minha cabeça, é aquele bendito debate, ela ficou excessivamente brava e em defesa do assunto. Não que eu seja preconceituosa, mas fui sincera em dizer que é estranho. Só não consegui visualizar na minha mente. Alguns dias se passaram e ela nem olhava para mim, falava com todo mundo do grupo e o máximo que me dava era bom dia, por tabela. Sabia que a mãe dela iria em casa entregar o cd com fotos, rezei pra ela ir junto.
– Pai, a Mary já veio trazer as coisas? — Perguntei descendo a escada e dando de cara com ela e Emma.
– Acabaram de chegar. Leve Emma para comer alguma coisa, enquanto converso com Mary, querida. — Meu pai disse e pude ver a cara de "não quero", que Emma fez.
– Não precisa Sr. Henry. — Ela disse e meu ai sorriu para ela, ele gostava dela e normalmente não gostava de adolescentes.
– Eu insisto. — Ele disse me olhando.
– Vamos lá. — Falei terminando de descer. Ela me seguiu, sem falar nada. Apenas observando o lugar.
– Seu pai deve pensar que estou magra né? Me mandar comer? — Ela disse quando finalmente chegamos à cozinha.
– Você é bem magra mesmo. — Falei cutucando.
– Falou a obesa. — Ela rebateu.
– Você não gosta de mim só porque dei minha opinião aquele dia? — Perguntei servindo umas bolachinhas que a cozinheira havia deixado para mim.
– Isso aqui é bom. E não é que eu não goste de você. Eu só prefiro manter a distancia de pessoas que pensam como você.
– Eu fui sincera! — Falei indignada com o argumento dela.
– Eu não disse que você não foi. Também estou sendo sincera Regina, você pensa igual essas pessoas fúteis, fiquei chateada ao constatar isso, porque em algum momento achei que pudéssemos ser amigas.
– Sério que achou que seriamos amigas?
– Sou muito trouxa mesmo né? — Emma disse se levantando. Segurei em seu braço a fazendo parar antes de sair da cozinha.
– Espera, podemos ser amigas. — Falei. — É que ninguém além daquele pessoal nunca quis falar comigo.
– Quando mudar o jeito de pensar, talvez.
– Você não ajuda né? — Falei e ela balançou a cabeça negativamente indo em direção à sala.
– Eu amei as fotos, vocês acabam de se tornar fotógrafas oficiais da família. — Meu pai disse assim que Emma chegou. — E adorei essa menina aqui, muito educada. Acho que é a primeira amiga de Regina que eu gosto, volte sempre. — Ele disse e Emma assentiu.
As duas foram embora e fiquei pensando no que Emma disse sobre sermos amigas, éramos claramente agua e óleo. Passei a tarde trocando mensagens com o pessoal do grupo, ouvindo meu pai falar sobre Emma e depois ouvindo minha mãe falar sobre serviço.
– Vou sair. — Falei descendo e os encontrando na sala.
– Vai onde? — Minha mãe.
– Festa mãe! — Falei animada e os dois riram. Dávamos-nos bem.
– Volte hoje Regina. — Meu pai disse e dei tchauzinho.
August estava me esperando, ele estava sozinho no carro e atras tinha outros dois com o restante do pessoal, iriamos a uma festa que estava tendo em um lugar que Ariel conhecia.
– Vamos buscar mais uma pessoa.
– Quem? — Perguntei confusa.
– Emma. — August disse dando partida.
– Você ao menos a avisou?
– Não, mas nós esperamos.
Chegamos na casa dela e descemos os dois. A casa era simples, mas bonita. Nem sabia como August havia conseguido seu endereço.
– Vocês me ama muito viu. — Emma disse ao ver que éramos nós. Não pude deixar de reparar, ela estava com um pijama de bichinhos.
– Muita fofa sua roupa. — Falei rindo.
– Eu sou fofa, querida. O que querem mesmo/? — Ela perguntou arqueando a sobrancelha.
– Viemos te buscar. Vamos para uma festa e você vai também. — August disse e ela fechou a porta entrando.
Cinco minutos depois ela apareceu com uma calça larga, uma blusa regata preta e all star. O cabelo dela me causa até inveja, é longos e super loiros.
Entrou no carro, foi no banco de trás mexendo no celular.
– Você não larga desse celular? — Perguntei impaciente.
– Não, conversem comigo e paro de mexer.
– Você namora? — August perguntou direto.
– Não, mas tenho um rolo. — Ela respondeu.
– Rolo não vale. Porque nosso amigo esta interessado em você.
– Quem? — Perguntamos juntas.
– Killian. — Ele disse e revirei os olhos.
