Nightingale.

21 These Words.


Notas iniciais
HERE I AM ONCE AGAIN SÇALKSASKÇA Capítulo totalmente dedicado pra Dressa, ou seja, MUITO OBRIGADO eu adorei sua recomendação tipo "leia a fanfic agora antes que eu te amo flw" AMEI AMEI SAÇLSKÇLAKSA Tá, eu não sei o que falar, portanto, leiam. Enjoy it!

"Thanks for the memories even though they weren't so great"

– E foi isso. – suspirei, mexendo na barra do moletom que Thomas havia me dado

Era aconchegante e cheiroso, principalmente agora trancada em um lugar artificialmente frio, sendo encarada por quatro pares de olhares adolescentes que, se quer entendiam o quão era torturante relembrar aquelas imagens que me atormentavam desde meu primeiro surto – o que fui obrigada a relatar para Luke, como um acordo.

– Certo... Eu sabia que você sofria de alguma coisa, mas... Você realmente esqueceu de tudo?

– Ela já disse umas trinta vezes que sim, Luke. – Nico resmungou

Thalia estava sentada ao meu lado, enrolada em um edredom verde, assim como eu que estava encostada ao seu ombro. Nas pontas opostas da cama, Nico e Percy estavam sentados, pensativos e só se pronunciavam quando queriam acrescentar algum ponto na história enquanto Luke era o responsável por fazer perguntas e me interromper a todo momento.

– Sinto muito se seu primeiro dia não foi tão impressionante quanto esperava. – minha prima acariciou meus cabelos, puxando meus ombros para si

– Tudo bem. – sorri, abraçando sua cintura – Agora, vocês vão nos contar que perigo é esse.

Os três se entreolharam, como se estivessem ponderando se deveriam ou não nos dizer algo que era sobre nós.

– Eu estou realmente indignada com essa idiotice de vocês. E eu não sabia que você participava do... Tráfico. – Thalia murmurou a última palavra, encolhendo-se – Eu estou tão cega quanto Annabeth agora.

– Bem vinda ao grupo, baby. – resmunguei

– Certo. – Nico levantou da cama e cruzou os braços, dando pequenas voltas – Vamos começar quando... Os pombinhos se encontram. – apontou para Luke e Percy que desviaram o olhar no mesmo momento

– Nós éramos amigos. – Percy concluiu, como se fosse algo óbvio

– Disso, eu sabia. – Thalia revelou, afastando-se de mim, tentando ficar confortável – Eu quero saber como e quando vocês entraram no tráfico. E porque nós estamos correndo perigo. E como vocês saíram facilmente do tráfico. E por favor, Nico, me promete que você não fazia parte desse caralho todo.

Os três ficaram calados, mordi o lábio, esperando por uma resposta, encolhendo-me ainda mais.

– Tá, ok, não vamos ficar calados a vida toda. – Luke começou e sentou-se derrotado na cama – Começa que eu precisava de dinheiro e eu estava de castigo.

Percy e Nico riram, o que me fez rir também.

– Seu gay. – debochou Nico

– Foda-se, magricela. Enfim, eu não podia receber dinheiro e tal, então como eu comecei a conseguir maconha e afins, falei com um tipo de... Subchefe. – falou, pensativo e abaixou a cabeça – É, subchefe. Ele me deu as drogas e eu só tinha que vende-las. Vocês não tem ideia de quanto um grama de cocaína custa. Eu só ficava com quarenta por cento de tudo e consegui ganhar sete salários máximos em quatro semanas.

– Salários máximos? – perguntei, franzindo o cenho

– É, tipo... – Percy começou e mexeu na nuca – Uns cinco mil dólares, acho.

– É, enfim. Eu convenci Percy a me ajudar a fazer algumas entregas e sem final feliz, fim da história. – cantarolou com um sorriso

– Luke... – Thalia resmungou

– Tá, ele conseguiu me convencer. – Percy continuou encarando algum ponto na janela – Eu comecei a ajuda-lo com as entregas e em pouco tempo, ainda nas minhas férias, conseguimos triplicar o número de compradores em menos de uma semana.

