Nightingale.
69 Won't let you go.
Notas iniciais
"There's only one thing left here to say: love's never too late."
– E então, meu casal preferido estão juntos de novo?
Foi com essa fala que Poseidon nos recebeu. Ele vestia jeans e uma blusa polo casual. Percy revirou os olhos quando colocou o braço sobre meus ombros, puxando-me para dentro.
– Oi pra você também, pai. Onde está o Tritão?
– Fico enormemente feliz que procure saber de seu irmão.
Percy revirou os olhos e parou na sala de entrada, encarando Poseidon.
– Tudo bem, tudo bem, ele foi pra alguma festa com os amigos. Não sei quando volta, infelizmente.
– Felizmente. – Percy corrigiu com um sorriso – E Anfitrite?
– Ah, ela está na cozinha. Ela fez macarrão com queijo, com especiarias e temperos diferentes. – Poseidon inclinou-se para nós enquanto caminhávamos em direção a sala de jantar – Não queria que tivessem que passar por isso, mas...
– Não consegue passar sozinho, hm? – Percy completou
Poseidon deu de ombros, sem responder. Sua mão apontou para as duas cadeiras em seu lado esquerdo que ocupamos rapidamente, assim que Anfitrite adentrou com a travessa de macarrão com um sorriso, Poseidon pigarreou.
– Não comente nada sobre minha comida, Poseidon! – ela cantarolou – Annie! Estávamos com saudades. Você está bem depois de toda aquela loucura? Quero dizer, eu não deveria estar falando isso... – ela deixou a travessa em cima da mesa, acariciando meu cabelo solto – Mas, eu sinto muito, não sei nem o que falar...
– Querida. – Poseidon a chamou atenção
– Não, tudo bem. Estou bem, Anfitrite. Percy sofreu bem mais. – contei
– É. – ela sorriu e afagou o cabelo dele – Esse garoto chegou bem abatido aqui. Mas está tudo bem, estão todos bem, certo?
– Claro, claro, querida. – Poseidon respondeu-a
Pattie, a velha senhora que trabalhava com a família Jackson, apareceu, seu cabelo castanho curto preso em um rabo de cavalo.
– Menino Poseidon, eu estou indo...
– Ah, claro, eu esqueci que iria mais cedo hoje, Pattie, perdão.
Ela meneou a cabeça e se foi. Percy franziu o cenho quando a viu sair.
– O que aconteceu, pai?
– Ela está meio estranha ultimamente. – Anfitrite disse, colocando uma grande porção no prato de Poseidon – Achamos que ela está com alguma doença, mas ela nem ao menos nos conta nada.
– Estamos preocupados. – Poseidon completou, pegando seu prato
Anfitrite repetiu o mesmo com todos nós enquanto continuávamos conversando.
– Nem uma pista? Ela não anda indisposta?
– Nada. – Poseidon suspirou e revirou a comida em seu prato – Como vai sua mãe, Annabeth?
– Hum, bem.
– Onde vai passar as férias de verão, Annie?
– Ah, eu não sei... Não planejamos nada sobre isso, ainda.
– E a faculdade? Decidiu-se?
– Recebi algumas cartas, mas... Nenhuma que me desse certeza.
– Percy também foi aprovado. – Poseidon continuou, apoiando o cotovelo na mesa – Oxford...
– Pai. – ele o cortou – Também não estou decidido.
– Cambridge é uma ótima pedida. – Anfitrite disse – Ele não está muito animado em começar uma faculdade, mas vocês, jovens, são novos e nem ao menos dão valor aos estudos.
Nossa conversa se seguiu assim: estudos. Eu não dava a mínima, quero dizer, não me leve a mal, eu tinha acabado de sair de um sequestro do meu ex-namorado e agora as pessoas queriam colocar na minha cabeça que eu tinha que sair de Hampshire e ir estudar. Oxford, Cambridge, UCLA, Harvard... Eu não tinha que escolher agora e não me importava de escolher no último segundo.
– Ah, Pattie me ensinou uma técnica de uma torta maravilhosa! – Anfitrite disse antes de terminamos o almoço calmo
– Você vai imitar as tortas de família da Pattie?
– Poseidon. – Anfitrite ralhou – Vai ter meu toque especial, claro, eu cozinho muito bem, sabia?
– Aposto que sim. – pisquei, lembrando das tentativas falhas de minha mãe de fazer muffins iguais ao dela
– A torta de Pattie? – Poseidon balançou a cabeça – Sem chance.
– Você está me desafiando?
Poseidon sorriu, sua esposa bufou enquanto terminava de comer sua refeição.
