Ninguém Merece

2 Ninguém Merece Vizinhos


Os dias passam rápido, mais rápido do que as pessoas imaginam ou se dão conta. A vida de Nicolas estava ótima, ele não tinha do que reclamar um apartamento só para ele e seu namorado Ariel, um carro que conquistou com seus próprios esforços. Subiu de cargo recentemente na empresa em que trabalha e está tentado a montar seu próprio negócio. Ele e Ariel estão vivendo ali naquele bairro há um tempo, conhecem quase todos os vizinhos do prédio, e se acostumaram com as pessoas que sempre os cumprimenta na rua. Como em todo prédio sempre há vizinhos não muito agradáveis, porque seria diferente onde o casal foi morar?

Era sábado, o dia preferido do casal já que eles podiam ficar em casa juntos o dia inteiro, sem precisar tirar seus pijamas, sem precisar cozinhar ou limpar e arrumar a bagunça, o dia que podiam acordar tarde, simplesmente o dia perfeito. Ariel estava dormindo abraçado a Nicolas que babava como sempre. O relógio marcava menos de sete da manhã, mas um barulho de música alta acordou o casal que dormiam agarrados na grande cama.

— O que é isso? — Perguntou Ariel assustado soltando-se do namorado e sentando na cama. A música alta entrando no quarto como se estivesse acontecendo na própria sala do pequeno apartamento.

— Que horas são? — Nicolas perguntou enquanto limpava a baba que escorria pelo queixo.

— Eca, você sempre baba assim? Lembre-me de não deitar mais com a cabeça em baixo do seu queixo. É sério, Nicolas. Isso é muito nojento, ninguém merece baba fedida no cabelo. — Ariel falou com uma cara de nojo.

— Você vai falar a hora ou vai falar da minha saliva? — Nicolas ficou encarando o namorado e quando o mesmo virou-se ele cheirou a própria baba fazendo uma careta, estava mesmo fedido.

Ariel sem demora pegou o despertador de cima da mesa de cabeceira e olhou a hora.

— Caralho! — O garoto reclamou.

— O que? — Nicolas disse olhando sonolento o namorado. Ele era lindo para Nicolas, mesmo quando acordava.

— Sete horas da manhã de sábado e essa pessoa... — Foi interrompido pelo som que triplicou de altura assustando os dois garotos sentados na cama.

Eles se olharam meio confusos. Não era possível. No dia de dormir até mais tarde que algum imbecil estava fazendo uma barulheira. “Sindico cadê você?”

— Anda amor, vai dar um jeito nisso! — Ariel resmungou apontando com o dedo indicador a saída do quarto.

— Ora! E por que eu? — Nicolas disse ainda sonolento, mesmo aquele barulho não fazia seu sono diminuir. Ele poderia deitar e dormir numa boa.

— Por que você? — Ariel tentou imitar a voz do namorado, ele gostava de fazer isso, mas não daquela vez, estava muito estressado para continuar implicando com o namorado, então apenas berrou de forma meiga. — Porque você é o meu namorado, eu sou frágil, e fofo! E eu estou mandando você ir agora.

— Você fofo? — Nicolas riu, mas logo parou com as gargalhadas quando foi atingido por um travesseiro na cara. — Ai, porra! — Ele resmungou. — Você não é fofo, é assustador morzão, é sério, é só você aparecer na porta desse vizinho com essa cara de morto vivo que tu tem quando acorda, que eles... — Foi calado, pois levou o travesseiro com tanta força dessa vez que desequilibrou e caiu da cama.

— Da próxima vez não será com o travesseiro. — Ariel disse mais irritado do que antes. — Agora vai logo dá um jeito nisso! Eu quero voltar a dormir. — Ele gritou e olhou feio para o namorado.

Sem mais demora, Nicolas levantou do chão trajando apenas um short samba canção e uma camiseta regata branca. Parecia meio sentindo e meio assustado, conhecia o gênio do namorado, mas não tanto. Não imaginou que iria apanhar com travesseiros depois que passassem a morar juntos. O garoto bocejou e depois deu um beijo na testa do namorado, então calçou seus chinelos e saiu do quarto deixando Ariel sozinho.

— E não demore, preciso de você aqui! — Gritou Ariel lá do quarto. Nicolas apenas riu.

Nicolas saiu do seu apartamento e caminhou até a porta do apartamento de onde vinha o som. Não foi nada difícil achar. Ao chegar à frente da porta, bateu forte e esperou. Não houve resposta. Ele bateu de novo.

— Ora essa! Não vai vir atender essa porra? — Ele reclamou para si mesmo e dessa vez bateu na porta com mais força e então esperou. A porta foi aberta devagar. Um garoto loiro apareceu com uma vassoura junto ao corpo.

— Oi! — Disse o garoto loiro com um sorriso sem graça nos lábios, mas mesmo assim deixou a vassoura junto ao corpo enquanto dançava com a mesma.

— Oi! — Disse Nicolas chocado enquanto via aquela cena bizarra do menino dançando com uma vassoura.

— Então... — O loiro perguntou sorrindo.

