Nightmare Called Life
3 Mistake
Notas iniciais
Capítulo 2 — Samantha Jones (Silver)
Caminhei pelos longos e agitados corredores do orfanato. Estava muito irritada. Sempre considerara os meus desenhos um bem de extrema importância e agora, do nada, tinham-me-los tirado.
Não sabia bem o que poderia fazer durante aquele dia, pois era fim-de-semana. Não havia aulas, apenas crianças barulhentas e mimadas a correr por todo o lado.
Decidi que seria divertido (se é que isso era possível) ir explorar a Wammys House, que era bastante grande.
Atravessei o longo corredor e subi a escadaria, acelarando o passo na espetativa de me afastar do barulho.
Com animação, percebi que a última porta do corredor estava aberta e que, pelo barulho produzido, não devia estar lá ninguém. Sorri automaticamente e, sem esperar, invadi o quarto. O que vi surpreendeu-me bastante.
O quarto estava repleto de cartas, juntas formando um castelo em tamanho real. O jardim era constituído por pequenos amontoados de dados e as pessoas eram em legos. Um longo caminho de dominós ligava a grande construção à porta do quarto.
Estava estupefacta. Olhei à minha volta para observar cada pormenor. A construção deveria ser três vezes o meu tamanho.
Atónica, decidi entrar, mas, infelizmente, tropecei num dos muitos dominós, o que causou o desmoronamento de todas aquelas peças e construções.
Nesse exato momento, reparei num rapaz, provavelmente mais novo que eu, sentado no centro do castelo. Tinha cabelos encaracolados e brancos, que eram da mesma cor que o pijama que envergava. O rapaz mal se mexeu, apenas observou, calmamente, as peças que caíam à sua volta.
– D-desculpa... — pedi, quase que sussurrando.
Os olhos dele fixaram-se em mim por meros segundos, sem expressão alguma. Engoli em seco, o rapaz assustava-me.
– E-eu posso ajudar a.... reconstruir.... se quiseres — continuei, tentando quebrar o silêncio.
– Não é preciso — respondeu, voltando a dar atenção ao pequeno puzzle que montava.
Eu decididamente não queria ficar, logo no primeiro dia, conhecida como ingrata, logo continuei a conversa.
– Foste tu quem... hum... montou isto tudo? — questionei, curiosa.
O rapaz olhou-me de novo. Muito bem... ele, decididamente, não gostava de falar.
Vendo a minha pergunta não ser respondida, decidi virar as costas, pronta para ir embora.
Em choque, percebi que tinha duas pessoas atrás de mim, sendo elas dois rapazes. Um com cabelo corte Chanel e loiro, que vestia roupa larga negra e um rapaz agarrado a uma consola, com cabelos ruivos e camisola listrada. Ambos pareciam ser mais velhos que eu.
O loiro não parecia nada feliz, mesmo que estivesse a comer uma barra de chocolate.
–O...lá? — tentei ao máximo não desatar a gritar e fugir dali a sete pés.
– Então, ovelhazinha? Parece que hoje nem foi preciso eu te destruir as coisas. — comentou o rapaz loiro, um sorriso maléfico a aparecer na sua face.
Ninguém parecia notar a minha presença naquele momento.
– Bom dia Mello... e Matt. — respondeu o rapaz albino, desviando a sua atenção, novamente, para o puzzle que montava.
Com um simples olhar à cara do, supostamente, Mello, percebi logo que a falat de emoção na fala do mais novo era algo que não lhe agradava. Mesmo nada.
– Tu não te cansas de andar armado em criança, Near? Pareces um idiota! Sempre fechado no quartinho a brincar com bonequinhas... — gozou Mello, o sorriso cruel nunca desaparecendo.
– Na verdade, são puzzles — murmurou Matt, apenas dando atenção à consola. O simples comentário fez Mello dar um olhar repreendedor ao gamer.
Eu, decididamente, não devia de estar ali, mas, sempre que tentava encontrar um local de fuga, o mesmo estava bloqueado por alguém ou por alguma coisa.
– Também não te cansas de chocolates, Mello — retrocou Near, acabando agora de montar o puzzle. O seu tom mostrava que o comentário de Mello não lhe afetara minimamente.
– Porra! Tu és tão estúpido e chato! Não admira que não tenhas amigos, ovelha. Nem percebo como é que alguém como tu pode alguma vez substituir o L. És um bebé.
Mello virou as costas, mas voltou atrás simplesmente para destruir o puzzle recentemente montado pelo albino. Pegou no braço de Matt e puxou-o, até desaparecerem no corredor.
Com tanta confusão, tinha-me até esquecido dos meus desenhos.