Assim que o almoço em família que Percy me arrastou terminou, subimos para seu quarto, a última porta antes da passarela do lado esquerdo.
– Nunca estive em seu quarto. – comentei logo que adentramos
As paredes eram em tons azuis pastéis, tinha uma grande janela que dava uma visão esplendorosa do jardim que Anfitrite havia falado, a cama de casal parecia nunca ter sido usada e todo o quarto estava bem organizado, com fotos em família nos porta-retratos, papéis enumerados colocados em cima da escrivaria. Observei a porta semiaberta do banheiro, sapatos enfileirados em um canto e atrás da porta três tipos de casacos pesados que ele poderia usar. Em cima da cadeira reclinável, estava uma camisa de botões branca, que eu supus ser a que ele usava para escola. E essa camisa iria se aposentar.
Percy sentou-se na cama e deitou-se, dando duas palmadas ao seu lado, como um incentivo.
Aceitei-o. Deitei ao seu lado, abraçando sua cintura enquanto seu braço acariciava meu ombro.
– Então, férias. – ele disse
– Isso me dá medo. – rebati – Não sei o que irá acontecer.
– Por que está se importando com isso? – ele perguntou, seu hálito chocando-se com o topo de minha cabeça enquanto sua mão descia pelo meu braço – O máximo que pode acontecer é que estudemos em universidades diferentes.
– O que vai acontecer. – confirmei
– É, não se preocupe com isso agora. – ele tirou algo do bolso e mostrou dois convites a minha frente – Para o teatro. Amanhã. É um comediante.
Ergui meus olhos, apoiando-me em meu cotovelo para observar seu rosto sorridente.
– Por que não está me deixando parar um dia sequer em casa?
– Eu? Por que faria isso?
– Não se faça de sonso, idiota.
Percy meneou a cabeça e entrelaçou os dedos atrás da nuca enquanto me encarava, esnobe.
– Talvez porque eu queira ficar mais tempo com minha garota.
– Você não me engana, Perseu.
– Ou talvez, porque eu queira te afastar de sua mãe e de suas ideias loucas de te arrancar de Hampshire? – ele fez uma careta e sorriu – Não me leve a mal, eu adoro sua mãe, ok, não faça essa cara pra mim, tá, talvez eu não goste dela... Mas, ela fica falando coisas sobre voltar pra Califórnia com meu pai.
– Seu pai? – perguntei, bem interessada
– É, ela disse que eu tinha que me afastar de você e blábláblá porque, assim, a dor seria menor para voltar pra Califórnia. Você não vai se afastar de mim, vai?
– Não, claro que não. – beijei seus lábios, colocando uma perna ao lado de seu quadril – Vou ficar com você. Aonde quer que esteja.
– Isso é piegas. – ele fez uma careta e puxou meu rosto contra o dele
– Você adora isso. – resmunguei, grudando nossas testas
– Eu queria te dizer que quero ficar sempre do seu lado e ficar sempre te vigiando, mas isso é tão... Eca.
– Também sinto isso. – pisquei
Percy subiu as mãos até minha cintura, apertando-me contra seu corpo com força. Nos beijamos com calma enquanto seus dedos penetravam minha blusa, entrando em contato com minha pele quente.
Mergulhei em nosso beijo como se estivesse em uma onda que me levasse cada vez mais fundo para um mar conhecido, um mar que eu amava. Percy mordeu meu lábio inferior, afastando-me lentamente e acariciando as laterais do meu corpo.
– Posso te dar uma coisa? – ele perguntou, baixinho
Assenti, entorpecida pela cor de seus olhos: verdes-mar claro. Percy me empurrou com delicadeza e caminhou até a escrivaria, abrindo a última gaveta e tirando uma caixa relativamente médio e virou-se para mim, apoiando-se na madeira de mogno com o quadril.
– Vem cá. – chamou, erguendo a caixa
Franzi o cenho, com um sorriso e caminhei até ele, apoiando minhas mãos em sua cintura. Percy abriu a caixinha a minha frente, fazendo-me perder o fôlego.
– Nico me disse que você odiaria porque você nem usa joias quando se deve usar, mas... Eu achei que seria sua cara. – disse – E então, gostou?
Dentro da caixa de veludo negra havia um colar, aparentemente de ouro branco, mais parecido com uma gargantilha, ele se entrelaçava formando redemoinhos que se chocavam com uma pedra brilhante, uma safira redonda. No meio dessa especiaria, tinha dois brincos do mesmo estilo.
– Isso deve ter sido muito caro. – comentei, colocando minhas mãos em minha boca
– Não se preocupe com isso agora. – Percy tirou o cabelo que caía sobre meu ombro e sorriu – Vamos, eu quero te ver usando-o.
