Depois de tudo isso, ele disse que o casamento já estava marcado e o resto todo já estava pronto.

– O QUE? Há quanto tempo você está planejando isso pelas minhas costas? – Pergunto.

– Não é como se eu fosse me casar com você no Caribe daqui a uma semana nem nada! Opa é sim! – Ele obviamente estava muito aplicado em me manter por fora das coisas; Theo se sentou no sofá com um pote de biscoitos no colo.

– THEO! Isso não tem graça! Temos muito pouco tempo! – Eu estava eufórica.

– Pouco tempo para que? Está tudo arrumado Bella! Tudo! Bufê, convidados, festa, padre, tudo!

– Ei, quem são os convidados?

– Phillip, Melissa...

– Melissa?

– Sim, ela terminou o noivado. Pelo o que eu soube o noivo dela era tediante.

– Ela está com Phillip?

– Phillip está tentando dar um gelo nela.

– Mas como está Phillip?

– Depois daquele dia, ele ficou mais focado nas pessoas. Mudou de cidade. Deixou a clinica nas mãos da Maju, lembra dela?

– Lembro sim, mas ele está morando aonde?

– Aqui na cidade. Disse que ficaria mais fácil para nos encontrarmos. A imprensa por sorte não foi notificada. Ninguém praticamente sabia que Phillip morava lá, o que facilitava para ele. Viemos para cá, tive que dar uns tapas nele para ele entender que Eleanor não valia nada, como você me disse para fazer.

– Onde Melissa entra nessa historia?

– Melissa está morando por um tempo com Phillip.

– Hmm, ta deixa eu ver se entendi: Depois que eu me entreguei de bandeja para Annelise, você marcou nosso casamento no Caribe, Phillip mudou de cidade, eu matei mais pessoas do que se pode imaginar, sendo duas dessas pessoas Annelise e Ethan e...

– Ethan? – Theo perguntou obviamente confuso.

– Sim, agora continuando: levei quatro ou cinco tiros nesse tempo em que passei fora, chego aqui, vou para um hospital, acordo depois de um dia, chego a casa, você me pede em casamento, e por incrível que pareça: eu aceito, e agora você me conta que já está tudo pronto e que vamos nos casar em Providenciales que é uma ilha no Caribe daqui a uma semana?

– Hmmm, sim. Você entendeu direitinho. Agora que tal almoçarmos? Eu estou com fome. – Theo falou segurando o riso.

– Vamos, vou trocar de roupa, espere um minuto. – Tudo estava tão fora do comum que eu resolvi aceitar.

– Consegue subir a escada sozinha?

– Sim, obrigado. Enquanto isso pegue a mala que está na beira da porta e guarde no arsenal.

Ah é, esqueci de avisar que temos um arsenal no porão da casa. A porta para o porão fica do lado do armário da cozinha, embaixo de uma lixeira.

Subo a escada e vou para o meu quarto, logo, escuto Theo gritar lá debaixo:

– De onde saiu isso tudo?

– Lá havia uma sala repleta de armas, só trouxe as que eu podia carregar. – Coloquei um vestido mais ou menos na altura da coxa, prendi o cabelo e coloquei uma sapatilha. Salto alto forçaria demais a minha perna. Peguei uma bolsa e coloquei alguns remédios. Sem armas.

Fomos para o restaurante, almoçamos e voltamos para casa.

Os dias se passarão rapidamente; minha perna estava cada vez melhor.

E eu já ia me casar.

Chegado o dia – que por acaso era o meu aniversário –...

E por falar nisso, tenho que esclarecer umas coisinhas.

Quando eu comecei a contar essa historia, eu disse que tinha dezesseis anos. Era mentira. Eu tinha dezoito, como dizia na identidade. Desculpe, menti para vocês.

Vou fazer 20 anos – pois já se passou dois anos, mesmo que você não tenha percebido, acredite, eu sei quantos anos eu tenho.

Continuando, meu aniversário é no dia 01 de setembro; e coincidentemente – o que eu duvido muito, pois foi Theo quem agendou tudo – o dia do meu casamento.

Fomos de jatinho para lá. Eu estava tão nervosa que tudo passou rapidamente. Do nada eu já estava no altar com Theo me olhando com o sorriso mais feliz do mundo. Pessoas que eu nem conhecia estavam ali. Foi um alivio olhar para o mar de rostos e enxergar o rosto de Phillip e Melissa.

Mal percebi que o padre estava falando comigo.

– Desculpe? – Olhei para o padre; as mãos de Theo tremiam nas minhas.

– Bella Clainford aceita se casar com Theo Bournd? – O padre repetiu. Era a hora. Era agora.

– Sim, com toda a certeza que ainda me resta. – Disse, colocando a aliança em seu dedo anelar da mão esquerda.

– Então é bem pouca. – Falou Theo, provocando um coro de risos dos convidados, e até do padre.

– Theo Bournd, aceita se casar com Bella Clainford?

– Sim, com toda a certeza que ainda me resta. – Ele disse, repetindo as minhas palavras e fazendo meu sorriso se abrir ainda mais.

– Então, os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. – O padre diz com um sorriso.

– Com muito prazer! – Theo ri e me beija.

Como a felicidade pode fazer uma pessoa se sentir nas nuvens... Acima das nuvens... Praticamente na atmosfera.

Saímos do altar e corremos para a praia, felizes da vida. Sem ter que se preocupar com nada nem com ninguém. Pelo menos por enquanto. E depois...

Programa inapropriado para menores de 18 anos.

Desculpem, imaginem somente uma suíte com vista para o mar e um mar de pétalas pretas indo desde a porta do quarto até a cama. Champanhe... Armas – não armas não, esqueçam essa parte -, lençóis, corpos, vestido e terno no chão, sapatos na varanda... O resto é para a imaginação pervertida de vocês.

Depois da festa, da noite de núpcias e de voltarmos para São Francisco, decidimos voltar para Martim Vaz e reabastecermos nosso estoque de armas. Pegamos um helicóptero – um pouco maior do que aquele no qual eu fugi – e voltamos para Martim Vaz.

– Isso aqui era assim? – Pergunta Theo, entrando logo depois de mim na mansão.

– Não. Era tudo tão... Tão extravagante. E agora é como se nada tivesse existido. Ou Annelise ainda está viva, o que eu duvido muito, ou ela tinha alguém. Alguém em que ela confiasse. E esse alguém está por ai, provavelmente achando um modo de me matar.

Revistamos mais um pouco e descobrimos que já haviam levado tudo. Isso mesmo que você leu: tudo.

Não havia mais mesas ou cadeiras, sofás ou cortinas vermelhas aveludadas; as armas haviam sumido; a estante cheia de cabeças de Annelise também havia sumido. Junto com os corpos.

Fui ao meu antigo quarto, que também estava vazio. Tudo estava vazio. As portas estavam quebradas assim como as janelas. Não havia nenhum indicio de que uma chacina havia acontecido ali.

Estávamos saindo dali quando Theo para e segura o meu braço.

– O que foi? – Pergunto.

– Outro helicóptero. Escute. – Realmente, bem ao longe, fora do som das águas furiosas batendo nas rochas, se escutava um som de um helicóptero se aproximando. – Temos que nos esconder, corre! – Theo disse me puxando com ele para dentro da mansão. Passamos direto pelo Grande Salão e seguimos o corredor que saia para o lado de fora da mansão.