– Nada que um loiro gato e um inglês de merda consigam fazer em uma festa, hm?

Percy o encarou com raiva e revirou os olhos, tentando voltar a terminar o que estava falando.

– O chefe. O chefe de tudo, sabe? Gostou da gente, percebeu que tínhamos valor e podíamos ajuda-lo com tudo isso, então começamos a frequentar rachas e um monte de coisas.

– As rachas. – Thalia sussurrou – As rachas daquela rua e tudo mais. Era por isso que nunca podíamos ver a última corrida? Por que nunca podíamos ficar muito tempo lá nem chegar perto da boate?

Luke assentiu e estreitei os olhos. Percebi que eu não tinha mínima ideia do que seria essa boate, mas o fato de estar sendo agarrada pelos braços, procurando por ar, tentando salvar minha vida de um cara que eu ao menos conhecia me arrebatou.

– É. – Percy prosseguiu – E então, infelizmente, começamos a usar... Bem, pó. Estávamos entrando nisso tudo e queríamos saber o porquê das pessoas gastarem tanta porra de dinheiro em um grama de pó.

– E esses merdas ficaram viciados. – Nico resmungou – São duas cabeças ocas tentando dar uma de machão. Por favor.

– Olha, Di Ângelo, se eu pude dar um tiro nesse merda, eu posso muito bem dar outro em você, tá certo? – Nico se encolheu e lhe mandou o dedo do meio, Percy suspirou alto e balançou a cabeça – Enfim, sim, ficamos viciados, mas... Descobrimos umas coisas.

– Que vocês, agora, não precisam saber.

– Elas precisam, sim. – Nico se intrometeu e Luke o encarou como se pudesse esfaqueá-lo e arrancar cada parte do corpo sem dó – E não me olhe assim, porra.

– É melhor ficar caladinho porque você ainda não entrou nessa parte do conto de fadas, Peter Pan.

– Acho que elas precisam...

– Olha aqui, isso não tem nada a ver com a família de vocês. E outra, nós – Luke envolveu a si mesmo e os outros dois – podemos estar brigados e com raiva um do outro, mas vocês me prometeram que só iam contar essa merda quando eu tivesse o sinal verde. E não é agora.

– Foda-se o sinal verde. – me intrometi com raiva – Temos que saber dessa merda agora.

– Calada. – Luke me encarou om fúria – Vocês não vão dizer até que eu seja obrigado.

Por incrível que pareça, eles continuaram calados fazendo uma tensão pairar. Eu me sentia sufocada naquele lugar, com as janelas fechadas e a escuridão adentrando o quarto, pigarreei.

– E a história acaba assim? Vocês ficaram drogados e descobriram alguma coisa? – Thalia se pronunciou antes que eu xingasse alto

– Daí, seu pai morreu, meu pai descobriu tudo, fui obrigado a voltar para Hampshire, mas eu já tinha saído do tráfico há uma semana.

– Não. – contradisse – Você entra no tráfico fácil, mas não é tão simples assim para sair.

– É, não foi fácil sair. Foi...

– Perigoso. – Nico completou – Eu vim passar a última semana aqui com Percy e fomos fazer uma entrega na casa de um mauricinho em uma festa... Foi dois dias depois de eu saber tudo e ser bem mais inteligente nisso que eles decidiram sair.

– Por quê? – Thalia argumentou, curiosa demais para segurar qualquer palavra

– Porque nossa família começou a entrar em jogo quando não conseguimos vender o suficiente. As pessoas que nos importavam... Foi isso, é isso que vocês precisam saber. – Percy terminou e levantou-se

– Ei! – chamei de volta antes que ele saísse do meu quarto – Me digam uma coisa: como vocês contaram isso para o Thomas?

Luke sorriu, junto com Percy, como se trocassem um segredo.

– Ah, nada demais. Ele tirou suas próprias conclusões.

– E o que fazemos agora? Quero dizer, todo mundo sabe que vocês participavam do tráfico? – Thalia rebateu

– Não? – Luke disse como se fosse óbvio – Você realmente acha que se seus pais sonhassem que eu participei do tráfico, eles não me jogariam em um internato na Suíça?

