Nigth End
5 A Conversa Suspeita
Notas iniciais
A mente de Kiara estava vagando nos pensamentos sobre seu novo emprego de secretária particular, parecia que o universo estava conspirando contra seu coração, aquele livro despertou sua curiosidade, ficou muito arrependida de não ter dado uma olhada no seu conteúdo interno, Allan pareceu não querer falar sobre ele e Kiara preferiu não tentar perguntar a respeito. Talita e Malu estavam tendo uma longa conversa sobre o NES no gramado da escola.
— ... você também não acha Kiara? – As duas miraram Kiara e um silêncio se estendeu
— KIARA! – gritou Malu
A garota se espantou de seus pensamentos, que estavam muito longes dali. – Sim, eu acho também... – Kiara não sabia nem com o que estava concordando, só queria poder voltar ao seu conto de fadas.
— Eu acho que Kiara é a que tem a melhor relação com ele, então ela pode tentar ver o que ele guarda daquela mochila
— O que? – perguntou Kiara ao ouvir seu nome na conversa da qual nem sabia do que se tratava
— Você já aterrissou? Estamos falando que você tem mais intimidade – Malu se inclinou para frente e sussurrou: com o Ryan para ver o que tem dentro da mochila dele.
— Que? Pra que você quer ver o que tem na mochila dele? – disse Kiara
— Porque ele agora é o nosso suspeito número UM – disse Talita empurrando seus óculos com o dedo para arruma-lo no rosto.
— Eu não acho que Ryan tem a ver com esses crimes, se ele tivesse, ele teria me matado logo ali quando teve oportunidade.
— Ah Kiara, quem melhor você tem pra suspeitar? Ele estava no local do crime com uma faca na mão e atacando pessoas. – disse Malu
— Além do mais ele deve escolher bem as vítimas, e você provavelmente não está na lista dele – Completou Talita arregalando os olho fazendo uma pausa – Ainda...
— Se ele fosse algum assassino ele teria me matado naquela hora, independente de lista, ninguém ia ver, vocês correram e estava tudo escuro, sem falar que esses assassinatos já acontecem desde muito antes dele chegar na cidade, talvez ele só está fazendo o mesmo que nós, procurando os culpados dos crimes. – Kiara tentou se desfazer da tarefa que tinha acabado de ser recrutada para fazer, sem seu consentimento.
— Se ele está realmente procurando um culpado, porque ele não entrou no nosso grupo então? – indagou Talita
— E a gente não anda com uma faca e ataca pessoas – Completou Malu
— Sei lá, talvez ele não queira dizer seus motivos ou pode achar que vamos atrapalhar ele...
— Independente do que for, você vai ver o que ele guarda naquela mochila, não é normal uma pessoa sair até para o intervalo com uma mochila, como se ele guardasse algo importante nela que queira proteger. – Afirmou Malu, decidida da nova missão de Kiara
Kiara acabou aceitando a missão, não porque acreditasse que ele escondia alguma coisa, mas por consideração a amizade que tinha com Malu. No caminho para a mansão Monray naquele dia Kiara pensou em como conseguiria ver o conteúdo da mochila de Ryan sem que ele percebesse, não conseguiu pensar em nenhuma brecha para fazer isso, exceto o festival dos clubes que aconteceria no fim de semana na escola, sendo inclusive uma boa oportunidade para escolher outro grupo já que foi expulsa das Pandoras.
Ao chegar na mansão, se dirigiu logo para a biblioteca e continuou seu trabalho, tentou agilizá-lo olhando menos os livros que precisava arrumar, Kiara nunca fora chegada a leituras cansativas de matérias da escola, mas livros alternativos sempre foi muito bem-vindo para ela, principalmente os livros de romance, era o seu gênero preferido.
Ao decorrer de 2 horas, tirando a poeira dos livros e da estante, percebeu que não iria conseguir terminar tudo naquele dia, precisaria pelo menos de mais um ou dois dias para finalizar. Estava terminando de colocar o último livro de uma prateleira quando escutou a voz de alguém no estabelecimento, distraída como sempre quase deixou o livro cair de suas mãos.
— Não sei como você consegue ter tanta paciência para organizar esses livros. – Arthur estava sentado em uma das poltronas com a perna em cima de uma banqueta, lendo um livro com a capa marrom com um título dourado.
