Nightmares of The Night
1 Prologue
“Antes era fácil; mamãe amarrava meus sapatos e eu só tinha a obrigação de me preocupar com a escola. Mas, agora, tudo mudou.”
...
Alice, a Humana.
Desde o início da guerra, já faz muito tempo que não vejo ninguém. Lembro-me muito bem de quando papai passou pela porta da frente, beijando minha testa e pedindo para que eu esperasse até sua volta. E ainda que sua promessa de volta continuasse encravada em minhas memórias, eu nunca mais o vi. Aquela velha porta de madeira não se abriu mais desde sua partida.
Dias para frente, foi a vez de mamãe me deixar. Eu estava em meu quarto, sentindo o forte cheiro de queimado e observando pela fresta das madeiras penduradas, quando, silenciosamente, ela encostou suas mãos quentes em meus ombros, puxando-me para o corredor. Antes que pudesse dizer alguma coisa, ela olhou para mim com seus olhos brilhantes e inspirou de forma ríspida e pesada, como se estivesse com dificuldade de fazê-lo. Com um pequeno sorriso sincero estampado em seus lábios, senti seu abraço seguido de um baixo sussurro de despedida em meu ouvido. Depois daquilo, ela nada disse, apenas virou-se e foi embora, deixando-me sozinha naquela casa escura.
Há muito tempo venho vagando sozinha, não sabendo ao certo como continuar seguindo. Não tenho nada além de minhas próprias memórias, as quais guardo como tesouros dentro de todos os meus reflexos. Sinto que centenas de anos se passaram, mas, de alguma forma, não consigo me lembrar de nenhum deles.
Essa noite, eu tive um sonho bem longo. Havia uma garota segurando um livro cor-de-rosa embaixo de uma árvore. Seus cabelos loiros e curtos contrastavam com o céu azul, refletindo em seu brilho todas as estrelas do universo. Entretanto, quando eu me aproximei dela, a árvore pegou fogo e seu corpo derreteu como cera, se desfazendo em petróleo pútrido logo em seguida...
...
... Meus olhos ardiam diante da luz forte vinda de fora da caverna; estava me sentindo exposta a toda a claridade do sol da manhã. Mesmo que incomodada com a luz, levantei-me devagar, roçando minhas mãos em todo o gelo derretido que há tempos me mantinha presa. Ao me dar conta de que a saída estava aberta, um sentimento misto de ansiedade e curiosidade me tomou por completo, e, sem pensar duas vezes, tomei coragem e fui em direção à saída.
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