Nightingale.

25 Young blood.


Notas iniciais
DOIS DIAS PARA DOIS MESES. Ok, just saying. Alguém tá afim de fazer homenagem para NG? Não só para NG, na vdd eu to mendigando amor, então quem tiver afim de mandar sei lá, uma cartinha (sim, escrita, nd de virtual pq eu tenho agonia a coisas de amor virtual), eu dou meu endereço etc faz um videozinho caseiro, mas eu adorei a ideia da cartinha. Ou faz videos curtos dizendo como se sente sobre minhas fanfics. E to aceitando cartinhas, é sério, eu amei isso!!! E eu acabei de perceber que eu fiz três anos de Nyah, então eu acho que eu tb preciso dessas cartinhas ok alright Capítulo dedicado a Helena Jackson! Amém, não to devendo mais nenhum capitulo. Daí vcs mandam uma enxurrada de recomendações. Acho que vai demorar um pouquinho para eu postar agora. Enfim, leiam. Enjoy it!

"The war is won before it's begun"

Um cabelereiro havia sido contratado por Luke para fazer nossos cabelos. Eles tinham comprado vestidos que nem tínhamos provado e deixado em cima da cama, alegando que tinham mais coisas para resolver.

Nem sabíamos nada do plano, aliás, sim sabíamos, mas só o básico: íamos entrar, distrair a maior parte de pessoas que poderíamos enquanto eles faziam todo o trabalho sujo. Assim que o cabelereiro super sério encheu nossos cabelos de cachos e saiu do quarto, eu e Thalia descemos para verificar o que estava acontecendo.

–...e então, entramos. – Nico finalizou apontando para algum lugar no mapa estendido na mesa

Por sorte ou não, minha mãe e minha tia saíram para um encontro de família em Newport, o que nos deixaria sozinho por todo final de semana já que Thomas ia ficar de olho na gente, porém ele, como um bom psiquiatra, depositou total confiança em mim. Claro.

Agora, eu queria que todos eles estivessem aqui. Em cima da mesa da sala de estar havia um mapa cheio de pontinhos coloridos, aproximando-me do mapa, percebi que era o mapa de uma casa enorme, os pontinhos pretos estavam espalhados por todo lugar e tinha um “x” vermelho em alguma sala. Espalhado pelo mapa havia armas de todos os tipos, consegui identificar a de Luke e a de Percy ao canto, e mais umas três espalhadas. Ethan estava debruçado pelo mapa, avaliando e gravando tudo que o namorado de minha prima dizia.

– Precisamos saber o que vamos fazer. – Thalia disse, colocando-se ao lado de Nico – Você não pode nos deixar às cegas.

– Se fosse por mim, vocês estavam mergulhadas de cabeça nisso. Vocês são bem mais inteligentes que esses quadrupedes.

– Não posso chegar feito uma criança inocente. Entendam que esse tal de Jack quer nos matar. E queremos saber porquê. Aliás, nós deveríamos falar com ele. Não, vocês.

– Você acha mesmo que ele hesitaria em matar vocês duas se estivessem no mesmo cômodo? – Percy revirou os olhos ao dizer – Não seja inocente. – pegou sua arma e a colocou na cintura – Vocês tem que estar prontas às nove. Ainda falta duas horas, então...

– Percy! – reclamei, batendo minhas mãos na madeira – Eu vou conversar com Jack, não importa o que pense! Eu preciso saber por que estou correndo risco de vida.

– Eu concordo com o Percy, Annie. – Luke avaliou sua arma com interesse sobre a luz da lâmpada e me encarou – Você só vai servir de distração. Se chegarem muito perto de Jack, eles irão mata-las. Lá só tem gente da laia dele. Estamos nos sacrificando demais levando-as, então.

– Sabe o que eu acho? – Thalia começou, apontando para a garagem de fora da mansão – Vocês deveriam ficar aqui atrás. – apontou para o jardim de dentro – Poderiam ficar na van de salgados, sei lá. Se acontecesse alguma coisa com a gente, vocês estariam por perto e nós, seguras.

– Certa, como sempre. – Nico beijou sua testa com um sorriso orgulhoso – E... Bem, Ethan, o que acha disso?

– Ótimo. – concordou com um sorriso – Seria ótimo nos aproximarmos da cozinha, elas vão chegar rápido e fácil.

Estreitei os olhos para Percy e bufei.

– Eu vou vê-lo. – avisei – Ethan, você poderia nos acompanhar?

– Hm, Annie...

– Annabeth! – Luke ralhou – Eu e Percy vamos estar lá. Nós vamos falar com ele.

– Não. – disse, teimosa – Eu e a Thalia vamos falar com ele! Vocês vão nos acobertar, se algo der errado...

– Ela nos avisa pelo escuta. – Nico terminou – Perfeito. Vamos preparar a van.

– Eu não concordei com isso. – Percy resmungou – Concordamos que qualquer decisão tem que ser democrática e eu não concordo com isso.

– Nem eu. – Luke com aquela merda de cabeça concordou

– Quem concorda? – Thalia falou, levantando a mão.

Ethan, Nico, eu levantamos com um sorriso grande.

