Gold era engenheiro civil que construía um grande prédio de apartamentos para uma empresa que comprava o material em seu depósito. Conversaram muito. Robin confidenciou seus projetos para o futuro e Gold o ouviu com entusiasmo, ajudando-o nos cálculos dos lucros. Em pouco tempo uma amizade nasceu entre eles, e tanto o engenheiro quanto a esposa passaram a frequentar a casa de Robin. Sempre que podia, Gold falava com entusiasmo sobre os projetos. Não havia como dar errado. Era lucro certo. Resolveram fazer uma sociedade e começar a empresa. Para isso Robin vendeu duas propriedades que possuía, construiu três salas e banheiro no terreno ao lado do depósito e lá instalaram a nova empresa.

Gold estava construindo um prédio de apartamentos com outro engenheiro e ficou de integralizar sua parte do capital à medida que os imóveis fossem sendo vendidos. Robin correu com as primeiras despesas, e a empresa foi montada. Gold apresentou-lhe o dono de um grande terreno interessado em construir nele um prédio. Assinaram um contrato estabelecendo que, dos trinta e cinco apartamentos que seriam construídos, o dono do terreno receberia dez em pagamento pela sua propriedade. Tudo parecia ir bem. Gold entrou com pequena parte do seu capital, Robin com tudo quanto possuía, e o projeto começou.

Fizeram as plantas, aprovaram e começaram a vender os apartamentos. Não estava fácil, porquanto a inflação alta obrigava a aumentos sucessivos de preço, mas mesmo assim o dinheiro começou a entrar no caixa, e Robin não se cabia de satisfação. Gold tornou-se seu companheiro inseparável. Iam ao futebol, às corridas de carro, aos restaurantes nos fins de semana com as esposas. Tudo estava correndo muito bem. O engenheiro dizia que estava cuidando das providências iniciais. O estaqueamento do terreno, os alicerces iam bem. Robin, orgulhoso, ia vistoriar a obra e dizia:

— Não vejo a hora em que o prédio comece a subir. Por enquanto é só alicerce. Ao que Gold sorria e retrucava:

— Essa é a parte mais difícil, porque não aparece. Precisa de paciência. Logo estaremos começando a levantar as paredes.

Robin sorria feliz vendo seu nome colocado na placa do lado de fora do pequeno pavilhão de vendas que Gold montara. Mas o tempo foi passando e Robin achou que a construção estava demorando demais. O preço era barato, os apartamentos muito espaçosos, por isso eles já haviam vendido vinte e oito unidades, recebido bom dinheiro, o bastante para acelerar a construção, ao que Gold retrucava:

— Estou tendo dificuldade de conseguir mão de obra qualificada. Mas estou contratando mais gente e vamos alavancar o projeto. Regina vivia dizendo ao marido:

— Se eu fosse você, cuidava dessa construção pessoalmente. Tudo está nas mãos de Gold. Você confia demais nele.

— Há o contador tomando conta de tudo. Robin respondia.

— O contador que ele arranjou.

— Deixe de ser implicante. Gold caiu do céu. Um engenheiro de alto padrão, como ele, está se dedicando a um negócio com alguém como eu, que nem sequer tem capital.

— Você é quem sabe. O negócio é seu. Regina desistiu de argumentar, Robin não ouvia.

— Eu quero que você venha trabalhar em nossa empresa. Falou Robin.

— Por enquanto não. Meu salário é alto e vocês ainda não têm como pagar. Quando chegar a hora, veremos. Por enquanto é cedo.

— Como você é intransigente! O que custa ganhar um pouco menos e vir nos ajudar?

— Não vou fazer isso agora. Vamos deixar o tempo correr.

— Se tudo estiver bem, você virá?

— Veremos. Regina não gostava nada de falar sobre isso com Robin, mas se mantinha imparcial. Se tudo desse certo, claro que ela pensaria na oferta do marido.

Robin passou a mão novamente nos cabelos. E agora, o que lhe diria? Havia alguns dias ele recebera uma intimação judicial. Sem saber do que se tratava, conversou com Gold, que garantiu que deveria ser algum engano. Dois dias depois, Gold recebeu um telegrama de seu pai, que morava no interior, pedindo-lhe que fosse ter com eles porque sua mãe estava muito mal. O engenheiro viajou imediatamente.

Por que não percebera o jogo dele? Como fora tão ingênuo a ponto de entrar naquele negócio? Comparecendo à audiência, tomou conhecimento de que algumas pessoas que haviam fechado negócio com os apartamentos haviam reclamado do não cumprimento do contrato e pediam o dinheiro de volta. O juiz deferiu o processo e a empresa teria de cumprir a sentença. Nervoso, ele foi ao banco e lá descobriu que, antes de viajar, Gold retirara todo o dinheiro da empresa. Desesperado, procurou pelo contador e descobriu que ele também desaparecera.

Foi ao apartamento do engenheiro, e estava vazio. Ele havia se mudado sem deixar endereço. Robin enterrou a cabeça nas mãos, desesperado. Onde arranjar o dinheiro que teria de devolver aos compradores? Se ao menos ele tivesse como acabar a construção e entregar os apartamentos... Mas com que recursos? A conta bancária estava zerada. Ele se deu conta de que estava arruinado. Mesmo vendendo o depósito de materiais, não teria o suficiente para pagar o que devia. Seria a falência, a vergonha, talvez até a prisão. Precisava consultar um advogado, era preciso fazer alguma coisa. Mas em quem confiar numa hora dessas? O advogado que conhecia fora apresentado por Gold, e ele seria a última pessoa em quem confiaria. Pensou em pedir a ajuda de alguém. Um por um, todos os parentes e amigos foram desfilando em seu pensamento. Conscientizou-se de que nenhum deles possuía recursos para lhe emprestar. Havia o projeto. Se encontrasse um sócio que pudesse liquidar o montante da dívida, tudo ficaria resolvido. Mas e a construção, quem financiaria? Ele poderia vender sua parte, isto é, sair do negócio sem receber nada. Se conseguisse salvar o depósito e pagar as dívidas, já seria um sucesso! Mas onde encontrar a pessoa certa, que, além de ter recursos, se interessasse por um negócio mal começado? Robin pensou, pensou e resolveu. O primeiro passo seria colocar um anúncio no jornal. Tinha algum dinheiro em sua conta pessoal. Depois iria procurar um advogado para uma consulta. Talvez sua mãe pudesse lhe indicar um.

Apanhou lápis e papel e escreveu o anúncio. Decidido, saiu e, depois de passar pelo jornal, foi à procura de sua mãe. Vendo-o aparecer em hora tão inusitada, Cora assustou-se:

— Você aqui a esta hora! Aconteceu algo com as crianças?

— Não. Elas vão bem. Eu é que preciso da sua ajuda.

— Você está com uma cara! Foi com Regina?

— Não. Foi comigo mesmo. Estou desesperado. Aconteceu uma coisa horrível. Preciso de um bom advogado. Você conhece algum?

— Advogado! Valha-me Deus! O que foi que você fez?

— Nada. Eu não fiz nada. Fui vítima de um desfalque! Gold fugiu com o dinheiro da empresa e a justiça me condenou a devolver tudo que os compradores pagaram! Estou arruinado!