Nightingale.

16 You're star, love.


Notas iniciais
Primeiro de tudo: vocês ouviram aquela música? Se não, voltem e coloquem-na, se sim, coloquem de novo. TRÊS RECOMENDAÇÕES? AI MEU DEUS. EM UM DIA??? EU TO MUITO FELIZ!! Três capítulos? Is this the deal, alright?? SOOOOOOOOO, apresentando para todas vocês, coisas fofas e maravilhosas da My, MARATONA NG!! Ok, não sei quando vou postar o próximo capítulo, masssssss AINDA ASSIM É UMA MARATONA! AI EU TO MUITO FELIZ MUITO OBRIGADA. P.S: MUITO OBRIGADA OBRIGADISSIMO A IzaC, eu AMEI AMEI SUA RECOMENDAÇÃO, como todos que me mandaram recomendações, você entrou na minha lista de Maravilhas Da My. É, eu nãos sabia que eu tinha isso, mas eu tenho então é isso. E OBRIGADA AWN AWN, eu vou parar de gritar ok. Enjoy it!!

"But I'm falling through your eyes and it's tickling my heart"

Eu não entendia o que Percy queria dizer com um "passeio", mas certamente, eu deveria estar com medo. Ao tomar banho, notei a vermelhidão em meu pescoço e no pulso, passei os dedos sobre as marcas sentindo raiva de mim mesma por ainda estar no mesmo quarto daquele louco e obedecendo-o.

Perder a memória parecia melhor do que ser agredida.

Tomei um banho rápido, agradecendo por ele não estar no quarto e entrar na minha fossa sozinha. Ainda com o rosto inchado e sem nenhuma maquiagem, escovei meus cabelos com o vestido florido azul de mangas curtas. Não percebi, mas tinha dois dedos de babados na coxa. Joguei a roupa suja dentro da mochila, calçando o Doc Marters e sentindo minhas costas molhadas.

Levei minha mochila comigo, já que não percebi nenhum vestígio que ele ainda continuaria ali.

No hall, tinham dois casais conversando alegres quando passei até a recepção onde Percy ria carismático com a recepcionista.

Tá, ele me deu uma gravata, a única coisa que eu deveria sentir por ele era raiva eterna, porém eu queria matar aquela mulher.

Cheguei perto deles, ainda séria.

– Oi. Vamos? — chamei

A mulher me lançou um sorriso.

– Você é muito linda mesmo. — piscou para o moreno

– É. — ele revirou os olhos embora estivesse com as bochechas rosadas — Vamos.

Percy me ofereceu um copo térmico de café, peguei imediatamente, fugindo de seus braços em meus ombros. Continuei andando na frente, entrando no carro com raiva.

Bebi o café, sentindo o líquido quente em meus lábios com fervor, estava deliciosa, mas eu sentia falta de alguma coisa.

– Pouco creme. — resmunguei assim que ele entrou no carro

– Hm?

– Pouco creme.

Ele ergueu as sobrancelhas, confuso, encarando meu copo.

– Eu fiz do jeito que você gosta... Ahn, do jeito que você leva quando vamos...

Encarei seu rosto que tinha um misto de confusão e ingenuidade.

– É, eu sei. Tom coloca bastante creme no café.

Percy mudou de expressão rapidamente, voltando para a raiva e pigarreando.

– Hm, eu deveria pedir desculpa...

– Pelo quase enforcamento? Pelos meus pulsos...? — ergui as mãos a altura de seus olhos — Por me trazer a um motel e me deixar sozinha?

Ele fechou os olhos com força, parecendo querer esquecer aquilo.

– Se você não fosse tão teimosa e...

– Isso não é desculpa para ter me agredido! — gritei, encarando o mar verde a minha frente — Isso não é desculpa para agir como um bipolar.

– Eu não sou bipolar. — defendeu-se, seus olhos eram pura confusão, mas seu rosto mostrava certo divertimento, por fim, riu

– Por que está rindo, seu idiota?

