Notas iniciais
Dois capítulos hoje, fechou? Tô escrevendo um capítulo tão tenso que preciso animar vocês antes que ele chegue. Entãããão, a vencedora do capítulo de hoje é a Aqua, obrigada pela recomendação!! Eu adorei, muito obrigada mesmo!

" Just don't panic, [...] 'cause you can't avoid me now"

A primeira imagem que obtive foi da casa de Luke. Uma mansão discreta no mesmo bairro que o meu, porém algumas ruas longe. No gramado da frente, seus irmãos mais velhos, os Stoll, estavam lá, mexendo em computadores e fazendo algo que ninguém se importava. Podia ver eu e Thalia sentadas ao lado de Luke enquanto ele fumava um baseado, nossas caretas de nojo eram claras enquanto ele deixava as cinzas do cigarro no meio-fio e voltava a fumar, como se fosse a melhor coisa do mundo. Demorou pouco tempo até que alguns garotos viessem em sua direção e um, mais alto e mais bronzeado – Percy.

Ele vinha com um sorriso e eu, naquele tempo, nunca tinha o visto antes.

– Ei, cara, preciso de você para fazer algumas... Paradas. – eu ouvia Luke dizer, era um murmúrio e a outra-eu parecia extremamente curiosa em relação a conversa deles

– Não é roubada, certo? Não quero passar minhas férias com meu pai no meu pé.

– Não é roubada. Só vamos conseguir mais algum pó e levar algumas coisas pro chefe.

– Luke...

– Acredita em mim, cara, eu sou seu amigo. Não ia me meter e te meter em encrenca, ok?

– Certo... É sua prima? – ele perguntou apontando para mim com o queixo

– Fica longe...

E a cena mudou drasticamente, novamente me senti perdida até outra imagem arrancar minha atenção. Eu fui jogada em uma praia, as minhas costas estavam grudentas e eu ria sem parar, eu queria ir para casa e tomar um banho, porém um corpo bem maior e bem mais pesado que eu me prendia naquela areia.

– Eu sei que sou lindo demais para você. – senti sua mordida em minha bochecha e suas mãos descendo pelas laterais do meu corpo

– Eu sou gostosa demais para você, idiota.

O garoto deu uma risada gostosa e tomou meus lábios contra o seu, espalhando mordidas e beijos molhados. Aquela garota – eu, no caso – adorava aquelas coisas.

Tudo desapareceu e eu estava em um banheiro luxuoso que eu não conhecia. Era uma casa, garanti para mim mesma, mas não era uma casa que eu conhecia. Em cima da mesa de mármore do banheiro tinha algumas carreiras de cocaína, eu estava deitada em uma cama de lençóis de seda, sonolenta, devidamente vestida, encarando aquela cena estranha e nova para mim: Percy debruçado sobre a mesa com um rolinho fino, aspirando as duas últimas carreiras com habilidade. Mexi-me, desconfortável fazendo um som estranho entre os lençóis.

– Por que acordou? – ele resmungou, o nariz vermelho e as mãos, antes, tremendo, pareciam estáveis

– E-eu...

– Volta a dormir. – mandou em um tom autoritário e novo para a outra-eu, saindo do quarto e trancando a porta ao fazer aquilo

O desespero tomou conta de mim.

Neste momento, eu tinha sido mandada para outro lugar. Parecia uma racha com vários carros caros e importados, eu e Thalia estávamos em cima de um carro velho, dançando com garrafas de bebida em nossas mãos e gritando alguma música sexy e velha de Britney. Eu podia visualizar os olhos verdes de Percy contra em mim enquanto conversava com um cara mais velho, um cara aterrorizante e que também me encarava, com o mesmo olhar de Percy: luxúria.

A cena mudou rapidamente, mas eu estava no mesmo lugar, em um lugar escuro, gritando, a garganta arranhada por pedir por socorro. Percy vinha rapidamente com uma arma idêntica a que eu tinha visto apontada para o cara que tentava me carregar. Ainda me debatendo, ouvi o tiro e então, eu estava caída sobre um corpo imóvel que sangrava muito na cabeça.

– Obrigada. – gaguejei

– Você tem que parar de se balançar quando eu for atirar. – reclamou e me ajudou a levantar

– Eu estava com medo, Percy. – abracei sua cintura, pedindo por consolo, senti sua mão afagando meus cabelos com leveza

– Eu sei. Estou aqui agora. Nada vai acontecer com você, eu juro.

Aquela garota tinha acreditado com todas suas forças naquele menino.

Um menino.