– Ei, a Goode não é tão ruim assim. — disse

– Não importa. Ninguém além de vocês, agora, sabem disso. E é melhor manterem a boca fechada.

– Grosso. – resmunguei

– Ajam como se nada disso tivesse acontecido e...

– E como estamos correndo perigo? Era isso que vocês estavam brigando no beco?

Nico arqueou as sobrancelhas, confuso enquanto Luke e Percy se entreolhavam.

– Como... – Thalia tentou formular uma frase, mas foi interrompida

– Eles estão nos vigiando desde que chegamos. – Percy comentou – Chegamos aqui e tinha uns cinco circulando pelo bairro. Não saiam sozinhas, nem sonhem em sair sozinhas. Sam já foi avisado que vocês não podem sair sem ninguém.

– Sam sabe disso? – Thalia exclamou

Luke assentiu, como se fosse óbvio.

– E o que eles querem conosco? O que podemos dar?

– Nós. – Luke revelou – Vocês podem fazer com que voltemos para eles ou que sejamos forçados a... Bem, ou a morrer ou a voltar a vender... Ou sei lá, quem sabe o que se passa na mente daquele velho louco.

Percy e Nico riram.

A porta foi aberta subitamente, o que atrapalhou o riso dos meninos e aumentou o nosso pavor.

Afrodite adentrou o quarto, sentando na cama sem ser chamada e dando um suspiro dramático.

– Eu odeio jantares de família. – sussurrou

– Tudo bem, Dite? – Percy encostou a mão em suas costas descobertas por uma blusa talvez safada demais

– Ah, tudo, querido. – disse, tocando a mão no coração e fungando – Maaaaas, o que seria de nós sem a família? Hm? O jantar já está pronto e meninas... – ela nos lançou um olhar de nojo enquanto se encaminhava para fora do quarto – quero vocês com aquele... Ah, esqueci de dizer, eu comprei algumas roupinhas hoje à tarde. Deve ter um vestido muitolindo, claro. Thalia, tem um azul per-fei-to! E Annie, você vai se surpreender! E meninos, vistam algo decente, pelo amor de Deus.

– Dite, é só um jantar. – resmunguei

– Não é só um jantar. Argh, ninguém me entende nesta casa! – e saiu batendo a porta, voltando rapidamente antes que tivéssemos tempo de piscar – O jantar vai ser servido em meia hora.

E então, saiu definitivamente.

Pisquei o olho, confusa e encarei Thalia ao meu lado.

– Acho que vou passar minhas férias por aqui mesmo. – confessou – Provavelmente, vai ser mais adrenalina do que pensar em que horas não vou pegar meus pais agarrados na cozinha.

Ri baixinho, vendo-a desaparecer e Nico olhar para trás, provavelmente ansioso para segui-la.

– Hm, eu t...

– Vai logo. – resmunguei – E vê se agarra ela de jeito.

Nico me mandou o dedo do meio e saiu, apressado.

– Será que sua mãe ainda guarda algumas roupas minhas? – Luke perguntou

– Mesmo lugar de sempre.

E então, o observei sair de cabeça baixa, mais pensativo do que ultimamente.

Sobrou apenas eu e Percy.

Não percebi que ele me encara, parecia estar naquela posição tempo demais. Seu cenho estava franzido, assim como os lábios, as íris verdes me passando uma proteção inacreditável, algo que eu não lembrava de ter. Tirei o edredom de cima de mim, pronta para passar minha mão por cima de seu rosto, porém aquele simples movimento o fez tirar os chinelos e vir até mim.

– Pensei que iam ficar aqui por mais tempo. – murmurou, segurando meu rosto com as duas mãos

– Tenho que ir tomar banho e...

– Eu não sei se deveria me sentir assim, mas eu estou muito feliz por... Ter lembrado de tudo.

Sorri. Parte de mim queria ficar com raiva dele, mas como eu poderia ficar com raiva do cara que eu queria conquistar há meses? Era tão paradoxal.