— Oi Sr. Arthur, não o ouvi chegar, desculpe, me assustei com sua chegada repentina. – Disse virando para vê-lo
— Não, tudo bem, pode continuar seu trabalho, vou ficar lendo meu livro.
Kiara continuou seu trabalho, pensando na atitude estranha de Arthur na última vez que eles se encontraram e começou a se sentir incomodada com a presença dele que estava nitidamente mais observando-a do que lendo seu livro. Tentou pensar em outra coisa para se distrair, mas em vão. Então resolveu puxar assunto.
— Você tem quantos irmãos?
Arthur pareceu que estava só esperando uma abertura para conversar, logo deixou o livro de lado como se não tivesse importância ou não tivesse lendo nada relevante e abriu um largo sorriso no rosto. – Tenho dois, Allan e Alucard... Alucard é mais velho, praticamente não mora com a gente, vive viajando a negócios. Você tem irmãos?
— Não, sou filha única.
— Ah que pena... ou sorte... você mora com seus pais? – perguntou interessado.
— Meus pais faleceram quando eu era criança em um acidente de carro, eu moro sozinha, minha única parente viva é uma tia que perdi o contato. – Kiara não se sentia confortável em falar dos pais, portanto voltou a fazer o que estava fazendo para encerrar o assunto.
— Você tem namorado? – disse Arthur próximo de Kiara, que quando percebeu já estava sentado na mesa onde estava colocando os livros para organizar.
Kiara ficou tímida com a pergunta, nunca tinha namorado antes, não era muito boa com romances na vida real. – Não, não tenho.
— Interessante, e o que você gosta de fazer? – Arthur se aproximou um pouco mais, passando a mão nos cabelos loiros e sedosos.
A pergunta foi uma surpresa para Kiara, fazendo-a sentir vergonha e ao mesmo tempo nervosismo por não saber o que dizer, nunca tinha passado por uma situação como essa antes. Respondeu a primeira coisa que lhe veio à cabeça.
— Sozinha, gosto de ficar sozinha. – Disse colocando o livro no lugar errado
Arthur sorriu – Você é muito engraçada, a propósito, acho que estou lhe desconcentrando, a letra ‘’L’’ vem depois da ‘’I’’.
Kiara arrumou rapidamente, não estava mais conseguindo pensar no que estava fazendo, Arthur era muito atraente e sedutor, mas jamais seria capaz de permitir que algo acontecesse, não sabia o motivo, pois era um rapaz com todos os atributos que qualquer garota iria querer.
Arthur perguntou sobre sua ferida, e Kiara contou a história de como adquiriu, com alguns detalhes alterados. Jamais admitiria para ninguém o real motivo de sua queda que a fez adquirir o machucado, nem sua melhor amiga Malu saberia do ocorrido.
Eles ficaram conversando sobre filmes, livros, hobbies em uma conversa bem casual, até Nunzio aparecer com o lanche noturno, Arthur saiu e Kiara ficou sozinha em paz novamente. Quase no final do expediente Allan chegou na biblioteca, dessa vez ouviu o barulho da porta e o viu entrar.
— Arthur a veio incomodar? – disse ao entrar
— Não, apenas veio conversar comigo, pareceu feliz em ter companhia. – Kiara não sabia o porquê, mas ficou feliz em vê-lo
— Se preferir ficar sozinha, pode pedi-lo para sair, e é bom evitar tal companhia. – Allan atravessou o estabelecimento e sentou na mesa com um dos pés apoiado em uma prateleira da estante, próximo da escada onde Kiara estava apoiada para arrumar os livros no topo da estante.
— Como está seu braço? – perguntou com a cabeça inclinada para cima, para onde Kiara estava na escada.
— Acho que já ta quase cicatrizado, eu acho, não está incomodando tanto quanto antes – disse descendo a escada, para pegar mais livros
— Deixa eu ver – ele a encarava como da vez que adquiriu a ferida, só que sem aquele sorriso sedutor.