Finalmente, tudo ficou preto. E eu estava acabando de acordar de um surto, o que mais parecia um pesadelo, a cena de Percy fumando cocaína era a única que parecia não querer sair da minha mente, as outras pareciam típicas e normais. O fato dele ter trancado a porta... Eu estava ali, ele trancou a porta comigo dentro! Que tipo de idiota ele era?

Aliás, ele me salvou. Me salvou. Eu não estava acreditando que aquilo era real. Talvez, outro pesadelo que eu perdera. Aquilo realmente aconteceu? Era tudo tão... Perigoso. Impossível. Não real.

Assim que consegui abrir os olhos, e me encostar contra uma cabeceira de cama fria, percebi que não estava em minha casa.

Thomas estava ao meu lado, com óculos de grau – coisa que ele ficava ainda mais bonito -, shorts de surf e sem camisa, parecia ter sido tirado bruscamente de um lugar legal e de uma tarde de folga. Anotava coisas em sua prancheta e assim que me viu acordar, sentou-se em um banco baixo que havia sido colocado ao lado de sua cama.

– Onde estou?

Arrependi de falar no mesmo momento. Minha garganta arranhava, todo meu corpo tremia e eu tentei focalizar minha visão em algum lugar. E então, analisar o quarto.

Era de luxo, obviamente. A cama era confortável e eu havia sido enrolada em um edredom pesado, não vestia minha camiseta, apenas meu sutiã e não entendi o porquê daquilo. Meu corpo estava tomado por uma fina camada de suor e encarando minhas pernas, meu corpo, eu parecia uma doente. Afastei o edredom, tentando fazer com que a brisa quente que entrava das janelas chegasse até mim, por fim, aceitei o copo de água que Thomas me pedia para tomar.

– Está no meu hotel. – ele disse, calmo

Percebi a presença de Percy e Luke. O loiro estava com o ombro enfaixado, encostado na parede e me olhando com atenção. Percy tinha acabado de fumar um cigarro, percebi pelo cinzeiro ao seu lado. O moreno veio em minha direção, sentando-se ao meu lado e mesmo sem querer, me afastei dele. Seu rosto foi tomado por uma tristeza, rapidamente disfarçada, no entanto, ele ainda continuou sentado.

– Precisa de mais alguma coisa? – Thomas perguntou, chamando minha atenção ao tirar o copo vazio das minhas mãos

– Estou meio tonta. Onde está Thalia?

– Ela teve que dar alguma desculpa para sua mãe. – Luke respondeu – Você passou mal e achamos...

Você achou. Não me incluía. Eu sabia o que ela estava tendo. – Percy resmungou, sem encará-lo.

Franzi o cenho e virei-me para Thomas, pedindo por respostas.

– Os dois jovens aqui presenciaram o início de seu surto, Annabeth.

– E seu primo fodão achou que você estava tendo um ataque cardíaco por estar ouvindo um tiro. Até parece que ela nunca ouviu um. – Percy revirou os olhos

– É, eu ouvi. – cruzei os braços e encarei a imensidão verde pensando se deveria sentir o medo que senti quando ele me trancou naquele lugar ou a alegria de ver aqueles olhos quando ele me salvou – Vi que você mentiu, que você disse que não me conhecia e me conhecia! Que me trancou em um banheiro enquanto fumava uma porra de um pó! E... – travei, sentindo minha bile subir, forcei-a a descer, apenas de imaginar quantas coisas eu tinha vivido com Percy e não lembrava

Eu vivi com ele. E eu estava odiando não lembrar de todos os momentos. Porque, por mais que eu odiasse o fato dele estar me escondendo muitas coisas e mentindo, eu queria saber cada pedacinho dos momentos que passamos juntos, queria saber que sorrimos e passamos por coisas ruins e que superamos, como um casal de verdade.

E, claro, esfregar na cara de Rachel que eu sempre fora melhor que ela, afinal.

– Seu... Seu surto foi comigo? – ele perguntou, tentando trazer nosso contato visual de volta

Assenti, sem saber o que falar, queria me esconder e me encolher e ao mesmo tempo, queria me enroscar em seus braços e me esquecer que o conhecia.

– E por que você teve o surto quando... Teve o tiro?

– Você me salvou. – consegui falar e puxei meus joelhos, enfiando minha cabeça entre os mesmos, enfiando minhas mãos em meus cabelos e puxando-os

– Ei... – ouvi sua voz baixinha, sentindo meu corpo ser puxado rapidamente para seus braços

Estar entre eles era bom e quente. Eu estava atormentada demais para continuar chorando ou algo do tipo, então continuei encolhida entre seus braços, ouvindo sua respiração baixa e esquecendo-me que tinha mais dois homens presenciando aquela cena intima. Tentei me soltar de seus braços, porém o máximo que consegui foi não ser sufocada pelos mesmos e sentar-me de uma maneira que ainda conseguisse visualizar Thomas que nos olhava interessado.