– Você já disse isso. – acariciei sua nuca com carinho – E podemos terminar o que começamos mais cedo.

Ele riu baixo e puxou o moletom pela barra com velocidade e fúria, voltando com as mãos pelo meu corpo desnudo e enfiando as mãos em meus cabelos, puxando os ralos fios da nuca com força.

– Ei, calma... – pedi afastando-o com a mão no peito

Percy revirou os olhos e tirou a própria regata, meus olhos pousaram em sua arma presa na bainha. Aquilo me arrepiou, me fazendo encolher rapidamente e tentar ir para trás.

– Ei... Eu não vou te fazer nenhum mal, sabe disso, certo? – ele tirou a arma com calma e inclinou-se sobre mim, puxou a primeira gaveta do meu criado-mudo branco e enfiou a arma lá, trazendo uma camisinha, aquilo me fez dar um pequeno sorriso – Tá vendo? O máximo que posso fazer é isso. – balançou o pacotinho prateado no ar.

– Você me trancou no quarto... Por que fez aquilo?

– Eu estava drogado, Annie... – ele se aproximou de mim e pousou a mão em meu pescoço, acariciando-me com o polegar – Eu me arrependo tanto de ter feito aquilo e... Eu nem consigo me lembrar o porquê de ter feito aquilo. Me desculpa por estar se sentindo assim de novo.

– Por que você está sendo compreensivo? Por que está cedendo aos seus desejos desde que chegamos e...?

– Eu não sei. – confessou, deixando-se de se apoiar nos joelhos e cruzando as pernas – Essa cidade faz isso comigo, você faz isso comigo. E eu odeio saber que você tem esse poder. – brincou com o pacotinho brilhante entre seus dedos e suspirou – Bem, Califórnia tem esse poder.

– Eu não entendo...

– Certo, pequeno resumo: eu saí daqui por três dias depois da morte de seu pai, você estava completamente abalada, sem saber o que fazer e tudo mais... Quando vim pela última vez, algum trabalho do meu pai, você estava dando uma festa na sua casa porque sua mãe estava viajando, você estava bêbada e... Nem me conheceu. Eu senti tanto... Nojo, isso, nojo. Eu queria te odiar e esquecer você pelo resto da minha vida, mas você me atormentou cada segundo desde que havia chegado em Hampshire.

– E então, Rachel apareceu.

– Rachel apareceu. – concordou – Ela foi um anjo e acho que você sabe disso.

– Só não sei o porquê.

– Bem... Nós éramos amigos há muito tempo, ela me ajudou com a abstinência disso tudo... E de você. Eu sabia que ela gostava de mim, então foi o melhor meio que consegui para agradecê-la por tudo.

– Calma. – dei um riso nervoso e levantei a palma – Então, quer dizer que esse tempo todo que você vem beijando aquela ruiva e dando aquele joguinho de namorado preocupado era para me esquecer?

– Eu não dava joguinho de namorado preocupado.

– É, você parou com isso quando ela te deu um chute na bunda.

– Conversar com você é bem mais difícil do que eu me lembrava.

– Não. – pedi, dando um sorriso – Eu não acredito que todo esse tempo... Era eu. – sorri, abobalhada com aquilo

– Era você. – afirmou as minhas perspectivas

– Sinto muito. – comecei, engatinhando até onde ele estava e depositando um beijo em seus lábios que traziam um sorriso calmo – Sinto muito por ter feito isso com você...

– Consigo. Só fez as coisas serem piores. Se você não...

– Se eu não fosse fraca, talvez... Talvez, nós estivéssemos completamente apaixonados agora. Me diz uma coisa. – envolvi seu pescoço com meus braços, abrindo minhas pernas e sentando-me em cima de seu colo, pensativa – Nós transamos?

Percy riu, uma risada baixa e sexy do tipo que eu já me sentia em abstinência de não tê-lo.

– Não, garota. – resmungou e mordeu meu queixo – Você costumava gostar disso... – continuou mordendo meu queixo até chegar em meu lóbulo e sussurrar: — Ainda gosta?