— Então o que? — Nicolas perguntou sério e meio confuso. O garoto é sempre meio lerdo, mas quando acorda consegue superar tudo.

— O que deseja na minha porta tão cedo? — O loiro ironizou.

Essa foi à deixa para Nicolas deixar a lerdeza de lado um pouco e descer a lenha em suas palavras.

— Ah então você sabe que é cedo da manhã? — Nicolas perguntou bravo. — Então senhor... Qual seu nome mesmo?

— Jason! — Respondeu o dançarino.

Nicolas pigarreou e fez uma cara de emburrado e fortão pronto para a briga.

— Então senhor, Jason! Eu e meu namorado mudamos pra cá recentemente, e precisamos dormir, compreende? — Ele tentou sorrir, mas era impossível enquanto estava estressado e com medo de voltar para casa sem resolver o problema.

— Ah então vocês são os novatos. Prazer! Eu soube de você! — Jason falou agora mais animado que antes. — Eu amo essa música! — Ele gritou e começou a cantar e dançar com sua vassoura em um ritmo mais forte. O forró rolando no apê.

— É nós somos os novatos! — Disse Nicolas mais irritado.

— Que bom, eu espero que vocês curtam o prédio. — Jason disse rebolando.

A cara que Nicolas fez foi meio indefinida era algo meio sanguinária misturada com certa vergonha alheia. O loiro continuava rebolando e gritando.

— Então... Você poderia abaixar o volume da música um pouco? — Nicolas pediu com uma educação exagerada.

— Bah, por que eu faria isso? — O loiro disse na lata.

Nicolas sentiu seu sangue ferver e sua vontade foi quebrar a cara daquele moleque no mesmo momento, mas ele não podia fazer isso, o que os outros vizinhos pensariam? Que ele era um louco? Que era um delinquente? Que batia em todo mundo? É talvez ele fosse tudo isso, mas ninguém precisava saber.

— Bom, eu te dou dois motivos: porque se você não fizer eu vou quebrar a sua cara, o que irá me complicar, ou então chamarei a polícia. Essa opção é mais fácil, porque será você que vai sair do prédio de camburão. – Nicolas ameaçou convicto de que isso daria certo.

— Jura? — O loiro falou e então bateu a porta na cara de Nicolas.

Nicolas ficou tão irritado, sentiu vontade de matar o idiota, ele poderia socar tanto a cara daquele imbecil que ele ficaria irreconhecível quando voltasse ao forró que com certeza aquele cafona frequentava. Ele fechou seus olhos e então virou para ir embora.

Nicolas entrou em casa e deu de cara com Ariel que estava sentado no sofá esperado uma resposta.

— Então...? — O namorado que segurava uma xicara de chá de camomila perguntou.

— Eu acho que ele não... — Nicolas se calou ao ouvir que o som tinha parado.

Ariel sem mais demora pulou nos braços do namorado e começou a selar seus lábios repetidas vezes. Os dois começaram a se beijar ali mesmo, pelo jeito tinham esquecendo-se do sono, os dois rapidamente arrancaram suas roupa. Um acariciava o corpo do outro com força, com vontade e desejo.

— Amor, eu mereço uma recompensa... — Nicolas falou ofegante em meio aos beijos.

Sem mais delongas, Ariel ajoelhou-se no chão e baixou o samba canção do namorado. Ele riu sacana ao ver aquele membro que ele tanto gostava, e então começou a chupar o avantajado pênis do namorado que mesmo ainda mole era suficiente grande. Não foi preciso muito tempo e o pau de Nicolas dobrou de tamanho e ficou duro feito pedra. Ariel adorou aquilo e começou a chupar com força e vontade. Os gemidos de Nicolas deveriam ser ouvidos pelo menos por todo o prédio, mas nenhum dos garotos estava incomodado com isso. Se em pleno sábado de manhã a música rolava alta, eles teriam que acostumar com o som que dois faziam enquanto transavam, ou trocavam caricias safadas. Nicolas gozou e gemeu alto, enquanto lambuzava a face do namorado.

— Que tal um banho? — Nicolas propôs.

Ariel apenas sorriu com o rosto sujo como resposta e os dois foram para o banho. E foi um banho bem divertido, diga-se de passagem.

O resto do dia foi tranquilo, o casal viu um filme, comeu besteira, e até recebeu visita da mãe de Nicolas, ela foi levar torta de limão e fazer uma visita com a pequena Jude, já que essa informava estar morrendo de saudades do irmão. A família se divertiu bastante naquele sábado, e os meninos terminaram a noite com um belo filme romântico.

O domingo até começou bem, parecia que iria ser tranquilo como a noite de sábado terminou, até que um som de rock invadiu o apartamento dos garotos numa altura absurda. Os dois acordaram assustados e irritados.

Cada um bravo por seu motivo. Nicolas limpou sua baba e Ariel tirou os fios de cabelo que caiam em seu rosto, então se olharam novamente e gritaram juntos. — NINGUÉM MERECE VIZINHOS CHATOS!

Os dois teriam que acostumar, coisas como essa, ou até mesmo piores estavam para acontecer...