– Quer contar como foi o surto em detalhes ou quer que eu trabalhe com o que você acabou de dizer?

– Foi basicamente isso. – dei de ombros, sentindo a carícia leve de Percy em minha coxa nua – E por que eu estou de sutiã?

Rapidamente, senti o braço dele tentar me cobrir e então, puxar o edredom até que eu estivesse devidamente coberta e ensopada de suor, de novo.

– Como está se sentindo, Annabeth? – Thomas perguntou, anotando mais coisas em sua prancheta

– Traída. Confusa... Não entendo porque me escondem isso.

– É para seu próprio bem. – Percy sussurrou em meu ouvido

– Vamos sair daqui. – Luke pediu, apontando para a porta – Hã, e você – apontou para Thomas – vai ter um jantar em uma hora, é melhor ir. E eu preciso falar com você. – encarou Percy e então, saiu

Meu psiquiatra entregou-me um moletom, o qual vesti rapidamente, seguindo meus dois seguranças ridículos.

– Diga a Atena que chegarei no horário e... É melhor se prevenir de altas emoções, Annabeth.

– Mas...

– Ela vai evitar. – Luke assegurou e fechou a porta enquanto seguíamos pelo corredor até alcançar o elevador

– Eu sei do tráfico. – murmurei, sentindo Percy se mover, incomodado ao meu lado – Vocês dois faziam o tráfico. – acusei – Quem mais sabe disso?

– Thalia não sabe. – Luke disse, parecendo orgulhoso com aquilo

– E você também não sabia. – Percy disse

– Vocês trabalhavam juntos. – senti o ar me faltar quando me dei conta daquilo – A vida de vocês estava em perigo.

– A sua vida e a de Thalia estão em perigo agora. – Percy me assegurou assim que entramos no elevador

Ambos estavam sérios.

Bufei e cruzei os braços, sentindo todo meu corpo fraco, como se eu tivesse corrido uma maratona.

– Vocês vão conta-la isso hoje. – decretei, sentindo a raiva sufocar-me novamente – E ao Nico.

– Aquele filho da puta sabe de tudo. – Luke resmungou

– E Thalia não precisa saber de nada.

– Claro que ela precisa. Se estamos em perigo, temos que saber, no mínimo, o porquê. E quem está nos colocando em perigo.

– Não é nada demais.

– Eu não quero saber! – gritei de uma vez e abaixei o tom assim que chegamos ao hall – Se vocês não me contarem, eu não sei o que posso fazer. Você – apontei para Percy quando saímos para a rua e eu era encaminhada para entrar em um carro que nunca tinha visto – mentiu para mim. E você minha vida toda para mim. Qual problema de vocês? E que porra de carro é esse?

Não recebi resposta, já estava sendo colocada no banco de trás com Percy ao meu lado e Luke dirigindo loucamente pelas ruas de Los Angeles. Afundei-me no banco não recebendo nenhuma resposta e ouvi Percy rir, beijando meu nariz.

Beijou meu pescoço e mordeu meu lóbulo, continuando a acariciar minha coxa com as pontas dos dedos.

– Estou feliz que tenha se lembrando de mim.

Mesmo que eu estivesse queimando de raiva daquele idiota, não consegui evitar sorrir. Meu corpo se arrepiou ao seu toque e as suas palavras.

– A culpa é sua por não ter me falado nada a todo esse momento.

– V-você... Vai além do que eu sinto por você, Annabeth. E tem muita coisa envolvida.

– Do tipo?

– Por que você acha que voltei para Hampshire? Por que acha que namorei a Rachel e por que acha que a amo tanto?

A última pergunta me acertou em cheio. Parecia que depois do surto, aquela necessidade de desejo, aquela atração doentia que eu sentia por Percy se intensificou, os toques dele pareciam valer mais e tudo parecia estar se encaixando aos poucos. O porquê de ele me tratar daquele jeito, o porquê de me repugnar.

– Parem de se amassar aí atrás. Ela é minha irmã, Jackson, e não quero vê-la metida com você.

Foi o suficiente para ambos ficarmos calado. Não entendi porque Percy o obedeceu logo agora, e não me atei muito a isso. Estava muito preocupada a entender como e porquê Percy tinha me repugnado todo este tempo.

Notas finais
Respostas dadas? Não, é, eu sei. Muita coisa. Lembrando que, para mim, é agora que a história que eu pensei realmente começa. Eu só queria deixar claro que: Annabeth vai ter que lidar com uma vida normal de adolescente além dos surtos, dessas novidades e de um novo perigo.