– Isso é ridículo. Eu não posso aceitar isso.
– Mas você quer.
– Claro que quero! – exclamei, excitada por ganhar algo tão valioso – Meu Deus, isso é perfeito!
– Eu sei. – disse em um tom sereno – Vire-se, quero te ver usando-o.
Dei palminhas animadas, virando as costas para ele, senti suas mãos acariciando minha nuca e afastando meus cabelos, então o toque frio da joia atingiu minha pele, fazendo-me arrepiar. Percy acariciou meus ombros e virou-se para mim.
Seus olhos desceram pelo meu rosto pairando para meu colo, seus dedos acariciaram todo meu pescoço, tocou a pedra e subiu para meu rosto.
– Você é maravilhosa, cara. Nem sei se existe de verdade.
– Meu Deus, Percy! Obrigada, obrigada! – beijei seus lábios – Isso é lindo! Eu... Maravilhoso! Não sei quando vou usar isso, mas...
– Use comigo. – ele pediu, segurando a base do meu pescoço e me encarando firmemente – Apenas comigo.
Todo meu corpo se explodiu em arrepios contínuos quando sua voz se chocou contra meu rosto, mordi o lábio inferior e assenti, repetidamente.
– Eu vou. Apenas com você.
Percy sorriu, beijou-me, embora seu corpo estivesse tenso e se afastou logo.
– Está sentindo esse cheiro? – ele perguntou
– Cheiro? – forcei minhas narinas, sentindo um cheiro longe de queimado, ri – Acho que Anfitrite não se deu bem com seu bolo mudado.
Percy segurou uma gargalhada.
– Vou adorar zoar com a cara dela.
Ele segurou minha mão, abrindo a porta enquanto ríamos e uma labaredas de chamas ergueu-se a nossa frente.
Um grito escapou de minha boca.
Eu não tinha ideia do que estava acontecendo. As cenas da queda da janela da casa em chamas do meu pai viajou pela minha mente. Senti o calor emanando da passarela até nós e a mão de Percy segurando a minha com força.
– O que...
Percy não me deixou continuar, ele nos empurrou para dentro, abriu a porta do banheiro e nos colocou dentro encharcando minha roupa. Grunhi com o choque térmico, a água estava congelante.
– O que você está fazendo? O que é aquilo? – perguntei
– Um incêndio. Não percebeu? – rebateu
Não tive tempo de responder.
– Entenda. – ele pegou uma toalha e encharcou na pia – Não sei como temos que fazer pra sair daqui, mas acho que isso vai servir. – ele me jogou a toalha
– Percy, eu estou com medo. – balbuciei
Ele segurou meu braço, puxando-me até que estivéssemos na porta novamente.
– Sinto muito. – seu queixo tremeu, encarando a sala em chamar lá embaixo – Você tem que me ajudar.
Não soube o que dizer. Ele apenas segurou minha lombar e me empurrou calmamente encostada na parede oposta ao corrimão que nos separava das labaredas. Conseguimos descer as escadas sem o fogo nos atingir, porém assim que chegamos ao piso que queimou meus pés, tive medo. Tudo estava em chamas, vermelho e amarelo. Uma imensidão que não parecia ter fim, ao longe, pude ouvir uma coluna caindo. Estremeci, mas Percy segurou minha mão. Consegui ver a voz do meu pai me mandando sair de casa, podia ver seu rosto perdido entre as chamas enquanto ele sorria, dizendo que me amava. Senti as lágrimas rolando sobre minhas bochechas enquanto Percy me ajudava a pular outra coluna.
– Ali é a saída. – ele gritou
A escada esquerda caiu. Gritei, estávamos próximos demais ainda.
Percy não parecia saber o que fazer. Comecei a tossir, ele tirou a toalha que estava ao redor dos meus ombros e colocou contra minha boca.
– Tente respirar. Com calma, por favor! – ele gritou mais uma vez e puxou a própria camisa contra seu rosto
Ele deu a volta em seu próprio eixo e arregalou os olhos.
– Pai! Pai! – gritou
Ele segurou meu ombro, puxando-me. As chamas queimaram meu tornozelo, mas me obriguei a continuar andando enquanto adentrávamos ainda mais na casa, ansiei pela saída, mas não poderia ser egoísta e deixar o pai de Percy sozinho. Ele estava encostada entre três paredes que parecia o oásis no meio do deserto. Poseidon tossia, encolhido entre elas.
– Onde estamos? – gritei para Percy
Ele não me respondeu. Senti mais uma vez as chamas lamberem meu cotovelo e emiti um grito, apoiando meu corpo nos braços de Percy.