– Democracia ou morte, meus amores. – zombei – Vamos nos arrumar, arranjem uma limusine que preste. – mandei um beijo no ar e comecei a subir as escadas

Assim que sentei, observando o conjunto azul pela segunda vez quis me enfiar debaixo da cama, morrendo de medo.

– Você acha que eles vão aceitar de boa? – perguntei para Thalia que tirava nossos sapatos da caixa

– Não. Mas temos Ethan e o Nico ao nosso lado. Eles são a inteligência, os outros são força... Temos os melhores ao nosso lado, Annie.

– Eu estou com medo. – confessei – Se... Se esse Jack for um psicopata mesmo, e realmente tentar nos matar?

– Pare com esses pensamentos ridículos. E lembre: temos que resolver isso o mais rápido possível. Temos poucas semanas para curtir nossas férias e não vou ficar me preocupando com um velho rabugento. Temos que conseguir fazer com que ele veja que não somos ameaças.

Thalia saiu assim que acabou de falar, levando a caixa de seu vestido consigo.

Suspirei e joguei as costas contra o colchão, encarando o teto.

Eu não acreditava nem por um segundo que isso pudesse dar certo.

***

Encarei-me no espelho atrás da porta. O cropped era curto, um top, como era de se esperar, a saia começava acima de meu umbigo e descia contornando todo meu corpo até os meus tornozelos, então uma fenda se abria, duas palmas depois do meu quadril. Toda a roupa era de um azul escuro neutro e monótono. Meus cabelos caíam em cascata de cachos sobre meus ombros, tentei mudar para o meio ou para o lado, mas eu ainda me sentia elegante demais, assim como os sapatos nude me davam uma sensação de desconforto.

A porta se abriu e o rosto de Percy iluminou parcialmente meu dia.

– Posso entrar?

Desde o dia que transamos, não tínhamos ficado nem mais um segundo parados e sozinhos. Depois da curta conversa no terraço, Nico já estava lá embaixo, planejando mil e uma coisas sobre como invadir algum site e conseguir um van de graça. Thalia chegou logo depois, alegando estar entediada. E em seguida, Luke e Ethan apareceram carregando Nico e Percy para comprar armas novas.

À noite, eles chegavam tarde e cansados, prontos para dormir. Percy jantava fora junto com os meninos e eu odiava isso, assim como minha mãe que achava que não era uma boa anfitriã. Seu café da manhã era rápido – um cappuccino e algum cookie que Mary lhe oferecia -, em seguida, desaparecia com eles de novo.

Agora, quando o vi entrar, pensei em uma boa oportunidade de ficarmos trancado em meu quarto, fazendo e sussurrando coisas insanas.

Como sempre, eu estava totalmente errada.

– Vim colocar os escutas. – ele abriu a mão, revelando um fio enorme e transparente

Franzi o cenho.

– O que é isso?

Percy segurou meu quadril e começou a passar o fio pelas minhas costas, encostando alguma coisa muito pequena no canto de minha calcinha e subindo as mãos até colocar algo no meu ouvido.

– Onde Ethan e Nico podem se comunicar com a gente.

Percebi suas roupas assim que me virei para ele. A camisa branca de botões estava bem passada e o colete preto que ele vestia era irresistivelmente lindo, deixando-o mais sexy, a calça social ficava folgada, mas não o suficiente para deixar a barra de sua cueca a mostra, como acontecia frequentemente.

Toquei o fone em meu ouvido, hesitante e ele chiou.

– Vai acontecer algumas vezes. – Percy colocou as mãos em minhas costas, mexendo no fio e puxando-o para baixo – Tente não fazer movimentos bruscos e quando quiser falar com Nico, pode falar baixo, ele vai te ouvir.

– Onde conseguiu isso? – perguntei, confusa

– Alex nos ajudou... Ethan conhece alguns caras... Bem, conseguimos.

Suspirei e me afastei de suas mãos.

– Annie, você não precisa fazer isso... Você ainda está em c...

– Eu sabia que você ia tentar me fazer mudar de ideia. Percy, eu estou irredutível. Vai dar tudo certo. – toquei seu rosto com as pontas dos dedos com um sorriso – Tudo certo. – repeti

Ele fechou os olhos, inclinando o rosto para onde meus dedos faziam um carinho na barba que começava a crescer.

– Por favor, deixe eu e seu primo falar com o Jack. Sabemos do que ele é capaz, sabemos como nos d...

– Percy. Eu sei o que eu estou fazendo.

– Não, você não sabe. Esse é o problema. Você acha que está passando uma garota durona, Annabeth, mas aí dentro... – ele tocou o indicador em meu peito com força – Aí dentro, você está se cagando de medo. Você tem medo de ele realmente trancá-las e não sair de lá. É isso.

– Eu não tenho medo! – vociferei, carregando uma ameaça em minha voz – Eu vou descer, Perseu. Não vou perder meu tempo com você, sendo que nem um pingo de sua confiança está depositada em mim.

Não esperei por uma resposta, virei as costas e comecei a descer com a melhor pose de autoritária, com o nariz empinado. Percebi que os outros meninos tinham roupas parecidas com a de Percy, sentada na poltrona, com os fones de ouvido, Thalia vestia uma saia bem parecida com a minha só que sem fenda e sua blusa era muito maior que a minha.

– Certo. A van está pronta?