Ele ligou o carro, dando a ré e seguindo de onde viemos.

– Você fica engraçada gritando. Vermelha. — comentou e me olhou de esguelha — Sua mãe estava preocupada, até meu pai estava. Bem, ele estava se culpando por tudo, então... Você deveria saber que seus atos afetam a todos e não só seu mundinho cinza.

– Cinza?

– Seus olhos.

Assenti, tentando achar uma lógica para aquilo, ficando calada, portanto. Percy andava em uma velocidade média, uma música country no rádio e o vento invadindo agressivamente o carro. Andamos por meia hora, meu café estava frio e o dele estava morno, com um jeito fofo, ele me entregou o dele deixando que eu bebesse por completo embora ainda estivesse cheia do buffet/café da manhã.

– Acho que chegamos. — disse quando paramos no meio do nada

Um meio do nada muito bonito.

Parecia ser uma colina com uma grama verde crescente que terminava em um riacho com correnteza lenta, porém alta. Poucas árvores cercavam o local, as que tinham possuíam um tronco largo e uma copa maior ainda formando uma sombra inalcançável. A grama parecia recém molhada enquanto as copas brilhavam deixando o local ainda mais atrativo, o som da água correndo mais a abaixo me dava uma sensação de estar de volta a Califórnia, as praias e o vento chicoteando meus cabelos – como acontecia agora.

Ele saiu primeiro, eu ainda me sentia na abismada e possuída por aquele pequeno paraíso. Estava mais frio que o normal, porém o sol ainda era visível.

– Onde estamos? — perguntei assim que saí, encostando-me no carro de um modo mais tenso que Percy que parecia mais relaxado com tudo aquilo

– Bem vinda ao meu lar.

Então, começamos a descer a colina.

Teria sido mais difícil se eu não estivesse de coturno, todo caminho Percy parecia um gay reclamando de sua vans e de como ele as adorava – resumindo, um gay. Terminou que alcançamos uma dessas sombras, uma árvore mais abaixo bem perto do riacho, encostamo-nos ao tronco lado a lado, observando o movimento lento.

– Como assim seu lar?

– Meu lar. — deu de ombros — Os incomodados que se mudem.

– Não pense que esqueci aquilo. — esbravejei em voz baixa — Então, é melhor me dar explicações sobre esse seu comportamento... Bipolar.

Percy riu e sim, surpresa para toda nação, tirou um maço de cigarro do bolso dianteiro, ainda com aquele sorriso sexy e brilhante.

– Quer? — ofereceu

Olhei ao redor, beliscando meu braço, infantilmente e o fazendo rir de novo. Tipo, ali era Percy mesmo?

Ao meu lado, quase imperceptível e desaparecendo na raiz enorme da árvore, tinha cigarro pela metade, cinzas e a pouca grama chamuscada.

– Você vem pra cá com frequência?

– Já disse que aqui é meu lar. Supostamente, só eu conheço isso daqui.

Assenti, pegando um cigarro e colocando entre meus lábios. Percy acendeu-os com um isqueiro azul e tragamos juntos, encarando as águas cristalinas.

– Isso é confuso. — falei, rodando o fino cilindro entre meus dedos — O cara que eu sempre achei certinho demais, fuma! Gentleman, isso tem que ser capa de jornal!

Riu e me olhou, pensando no que deveria falar, talvez.

– É. Quem sabe. — deu de ombros — Eu fumo quando... Sei lá, quando ‘tô ansioso e quando quero esquecer coisas ou só quando ‘tô com uma garota irritante e não sei como pedir desculpas.

Annie, foco! Isso foi um jeito extremamente fofo de te tirar do eixo, mas volte pra realidade! Esse é o Percy, o cara que você não pode ter, o cara que tem namorada e concorde com sua prima, ele não é pra você. Repeti isso por tempo demais até fazer uma careta de nojo e ele balançar a cabeça rindo.

– E você? Por que você fuma?