– Gosto. – disse com voz entrecortada – Isso parece um sonho. – franzi o cenho – Como alguém pode perder a memória e em menos de um dia lembrar de... Um amor de verão?

– Isso parece coisa de novela mexicana. – Percy inclinou a cabeça para o lado, confuso – Sabe, aquela coisa de ficção que eu odeio.

– E eu amo. – beijei seus lábios – Estranho, parece que quando você sair daquela porta, vai voltar a ser aquele Percy irritante que eu conheci em Hampshire e não, o Percy que me salva.

– Eu sempre vou ser o Percy que te salva. Sempre. – murmurou e beijou meus lábios com voracidade, as mãos passeando pelas minhas costas e pela minha barriga nua, provocando-me arrepios que começavam a ser bastante conhecidos

– É estranho. – voltei a afirmar

– Eu só quero que você continue sendo essa Annabeth. – afirmou, ainda de olhos fechados – Não a Annabeth que foi comida pelo meu irmão.

– Que nojo! – gritei e pulei de seu colo, ficando em pé em cima da cama – Nem me lembrava disso, acredita? Mas, devo te dizer uma coisa... – sentei-me defronte à ele com um sorriso – Se você for tão bom quant...

Percy fez uma careta e me puxou pelas pernas, fazendo com que eu voltasse a posição anterior e suas mãos tivessem a liberdade de subir e descer pelo tronco, agora realmente desnudo já que ele havia tirado meu sutiã e começava a massagear meus seios com os dedos ágeis.

– Eu não quero saber disso, certo? E olha, pode apostar que eu sou bem melhor que aquele merda.

– Pelo menos, ele não foi um traficante. – tentei defender, porém me arrependi imediatamente quando aquelas palavras saíram de minha boca

– Ah, é? – Percy apertou as duas mãos com força ao redor de meus seios, fazendo com que um gemido bruto saísse de meus lábios e eu arqueasse as costas, pedindo por mais – O ex-traficante aqui foi convocado para um jantarzinho. Com licença, madame.

– Ei, não! De novo, não! Percy!

Era tarde quando ele fechou a porta com uma pose elegante e um sorrisinho debochado, joguei meu rosto contra o travesseiro, dando um grito frustrado, sabendo que a esse momento, ele deveria estar tão ou mais frustrado que eu. Busquei minha toalha com os olhos e entrei embaixo da ducha, em milésimos de segundos sentindo a água mais fria que o meu quarto, chocar-se contra minha pele.

As lembranças do surto ainda parando diante aos meus olhos e tudo aquilo, parecendo mais irreal do que eu poderia imaginar.

***

Jantar em família na minha família era um tanto... Estranho. Eu não segui as regras que Dite me disse: vestir uma roupa super elegante que ela comprou, porque tipo... Era minha família! Mas, eu já deveria saber que todos viriam com suas melhores roupas intocadas dentro do guarda-roupa. E bem, eu parecia uma mendiga londrina enquanto Thalia estava com aquele ar de californiana de sempre, ou seja, sempre sabia o que vestir, na hora certa.

Bem, aqui estava eu, com shorts rasgados, um casaco enorme e uma bota felpuda sem salto.

Assim que cheguei à sala e me deparei com minha mãe posta em um vestido longo cinza com um colar de pérolas, Afrodite com jeans tão justos que eu nem tinha ideia como tinha entrado nela e uma blusa perfeita, até Hera e May pareciam vestidas para um casamento com roupas elegantes.

Sentei ao lado de Thalia no sofá que remexia o líquido de seu copo com o canudo.

– O que tá acontecendo? – resmunguei, encarando seu copo – Onde está seu pai? Luke, os meninos...?

– Não sei. – ela deu de ombros – Eu estou achando isso muito estranho... – minha prima procurou algum olhar sobre nós e em seguida, virou-se para mim, amassando sua saia preta longa – Esse negócio de tráfico ainda não entrou na minha cabeça. Não parece certo e... O que é isso que Luke disse que Percy nem o Nico poderiam contar?