Nico assentiu a pergunta de Luke, digitando furiosamente alguma coisa no computador e sorriu.

– As câmeras estão comigo.

– Por quanto tempo? – Percy estava atrás de mim, passando pelo meu lado, sem se importar quando nossos ombros se esbarraram

– Indeterminado. O senador nunca teve suas câmeras hackeadas, e seus seguranças parecem ser mais braçais. – Nico revirou os olhos – Ethan, conseguiu o áudio?

– Sem áudio. – resmungou – As câmeras não são tão boas assim. – bufou – É melhor irmos logo, quanto mais rápidos sairmos daquela festa melhor. Ei, morena. – estalou os dedos na frente de Thalia que retirou os fones de ouvido, encarando-o com superioridade – Repassando as regras: vocês não os conhecem.

– Ele é nosso primo. – Thalia disse como se fosse óbvio – Se esse Jack for tão esperto, como vocês dizem, ele vai perceber que nos conhecemos.

– Mantenha as aparências, querida prima. – Luke afagou seu cabelo preso em um coque de lado – A limusine está esperando por vocês. Sam vai leva-las. Vamos na frente.

– Onde está Mary? – argumentei, sentindo falta da nossa governanta

– Ela deve ter saído. Não importa agora. Estamos indo. – Luke deu um beijo na testa de Thalia e fez o mesmo comigo – Boa sorte. E... Tentem seguir o plano.

Revirei os olhos. O plano não seguiria do jeito que ele queria.

Assim que eles saíram, alguns minutos depois, fomos acompanhadas por Sam e dois seguranças que eu não reconhecia para o carro. Meu motorista de muitos tempos estava calado, eu ainda estava em dúvida do que podia falar com ele, mas aparentemente, ele sabia de muita coisa que eu nem sonhava em saber.

Meu nervosismo era claro pelo jeito que eu puxava meus cabelos com força. Minha prima parecia calma, com aquela pose de superioridade e os olhos fixos em qualquer ponto na rua. Sua maquiagem pesada ao redor dos olhos azuis elétricos a fazia parecer bem mais adulta e medonha. Encarei meu reflexo no retrovisor mais próximo.

Eu até parecia uma adulta também. A maquiagem bem pesada ao redor dos meus olhos cinzentos me deixava com cara de alguma empresária famosa, assim como o batom vermelho que ressaltava tudo. Franzi o cenho e tentei fazer uma expressão séria, mas tudo que saiu foi uma careta ridícula. Pude ver Sam soltar um sorriso.

Assim que chegamos a mansão do senador rico lá, senti minhas pernas bambas e quase implorar para Sam nos levar de volta. Mas, eu não podia amarelar logo agora.

Thalia não esperou que ninguém abrisse a porta, segui seus passos.

Um pé depois do outro, era o que eu repetia enquanto atravessava o jardim enorme daquele castelo, ignorando alguns assovios de seguranças soltinhos.

A entrada da festa estava calma, como era de se esperar. As portas estavam abertas e todos os velhos estavam acompanhadas por uma – ou duas – mulheres, ou vadias, ao redor deles. Thalia me olhou de esguelha enquanto atravessávamos o salão.

– O que deveríamos fazer mesmo?

– Chamar atenção. – lhe lembrei

– Certo... Como vamos fazer isso?

– Eu vou tomar alguma bebida forte. – apontei para o bar no final do salão – Você deveria abrir os peitos para algum velho rabugento. – opinei

Thalia levantou o dedo educadamente para mim com um sorriso angelical.

– Vai, eu vou te acompanhar.

Caminhamos juntas até o bar. O barman sorriu para nós e colocou duas taças de vinhos bem feitas a nossa frente. Sem sorrisinhos safados para conseguir uma autorização, ah, eu poderia viver assim para sempre.

– Testando, um, dois...

Encolhi-me sentindo mais chiados em meu ouvido, minha prima bateu em meu braço levemente, o que me fez perceber que eu já estava levando minha mão para meu ouvido.

– Onde vocês estão? ­– era a voz de Ethan, parecia séria

– No bar. – Thalia respondeu baixo – Onde deveríamos estar?

– Certo, na área... Continuem aí, meninas.

– Não, — Nico se intrometeu ­– Thals, você está vendo aquele velho... Hm, em uma mesa perto do palanque ali estendido?

Procurei pelo palanque e visualizei vários caras velhos, em uma conversa calma e amigável, aparentemente.

– Tem muitos velhos. – ela falou baixinho, levando a taça aos lábios, em um ato estratégico

– É, um calvo. Tsc, talvez eles estejam falando de economia. Vai lá, tenta se meter e saber quem é Jack.

– O que eu faço? – perguntei, baixinho

– Percy está aí. Luke vai ficar de olho na Thals.

Thalia assentiu, levemente e deixou a taça de lado, indo com passos decididos para onde aquela rodinha de velhos ricos estava.

– Alguma coisa, senhorita? – ouvi uma voz conhecida chocar-se contra meu pescoço

Revirei os olhos e virei-me para Percy, segurando a base de minha taça e empurrando-a com as pontas dos dedos.

– Mais uma, por favor. Aliás, por que ela sempre fica com a parte boa do plano?