Traguei. Às vezes, eu até poderia sentir a massa de fumaça se formando em meu pulmão e saindo pela minha boca, como agora.

– Vai me dizer?

– Vou. — falei recuperando o tom calmo — Eu tenho medo. Quando isso acontece, eu fumo, ou quando quero fugir... Disso tudo.

– Eu não deveria dizer isso, mas você fica muito sexy, tragando. — ri e soquei seu ombro

– Claro, se você não lembra aqui é Chase.

– É. Você fica sexy de qualquer jeito, lembrei.

Revirei os olhos, embora ainda tivesse um grande sorriso no rosto. E certa parte de mim, quis me socar. Quer dizer, ali estava eu, cheia de marcas devido aquele cara ao meu lado que ainda conseguia me fazer rir. Eu não tinha amor próprio? É isso?

Traguei mais uma vez, fazendo anéis ao expulsar a fumaça do meu corpo, Percy repetiu, mas o dele ficava mais bonitinho, como se tivesse experiência nisso.

– Quanto tempo você fuma? — perguntei, curiosa

Percy franziu a testa, soltando o ar.

– Muito tempo. — deu de ombros e riu — Vamos ver, aos treze, eu comecei com maconha, catorze, cigarro e LSD, ecstasy quase todos os dias e... Bem, decidi mudar.

– E sua mãe morreu? — fui direta

– Não quero falar sobre isso, mas foi quase isso mesmo. Mas, decidi que não era minha hora de morrer. E você, há quanto tempo fuma?

Encostei-me mais ao tronco, franzindo a testa ao perceber que não me lembrava de nada disso.

– E-eu não lembro. — me senti sufocada, apalpei meu pescoço, pensativa — Deve haver com essa merda de amnesia louca.

– É melhor não forçar, não quero que tenha um surto e ninguém esteja, Annabeth!
Era tarde demais.

Minha visão perdia o foco lentamente, sentia meus ombros serem balançados. Respirei fundo, ouvindo vozes e risadas dentro da minha mente, foquei nos olhos verdes de Percy, a única coisa que estava em foco. O calor de suas mãos em meus braços.

O barulho na minha mente se perdeu e ouvi um suspiro alto quando pisquei os olhos.

– Então, eu não posso falar a palavra com S? — Percy avisou com um sorriso, mas eu ainda estava em choque, senti seus braços envolverem meus ombros com força e minha bochecha se chocar em seu peito — Não me assuste a toa, de novo.

Ri pelo nariz, tendo alguma reação ao seu abraço e agradecendo seu cheiro de maresia por me acalmar.

– Obrigada. — murmurei — Obrigada.

Percy me aninhou, apagando nossos cigarros com o pé, me embalando como se eu fosse um bebê.

Eu me sentia assim.

Salva, plena e sem medo por alguns minutos. Sem me sentir uma esquizofrênica.

– Desculpa, eu... Não sei o que deu em mim, desculpa...

– Não estraga o momento fofo, babaca. — bati em seu peito, ouvindo seu riso e continuando a ser embalada por ele.

Apertei meus braços em volta do seu pescoço, tentando controlar minha respiração e os batimentos cardíacos que ainda estavam descompassados pelo quase pré-surto.

Ele acariciava minhas costas, naquele gesto de subir e descer as mãos do jeito calmo e relaxante.

– Canta? — pedi, aninhando-me mais em seu peito

Percy pareceu surpreso, a parada do carinho me deixou assustada pelo pedido.

– Agora você quer que eu cante?

Ri, passando minha mão pelo seu peito. Sentia meu corpo congelar com aquele vestido minúsculo subindo, quase me deixando de calcinha.

Seus braços me apertaram mais, fechei os olhos, deixando meu corpo se esquentar pelas mãos mornas dele.

– O que tá esperando? — resmunguei

– Pensando em alguma música. Tem preferida?

Tentei dar de ombros, mas no pequeno espaço parecia impossível.