– Eu... Não sei. Eu estou tão absorta em relação a isso. – confessei, aproximando-me dela – Sabe... Eu não acredito em uma palavra do que eles disseram, quer dizer, tudo bem, eles poderiam ter sido traficantes, mas como eles esconderam isso de você?

– Eu não sei! Eu só achava estranhos aquelas idas para as rachas e às vezes, o Luke nos trancava em casa, mas eu só achava que ele estivesse com ciúmes de sairmos com os amigos dele. Nunca soube que tinha... Bem, essa proporção. Eu estou preocupada, Annie.

Franzi o cenho e ri.

– Thals, eles são ex... – baixei o tom de voz e suspirei – Ex-traficantes. Qual é...?

– Ah, querida, você acha mesmo que se algo muito perigoso não estivesse acontecendo, seu primo favorito contaria alguma coisa para gente? Principalmente o Percy! Ele nunca contaria isso para mim, nem para você, com certeza.

– O Nico contaria, certo? – ela balançou a cabeça e suspirei – Sabe, você está sendo dramática. Vamos tirar isso a limpo.

Segurei sua mão e comecei a empurrá-la sendo interrompida rapidamente por May e Hera.

– Aqui estão vocês.

Thalia revirou os olhos e cruzou os braços.

– Estávamos com tantas saudades!

A mãe de Luke, May, era um amor de pessoa. Longe de mim. Ela tinha olhos claros, bem parecidos com o de Luke, a pele de pura porcelana e os cabelos loiros-areia caíam lindamente sobre os ombros. Seu sorriso era contagiante, mas ela tinha uma mania parecida com a de Hera: sempre nos atrapalhar, o que para elas, era proteção maternal.

Porra de proteção.

Hera era mais sinistra, embora fosse muito linda com os imensos cabelos castanhos escuros e a boca carnuda com um batom vermelho berrante, que atrapalhava prestar atenção em seu vestido longo rosa escuro ou em seu rosto.

– Certo, mãe, qual a parte de conversamos depois a senhora não entendeu?

– Thalia, meu amor! Eu senti tanto a falta de seu carinho. – Hera abraçou a cabeça de Thalia com todo fervor

– É, mãe, eu também. – minha prima deu um sorriso mínimo, revirando os olhos, logo em seguida

– E você, Annabeth? O que andou aprontando por Hampshire?

– Hm, nada? – arqueei a sobrancelha – Bem, tia, eu estou definitivamente curada. Já posso voltar para Califórnia. – pisquei

– Isso não é conosco. – May sorriu e apertou minha bochechas – Por que você está tão magra, queridinha? Vou trazer três enormes vasilhas, certo? Certo, de cookies. Ainda gosta de gotas de chocolate ou prefere framboesas com chocolate?

Dei um sorriso amarelo, dando um olhar piedoso para minha mãe que me encarava risonha.

– Tanto faz, tia. Aposto que todos ficaram bem e hm, eu e a Thalia vamos fazer uma coisa e...

– O que vocês vão fazer? – Hera estreitou os olhos, encarando a filha como se ela fosse culpada do Big Bang ter acontecido

– Ei, por que vocês não vem provar essa torta que Dite comprou? Está divina! – era a voz de minha mãe sumindo por meio do corredor da sala de jantar

May e Hera soltaram alguns murmúrios, saindo com passos rápidos em direção a sala.

Supostamente, nossas opiniões sobre comidas de variados sabores e as saudades que elas tanto sentiam eram bem desprezíveis comparada a uma torta que nem sabiam que existiam.

– Ok. – suspirei e encarei Thalia – Onde eles provavelmente estariam?

– Cozinha. – disse, como se fosse óbvio

– Hã?

– Luke, cozinha... Homens, sei lá, homens sempre vão para cozinha.

Revirei os olhos e segui Thalia pelo caminho contrário da sala de jantar. Murmúrios desconexos podiam ser ouvidos, chegamos perto o suficiente para que eles pudessem nos notar e então, Thalia me puxar para um vão – desconhecido para mim – o que seria embaixo da escada.