Kiara desceu da escada e ficou estática
— Vamos, deixa eu ver – repetiu encarando-a
— Como? – Kiara não estava raciocinando
Allan puxou-a pelo braço que não estava ferido, eles ficaram tão próximos que Kiara conseguiu sentir o calor de seu corpo, seu coração traiçoeiro começou a se manifestar, e sentiu uma leve quentura no corpo. Allan pegou o braço ferido com delicadeza, e retirou a bandagem que cobria. Seus dedos eram um pouco gelados, mas nada que incomodasse, na verdade a última coisa que lhe incomodaria ali seria o toque de Allan, conseguiu sentir a maciez de sua mão e um pouco da respiração dele, Allan agora estava da mesma altura que Kiara, em pé ela batia em seu queixo. Allan levantou da mesa pegou uma caixa em uma das estantes e tratou do ferimento, passou uma pomada esverdeada que nunca tinha visto antes, e em pouco tempo sentiu a pele repuxar. Allan prometeu que amanhã já estaria quase totalmente cicatrizada. Sem muitas oportunidades para conversar, Allan saiu sem falar nada e Kiara não o viu mais naquela noite.
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O festival dos clubes estava se aproximando, Malu e Talita não paravam de bolar planos para conseguir roubar a bolsa de Ryan, o plano mais certo até agora seria distração, mas se qualquer coisa desse errado, nunca mais conseguiriam a confiança de Ryan de volta, que já estavam conseguindo aos poucos na escola, durante as horas de intervalo.
Na escola os preparativos já estavam começando, eram sacolas e sacolas de materiais para a decoração, faixas, fitas, papeis, papelões, tintas, isopor e outro materiais. A escola possuía apenas 4 grupos, que eram: As pandoras, das líderes de torcida, os grupos de Teatro e dança, Pintura e Artesanato e por último o de Esportes, que englobavam várias modalidades esportivas. Esse ano iriam ser abertos mais dois, o de publicidade, que finalmente teriam o Jornal da escola e o clube de música. Os clubes realizam atividades extracurriculares ao final do dia, normalmente as quartas e sextas, além de constar no currículo escolar, eram também responsáveis por realizar atividades nos eventos e campeonatos da escola. A ferida de Kiara estava praticamente cicatrizada, já não sentia incômodo, a pasta realmente funcionou, no dia seguinte já conseguiria remover o curativo totalmente.
Durante a noite, Kiara continuou o seu trabalho interminável na biblioteca, quando chegou na metade do expediente, conseguiu finalmente terminar tudo, foi gratificante sentar-se na poltrona e olhar todos os livros, limpos e organizados. Passou alguns minutos satisfeita com seu longo trabalho de 3 dias, e agora pensou qual seria a sua próxima tarefa.
Saiu da biblioteca para procurar alguém para comunicar que já estava tudo em ordem, a mansão estava silenciosa, era muito estranho vê-la vazia, silenciosa e mal iluminada, a sensação era que estava dentro de um filme de terror e aquela estátua de grifo no salão principal não parecia muito amigável e só piorava a sensação ruim. Kiara subiu as escadas para o segundo andar e andou pelos corredores a procura de alguém, quando dobrou um corredor, ouviu vozes de uma das portas, ao se aproximar conseguiu identificar alguma delas.
— O conselho está determinando a execução do culpado, meu senhor – disse uma voz masculina desconhecida
— Não foram deixados rastros, portanto não será necessário a execução – disse Allan
— O corpo foi encontrado na floresta e recolhido pela polícia local, não sabemos até onde eles irão chegar com a investigação, podemos ficar expostos a qualquer momento.
— Eu já cuidei desse assunto – a voz de Allan estava séria e firme
— E quanto aos conselheiros?
— Diga-lhes que minha decisão já foi tomada
— Sim senhor, com sua licença irei me retirar
Kiara saiu em passos largos, ser encontrada ali do outro lado da porta escutando o que não deveria, era a última coisa que desejava. Virou o corredor umas três vezes até se sentir longe o suficiente para não haver nenhuma desconfiança. Tentou entrar em uma porta, mas estava trancada, percebeu que já estivera ali antes, era a porta da outra biblioteca, sem poder entrar virou-se para sair do local e esparrou em Allan, que estava parado ao seu lado, não era possível que havia chegado tão rápido ali, deveria ter pegado um caminho mais curto que o seu.
— O que está tentando fazer senhorita? – disse Allan franzindo um pouco o cenho
— Procurando alguém – respondeu rapidamente – terminei lá na biblioteca... eu terei que arrumar... essa também? – tentou se inocentar.