Percy encheu minha taça e passou para mim com um sorriso grande.

– Porque ela é rápida. – apontou com o queixo para Thalia que sorria entre aqueles homens, apoiando-se em outro – Você é inteligente, mas não conseguiria elaborar algo em segundos, como ela.

– Está me rebaixando? – virei-me bruscamente, sendo ignorada por Percy que foi atender outro cara

Respirei fundo, apoiando meus cotovelos contra o balcão e encarando a festa.

Alguma música lenta com violinos tocava ao fundo, eu estava me irritando. Não sabia o que fazer ali e ainda podia ver Alex com seu marido. Seu vestido era espetacular, era longo com as mangas feitas de renda assim como a cauda que se estendia. Busquei Thalia com os olhos e percebi que seu sorriso já não estava mais em seus lábios.

– Ela encontrou Jack. – Ethan avisou

– Segundo andar, porta três, direita. – Percy disse rapidamente

– Como assim? – virei meu tronco, dando minha taça para ele

– Se quiser falar com ele, é agora. Vai. – seu tom de voz era frio e me passava uma ordem indireta

Não esperei que ele mandasse pela segunda vez. Encarei Thalia, apontando para o corredor no centro do salão. Vi-a dar um sorriso para os velhos e me seguir com passos largos e elegantes, eu estava na frente e assim que adentrei o corredor, olhei para trás. Luke vinha, carregando uma bandeja e mexia os lábios discretamente, esbanjando sorrisos.

– Eles não disseram onde o velho estava. – Thalia disse me alcançando

– Segundo andar. – encontramos um elevador e encarei, surpresa – Meu Deus.

Apertei o botão, vendo-o ficar vermelho e entrando rapidamente no cubículo. Evitei me encarar no espelho, batendo o pé no piso de mármore e assim que as portas se abriram, meu coração bateu ainda mais rápido, como se pudesse escapar da minha caixa torácica.

– Terceira porta. – indiquei enquanto tínhamos passos rápidos

– Tenham cuidado. – Nico falava – Não tem câmeras nos quartos, ainda posso ver vocês... Calma, perdi. Tenham cuidado.

– Onde está o Luke? – perguntei

– Percy está subindo pelas escadas. – Thalia apontou para as duas partes que seriam as “terceiras portas” – Se algo acontecer, corram daí e vão para a cozinha. É só descer as escadas e virar à esquerda.

–Entendido. – sussurrei, sentindo a adrenalina sendo impulsionada para meu sangue – Mais algo? – argumentei, antes que minha prima abrisse a porta

Dez minutos. – Ethan avisou – Vocês tem dez minutos até que ele chame os seguranças ou que Alex consiga acalmá-lo.

Ela está aí? – Thalia fez uma careta

É, ela está. Vão logo antes que Percy lhe alcancem e te tirem daí.

Apontei para a direita e deixei de ouvir o magricelo quando Thalia respirou fundo, aparentando algum medo repentino ao tocar os dedos na maçaneta e então, a porta se abrir, como uma pluma sendo empurrada.

Nós ouvíamos vozes. Sussurros, murmúrios, risadas.

Só aquele som fez meu corpo se arrepiar, minha coluna se endireitar e a expressão séria de antes voltar.

A primeira imagem que tive foi de Alex segurando uma taça com um conteúdo brilhante e nos encarando com aqueles enormes olhos verdes que não tinham quase nenhum pingo de maquiagem. Eu me senti uma vadia.

Seu vestido cor de pele caia como uma pluma em seu corpo que nem aparecia sua barriga de grávida, um cara – não tão velho, no máximo, quarenta anos – rodeava o braço na sua cintura com um sorriso descontraído enquanto comentava algo com outro homem, um velho de cabelos brancos com rugas ao redor dos olhos, parecia com meu avô, praticamente.

Vocês podem falar? – era Nico, a voz completa de tensão

Não respondemos, porque no exato instante, todos os olhos caíram sobre nós, com dúvidas estampadas em todos.

Respirei fundo.

– Olá! – acenei com um sorriso ainda maior – Foi aqui que chamaram duas das melhores vadias para o senhor Jack? Yup, — cantarolei – chegamos!

Alex riu e colocou a mão por cima da boca, balançando a cabeça, assim como outras mulheres acompanhadas que pareciam nos esnobar.

– Essa foi péssima. – Thalia resmungou embora esbanjasse um sorriso

– Eu chamei? – o velho que falava com o marido de Alex arqueou a sobrancelha

Jack. Aquele velho com aqueles olhos castanhos escuros, aquele bigode escroto e aquele paletó de marca, muito cara, por sinal era Jack. O cara que se tirasse uma arma da cintura agora poderia nos matar.

– É. – minha prima continuou, jogando todos os cabelos para o lado – Sabe, queridinho, podemos fazer coisas espetaculares. – piscou o olho

Jack franziu o cenho.

– O anfitrião não sou eu. Quem são vocês, minhas senhoritas?

Todos os olhares da pequena reunião particular caíam sobre nós. Éramos a atração principal.

Dei de ombros, colocando a franja para o outro lado, sentindo minhas mãos suarem.

– Na verdade, — comecei – queremos falar com você, Sr. Jack.

Ele olhou ao redor e deu um sorriso, assentindo.

