Quando despertei, minha cabeça doía tanto que eu quase não conseguia abrir os olhos. Eu tinha quase certeza de que estava amarrada.

Olhei ao redor; era praticamente uma jaula. Paredes de aço, e na minha frente grades.

Eu não conseguia virar minha cabeça para o lado que ficava tonta; tudo em mim doía.

Fechei os olhos e tentei dormir para ver se conseguia falar com Lucas no sonho, mas uma voz me despertou.

– Dormiu bem, querida? – Era a voz afiada de Amarílis.

– Muito bem, muito aconchegante aqui. – Falei com o maior nível de sarcasmo.

– Que bom que você gostou. – Amarílis estava vestida com um vestido colado no corpo e um salto alto vermelho. – Ethan, venha até aqui, por favor. – E então surge Ethan, incrivelmente elegante e abre a ‘jaula’. – Tire ela de lá, e cuidado, acho que esse animal ainda não foi domesticado corretamente.

Ethan veio até mim e desamarrou meus braços e pernas de onde eles estavam presos e eu caio de cara no chão. Minha cabeça latejava. Meus braços não se movimentavam e eu senti que alguém estava me erguendo. Ethan. E o pior era que eu não conseguia reagir, dar um chute ou alguma coisa para me defender.

Eu estava sendo levada feito um saco de batatas para outro lugar; minha visão estava ficando embaçada, eu tentava dizer para mim mesma que eu não podia desmaiar.

Fui atirada em uma cadeira estofada e presa novamente.

Amarílis parou na minha frente com outra cadeira e se sentou.

– Pode ir agora Ethan, se precisar, eu chamo. – Ethan saiu calmamente pela porta de onde havíamos entrado.

– Agora querida... – Ela olhou bem nos meus olhos e os seus mudaram de cor; os olhos azuis claros haviam ficado pretos, inteiramente pretos. – Surpresa? — A voz dela havia mudado completamente, para uma voz grossa e rouca.

Minha cabeça doía e eu sentia que algo estava prestes a acontecer; como eu fui burra de vir sozinha até aqui.

“Achou que fosse a única capaz de se comunicar por telepatia? A única diferença é que você não está sonhando.” – A voz de Amarílis invadiu a minha mente e a dor já estava insuportável. “Querida, essa dor não é tão insuportável quanto o que eu fiz com Lucas, portanto você não tem nenhum direito de se queixar. Agora você está sob o meu controle, tolinha.” – Uma risada maléfica invadiu a minha mente em uma altura que me fez apagar.

“Acorde, criatura insignificante.” – A voz de Amarílis invadiu a minha mente novamente. E por incrível que pareça, eu não senti raiva, e eu estava solta. – “Volte para Theo e Phillip, afinal, já se passaram uma semana que você está aqui, e eu já não te suporto mais.” – Eu a obedeci e sai da sala, sem dor alguma, sem remorso, e sem me lembrar de nada. Apenas parecia que eu tinha ido visitar uma amiga e agora estava voltando para casa.

Chegado lá, vi Theo jogado no sofá com um copo de uísque na mão e com uma aparência nada bonita de se ver. Quando me viu, soltou o copo, que se quebrou quando chegou ao chão, e veio correndo até mim.

– Bella! Onde diabos você estava? Você tem noção o quão preocupado eu estava? Aposto que você foi atrás de Amarílis sozinha!

– Olá Theo. – Minha voz saiu tão fria que alguma coisa bem no fundo da minha mente se contorceu, parecendo um animal querendo se libertar. Ele me soltou, me segurou pelos ombros e olhou nos meus olhos; eu percebia o quão preocupado ele estava.

– Onde você esteve?

– Na casa de uma amiga.

– Bella, você não tem amigas aqui no Brasil. Invente uma desculpa melhor.

– Isso não é uma desculpa.

– Não minta para mim.

– Não estou mentindo, agora me deixe em paz com essas perguntas idiotas. – Eu já estava me dirigindo para o quarto quando Theo me segura pelo braço.

– Não me faça usar força física Bella.

– Vai me bater? Tente. – Me libertei da mão que me segurava e fui para o quarto.

Deitei-me na cama e chorei. Não sei o porquê de estar chorando, mas alguma coisa estava muito errada, eu só não sabia o que era.

Pouco depois, ouvi vozes na sala, me levantei e fui para lá.

Phillip havia chegado.

– Bella! Onde você esteve?

– Na casa de uma amiga.

– Se dar nenhuma noticia? Bella não me faça de tolo. – Dava para ver no rosto de Phillip a raiva.

– Vocês me tratam como se eu precisasse avisar a vocês aonde eu vou ou deixo de ir. Não sou uma criança. Não preciso de cuidados.

– Agora ela virou uma adulta responsável Phillip! Veja só! – Falou Theo com sarcasmo.

– Me deixem em paz! Qual é o problema de vocês? Não posso passar uma semana na casa de uma amiga que já acham que isso é um sacrilégio da minha parte! Vão para o inferno! – Sai e bati a porta. Estava indo para o casarão abandonado em Copacabana.

– Eles não me seguiram. – Falei para Ethan, que esperava no beco do lado do casarão.

– Entre no casarão, suba as escadas e entre no quarto à direita.

Obedeci.

– Olá Bella. – Amarílis estava sentada atrás de uma escrivaninha idêntica a do quarto ao lado.

“Parabéns. Você os deixou bem bravos. Agora, volte para eles e diga que me achou. Peça para eles virem até aqui hoje à noite. Você vem também. Você verá as pessoas que você ama morrerem lentamente. E adivinha quem vai torturá-los? Isso mesmo, você!”

Alguma coisa dentro de mim queria se libertar, mas, de que?

Sai pela porta e voltei ao apartamento, onde Theo e Phillip conversavam baixinho.

– Olha só quem voltou. – Falou Theo.

– Eu achei Amarílis. – A reação deles foi mínima; o máximo que aconteceu foi Theo levantar uma sobrancelha e dizer: ‘ É mesmo?’. – Eu preciso que vocês venham comigo esta noite.

– Por quê?

– Eu vou prender ela.

– Bella...

– Acreditem em mim! – Minha voz saiu feito uma suplica.

– Nós acreditamos. – Falou Phillip. – Nós realmente acreditamos.

– Perdoem-me sobre o ataque de loucura de mais cedo. – Theo veio até mim, com um olhar um pouco desconfiado e me abraçou.

– Bella, nós confiamos em você. – A voz dele me pareceu estranha.

Chegando á noite, todos nós já estávamos prontos.

– Vamos? – Perguntei ansiosa.

– Vamos.

Os guiei pelo caminho; eles acharam estranho o encontro ser em um lugar meio afastado da cidade em um casarão abandonado. Certifiquei que eles não estavam levando facas ou armas, pois pedi que confiassem em mim.

Abri a porta do casarão e entramos.

– Bella isto aqui parece suspeito. Tem certeza que estamos no lugar certo? – Perguntou Theo, no escuro; pois eu precisava fingir que não sabia de nada.

– Sim, a vi entrando aqui hoje de manhã. Sigam-me.

Subimos a escada e eu os levei para a porta branca.

Quando abri a porta, uma luz branca nos cegou.

Fui para o lado e deixei Theo e Phillip se virarem sozinhos.

Ethan havia aparecido, e não estava sozinho.