Ninguém Merece

3 Ninguém Merece Visitas Inesperadas


Depois de descobrirem que seu vizinho Jason tem problemas sérios de cabeça, e nos finais de semana ouve som na maior altura. Nicolas e Ariel só queriam um pouco de sossego durante a semana, mas será que isso é possível quando se esta rodeado de tantas pessoas com parafusos a menos?

Nicolas estava sozinho deitado no sofá esperando pelo seu namorado que havia ido visitar o pai na fazenda da família, o velho não estava muito bem, pelo visto precisava da ajuda do filho que ele desprezou a vida inteira. Ele realmente se sentiu incomodado em ter Ariel indo para aquele lugar onde um dia o trataram tão mal, até se ofereceu para ir junto, mas o outro recusou. Então ficou em casa, sozinho, e bom com medo... Ele tinha medo de perder o namorado, de o pai convencer o filho a ficar por lá e se transformar no sucessor no trabalho agrícola. Nicolas estava quase cochilando quando ouviu seu telefone tocar. Ele olhou o telefone tão longe de onde estava, mas respirou fundo e se levantou para atender, poderia ser Ariel.

— Alô? — Ele disse baixo enquanto coçava sua bunda.

Ouviu em silêncio fazendo uma leve careta, a mão que coçava a bunda subiu até a cabeça e ele coçou pensativo e com um pouco de força.

— Claro irmão. Eu só preciso falar com o Ari... — Então se calou abruptamente.

Nicolas olhou para o telefone em silêncio e então o colocou no gancho. Ficou com uma cara estranha por um tempo e logo se deitou no sofá novamente. Dessa vez adormeceu de verdade. Acordou apenas porque ouviu o barulho de Ariel que abria a porta e entrava em casa com algumas sacolas.

— Pode ajudar aqui amor? — Ariel pediu fazendo esforço para fechar a porta atrás de si.

— Claro, mas o que são essas sacolas? — Perguntou Nicolas enquanto puxava algumas das sacolas da mão dos namorados.

— Eu passei no super mercado, estamos quase sem nada em casa. — Ariel selou a boca do namorado e riu. — Esqueceu que você come pra caralho? E o meu pai mandou umas coisas da fazenda também.

— Engraçadinho! Eu não como muito. — Nicolas riu. — Mas e aí, o seu pai mandou aquele doce de leite maravilhoso?

Nicolas caminhou com Ariel até a cozinha e ajudou o namorado a guardar as coisas e então parou e encostou-se a pia ficando em silêncio. Estava meio estranho.

— O que foi? — Ariel perguntou virando-se para o namorado. Ele sabia que tinha algo errado.

— Nada, sabe quando você acha que tem algo para contar, mas não se lembra? — Nicolas falou coçando o cabelo escuro.

— Se você não lembra é porque não é importante. — Ariel falou enquanto colocava uma pizza no forno.

— Eu vou tomar banho, fica de olho nisso, hem? — Ariel passou pelo namorado e foi para o quarto.

Nicolas caminhou até a sala e ligou a tevê, começou a procurar nos canais algo para assistir com o namorado assim que o mesmo saísse do banho. Sentou-se no sofá e deixou a tevê num canal de comédia. Riu com a primeira piada que ouviu e continuou assistindo. Logo ouviu uma batida na porta.

— Já vai! — Respondeu se levantando, mas sem tirar os olhos da televisão, ficou assistindo as piadas por mais um tempo, mas logo se lembrou da porta e caminhou até lá, ele a abriu.

— Irmão! — Disse Tyson que abraçou Nicolas com força, sufocando o irmão naquele abraço forte.

— Tyson, o que você faz aqui? — Perguntou Nicolas totalmente confuso.

— Eu liguei mais cedo, perguntando se eu poderia passar uns dias na nova casa do meu irmão e você disse que podia. Que casa bonita! — Tyson disse enquanto olhava a sala.