– Ah, tem uma bem velha de Ne-Yo... — acariciou o topo de minha cabeça, e em seguida, ouvi sua voz melodiosa começar a me embalar — I need when I want, I want it when I don't, tell myself I'll stop every... Droga.

– Esqueceu a letra da música, gentleman? — esnobei

– Não, está chovendo, babaca.

Em um impulso, ele estava de pé e eu gritei. Seus braços me suspenderam no mesmo momento que uma chuva forte nos atacou, prendi-me mais a ele enquanto riamos feitos duas hienas. Percy tentou subir comigo na grama molhada, sentia o vestido grudado em meu corpo assim que ele caiu.

– Sua gorda! — esbravejou, segurando minha cintura para que eu não rolasse colina abaixo

Ri, esmurrando seu peito, na verdade, gargalhando e jogando mato encharcado na cara dele.

– Para, garota. Não tenho culpa se você é gorda e me fez cair!

– Ei, eu sou pura gostosura, ta? Pode tocar, eu deixo. — tentei fazer uma voz sexy, mas as explosões de gargalhadas evitaram tal coisa

Percy soltou um sorrisinho de lado, com a mão pousada em minha nuca. Por alguns minutos, nossos olhos unidos, não me dei conta de que chovia tanto e eu estava prestes a sofrer uma hipotermia.

Ergui meu rosto, deixando-nos no mesmo nível, acariciando seus lábios congelados com as pontas dos meus dedos.

Em meio ao desastre e a pressão emocional que eu fazia sobre mim mesma, eu queria provar que ele, especialmente esse cara bipolar que me esnobou, me xingou e tem uma namorada estava ali. Rindo e rolando na grama comigo.

Sem esquecer, claro, a hipotermia que teríamos depois dessa chuva.

Ele afagou minha nuca com cuidado e aproximei meu rosto, afastando meus dedos e substituindo pela minha boca.

Minha cintura foi apertada com mais força e embora, sentisse a chuva forte caindo sobre minhas costas, os trovões soando acima de nós, a mão dele em minhas costas era a única coisa que importava. O beijo forte e lento, parecia que tínhamos todo o tempo do mundo, afagava sua bochecha com carinho enquanto ele repetia os movimentos em meu cabelo.

O beijo acabou com selinhos prolongados e uma mordida forte demais em meu lábio inferior.

– Temos que voltar. — disse, deitando-se de modo relaxado na grama — Precisamos de roupa nova, de novo.

Apoiei meu queixo em seu peito, tendo a visão da barba rala que crescia e as narinas que se inflavam quando respirava.

– Não me importo em ficar aqui, gosto da chuva.

– Estamos em Hampshire. — apoiou-se nos cotovelos me encarando, teimoso — Se ficarmos por mais tempo, você vai pegar uma gripe e não vai ser nada legal. Agora, levanta esse corp...

– Muito gostoso, por sinal.

– E vamos para o carro.

– Vai molhar todo. — resmunguei enquanto ele se espreguiçava tentando sair debaixo do meu corpo

– É, não pense que estou gostando disso. — deu um sorriso safado, que me fez quase pular de alegria, quase até que ele bateu em minha bunda com um jeito ousado, levantando ainda mais meu vestido — Agora, sai, Chase.

Fiquei em dúvida entre rir, seguir suas ordens ou gritar com ele. Decidi sair enquanto ele ia a minha frente, apressando-se em tirar a camisa e entrar no carro.

– Ta louco?

Ele arqueou a sobrancelha, acelerando.

– Por quê?

– Você bate na minha bunda e sai? Isso dá estrias.

– Você está preocupada com isso? — falou, fazendo pouco caso e inclinando-se sobre o volante

– Claro! Isso é muito feio da sua parte. — resmunguei

– Annie... — sua voz aveludada com uma mistura enorme de divertimento, meu apelido parecia ainda mais bonito

E que merda estou fazendo? Ok, foco. Ele tem namorada e a partir de agora, ela vai ser um impedimento para mim.

– Está me ouvindo?

Balancei a cabeça, negando.