– Tudo bem?
Reprimi a boa resposta irônica que estava na ponta de minha língua e assenti até que Percy tivesse me encostado entre uma das três paredes.
– Corta-fogo. – Poseidon explicou com a voz soluçante
– Pai, você está bem? Pai, o que foi isso? – sua voz era puro desespero enquanto batia no rosto do pai e tirava a camisa colocando em seu rosto
– Percy, você não pode ficar sem camisa! – exclamei, aproximando-me dele
– Eu estou molhado, deve funcionar.
– Você está no meio do incêndio! – rebati
Ele me encarou, bravo.
– Meu pai também está no meio de um incêndio! – retrucou
Engoli em seco, abaixando-me até a altura de meu sogro e chocando ainda mais a toalha, agora úmida, contra meu nariz.
– Não sei o que aconteceu, filho.
– Onde está Anfitrite? Tem mais alguém na casa? Há quanto tempo isso está acontecendo?
– Há alguns minutos. Eu fui busca-la, mas acabei aqui, sou um covarde, não consigo sair daqui...
– Está tudo bem. Pai. – Percy segurou seu rosto banhado de lágrimas – Pai, eu vou procurar Anfitrite e...
– Não! – gritei – Não! Você não pode sair no incêndio, Percy, por favor... – choraminguei
– Annabeth, coloca essa porra no nariz! – esbravejou – Respira por isso, a ajuda já deve estar vindo. Annie. – ele me encarou, beijou minha testa – Cuida dele, eu te imploro.
– Volte, por favor.
Chorei ainda mais. Percy apenas colocou a mão contra o rosto enquanto adentrava ainda mais na casa. Sentei-me ao lado de Poseidon, enxugando minhas lágrimas e enxugando o suor de Poseidon com minha toalha.
– Vai ficar tudo bem. – sussurrei para ele, afagando seu ombro
– Não vai. – ele tossiu, sua voz abafada pela blusa de Percy – Annie, eu preciso que você me perdoe se algo acontecer.
– Que? Não vai acontecer nada, Poseidon! Percy já está chegan...
– Annabeth, seu pai falou comigo antes de morrer. Todos nós, da equipe dele, sabíamos que aquilo ia acontecer. Ele morreu por algo maior. Ele morreu pelas pessoas que ama.
– Poseidon, você não vai morrer! Você pode estar delirando, depois iremos falar sobre isso.
– Ele me pediu pra cuidar de você. – ele tossiu e massageou o pescoço, aproximando-se de mim
Seu tênis estava chamuscado assim como a ponta de suas calças e seus braços estavam enegrecidos. Ele deveria estar sentindo tanta dor quanto eu estava sentindo, meu tornozelo e meu cotovelo pareciam estar saindo do meu corpo de um jeito louco.
– Ele me implorou para que nada de ruim acontecesse com você, mas não cumpri a promessa. Sinto muito, eu sinto tanto, eu não queria...
– Está tudo bem. – sussurrei, aninhando seu rosto ao meu peito enquanto seu corpo tremia entre soluços – Está tudo bem, Percy está voltando, você não vai perde-lo.
– Sei que deve estar se perguntando...
– Poseidon, pare de falar, por favor. Pare de tossir também, você pode desmaiar a qualquer momento, não pode fazer isso comigo, me proteja agora.
Ele sorriu em meio as lágrimas.
– Seu pai era corajoso. Ele se aprofundou demais nos negócios de Jack, ele estava lá disfarçado enquanto passava as informações para nós, mas Jack começou a desconfiar. – ele tossiu, não pude pedir para que ele parasse porque eu começara a tossir, minha garganta começara a arder e meus olhos a lacrimejarem, mas não só pela dor e sim pelo fogo que parecia estar entrando dentro de mim – Ele parou de falar conosco e a CIA estava amedrontada com esse silêncio. – seu corpo chocalhou enquanto ele tirava o tênis que ardia em chamas – A FBI conseguiu algo... Não sei para fazer com que Fred fosse um traidor para os olhos do país. Fomos obrigados. – ele fungou
Enxuguei seu rosto novamente. Apenas sentia dor que emanava em meu corpo, tentava sentir raiva de Poseidon por ter me escondido isso há muito tempo e ao mesmo tempo, queria que ele se poupasse já que Percy nunca me perdoaria se o visse dessa maneira.
– Ele morreu. O acidente... Não era pra ser um incêndio. Mas aconteceu. Não sei como, mas... – ele tossiu mais uma vez, seus olhos estavam confusos, focados em um ponto a nossa frente
– Tudo bem, eu entendo. – um click tocou minha cabeça, Poseidon estava encostado novamente contra a parede, tossindo contra a blusa branca de Percy – Você quer dizer que... Esse incêndio... Eles queriam...?