— Não, essa biblioteca fica fechada, não será necessário arrumá-la, já está tudo em ordem por aqui. – Allan rodeou Kiara e verificou o trinco fechado – Essa biblioteca é particular – acrescentou Allan
Kiara virou e esperou para saber o que deveria fazer agora que já tinha terminado tudo.
Allan se aproximou e pegou no queixo Kiara – A propósito... da próxima vez que for escutar por trás de uma porta, seja mais silenciosa...
A pressão pareceu baixar no mesmo instante, suas bochechas ficaram rosadas de vergonha, queria enfiar o rosto em qualquer lugar, sair correndo dali, não ouviu a conversa por maldade, simplesmente não conseguiu controlar a curiosidade, curiosidade que agora acabou com qualquer boa reputação que tivesse.
Allan ao vê-la rosada, projetou um sorriso no canto dos lábios e se virou – Me acompanhe.
Os dois andaram silenciosos, a mansão nunca tinha sido tão grande, a cada bifurcação que passava, a vontade de tomar o outro caminho era maior que a anterior. Quando finalmente chegaram ao destino, entraram em uma sala de estar, com vários quadros na parede, e uma escrivaninha perto de uma grande janela ao fundo, haviam algumas estantes com artefatos em ouro, mapas, e objetos desconhecidos, a esquerda tinha um conjunto de poltronas em volta de uma lareira, que já estava acesa, a sala estava escura, a única iluminação que entrava era a da lua pela janela e do fogo cintilando.
Allan tirou o blazer do uniforme da High Five e colocou em um mancebo perto da porta, por baixo usava uma camisa social branca, abriu os dois primeiros botões e puxou as mangas, seus cabelos estavam mais desarrumados do que das outras vezes, mas isso o deixava mais casual e sensual. Sentou-se em uma poltrona vermelha de encosto alto e convidou Kiara com um gesto, para se sentar também, que obedeceu e se acomodou em um dos sofás.
— Eu gostaria de lhe passar algumas instruções... – Allan olhava para a lareira – Embora a cidade tenha conseguido sua independência, eu ainda fiquei com algumas responsabilidades, portanto há muitos assuntos que ainda tenho que cuidar e eles são confidenciais. Qualquer suspeita de um espião escutando o que não deve, poderá trazer grandes problemas – Allan olhou para Kiara – Problemas... sérios... você me entende? – Sua expressão estava muito séria, mas Kiara não sentiu medo, estava de alguma forma muito atraída para permitir qualquer sensação ruim.
— Sim, claro, entendi – disse Kiara olhando nos olhos de Allan.
A visão de Kiara começou a ficar turva e a sala começou a rodar, tudo começou a ficar branco e percebeu que estava caindo lentamente.
Quando acordou, estava deitada no branco de trás do carro e Nunzio a estava levando para casa. Kiara levantou ainda um pouco tonta e se sentindo fraca, perguntou o que aconteceu, Nunzio apenas disse que ela desmaiou enquanto conversava com Allan. Ao chegar em casa, Nunzio lhe entregou um pequeno frasco com um líquido vinho em seu interior, segundo ele, o medicamento iria lhe fazer se sentir melhor. O líquido tinha um cheiro e um gosto muito forte de ferro, para disfarçar o gosto horrível, tomou de uma vez tampando o nariz, e foi se deitar, pegando no sono profundo rapidamente.
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Kiara nem percebeu a hora que dormiu no dia anterior. Estava bem melhor ao acordar, quando levantou da cama sentiu uma pontada na ferida de seu braço, quando puxou o curativo para olhar como estava a cicatrização, pareceu que o processo tinha regredido, estava um pouco inflamado. Refez o curativo e foi para a escola.
Malu nunca deixava de perguntar tudo o que acontecia na mansão Monray, queria saber todo dia cada detalhe de tudo o que a amiga passava lá dentro. Malu logo começou a ficar curiosa com os assuntos confidenciais e com os compartimentos trancados na mansão, Kiara nem tinha tentado adivinhar do que se tratava até Malu começar a colocar várias coisas em sua cabeça.
— Aquela biblioteca pode ter a resposta para todos os nossos problemas, talvez lá você encontre alguma coisa sobre o que Ryan tava falando pra gente naquele dia. – disse enquanto guardava seus livros no armário.