– É, percebi. — resmungou — Vamos pro internato hoje, ok? Tomamos um banho, esperamos a tempestade passar e voltamos, algum problema?

– Ótimo.

– Certo, quer ligar para sua mãe e avisar?

– Você vai me dar uma gravata se eu não fizer?

Ele deu de ombros.

– Já pedi desculpas, mas seria bem provável, se você me tirasse do sério. — me olhou de esguelha, observando minha reação, mas se tive, não percebi — Sou frágil a respeito de mães. — e se isso foi uma piada, eu não sorri

Passamos o caminho de volta, calados. Liguei o rádio em um ato de desespero pelo silêncio tenso, porém devido a tempestade, a rede estava horrível.

Chegamos ao motel em longos minutos, e ele não desceu assim que chegamos ao estacionamento.

– Para onde vai?

– Vou comprar mais roupas.

– Você realmente acha que um brechó vai estar aberto nessa chuva?

– Não é um brechó, é a loja do motel.

– Eles têm uma loja de roupa?

Ele deu de ombros, tão confuso quanto eu.

– É a vida.

E assim, me expulsou enquanto eu atravessava o hall encharcada e sozinha, arrancado olhares dos casais que faziam o check-in.

Por sorte, o elevador estava vazio e o quarto do último andar — nosso vizinho — também estava vazio.

Deixei a porta aberta e tomei banho.

A água quente parecia o paraíso quando se estava no Alasca, fui rápida, envolvendo-me em um roupão fofinho e quente, saindo do quarto e secando meus cabelos.

Percy estava sentado no chão com a mesma bolsa de plástico na cama e jogando no celular uma corrida de motos.

Revirei os olhos e pigarreei.

– Hm, foi rápido. — elogiei

– Você que demorou. Espero que goste das roupas. — piscou e desapareceu atrás de mim

Sim, agora eu estava com medo.

Puxei a primeira peça, uma calcinha de renda e sorri. Um sutiã preto, um moletom de lã e uma calça, que mais parecia segunda pele, preta.

Vesti apenas o moletom, pulando na cama e me emaranhado entre os lençóis.
Disquei o número da minha mãe em seu telefone, esperando pelo drama.

– Annie?

– Ares?

– Sua pirralha! O que você estava pensando quando fugiu com o pescador?

– Olha, eu não fugi, e não estou com um pescador.

– Percy, pescador, tudo a mesma coisa. É melhor vir logo antes que eu te arraste daí e te deixe de castigo por séculos.

– Engraçado, tio. Minha mãe tá ai?

– Ela está dormindo. Pensei que a velha teria um AVC. — segurei o riso e tentei fazer uma voz calma

– Ok, diz pra ela que estou voltando pro internato.

– Nessa tempestade?– olhei pela janela, observando a chuva chocar o vidro fumê

– Vai passar logo. — prometi — Nos vemos depois, beijo.

Não esperei sua despedida e desliguei, aninhando-me aos travesseiros e deixando minha pele quentinha.

Ouvia Percy cantar no chuveiro, assim como a água da ducha. Provavelmente, ele demoraria bem mais que eu.

Na televisão não passava nada de bom e quando seu telefone tocou, não demorei muito pra atender.

– Oi?

– Percy? Quem está falando?

Gelei.

Afastei a tela do meu ouvido, encarando o nome Anjo Rachel na tela. Não tive tempo de sentir nada, só abri a porta do banheiro rapidamente, me deparando com um Percy nu.

Um Percy muito gostoso nu.

Eu deveria ter desligado e me aproveitado da situação, mas abri o box desesperada, vendo-o me encarar assustado.

– Tá louca? — gritou, puxando a toalha

– Percy?

Levei o indicador aos meus lábios, pedindo silêncio.

– Já vi muitos homens pelados. — esnobei quando ele me puxava pelo braço e me levava para o quarto — Sua namorada. — ergui o celular

– É, eu sei. — sussurrou — Eu não vou atender, diz que ligaram para o número errado.