– Já sei, já sei. Foi o próprio Randy que tramou isso. – balançou a cabeça e sorriu – Vamos, minhas queridas. Vamos ter essa conversa. – e soltou um sorriso safado

Velho pedófilo.

Alex nos encarou por cima do seu copo enquanto bebia e piscou o olho, como se dissesse “bom trabalho”, mas aquilo não me importava agora. Eu estava assustada quando saí daquela sala e nem ao menos arrisquei nenhum olhar para minha prima que estava ao meu lado.

Jack nos guiou com um sorriso até dois quartos anteriores e abriu a porta, esperando nós passarmos, segurando aquela bengala de mogno. O que me aterrorizava ainda mais.

Entramos em um quarto que nem parecia um quarto, só tinha um sofá e uma poltrona a frente.

– Então, o que Randy pediu para que fizessem?

Nos entreolhamos, com o pavor estampado em nossos rostos quando o velho sentou na poltrona. Respirei fundo mais uma vez e dei um passo a frente.

– Sr. Jack, eu sou a Annabeth Olympus Chase e essa é a Thalia Olympus Grace. – nos apresentei, citando nosso nome do meio, o que eu abominava dizer de uns tempos para cá

– Olympus... – ele sussurrou o nome com um velho rancor e franziu o cenho, parecendo irritado – O que duas Olympus estão fazendo em meu território? Facilitando meu trabalho? – sua voz começou a se alterar

– Não, senhor. – Thalia deu um passo a frente – Soubemos que tem homens seus perto de nós, nos vigiando. Queríamos pedir encarecidamente que parasse com isso. Não importa o que os meninos fizeram contra o senhor, não temos culpa nenhuma.

– Culpa? – ele revirou os olhos – Vocês tem o azar de terem nascido nessa família. É melhor dizerem suas últimas palavras agora, não tenho tempo para aturar crianças.

– Queremos saber o motivo! – aumentei o tom de minha voz – Não fizemos nada contra o senhor e não somos obrigadas a fugir da Califórnia para não sermos mortas.

– Como eu disse antes, senhoritas, vocês nasceram na família errada. – ele estreitou os olhos e sorriu – Você é a garota do Jackson, hm? A família dele também está lhe protegendo?

Dei um passo para trás e encarei minha prima com medo.

– N-não... O que fizemos para você, Jack?

– A intimidade, garota, a intimidade. – ele clicou alguma coisa em seu telefone e sorriu para nós – Já que vão morrer mais cedo ou mais tarde, o que acham de sentar-se um pouco e ouvir uma historinha de dormir?

Balancei a cabeça e percebi que Thalia repetiu meu movimento apenas encarando-o.

– Como quiserem. Sinto pena de vocês por não saberem parte da podridão de sua família.

– Nossa família não é podre, seu verme. – Thalia vociferou

– Ah, não? Me diga, pequena Grace, onde está Jason?

Thalia se retesou e eu arqueei as sobrancelhas.

– Em um acampamento... Você não pode ameaça-lo! Ele não tem culpa nenhuma disso.

– Seu pai, um cara tão importante na sociedade californiana, o que as pessoas da nobreza iam achar disso?

– Não vivemos do que as pessoas falam. – cuspiu, mexendo nos cabelos com nervosismo

Jason. Eu estava confusa com aquela conversa e quando voltei a encarar Jack, ele tinha um sorriso no rosto.

– E você? Pobre Chase. Amnésia histérica, nem ao menos sabe como seu pai morreu. Posso te dizer que ele lutou até o último segundo. Aliás, queria te deixar um aviso: os Jackson’s não são tão confiáveis quanto aparenta.

– O que você sabe sobre meu pai? – avancei sobre ele, ficando cara a cara

Ele riu.

– Nada que seus tios não saibam. Nada que todo mundo esteja lhe escondendo, minha querida. Acharam que eram espertas o suficiente? Acha que não estou vendo essas escutas idiotas? – Jack apontou para o fio que se sobressaia do meu decote, afastei-me dele com medo – Acha que se estivessem mesmo protegidas estariam aqui? Na minha mira? Diga a seu grupo de inteligência que eles têm dois minutos para saírem da minha propriedade.

– Aqui não é sua casa. – sorri, sentindo-me orgulhosa de alguma coisa – Não pode se dirigir como se mandasse em tudo.

– Ah, não? São meus aliados. Meu dinheiro. Não se preocupe, você não viver o bastante para entender como meu mundo funciona.

Encarei Thalia procurando por ajuda, mas ela parecia perdida com as palavras que ele tinha jogado por cima dela. O fato dele ter conhecido meu pai subia minhas expectativas.

– Foi você? – perguntei, arqueando a sobrancelha – Você que matou meu pai, seu crápula!

Senti dois braços fortes e irreconhecíveis me puxarem para trás, comecei a me debater, queria arrancar a cabeça dele.

– Qual seu problema? Por que você quer nos ver mortas? Não fizemos nada!

– Vocês nasceram. Aprenda uma coisa, criança, — ele levantou-se de onde estava e afagou meu rosto com um sorriso doentio – vingança é vingança. E diga aos seus protetores que meus homens estão mais próximos do que vocês acham.

Um tiro.

