Ninguém Precisa Saber - 2 temporada
3 Minha falta de inteligencia
A noite não estava tão fria quanto eu esperava.
Eu andava vagarosamente pelo calçadão observando as ondas; eu sentia saudade do tempo que eu fazia isso em São Francisco.
Foi então que eu avistei sentado na areia.
Bermuda preta, chinelos, uma regata branca e um casaco nos ombros com o capuz cobrindo a cabeça; parecia calmo.
Ele tinha uma coisa estranha que eu não sei como descrever.
Como eu iria me aproximar?
Da maneira mais direta, é obvio. Cara de pau? Sim ou claro?
Fui me aproximando daquele ser esguio e fui percebendo o quão inacreditavelmente lindo ele era.
– Ethan? – Ele virou o rosto para mim e os olhos cheios de escuridão, a mesma escuridão que eu já havia visto nos olhos de Theo, pareceu invadir a minha mente e descobrir e menos de 5 segundos todos os segredos mais obscuros que existiam dentro de mim.
– Bella. – Gelei; eu realmente não sabia o que dizer.
– Posso me sentar? – Minha voz saiu meio tremula; ele com certeza deve ter percebido isso.
– Claro.
– Ahn, como você sabe o meu nome?
– Como você sabe o meu nome? – Aqueles olhos, quase sem aparecer à pupila, me observavam intensamente.
– Informantes, agora me responda.
– Reconheceria em qualquer lugar.
– Por quê? Tem alguma coisa em mim que me destaca das outras pessoas para você me reconhecer em qualquer lugar?
– Na verdade, tem sim. Você é muito parecida com uma pessoa que eu conheço. E eu sei que só você e a pessoa têm essa característica.
– Que característica?
– Tantas perguntas. Era eu quem devia fazer elas. Afinal, não fui eu que cheguei a você, disse o seu nome e comecei a fazer perguntas sem sentido algum. Agora, se quiser me acompanhar até a uma pessoa, da qual, eu tenho quase certeza que você conhece, seria de bom grado.
– Acompanho sim.
Ele se levantou da areia e me estendeu a mão. Agradeci e me levantei desajeitadamente da areia.
Fomos andando pelo calçadão em um ritmo um pouco acelerado.
Ethan era um homem estranho, misterioso e um pouco sensual demais.
Fomos andando até parar em frente a um casarão que não parecia ser habitado e ele abriu a porta. Não tinha percebido que eu tinha parado na frente da porta, imóvel.
– Não vai entrar?
– Vou, desculpe.
Entrei e uma escuridão avassaladora se chocou contra mim. Eu não enxergava nada.
Ethan acendeu as luzes e a casa que por fora parecia mal cuidada e desabitada, por dentro era bem melhor que muita mansão por ai.
Ethan foi subindo a escada, que era forrada com um tapete vermelho vibrante e eu resolvi ir atrás dele.
Ethan abriu uma porta branca que tinha uma maçaneta dourada e entrou.
O quarto – ou melhor, a sala – era enorme e com moveis exageradamente extravagantes.
Bem na minha reta, havia uma escrivaninha com uma madeira polida, com uma luminária preta fosca e alguns cadernos. Na cadeira, havia uma mulher, que eu não no momento não reconheci, mas já imaginava quem ela era. Ela era a menininha que estudava comigo na escola. Aquela era Amarílis.
A Amarílis gordinha e cheia de sardas havia sumido. Se transformado em uma mulher magra, mas cheia de curvas, com longos cabelos ruivos e olhos azuis, e não usava mais óculos.
– Olá Bella. Quanto tempo, não? – Falou ela.
– Amarílis. Muito tempo.
– Obrigada. – Falou ela, dirigindo-se carinhosamente a Ethan – pode ir, até amanhã.
– Até. – Disse ele saindo por outra porta, que estava do lado de uma estante.
– Bella, você tem aproveitado bem sua estadia aqui no Brasil? Está se divertindo? – Falou com um ar presunçoso.
– Vamos cortar esse papo de ‘ quanto tempo! Senti sua falta’ para outra hora e outro momento e vamos tratar de coisas mais interessantes.
– Como...?
– Como você tentar me matar. Em um modo bem informal, diria que isso seria recalque da sua parte.
– Eu tentar matar você? – Perguntou, se fazendo de coitada. Levantou- se e exibiu o lindo vestido vermelho e comprido que estava usando. – Nunca faria mal a minha grande amiga de infância.
– A é mesmo? – Perguntei, com a carinha mais doce – e falsa – que consegui.
– Claro. – Ela veio se aproximando de mim. – A minha melhor amiga. A amiga da qual eu contava meus segredos, da qual me divertia. Mas eu só não podia contar com você nos momentos tristes. Quando precisei de você, onde você estava? – Parou a um passo de distancia, com os olhos azuis claros parecendo me desafiar.
– Onde eu estava? Eu estava me divertindo em boates fora do país. Morando com diversas famílias interessantes. Curtindo a minha vida. E sabe onde mais eu estava? Nem ai para você e a sua vida repugnante de me idolatrar. – Vi que a boca de Amarílis havia se transformado em uma linha fina e os lábios estavam começando a empalidecer.
– Interessante. Mas, porque vir até mim apenas para dizer isso? Podia ter apenas falado isso um pouco mais alto em uma conversa em qualquer lugar do planeta que eu saberia. Mas o problema é que eu sei que você não fez nada disso que você está falando.
– Sabe mesmo?
– Sim sei. Sei que você jogou meu querido Lucas pela janela – o que foi um grande desperdício de beleza – sei que fugiu para um hotel sem graça no meio do nada e depois desapareceu. Não, não sei para onde você foi, mas soube que você havia aterrissado aqui ontem de manhã.
– E o propósito disso está aonde? Pois até agora não achei o porquê de você simplesmente ter que saber cada passo que eu dou na Terra. Não tem mais nada para fazer da sua vida não? – Foi ai que ela explodiu.
– Olha aqui! Eu cansei desse seu ar de superior, seu projeto de assassina! – Os olhos dela haviam mudado de cor tão rápido que eu achei até que fosse invenção da minha mente. – Ethan! – Senti algo bater em minha nuca e eu desabei no chão, mas com consciência. – Agora, sua insignificante, você irá entender tudo o que eu passei na minha vida!
– Você vai fazer o que? Trucidar-me com palavras idiotas sem sentido, iguais ao que eu dizia para você quando éramos crianças? – Falei com um fio de voz.
– Você irá descobrir em breve querida. – Vi o salto alto em direção a minha cabeça. Tentei me proteger, mas meus braços não se moviam; logo após, senti uma dor lancinante e apaguei.
Isso não foi muito inteligente da minha parte.
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