Poseidon deu de ombros.
– Não sei. Não posso afirmar, mas...
– Agora, cale a boca, por favor.
– Você me perdoa?
– Te perdoo. – engoli em seco, não querendo demonstrar nenhuma emoção além de desespero e dor – Fique calado, por favor.
– Talvez não dê tão certo. – brincou
– Não é hora de brincadeiras! – ralhei
Tirei minha camiseta quente devido as chamas, mas ainda úmida o suficiente para Poseidon.
Troquei as camisas e senti o cheiro forte de Percy contra meu nariz.
– Respire! — apertei a camisa contra Poseidon
Ele assentiu, mas seus olhos estavam se fechando.
– Poseidon! — balancei seu ombro
Não se desespere. Percy não faria isso.
Ok, o que Percy faria?
Toquei o pescoço de Poseidon. Ele ainda batimentos cardíacos, então ele havia desmaiado.
Isso é bom considerando as ocasiões.
Onde estavam os bombeiros, a ajuda?
Mordi o lábio inferior, tentando me lembrar onde era a saída. Mas eu não me aguentaria, carregar Poseidon seria bem pior.
Encarei o vão ao nosso lado. Fora uma coluna que havia caído e ficado em um ângulo que fizesse um arco. Era uma passagem.
Mas eu tinha que esperar Percy.
Encarei o arco ao meu lado e há alguns metros, um homem com uma daquelas roupas amarelas acenou para mim com o polegar para cima.
Repeti seu movimento. Ele levou talk-walkie para a boca e falou algo.
– Poseidon. — balancei-o novamente
O homem avançou. Levantei dois dedos já que ele vinha apenas com uma capa amarela.
Ele não entendeu meu sinal e apenas veio em minha direção.
– Ele está desmaiado! — gritei
Tentei me levantar, mas minhas pernas doíam, fiz mais um esforço e amarrei a camisa na altura do meu nariz. Senti uma das chamas correrem pelo meu braço. Mordi o lábio para não gritar de dor enquanto o bombeiro colocava a capa sobre Poseidon e retirava sua máscara de oxigênio.
– Eu vou leva-lo nos braços. Entendido? — assenti, ele apertou a máscara de oxigênio em meu rosto e ofeguei ao sentir o ar puro — Tem mais alguém aqui? — assenti — Quantas? — levantei dois dedos — Tudo bem, preste muita atenção — sua voz era apressada e beirava ao desespero, ele tirou seu cinto vermelho e me entregou -, segure bem o cinto. Pise onde eu pisar. Ok?
Concordei.
O bombeiro pegou Poseidon nos braços e começou a andar lentamente. Imitei seus passos — apressados, mas precisos. Pulamos sobre uma coluna em chamas e meu tornozelo (onde Thomas havia batido e queimado mais cedo) falhou. Queimando.
É só um queimadura. Me forcei a pensar.
Poseidon havia dito que FBI mandou matar meu pai; a equipe dele havia feito isso, ou superiores, não tinha muita diferença. Ou tinha?
Incêndio significava sem vestígios. E o que seria isso, afinal?
Eles queriam nos matar? O que eu havia feito de errado? Na verdade, quem era eles? Já que o incêndio não fora o acidente que Poseidon queria, de fato.
O bombeiro gritou algumas coisas quando ficamos fora de casa.
Uma multidão de pessoas estava acumulada ao redor dos carros dos bombeiros, a rua arborizada, antes cheia de grandes mansões estava repleta de choque. Pude ver o bombeiro colocando Poseidon em uma maca e colocando-o dentro de outra van.
Não sei como minha mãe havia parado ali. Não deveria ser mais de uma hora que estávamos no incêndio. Eu esperava.
E então, percebi, assim que sentei na maca que eu era sobrevivente de mais um incêndio sem causa definida. Encarei a mansão em chamas, a mansão por qual eu babara e apreciara.
Minha mãe me abraçou, beijou minhas bochechas, com as lágrimas rolando pelas bochechas.
– Onde está Percy? – perguntei, ainda com a máscara de oxigênio contra meu nariz
Atena afagou minha cabeça, sem responder. Senti o cansaço chegar em meu corpo, minhas pernas doíam, meu tornozelo ardia, assim como meu cotovelo, encarei meu cabelo, as pontas estavam chamuscadas assim como a ponta de meus pés.
Lambi o lábio inferior, gaguejando palavras que tinham a ver com Percy.
Onde ele estava?
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