— Eu não achei que fosse ser tão cedo. Tão hoje! — Nicolas disse confuso, lembrando-se de realmente ter tido uma conversa com o meio irmão.

Tyson riu e tirou sua mochila das costas jogando-a no chão. Entrou no apartamento com seus tênis sujo de barro. Nicolas notou a sujeira que o irmão fazia, mas resolveu não falar nada.

— O que é isso? — Tyson perguntou olhando a televisão. — O que está assistindo?

— Nada, só um programa de comédia! — Ele respondeu sério.

Tyson riu satisfeito e sentou no sofá.

— Tyson sentiu tantas saudades do irmão... — Tyson sorriu carinhoso. O garoto tinha alguns problemas mentais, Nicolas não sabia ao certo, mas desconfiava que o meio irmão fosse autista. — Lá no reino do papai é super sem graça.

“Reino” pensou Nicolas, mas sorriu.

— Eu sei... — Disse ele que toda hora olhava para a porta do quarto.

Ariel logo saiu do quarto apenas de cueca e secando seus cabelos com uma toalha.

— Amor, você olhou a pizza? — Ele secou os cabelos e então olhou para Tyson e Nicolas que conversavam no sofá. — Santos deuses! — Ariel disse então atrapalhado e enrolou a toalha na cintura com o susto.

— Tyson... Oi! — Ariel disse confuso. Ele não sabia que o cunhado iria aparecer hoje.

— Ariel! — Tyson gritou e correu até Ariel, o abraçou e levantou para o alto sacudindo. — Você não cresceu nada, senti sua falta... — Tyson sorriu.

— Eu também senti a sua, grandão! — Nico disse educado. Sorriu sem graça.

Tyson logo o soltou e correu de volta para a tevê para ver o comercial do my little poney que passava na tevê. Tyson riu e bateu palmas. Ele realmente parecia ser autista.

— Podemos conversar? — Ariel pediu bravo indicando a cozinha.

Nicolas sorriu sem graça e levantou do sofá e foi até a cozinha com o namorado.

— O que ele faz aqui? — Nico falou baixo e encarou o namorado.

— Ele ligou avisando que viria passar uns dias aqui hoje mais cedo! — Nicolas também sussurrou.

— O que? Dias? Surtou? Não! Você sabe que o seu meio irmão tem problemas, ele é autista ou tem alguma síndrome. Ele não pode ficar aqui. – Nico disse bravo e baixo. Ficou meio triste por falar daquela forma, soou tão preconceituoso, ele tentou corrigir. — Por que não me disse?

— Você se lembra da conversa do “se não é importante...”

Nicolas nem terminou a frase, Ariel deu um tapa em sua cabeça.

— Ai! — Ariel reclamou.

— Ai porra nenhuma! Quer dizer então que agora temos visitas? — Ariel perguntou extremamente bravo e ficou olhando para o namorado.

— Sorria, vai ser divertido. Meu irmão mais novo é legal, ele vai nos divertir por um tempo. — Nicolas sorriu e disse mentindo.

Pois os dois sabiam que não iria ser nada legal, e muito menos divertido. Na maior parte do tempo Tyson dava mais trabalho que uma criança de sete anos. E ele já tinha quase dezoito.

Tyson estava ali fazia três dias, mas Ariel não via a hora de que ele fosse embora, já Nicolas parecia adorar a visita agora e até cantava junto com o irmão músicas infantis dos comerciais. O garoto era extremamente fofo.

Era tarde da noite. Ariel e Nicolas estavam deitados sobre a cama prontos para dormir.

— Amor só uma rapidinha! — Nicolas pediu fazendo biquinho.

— Não, o Tyson está dormindo logo ali na sala. — Ariel resmungou. Não estava com cabeça para sexo.

— Por favor... — Nicolas pediu implorando, e então foi logo beijando o pescoço de Ariel de forma sensual.

Ariel sorriu.

— Não... — Ele disse tentando se esquivar, mas no fundo estava gostando daquele joguinho.