Ouvi o som de alguém a se levantar e, por impulso, olhei para Near, que agora caminhava, muito lentamente, para a porta.
– Não te preocupes, ele é sempre assim. — informou-me o rapaz, antes de sair do quarto e desaparecer, também, da minha vista.
Suspirei ao concluir que estava novamente sozinha.
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Caminhava lentamente pelos corredores, mas parei, ao avistar a porta de ligação ao recreio. Aproximei-me, pretendendo apanhar um pouco de ar fresco.
A brisa daquela tarde de Verão era fresca, o que abrandava a minha reação ao calor do ar. Haviam poucas pessoas no exterior, devido à elevada temperatura.
Mesmo assim, continuei a caminhada pelos longos recintos verdes do orfanato.
Ainda que fosse Verão, a relva estava completamente fresca e verde. As copas das árvores estavam carregadas de frutos.
Deitei-me numa das zonas mais afastadas do edificio e inspirei o ar perfumado, acentuado pelo cheiro fresco e caracteristico da relva.
Fechei os olhos, aproveitando o fraco sol daquela época do dia.
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Ouvi, ao meu lado, um som alto e repentino. Assustada, sentei-me, observando o objeto que se encontrava ao meu lado.
Perto de mim estava um caderno negro e fino, que não me lembrava de se encontrar ali anteriormente.
Observei ao meu redor, concluindo que não havia ninguém por perto que pudesse ser dono ou dona do objeto. Provavelmente ele já se encontrava ali e não tinha reparado nele.
Peguei-o com ambas as mãos, pronta para ler o seu conteúdo. Para minha surpresa, encontrava-se vazio. Páginas e páginas por preencher. Li, calmamente, o texto inscrito na capa e contracapa, referindo-se, resumidamente, às regras do tal “Death Note”, que, supostamente, era o caderno que segurava, naquele momento, nas minhas mãos.
Ri-me, impressionada com o pormenor e criatividade das palavras. Alegremente, percebi que podia ser o meu novo caderno/diário e que até poderia fazer desenhos no mesmo.
Guardei-o dentro da mala que transportava todos os dias. Escondendo-o, para que este não fosse encontrado.
Entrei dentro do orfanato a correr, sendo que subi as escadas à mesma velocidade. Quando cheguei ao meu quarto, tranquei-me, pretendendo ter um momento de paz sozinha.
Coloquei o caderno em cima da mesa e, numa hora, a primeira folha do mesmo já estava repleta de desenhos.
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Desci as escadas animadamente, anciosa pela hora de jantar. Estava cheia de fome e queria voltar para o meu quarto o mais cedo possível, pois deixara lá o meu caderno.
Quando estava quase a chegar ao rés-do-chão, alguém me deu um empurrão, sendo que foi necessário segurar-me ao corrimão para ganhar equilíbrio.
Observei a criadora daquela confusão, dando-me cara-a-cara com a mesma rapariga de olhos azuis e cabelos negros como breu. Ela sorriu-me, divertida, e saiu a correr e a rir, sem se preocupar em pedir desculpa.
Os meus olhos focaram-se na chave que, com o choque, Ally deixara cair no chão. A rapariga já se tinha afastado, e eu não iria persegui-la para lhe entregar um mero objeto. Peguei a chave, que estava identificada com o nome Allison Taylor, que presumi ser o nome verdadeiro de Ally.
Com este acontecimento, já tinha perdido completamente a fome. Virei-me bruscamente e dirigi-me ao meu quarto, onde me tranquei.
Fiquei, por momentos, a olhar para as paredes brancas e monótonas do meu quarto, ficando cada ver mais irritada.
Decidi que necessitava de partilhar os meus sentimentos, logo, com brusquidão, abri o caderno e comecei a escrever um texto que exprimisse tudo o que sentia naquele momento e o que precisava de desabafar.
“Querido diário,
Hoje é a primeira vez que te escrevo.
A minha vida mudou drásticamente nestes últimos dias. Tudo o que eu conhecia mudou. Os meus pais foram mortos. Vivo, agora, num orfanato, Wammys House.
Estou aqui fechada. Apenas poderei sair quando atingir a maioridade, para a qual ainda faltam seis anos. Eu não gosto deste lugar. É barulhento e agitado, ao contrário da minha casa calma e silênciosa. Isto é um pesadelo.
Pior ainda, não consigo me afeiçoar a ninguém. Toda a gente neste lugar é estranha demais e, nenhuma delas é uma o que considero “boa companhia”. Mas não posso dizer muito sobre esse tema, pois apenas falei com quatro crianças.