Thalia estremeceu ao meu lado, com os braços presos por outro homem-armário. Gritei, balançando as pernas, tentando sair daquele aperto, minha prima estava sendo puxada sem dificuldades enquanto eu tentava sair daqueles braços que me apertavam e me tiravam o ar.

Mais um tiro e Jack pulou para o lado. Pude ver Percy apontando a arma para o cara que me segurava.

– Solta ela. Agora. – disse, com a voz firme e fria

Eu podia ver Luke escondido, ninguém pareceu ter visto ele, apenas quando bateu na nuca do cara que segurava Thalia com o cabo da arma. Minha prima ficou desnorteada, parada como antes, encarando o nada.

– Que bela hora para nos reencontrarmos, Castellan, Jackson. Já pensaram na minha proposta? Nada disso estaria acontecendo, sabiam?

Percy ameaçou mais um tiro, mas Luke tocou seu ombro ainda com a arma em punho. Ambos me encararam, talvez pedindo por ajuda e apontando para Thalia com a cabeça em um movimento sincronizado. Eu não sabia o que fazer, então continuei como uma barata tonta ali.

– A garotinha está confusa. Estávamos tendo uma conversa agradável, garotos. Sentem-se, eu até posso conseguir algum café, o que acham?

– Já entramos em seus joguinhos tempo demais, Jack. Até tentaríamos levar isso em uma boa, mas você não quer, então ok. Vai ser guerra, então. – Luke disse, a voz baixa e ameaçadora

– Você realmente acha que um bando de adolescentes pode me deter? Pode acabar comigo?

– Não nos subestime. Vou te avisar uma coisa, Jack. – Percy sorriu e abaixou a arma, colocando-a na cintura de modo relaxado – Nós vamos sair vivos daqui. Como sempre. E nós vamos acabar com você. Com sua vida de merda. Nem que isso seja a última coisa que eu faça na minha vida.

Estremeci. Luke virou para mim e abriu a boca, falando sem nenhum som “sai”.

– Grace, avise para seu pai que eu mandei um alô. – Jack sorriu para uma Thalia petrificada – E Chase, hm, infelizmente, eu não irei visitar seu pai tão cedo, mas... Diga para sua mãe que nos encontraremos logo.

– Seu filho...

– Sai! – Luke empurrou meu ombro, jogando-me contra o corpo de Thalia com força

Xinguei-o também e puxei minha prima pelo braço, vendo-a ter uma reação sensata e correr comigo. Não tinha ninguém no corredor além de nós e o som de nossos saltos, no começo da escada, Alex estava parada, parecia nervosa.

– Cozinha, meninas, cozinha. Alguém morreu lá dentro?

– Não... – Thalia respondeu e olhou por cima do ombro

– Ouvi som de tiros. – a loira disse e sorriu, afagando nossos ombros – Vocês não me viram por aqui. Corram, cozinha. – avisou e nos deu as costas, descendo pelas as escadas, como se estivesse fazendo a coisa mais normal do mundo

Eu não entendia aquela mulher. E eu estava desconfiando ainda mais dela.

Não demoramos muito para seguir seu exemplo e descer as escadas, ofegantes. Eu só lembrava que estava de salto e qualquer passo em falso, eu poderia quebrar meu pescoço. Segurei a mão de Thalia, perdida para onde ir.

– Senhoritas? – pulei de susto quando vi um garçom erguendo uma bandeja prateada para nós

Poderia ser algum segurança de Jack querendo nos matar. Respirei fundo e lhe dei um sorriso, colocando um pé pós o outro com uma elegância surgindo de lugares profundos.

– Cozinha. – sussurrei e virei-me para Thalia – Nos leve para cozinha, por favor.

– A coisa foi pesada. – Ethan soltou um risinho – Podem vir direito, ladies. Estamos esperando.

– Vocês estavam nos escutando o tempo todo! – minha prima segurou o fone em seu ouvido, apressando o passo – E vocês não fizeram nada!

Não podíamos fazer nada, amor. Desculpe, não queria que você tivesse passado por isso.

– Mas passamos.

E foram escolhas suas. – Ethan nos acusou – Venham logo, por sorte, os capangas de Jack não sonharam que estamos nessa van.

Passamos por uma cozinha cheia de chefes com roupas brancas e garçons que saiam com suas bandejas prateadas, equilibrando-as de modo perfeito. Esquivamo-nos de algumas bandejas voadoras e outras coisas que pegavam fogo, os chefes falavam diferentes línguas e eles suavam, o que agora estava bem nojento. Chegamos a porta dos fundos e assim que minha prima abriu a porta, senti a brisa fria da noite de Califórnia.

Meus saltos afundavam na grama bem cuidada e provavelmente acabei com algumas flores enquanto passava. Fiz um coque em meu cachos artificiais e assim que avistei a van, senti os batimentos de meu coração se acalmarem, a adrenalina desaparecer e tudo parecia estar voltando ao normal.

– Venham. – Nico apareceu na porta com um olhar triste e meio vazio

Ele segurou Thalia primeiro, olhando-a nos olhos por um tempo e apertando sua mão com força. Empurrei minha prima para dentro da van com raiva e coloquei minha mão onde a dela estava antes.

Dei um sorriso duplamente forçado.

