Ninguém Precisa Saber - 2 temporada
2 Procura
Acordei quando a voz da aeromoça falou avisando que estávamos prestes a pousar no Brasil.
Descemos do avião e pegamos um taxi para um apartamento que Phillip disse que tinha alugado em no Rio de Janeiro.
Chegando lá, o apartamento era bem espaçoso. Pedimos comida, que não demorou muito para chegar; conversamos sobre o tempo que passamos separados – pois um mês sem se falar é muito difícil quando se é amigo -, perguntei algumas vezes sobre Melissa, só para deixar Phillip um pouco sem graça.
– Bem, vou ter que sair, afinal, isto não é uma viagem de férias e eu preciso trabalhar. Vou começar as minhas pesquisas. – Phillip falou, voltando do quarto dele com uma maleta. – O que vão fazer a tarde toda? – Eu e Theo nos entreolhamos.
– Bem, acho que vamos passear. Faz muito tempo desde que eu sai daqui, quero ver o que mudou. – Falei.
– Está bem, já vou indo. Levem a chave com vocês, eu tenho uma reserva. – Dizendo isso saiu.
– Bem, por onde começamos? – Theo perguntou depois de ouvir a porta se fechar com o barulho da chave.
– Começaremos com a primeira pista que temos: a nossa escola.
– Se é que já não foi destruída não é?
– Sempre tão otimista! – Falei ironicamente. – Vou me trocar.
Pouco depois estávamos prontos para irmos para a nossa escola antiga.
Chegando lá, a escola não havia sido destruída e alguns professores ainda lembravam-se de mim, mas não se lembravam do porque de eu ter simplesmente desaparecido. Muitos professores alegaram terem realmente pensado que eu havia morrido.
Alguns professores também disseram que não havia mais informações sobre Amarílis, mais somente um – UM – disse que a ultima informação que teve dela foi que ele havia visto ela muito mais magra que antes, andando com um homem muito elegante com o cabelo tão, mas tão loiro que parecia ser até branco.
Como eu iria reconhecer Amarílis sendo que ela não esta mais igual a uma almôndega que eu conheci?
Agradeci e saímos.
– Para onde vamos agora?
– Para a casa da mãe dela. Vai que a família de Amarílis ainda mora lá, podemos saber de alguma coisa.
Quando chegamos lá, tivemos uma surpresa. A antiga casa de Amarílis havia virado um prédio.
– E agora?
– Voltamos para casa, estou cansada desse passeio. E já está ficando tarde também. Phillip já deve ter chegado.
No caminho para casa, percebi a falta que eu sentia do Brasil. A falta do que eu vivi aqui. Falta da minha família.
Parecendo sentir a saudade que eu sentia das lembranças, Theo me abraçou e disse que tudo iria ficar bem. Aquilo não era uma coisa que ele dizia com freqüência.
Às vezes aparentamos sermos muito mais fortes do que realmente somos, e por isso, fingimos sermos coisas que não somos, ou seja, fortes.
Uma frase legal que eu queria compartilhar com vocês, só isso.
Chegando a casa, Phillip ainda não havia chegado.
– E então? Como vamos saber onde Amarílis esta? – Uma idéia louca me passou pela cabeça.
– Me usando como isca.
– Oi?
– Oi.
– Como assim usar você como isca?
– Bem, ela quer me matar, então vou me oferecer a ela de livre e espontânea vontade, mesmo isso sendo uma grande mentira.
– Ta, mas como você vai ir até ela?
– Lucas, ele irá me ajudar.
– Hoje à noite?
– Hoje à noite.
Esperamos Phillip chegar, para não ficar suspeito.
Jantamos e eu dei uma desculpa de que estava cansada – que “o fuso-horario estava me afetando”.
Pego no sono e entro no meu sonho.
“Acordo com pedras me machucando as costas; está de noite. Ouço o barulho de ondas batendo em rochas. Levanto-me e vejo que estou na beira de um precipício. ‘Lucas, onde você está? ’, ‘ Ande até a beira. ’, ‘ Você está louco? ’, ‘ Confie em mim. ’. Eu fui até a beira do penhasco, e lá embaixo, e no outro lado da parede do precipício, estava Lucas, dentro de uma caverna. ‘ Como eu vou ir até ai? ’, ‘ Bella, isto é um sonho; você pode vir para cá de qualquer maneira. ’. Pensei um pouco, fechei os olhos e senti uma leve brisa do mar; quando abri os olhos, vi os lindos olhos castanhos de Lucas bem na minha frente. ‘ Você esta bem? ’, ele me perguntou. ‘Acho que sim. — Me levantei e olhei ao redor; tudo parecia tão real — Onde estamos? ’, ‘ Em algum lugar da sua mente. E o que você quer comigo? Ajuda? ’, ‘ Sim. ’, ‘ Qual é o assunto? ‘, ’ Amarílis. Preciso saber quem está trabalhando para ela no Brasil? ‘ Para? ‘, ‘ Você, realmente precisa saber? ‘, ’ Não. Tem muitas pessoas, mas uma em especifico: o nome dele é Ethan. Ele é parecido comigo só que com o cabelo platinado e olhos pretos. Não castanhos: pretos. Ele anda na praia à noite, mais ou menos 1 da manhã, uma vez Amarílis, não sei por que, falou isso para mim. Mas tome cuidado, ele é perigoso apesar da carinha amigável e do rostinho de anjo; Amarílis vivia falando dele. Eu não sei o que ele é dela, mas eu acho que é o modo mais rápido de chegar até ela. ’, ‘ Obrigada Lucas. ’. Eu já ia fechando os olhos quando ele falou: ‘ Boa sorte, nos vemos de novo? ‘, ‘ Sempre. ’.”
Acordei e vi que Theo dormia ao meu lado tranquilamente. Parece que desta vez ele não havia presenciado o meu sonho.
Virei-me de lado e vi que eu tremia. Levantei-me e fui ao banheiro o mais silenciosamente possível. Entrei, liguei a luz e fechei a porta. Lavei o rosto e sai. Abri a porta do quarto e fui até a cozinha tomar uma água. O relógio marcava 00h 55min. Passou-me outra idéia louca pela cabeça. Voltei para o quarto, peguei uma calça, uma sapatilha, um casaco e voltei para a sala; troquei-me lá mesmo. Peguei a chave e sai.
Rumo à praia.
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