Nicolas continuou ignorando os não. E foi beijando o corpo do namorado, logo os dois estavam se beijando com vontade. Estavam quase arrancando suas roupas quando foram interrompidos por Tyson que entrou correndo no quarto e pulou sobre eles.

— O que é isso? — Nicolas gritou bravo ascendendo à luz do abajur. Ele odiava ser atrapalhado na hora do sexo. Era algo que ele odiava mesmo.

— Tyson com medo das aranhas... — Tyson disse separando os dois e ficando no meio deles na cama. — Tyson dorme aqui hoje!

Tyson deitou na cama entre o casal e segurou uma das mãos de ambos. Nicolas ficou olhando para Ariel que estava com vontade de matar seu namorado. Em menos de cinco minutos Tyson estava roncando ao lado dos dois.

— Viu? Viu o que você fez? — Ariel disse puto da vida.

— Mor... — Nicolas começou.

— Cala a porra da boca e dorme Nicolas Bragança! Eu só quero que você durma! – Ariel disse irritado e soltou a mão do cunhado. Ele se levantou da cama e saiu do quarto.

Ariel foi até o sofá que tinha arrumada para o cunhado dormir e deitou-se lá. Ele se sentia melhor ali. “Eu não acredito mais que tenha feito à coisa certa!” Pensou sozinho e fechou os olhos tentando ignorar as lágrimas.

Se vocês acham que as coisas melhoraram depois disso, se enganam, pois Tyson sempre aprontava alguma coisa. Como da vez que ele entrou no banheiro sem bater enquanto Ariel tomava banho. Ou da vez que Tyson começou a gritar no meio da praça de alimentação para todos ouvirem que Ariel soltava pum enquanto dormia. Ou da vez em que Tyson quase colocou fogo na casa quando resolveu o usar o micro-ondas sozinho, ou quando ele trouxe alguns amigos para uma festas e eles quase destruíram o apartamento. Mas tudo isso é história para outro dia. Não podemos confundir a sua cabeça, leitor.

Felizmente Tyson ficou com eles apenas por duas semanas.

Ariel sentia-se tão feliz por não ter mais o cunhando zanzando pela casa, não que ele fosse um chato antissocial que prefere ficar sozinho. Tá nós sabemos que ele é.

Ariel estava saindo do banho, dessa vez vestido. Ele ainda lembrava-se da última vez que tinha saído apenas de cueca e se deparado com o cunhado na sala. Ele olhou para a sala e viu Nicolas sentado no sofá e Jude em seu colo.

Jude imediatamente correu com dificuldade por causa se suas perninhas gordinhas de bebê, somente para abraçar o cunhado.

— Oi meu amor! — Ariel disse carinhosamente abraçando a pequena bebê e a pegando nos braços por um breve instante.

— O que ela faz aqui? — Ariel perguntou olhando Nicolas, mas depois mudou o olhar e encarou a pequena cunhada com um sorriso nos lábios. — Cadê a sua mãe, hein meu amor?

— Ariel, então... — Nicolas disse carinhosamente, com um sorriso mega fofo e inocente nos lábios. — A Jude veio passar uns dias conosco, não muitos, só alguns. É que meus pais vão viajar em lua de mel, e pediram para a gente ficar com ela. Não custa nada, vai...

Ariel mudou sua feição, e apenas sorriu de forma triste, ele colocou a pequena Jude no chão e sorriu para a criança. Ele ajoelhou e beijou a testa da pequena que caminhava com certa dificuldade.

— Eu já volto! — Ariel disse com um falso sorriso nos lábios.

Ele caminhou até o quarto, fechou a porta e foi até a varanda que dava para o frente do prédio na avenida, olhou os carros que passavam rápidos ou devagar, sorriu sem graça e sentindo vontade de chorar, Ariel se apoiou e então gritou.

— NINGUÉM MERECE VISITAS INESPERADAS!