– Oi, estou viva e também te amo. Luke e Percy ainda estão lá. E não vamos sair sem eles.

Nico revirou os olhos, me jogou para dentro da van e fechou a porta.

– Plano B. – Ethan sorriu, arrastando uma mão na outra

Ele tinha headphones enormes e seus olhos estavam vidrados nas telas pequenas que monitoravam toda a casa. Peguei o headphone que estava em seu lado, tirando meus saltos com agilidade e cruzando as pernas.

– Ele não vai nos seguir. – Percy falava, sua voz estava ofegante

– Ethan? Escuta?

– Aos seus favores. Não saiam pela cozinha... E nem pela sala central. Entrem em algum quarto... Agora.

Não via nenhum deles na câmera.

– Annie, sai, eu preciso...

– Cala a boca. – afastei a mão de Nico e continuei encarando as câmeras, me aproximando de Ethan – Você sabe dizer em que quarto eles estão? Depois daquele que estávamos?

– Annabeth? – Percy resmungou – Sai daí e deixa o Nico voltar.

– Não. – resmunguei – Em que quarto vocês estão?

– Uns sete depois daquele que vocês estavam.

– Vão pela escada de emergência. Se a casa for com a arquitetura que estou pensando, vai ter um estacionamento subterrâneo. Corram, nos vemos na segunda esquina depois da casa.

– E se não tiver? – Percy perguntou, relutante

– É a única chance que temos. – houve uma pausa na respiração de Luke – Vamos, barra livre. Saiam daí.

– Boa sorte. – sussurrei

Todas as telas desapareceram. Tudo estava preto.

Olhei por cima do ombro, encarando Nico. Seu rosto estava em completo desespero, Thalia estava sentada, nem parecia estar nesse mundo.

– Nos descobriram. – Ethan largou os headphones e correu para a cabine do motorista

Em poucos segundos, estávamos correndo em uma van de salgadinhos pelo jardim, atravessando portões abertos às pressas e estávamos pelas ruas desertas do bairro nobre.

Ainda continuava sentada, com os headphones no ouvido, esperando escutar alguma coisa deles, mas tudo que eu ouvia era as batidas do meu coração frenéticas e a respiração pesada de ambos neles. Nenhum deles estavam falando, pareciam correr e correr.

Assim que chegamos na esquina marcada. Avaliei Thalia.

– Ela não está bem. – Nico me disse, aproximando-se dela

– Me traz água. – pedi, ajoelhando-me em frente dela – Thals... – sussurrei, afagando seu rosto

Seu olhar ainda estava perdido, em algum lugar na van. Eu não parecia existir. Nico trouxe uma garrafa de água pet. Joguei em minhas mãos e apertei minhas mãos contra todo seu rosto, em seus olhos e na raiz de seus cabelos.

Thalia piscou e afastou-se.

– Onde... Luke, Percy...?

– Eles estão vindo. Você está bem?

– Jason... Jason, Annie. Ele pode fazer alguma coisa contra o Jason.

– Eles não vão fazer nada contra o Jason, amiga. Seu pai é inteligente, ele deve imaginar que eles poderiam estar tramando algo.

– Não, não. Eu quero Jason comigo. Agora. Eu preciso saber que ele está bem, preciso saber se ele está seguro. Ele tem que ficar ao meu lado, Annie. Ao meu lado. – ela repetia, segurando meus ombros

– Vamos providenciar isso, eu prometo.

Thalia fungou e então, as lágrimas começaram a desabar pelas suas bochechas. Os soluços eram baixos, a vi puxar seus joelhos, apoiando o queixo no vão entre eles, os olhos tornando-se vermelhos e as lágrimas caindo mais rápido enquanto seu ruído crescia.

– Não deixe se abalar, Thals. Jason vai voltar, logo. Eu prometo. – sussurrei, aninhando-a em meu peito

Nico nos olhava tudo sem entender, com o cenho franzido. Pude ver Ethan chegar e voltar para a cabine de motorista enquanto eu segurava minhas lágrimas o máximo que podia para não desmoronar ali, junto com ela.

Luke foi o primeiro aparecer. A porta foi aberta com um ruído de ferrugem, então ele se jogou, seguido por Percy que entrou pulando e fazendo Ethan dirigir o mais rápido possível.

Meu primo nos encarou, confuso.

– O que está acontecendo?

Nico – em um surto de ciúmes, provavelmente – veio até nós e abraçou Thalia, fazendo-a me largar e aninhar-se em seu peito. Seu vestido subiu ainda mais.

– Seu plano deu certo. – Luke disse e me abraçou – Deu certo. Eu te amo.

Tentei sorrir, mas foi apenas uma tentativa e não desabar ao sentir seu cheiro, ao senti-lo me abraçar e saber que ele estava vivo.

– Estamos chegando! – Ethan gritou na cabine – Liguem para Sam, façam voltar para casa.

Luke me largou e foi até Ethan.

Percy estava sentado na cadeira que o ruivo estava antes, com o rosto entre as mãos e eu não sabia se ia abraça-lo ou se esperava ouvir um sermão dizendo-me que ele sempre esteve certo. Decidi ignorá-lo. Talvez, eu não aguentasse minhas lágrimas por muito tempo.