– Killian que todas. — Falei.
– Não quero de qualquer forma. — Emma disse firme e não segurei o riso.
Chegamos ao lugar, às luzes podiam ser vistas do lado de fora. Encontramos o restante do pessoal e de fato Killian não parava de encará-la, havia vários ambientes, um com musica eletrônica, outro com musica ao vivo ao ar livre e um com uma barzinho. Gostei do lugar. As pessoas se dispersaram. A maioria foi até a área de musica eletrônica.
Emma foi para o lugar com musica ao vivo e sentou em uma mesa bem próxima ao palco. Fiquei observando de longe.
– Sério que não vai nem me dar uma chance? — Killian disse e ela balançou a cabeça negativamente.
– Não quero mesmo, tem mais meninas bonitas por ai.
– Mas quero você.
– Fica pra próxima. — Ela disse e ele saiu de cara feia.
– Porque não dar uma chance a ele? — Perguntei sentando ao seu lado, lhe entregando uma ice.
– Não quero. — Ela respondeu seca.
– Ok, ok. Vamos ao bar? — A chamei e ela me analisou levantando.
Fomos até lá, as pessoas estavam animadas e felizes. Pela nossa idade não deveríamos beber, mas, pedi doses de tequila, vodca, Emma virava de boa. Não demorou e senti minha cabeça girar.
– Vem. — Falei entrelaçando meus dedos nos dela.
Puxei para a pista de dança e a incentivei a dançar. Ela se soltou e dançava bem. Killian nos viu e logo estava rodeando ela, não fiquei feliz e o álcool colaborou pra isso. Segurei em sua cintura dançando colada a ela.
– Quantas vezes mais vou ter que cuidar de você bêbada? — Ela disse em meu ouvido, com as mãos em minha cintura.
– Todas se possível. — Falei e subi as mãos em sua nuca, passando por seus cabelos. Rocei meus lábios nos seus. Sentia uma atração anormal por ela. Ela apertou minha cintura e me beijou, sua língua passeava em minha boca, dava mordidinhas em meus lábios. Foi dando passinhos até me encostar na parede. Senti suas mãos deslizando em meu corpo apertando.
– Vamos ali. — Falei puxando ela para dentro do banheiro.
Entramos batendo a porta, ela me apertou contra a porta, seus beijos eram maravilhosos, quentes. Quando senti seus lábios em meu pescoço soltei um gemido baixo, aquela área era complicada para mim. Tudo em mim se arrepiou.
– Emma... — Falei soltando seus lábios. Nossas respirações estavam pesadas.
– Amanha você nem vai lembrar. — Ela disse com a testa colada na minha.
– Quero mais que isso.. — Falei num susssurro.
– Não posso te dar mais Regina. — Ela disse se afastando de mim.
– Não. Eu me lembro de você se esquivando no meu quarto.
– Você disse que não lembrava.
– Lembro de flashs. Não sou boa o suficiente para ter algo a mais comigo? — Perguntei, a bebida ajudou a me deixar chateada.
– Você é ótima Regina, é algo maior que isso. — Ela disse se virando de costas. Colei meu corpo no dela, beijei sua nuca, deslizei as mãos por seu corpo. — Regina...
– Se não quiser, pode sair. — Falei a virando de frente. Ela avançou me beijando. Passei as mãos em suas costas, sua bunda e parei no botão de sua calça.
– Para.. — Ela disse de maneira manhosa. Ignorei e desci minha mão para dentro de sua calça. Senti um volume diferente e flashes do dia que ela me levou embora veio a minha mente.
– Você.. é.. — Comecei tentando entender se realmente era o que eu estava pensando.
– Sim. Eu sou. — Ela disse saindo do banheiro quase correndo.
Não sabia o que pensar, ou falar. Mas não a deixaria sair sozinha por ai. A alcancei quase na saída do local e segurei em seu braço. Ela se virou com os olhos lacrimejados.
– Ei. — Falei colocando a mão em seu rosto.
– Me deixa ir. — Ela disse firme.
– Não, porque está assim?
– Porque as pessoas sempre julgam Regina, você mesma fez isso. Não quero passar por isso de novo.
– Não vamos te julgar Emma, por Deus, vem cá. — Falei puxando seu braço.
– Você está bêbada, sei que nem vai se lembrar mesmo.
Emma ligou para a mãe e em segundos ela chegou. Minha cabeça ainda estava girando, o álcool, essa história de Emma, tudo me deixou transtornada. A mãe dela nos deixou em minha casa.
– Amanha eu vou, ok mãe? — Ela disse e mãe dela assentiu.
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