Notas iniciais
Gostaram do prólogo! Bem espero que o capitulo vos agrade!

Capítulo 1 — Samantha Jones (Silver)

Encontrava-me sentada numa das várias cadeiras da esquadra enquanto o chefe da policia comunicava com alguém importante através do telemóvel. Dissera-me apenas que se tratava do dono da minha possível nova residência e, não querendo incomodar, não questionei mais.
O homem caminhava d’um lado para o outro, percorrendo o grande corredor de soalho de mármore e paredes pérola. Suspirei, cansada de esperar. O adulto desligou o telemóvel e aproximou-se de mim, que o observei.
– Vais ter uma nova casa. É um orfanato muito conhecido.
A simples palavra “orfanato” causou-me vários arrepios, pois relembrei-me do que sucedera com os meus pais e que, até ali, não perguntara sobre.
– O que lhes aconteceu? — inquiri, trémula, as minhas pequenas mãos a tremerem sobre os meus joelhos.
– Saberás mais tarde. Não é bom descobrires com essa idade, és muito nova.
Olhei para os joelhos. Senti lágrimas subirem-me ao olhos e uma vontade súbita de chorar. Estava habituada à sua companhia todos os dias... Como seria agora?
A resposta apenas viria apenas a descobrir mais tarde.

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Os meus pés balançavam repetidamente, enquanto eu olhava distraída para o teto da sala. Ouvi a porta abrir e olhei-a. Apoiado na ombreira da porta encontrava-se um homem alto, um pouco velho, com cabelos da cor das nuvens e olhos claros como o mar. O idoso carregava um monte de papeis debaixo do braço.
Ele aproximou-se de mim, entendendo-me a mão quando se encontrava a meros centimetros de distância de mim.
– O meu nome é Watari e vou levar-te à tua nova casa, Samantha.
Olhei-o com alguma dúvida, estranhando o facto de ele saber o meu nome. Mas, mesmo assim, segurei-lhe a mão e acompanhei-o até um carro negro. O homem abriu-me uma das portas e eu entrei, sem exitar muito. Ele sentou-se no lugar do condutor e ligou o motor, iniciando a viagem.
A luz do luar tornava tudo um pouco azulado, mas ainda era possivel observar as várias casas em linha, ao longo da estrada, e as árvores a decorar os passeios. O céu estava completamente azul, várias estrelas pequenas a brilhar bem acima da minha cabeça.
– A viagem ainda é longa, devias descansar um pouco — informou-me Watari.
Encostei a cabeça à janela e fechei os olhos, pretendendo dormir. Estava bastante cansada.
No meu sonho, voltei a recordar os momentos que mais apreciava com a minha familia. Lembrei-me do sorriso claro e amável da minha mãe e do riso sonoro e alegre do meu pai ao ver-me criticar a alguns programas.
– Não podes criticar tudo, querida. É como ouro e prata, diferentes, mas ambos valiosos. Toda a informação que possas aprender é informação importante.
Relembrei o dia em que a minha cadela morrera e chorara bastante.
A minha mãe aproximou-se, os cabelos ruivos presos num rabo de cavalo. A sua mão delicada tocou-me levemente o ombro, o seu sorriso sempre presente na sua face rosada.
– Não deixes os sentimentos te afetarem tanto, Sammy. São coisas que já aconteceram que querem apegar-se a ti. Tens de as deixar sair.
Abri os olhos, as recordações a fazerem o meu coração apertar-se cada vez mais. “Desculpem” pensei tristemente, sentindo que os poderia ter ajudado a sair daquela situação, e, assim, evitado as suas mortes.
Ia começar a chorar, mas reti as lágrimas, pretendendo cumprir o que a minha mãe me pedira. Seria forte dali para a frente. Não podia chorar, não assim tão facilmente. Tinha de pensar no que iria acontecer e, naquele momento, iria para uma casa nova. Iria conhecer mais pessoas, e teria de me habituar àquele lugar.
O senhor Watari parou o carro e abriu-me a porta. Silenciosamente, observei-o abrir os grandes portões de metal, permitindo-me observar um grande recreio repleto de relva e árvores. Os meus pequenos olhos observaram o edíficio creme, com várias janelas. Podia-se observar algumas luzes, principalmente nos últimos andares. Todo aquele local transmitia calma e segurança, duas coisas que não sentia desde aquela noite mórbida.
Segui o homem até a um gabinete no rés do chão. Ele acendeu a luz, revelando uma sala com uma secretária negra, com uma cadeira e um sofá e alguns móveis, todos repletos de papeis e pastas.
Ele sentou-se na cadeira e indicou-me o sofá, no qual me sentei.
– Muito bem, criança. Aposto que estás com várias dúvidas, mas apenas posso responder agora a algumas. — iniciou Watari — Este é um dos orfanatos mais famosos do mundo, Wammy’s House, destinado a acolher crianças com capacidades intelectuais avançadas para que possam, futuramente, suceder ao grande detective L.
– As tuas capacidades, pelas informações que encontrei, são bastante avançadas. Soube do que se sucedeu com a tua familia e o facto de, agora, seres orfã. Decidi que seria muito promissor te acolher nesta instituição, pois acredito que te darás muito bem com todas estas crianças.
– Uma informação muito importante: o teu nome verdadeiro não poderá mais ser nomeado, pois pode causar um perigo bastante elevado. Assim, depois de muito pensar, decidi que “Silver” seria um bom nome, pois sei que um dos teus bens mais preciosos é o amuleto de prata da tua mãe.
– Todos os dias terás aulas, como normal, apenas um pouco mais avançadas. Aos fins de semana poderás descansar mas haverá dias em que terás de contribuir para a limpeza do refeitório, para aumentar a humildade.
– Ficarás no quarto 216, Silver. Atenção, o despertar é às oito e o recolher obrigatório às nove da noite.
Tentei armazenar toda aquela infromação na minha pequena cabeça. Watari entregou-me uma chave e pediu-me para que saisse, pois tinha bastante trabalho para fazer.
Observei a porta de madeira fechar-se à minha frente. Olhei à minha volta, assustada com a escuridão dos corredores. Um arrepio percorreu a minha coluna, desde pequena que tinha medo do escuro.
Percorri os corredores, sempre em silêncio, até que cheguei à porta 216 no 3º andar.
Abri a porta de madeira clara, observando o quarto individual e devidamente arrumado. Tranquei a porta.
Olhei, agora com mais atenção, a mobilia branca e a cama bem arrumada e clara. Abri o armário, encontrando várias roupas, todas elas em tons escuros e algumas vermelhas ou roxas, como costumava utilizar.
Aconcheguei-me nos cobertores cinzas, fechando os olhos. Num pescar de olhos, mudara de nome, de morada e, provavelmente, de familia. Uma lágrima solitária desceu pelo meu rosto, mas rapidamente foi limpa pela maga da camisola negra que envergava.