Minha primeira reação foi arregalar os olhos. Ele deu de ombros, o canto de seus lábios tremendo. Minha segunda reação foi estreitar os olhos e então, me dar conta de que ele realmente estava falando sério, por fim sorri, tossindo para mudar minha voz.

– Querida, não tem nenhum Percy aqui. — afinei a voz, vendo-o rir — Pelo menos o cara que eu tá do meu lado disse ser Maxwell, ele é loiro?

Não...

– É, então não. Faço programas lésbicos, só que é mais caro. — não esperei resposta e desliguei

O moreno riu, jogando-se no colchão em uma gargalhada demorada.

– Ai, cara, eu sou demais. — saltitei na cama, pulando em sua barriga — E então, quer ser meu Maxwell? — sussurrei, fixando-me em seus olhos

– Sem pressão. — me empurrou para o lado, indo para o banheiro e pegando suas novas roupas

– Gay!

– Cala a boca.

Como esperado, a tempestade demorou.

Ficamos sentados um ao lado do outro, assistindo televisão, e calados. Percy mandava mensagens a todo momento e suspeitei ser para sua namorada. Meu celular tocava loucamente, mas por sorte, estava silencioso e ele não se preocupava quando eu fingia desbloquear a tela.

Depois de meia hora, acho, entramos no carro, eu com minha mochila, e os pés no porta luvas enquanto Don't Worry Child tocava.

– Então, você vai voltar a me tratar como amiguinha e ser o grosso de sempre?

Ofereceu-me um cigarro que tirara do bolso, pedindo que eu o acendesse. Obedeci, pegando o isqueiro que estava em frente à marcha.

Traguei profundamente, assoprando a fumaça para fora do carro, por fim, colocando o cigarro entre seus lábios.

Percy apoiou o cotovelo na janela aberta, o céu nublado e as nuvens revelando poucas faixas do céu azul eram o plano de fundo, os dedos brincando com o fino cilindro enquanto o carro estava em uma velocidade constante seguindo a estrada de antes. Ele soprou a fumaça para fora e pôs as duas mãos no volante, falando com o cigarro na boca.

Dá pra entender o quão absurdamente sexy esse cara estava?

– Talvez. Depende muito. Mas você sabe que eu gosto de você. – piscou

O fato de ter me batido denunciava isso, completei mentalmente.

Lembrei-me das imagens do surto, ele atrás de Poseidon mais novo com os olhos assustados e as ansiosas mãos na cintura, as roupas sujas e surradas, faziam-no parecer um mendigo.

–...e sabe...

– Fale a verdade. — pedi, séria

Observei seus olhos me encararem e ele pegar o cigarro na outra mão, colocando-a para fora do carro.

– Você me conhecia antes do meu pai morrer?

Percy balançou a cabeça.

– Não. Por que ainda continua com isso na cabeça?

Sorri e balancei a cabeça.

– Já sabe o que vai dizer para sua namorada?

Percy riu e tragou, comentando o quanto estaria encrencado assim que chegasse ao internato.

Parecia relaxado enquanto dizia que seu namoro estava por um fio. Talvez, ele gostasse disso.

Continuamos alegres, cantando uma música qualquer que passava no rádio e resmungando sobre as próximas aulas tediosas. Era notável que Percy mudava completamente, ele parecia mais... Feliz? Não sei, até eu parecia um pouco mais alegre. Mesmo com o fato louco de descobrir essa doença idiota e de tantas coisas estarem acontecendo ao mesmo tempo.

Notas finais
Annabeth tão bipolar quanto o Jackson? I don't know. E aaaaaaaah, eu to lendo hoh e sabe, eu cheguei na parte que o Nico diz que tem uma queda pelo Percy e é pelo ponto de vista de Jason, então eu nem sei o quão constrangedor deve ter sido, e nunca vou saber porque eu nunca vou fazer o Nico gay porque tipo Nico > garanhão > pegador > gostoso, sem ressentimento e/ou preconceito. Enfim, aguardem o próximo capítulo.