— Mas eu não posso entrar lá, nem vou arriscar perder meu emprego fazendo uma coisa dessas, já basta me pegarem bisbilhotando conversa alheia.
— Mas você descobriu algo muito importante, Allan ainda tem influência em alguma coisa, que ninguém sabe o que é, até então ele era só um ícone para todos nós, só que como Ryan disse, não devemos conhecer mesmo a história completa, ele tem alguma função e pelo visto, é bem relevante, ele tem até dados da polícia, e esse negócio todo de conselho?! Muito estranho... – Malu fechou o armário – Eu não quero nem imaginar o que significa esse negócio de matar o culpado.
Talita se aproximou correndo no corredor – Gente!! — disse ofegante- dessa vez com uma pasta na mão ao invés de livros.
— Já sabemos, o culpado foi encontrado – disse Kiara sem relevância a chegada de Talita
Malu não perdeu tempo – Quem foi o cara? – perguntou ansiosa
— Do que vocês tão falando? Não teve nenhum culpado encontrado – Talita fez cara de interrogação – Eu roubei essa pasta do meu pai sobre alguns detalhes da cena do crime da floresta e do carteiro, mas hoje à noite vou devolver, só vou terminar de anotar tudo. – Talita mostrou a pasta e sorriu esperando resposta e euforia das meninas.
Malu e Kiara se entreolharam, pasmas com a informação. Agora não sabiam se o homem estranho da mansão estava falando com Allan do culpado do crime da floresta, ou se existiam mais casos que não foram noticiados. Pelo visto as coisas estavam mais complicadas do que imaginavam.
As meninas foram para o gramado debater sobre o ocorrido, agora Malu ficou mais convencida ainda de que Kiara teria que entrar na biblioteca e vasculhar a mansão a procura de alguma coisa que explicasse algo sobre esses mistérios.
O intervalo acabou e todos se dirigiram para as suas salas, Ryan estava encostado em uma das estantes do corredor, quando Kiara passou ele puxou o braço dela e desviou do caminho da sala puxando-a junto consigo, se distanciou um pouco da multidão de alunos e entrou em um depósito de material de limpeza, o local estava escuro e um pouco apertado, Ryan fechou a porta e apoiou a mão direita nela, impedindo Kiara de fugir.
— Você ta trabalhando na mansão Monray? – disse em um tom de voz sério
— Quem te falou isso? – indagou Kiara sem entender a situação
— Não importa, você está trabalhando lá?
— Sim, porque? – Kiara não havia espalhado o paradeiro do seu trabalho, com a intenção de que não chegasse ao ouvido de Laura, queria menos pessoas possíveis falando da sua vida.
— Você não pode trabalhar lá – Ryan falava firme e imponente
— Do que você está falando, claro que eu posso — Kiara segurou o trinco da porta, rodou e puxou, mas Ryan estava segurando com tanta firmeza a porta, que não se movimentou.
— Confie em mim, você está em perigo. Aquele não é um lugar para você.
— Qual o problema da mansão? Você sabe de alguma coisa? Sabe alguma coisa do Allan ou do Arthur? – Kiara aproveitou para tentar colher informações.
— Apenas me escute, não volte àquele lugar. – Ryan encarava Kiara e parecia ter muita firmeza no que falava
— Não posso prometer nada a você, eu preciso desse emprego. – A visão estava bem reduzida lá dentro, em alguns minutos os olhos foram se acostumando ao escuro, mas ainda assim estava difícil enxergar.
— O que aconteceu com sua ferida do braço? Porque ainda não cicatrizou? – perguntou Ryan
— Está cicatrizando, está tudo bem, deixe-me ir. – Kiara rodou a maçaneta para mostrar que queria sair.
— Alguém tocou em você? Alguém fez alguma coisa com você? Não minta para mim.
— Não, já disse que ta tudo bem, ninguém tocou em mim, e se tivesse tocado você não teria nada a ver com isso, me deixa ir, você está me assustando.
Ryan olhou-a por um instante, surpreendido pela resposta que acabara de receber, então tirou a mão da porta em silêncio e ficou parado olhando Kiara sair e se distanciar, tendo certeza que sua tentativa não fora bem-sucedida.
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