Conversei (se é que se pode dar esse nome) com três rapazes. Near é muito calado, misterioso e dificil de entender, para além que a sua falta de emoção é um pouco assustadora num rapaz daquela idade. Conheci Mello e Matt, que acho que são amigos. O primeiro é muito rabugento, parece uma rapariga e gosta de chocolates. O outro nem sei bem o que dizer dele porque não larga os jogos.
Mas a pessoa que me fez ter de escrever isto foi uma rapariga, a Ally. Ela é má e arrogante. Na realidadade, o seu nome é Allisson Taylor. Pelo menos era o que dizia nas suas chaves. Queria que ela morresse de uma vez e que, no fim, tudo o que ela roubou viesse parar às minhas mãos, para que eu pudesse devolver todos os objetos aos seus verdadeiros donos. Era justo.
Quero sair deste lugar o mais cedo possível!
Não te posso dizer para já o meu nome, porque me foi proibido contá-lo, mas podes chamar-me de Silver.”
Permaneci algum tempo a contemplar o texto. Eu não queria estar naquele orfanato, presa a um edificio. Eu queria a minha familia de volta.
Não sabia quem matara os meus pais, mas jurava que me iria vingar. Essa pessoa não só me tirou a minha familia, tirou-me o meu lar. Tudo o que eu mais amava tinha desaparecido numa única noite.
Eu queria encontrar alguém que me compreendesse, mas isso mostrara-se impossível nestes dias.... Céus, como iria sobreviver mais seis anos naquele local?!
Vesti o pijama e, rapidamente, enfiei-me por debaixo das cobertas claras da cama.
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Envolvi-me nos cobertores, não desejando sair do quarto. Era segundo, logo, teria aulas pela primeira vez naquele orfanato. Tinha apenas trinta minutos para me vestir e comer.
Percebendo que necessitava de me despachar, tomei um duche rápido e vesti-me. Optei por uma camisola larga roxa e calças pretas, acompanhando de ténis vermelho-sangue. Olhei-me ao espelho. Contemplando o amuleto e forma de coração, em prata, que se destacava da camisola escura.
Penteei rapidamente os meus cabelos castanhos e deixei-os soltos.
Olhei para o relógio. Apenas faltavam três minutos, o que me impossibilitava de ir tomar o pequeno-almoço.
Corri até à sala de aula, que se localizava no rés-do-chão, e sentei-me numa das mesas da frente. Ainda estava a ofegar da correria.
A sala encheu-se de alunos rapidamente. A porta abriu-se, novamente, e vi Near, oque me surpreendeu um pouco, pois jurava que ele era mais novo que eu.
As outras mesas já estavam todas cheias, então ele sentou-se ao meu lado, sem dizer uma palavra que fosse.
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Cinco minutos depois do toque, o professor apareceu à porta, na sua face uma expressão triste. Carregava consigo um mala castanha e uma caixa cheia de objetos coloridos e de formatos diferentes.
O professor colocou a maleta em cima da mesa e tirou de lá um papel, que leu em voz alta.
“Caros alunos,
Eu, Watari, diretor deste orfanato, venho por este meio informar-vos de uma notícia desvastadora que teve lugar na noite passada.
Uma das nossas melhores alunas, a menina Ally, faleceu esta noite, através de uma overdose de medicamentos. Ela deixou-nos apenas uma carta, onde informava que a sua última vontade fosse justa. Assim, ela deixou vários objetos em nome de Silver, que, a partir de agora, é dona deles.”
O professor, no fim de ler, entregou-me a caixa com muitos objetos, todos eles diferentes. Entre eles estava o meu antigo caderno...
O que me fora roubado.
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Permaneci calada, enquanto observava, em choque, a caixa. Sentia vários olhares em mim e, pela primeira vez, não fazia ideia do que fazer.
“Queria que ela morresse de uma vez e que, no fim, tudo o que ela roubou viesse parar às minhas mãos, para que eu pudesse devolver todos os objetos aos seus verdadeiros donos. Era justo.”
As palavras que escrevera na noite anterior passavam-me repetidamente pelo cabeça.
– P-professor... Posso ir colocar a caixa no meu quarto? — perguntei, tentando não captar muita atenção.
O professor acentiu e, com esse gesto, saí disparada da sala em direção à minha divisão. Quando cheguei ao mesmo, coloquei a caixa em cima da cama e reli todas as regras do “Death Note”.
“O humano cujo nome está escrito neste caderno, deverá morrer. Se a causa da morte for escrita dentro de quarenta segundos depois de escrever o nome da pessoa, irá acontecer”.
Deixei cair o caderno, devido ao choque. Temia que fosse verdade. Apetecia-me testar, mas não queria causar mais estragos.
Encolhi-me num canto do meu quarto. estava extremamente arrependida e, devido a isso, comecei a chorar.
Tudo o que eu mais queria era voltar a trás.
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