Por sorte, em poucos minutos, nós já estávamos em nosso jardim.

Não avistei ninguém, Thalia foi amparada e carregada nos braços de Nico até o quarto do mesmo. Desci com ajuda de Luke, carregando meus sapatos.

– Você está bem? Precisa de companhia?

– Você vai voltar para casa? – perguntei, preocupada

– Não. Posso... Podemos resolver algumas coisas aqui. Ethan vai dormir aqui, algum problema?

Balancei a cabeça e tentei sorrir, puxando minha saia para não tropeçar. Não direcionei meu olhar para Percy. Não estava preparada. Atravessei a sala de estar, a cozinha e cheguei a escada. Subi com passos lentos, sem pressa para jogar-me na cama e começar minha fossa.

E foi assim, jogando meus saltos no chão, encaminhando-me com passos pesados e preguiçosos até minha cama que eu chorei. Chorei muito.

Encolhi-me em posição fetal e comecei a chorar.

Ele ameaçou a minha família, a única que eu tinha: minha mãe. E ele praticamente admitiu que matou meu pai. Que tipo de doente ele era?

Eu podia ouvir minha porta se abrir, devagar. Contudo, eu não parei de chorar.

Não parecia ser algo que eu pudesse controlar. Eu estava colocando toda a adrenalina, toda a raiva, todo o sentimento de culpa para fora e eu não queria parar. Eu queria me encontrar do pior jeito possível, me sentir satisfeita com aquilo.

Minha cama afundou ao meu lado e senti um braço puxando meu quadril contra o dele, seu hálito quente batendo contra minha nuca enquanto eu chorava vergonhosamente e sua mão afagava meu cabelo, implorando-me para parar.

– Por quê? – sussurrei, apertando minhas mãos contra meu peito – Por que ele fez isso?

– Poder. – ele respondeu e acariciou minha bochecha, virando meu corpo e ficando por cima de mim – Eu prometi que ele não ia te fazer nada, mas você precisa me ajudar. Não deixe-o te afetar.

– Como não posso deixa-lo me afetar? Ele matou meu pai. Meu pai. – voltei a chorar, fechando os olhos com força

As mãos de Percy enxugaram minhas lágrimas com carinho, sentia seus beijos espalhados pelo meu rosto e sua outra mão acariciando meus cabelos.

– Durma, Annie. Durma. – ele sussurrava, voltando a posição de antes

– Não consigo dormir. Eu não quero dormir.

Sentia os soluços saírem de minha boca, meu corpo estremecendo a cada ruído, mas não parecia ser meu. Não parecia sair de mim.

Percy me abraçou mais forte, nossos corpos grudados enquanto eu continuava a chorar ruidosamente. Ele só sussurrava “durma” em meu ouvido, como se aquilo fosse me fazer fechar os olhos e esquecer todas aquelas coisas horrorosas com palavras sutis que aquele velho disse.

Respirando com dificuldade, encolhi-me ainda mais em seus braços.

– Annie... – sua voz estava fraca em minha nuca – O que posso fazer para você parar de chorar? Me diga qualquer coisa. Eu faço. – a voz dele fraquejava, como se fosse chorar junto comigo

Não respondi, as palavras ainda ecoavam em minha cabeça e ele murmurava a mesma coisa.

– Canta pra mim. Canta pra mim dormir, por favor. – pedi, sentindo meu corpo continuar a estremecer enquanto ele suspirava atrás de mim

Percy respirou fundo e acariciou minha cintura, abaixando minha saia com delicadeza.

I can’t sleep tonight, wide awake and so confused... Everything’s in line but i am bruised. – senti suas mãos descerem pela extensão do meu corpo e a outra, afagar meus cabelos enquanto ele buscava o ar e continuava com a voz baixa e melodiosa, me provocando arrepios – I need a voice to echo, I need a light to take me home, I kinda need a hero... Is it you?

Funguei e virei-me para ele, afagando sua bochecha com minha mão. Seu rosto estava vermelho, o cenho franzido e os lábios apertados um nos outros.

– Por que parou?

– Eu não terminei a música. Desculpe. – afagou meus fios, novamente, colocando alguns para trás – Por que não toma um banho? Vai te acalmar.

– Eu não estou com coragem.

– Eu vou estar aqui. Vou te esperar e vou colocar você para dormir, pode ser?

– Eu realmente não estou com cabeça para ir tomar banho. – suspirei, abracei sua cintura, enfiando-me em seu peito e sentindo aquele cheiro de maresia que parecia bem mais forte agora

Percy não disse nada, depositou a mão no topo de minha cabeça e continuou com o movimento, desfazendo os cachos e acariciando-os até o fim de cada um.

Não sei em que momento da noite eu dormi. Se foi enquanto sua voz baixinha continuava a música com palavras que não rimavam e então, ele voltava para o começo, recomeçando-a, colocando outras palavras e formando outra estrofe. Ou se foi quando ele parou de cantar e apenas respirava no meu ouvido, ainda acariciando meus cabelos.

Só sei que já estava caindo na inconsciência, me despreocupando com aquela noite louca.

Notas finais
Esse capítulo é cansativo e chato. O que o salva é o Percy cantando, just saying EAAAAAI Então, eu não sei o que falar, o Percy cantando é