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Acordei ao ouvir o despertador. Levantei-me, ainda um pouco sonolenta, e dirigi-me à casa de banho, não sem antes pegar em algumas peças de roupa.
Observei-me ao espelho. Os meu cabelos longos e castanhos estavam completamente despenteados e os brilhantes olhos cor de esmeralda estavam ainda mais destacados devido às olheiras. Não sabia bem o que fazer, pois sempre fora a minha mãe a pentear-me. Decidi pegar num elástico e prender o cabelo no rabo de cavalo mal feito.
Tomei banho e vesti o vestido roxo, calçando de seguida as sabrinas pretas. Andei pelo quarto, é procura de um bloco onde podesse escrever e/ou desenhar, coisa que adorava. Ainda era um pouco pequena demais, com apenas um metro e quarenta centimetros, logo não conseguia chegar às últimas prateleiras. Mesmo assim, encontrei um bloco numa das gavetas da secretária. Destranquei a porta e saí.
Não me fora dito onde era o refeitório, por isso, decidi encontrá-lo. Comecei a caminhar, sempre num passo calmo, pelos largos corredores do orfanato. Passara-se trinta minutos e ainda não o encontrara, portanto, preferi dirigir-me ao recreio.
Infelizmente, algum tempo depois, acabei por chocar com alguém, que era uns bons dez centimetros mais alta que eu. Assustada, deixei cair o bloco e olhei para a frente, onde uma rapariga com cabelos negros e olhos azuis me observava, uma expressão irritada na sua cara.
– Olha por onde andas, novata! — berrou.
Estava um pouco chocada demais, logo, apenas continuei a olhar a rapariga, que agora pegava o meu bloco e o folheava.
– Oh, vejam só! Ela gosta de desenhar. Provavelmente mais que falar, certo? — ela riu-se com a constatação que acabara de fazer — Acho que seria uma pena todos estes desenhos irem pelo ralo a baixo, certo?
Entrei em pânico. Passara bastante tempo a fazer aqueles desenhos, tudo o que eu menos queria era perde-los agora. Tentei saltar, para os agarrar, mas a rapariga apenas me empurrou para o chão.
– Como te chamas? — perguntou maléficamente.
– S-Silver.... — respondi baixinho.
– Muito bem, Silver, fica já a saber que eu, Ally, posso ter o que quiser neste orfanato. E, neste momento, quero os teus desenhos.
Com isto, a rapariga desapareceu da minha vista, deixando-me muito enraivecida.

Notas finais
Espero que tenham gostado! O próximo capitulo é capaz de demorar mais a sair,mas enfim... Bye Pandas