– Eu não conheço minha própria casa. – resmunguei, me acomodando ao lado dela, tentando ouvir alguma coisa

–...e isso não pode acontecer. – era a voz de Zeus, o pai de Thalia, ele parecia estar bem mais sério que o normal – Vocês deveriam ter sido todos mandados de volta para Hampshire. Vocês estavam seguros lá.

– Não vamos fugir. Eu não vou fugir. – Luke tinha a voz decidida ao dizer aquilo – Nunca vou sair de Califórnia, e não importa o quanto aquele velho rabugento tente fazer. Meu avô pode nos ajudar.

– Filho, não o envolva nisso. Ele é bem mais poderoso na CIA e na Interpol que nós, o envolver seria... Afirmar que estamos traindo o país.

– País? – virei a cabeça, tentando reconhecer o dono da voz e percebi Percy com as mãos nos cabelos e um sorriso sarcástico no rosto – É só um merda de um velho que manda em um estado! Um merda de um velho que tem um monte de políticos ao seu lado, ele é um traficante, não entendem? Estamos fazendo um favor para a porra desse país.

– Jackson, as paredes tem ouvido. – Hermes o repreendeu

Thalia me encarou apavorada. Mexi os lábios deixando claro a palavra “Interpol”, ela negou com a cabeça, os olhos tão assustados e surpresos quanto eu deveria estar. Respirei fundo e apontei para a cozinha, avisando que eles haviam retornado a conversa.

– O ponto é que... – Nico parecia estar falando pela primeira vez, mexendo as mãos nervosamente, apoiado na pia, respirou fundo antes de continuar e levantou o olhar – vocês não vão nos ajudar, é isso?

Zeus e Hermes se entreolharam. Ambos mexeram a cabeça milimetricamente, parecendo derrotados.

– O que vamos fazer? Voltar para Hampshire? Isso já virou pessoal.

– Eu queria saber o que seu pai acharia disso, Perseu. – Hermes resmungou e levantou-se da mesa pequena de mármore onde estava sentado – Esqueçam isso, crianças. Algum dia, esse cara irá ruir. E não será por vocês, temos muitos agentes infiltrados em seu exército.

– Sabe de uma coisa, pai? – Luke virou-se, o rosto vermelho de raiva – É que eu não vou esperar os seus amiguinhos infiltrados fazerem alguma coisa. Enquanto isso, eu vou ficar trancado em casa, como você fazia com minha mãe? Não mesmo!

– E é o que você faz com suas primas! – o pai de Luke gritou, respirou fundo e voltou a falar com a voz controlada – Isso é uma ordem, Luke Castellan, não se meta nesse assunto. Você está terminantemente proibido de se envolver com isso.

– Isso vale para vocês, garotos. – Zeus disse com a voz equilibrada e ajeitou o paletó ao levantar-se

– Desculpe-nos, Sr. Castellan, Sr. Grace, mas não vamos voltar para Hampshire e muito menos, deixaremos isso de lado. Entramos nisso e faremos o possível e o impossível para derrubar o velho. Não é uma questão de liberdade, é uma questão de honra.

Zeus suspirou e balançou a cabeça.

– Isso é só uma brincadeira de adolescentes, Hermes. Eles vão perceber que não é tão fácil assim e quando vocês estiverem precisando de ajuda... – Zeus tirou um cartão do bolso dianteiro do bolso e entregou a Nico – Ligue para esse número com um celular descartável, entendido? Não queremos que nossos homens dentro disso se ferrem por causa de suas brincadeiras. Agora, aproveitem o jantar e tratem de aproveitar o mês de férias de vocês.

Antes que eu pudesse processar toda aquela conversa e começar a elevar teorias, Thalia já não estava na minha frente e tudo que vi foi ela na porta de saída da cozinha. Prendi o ar e tentei reaprender como se respirar.

– Você está os deixando sozinho contra o cara mais foda do tráfico? Que tipo de pessoa você é, pai?

– Fique fora disso, Thalia.

– Estou fora disso, pai! Mas você não pode fazer isso com eles. Tudo que querem é nos proteger, eu e Annabeth! Vocês precisam nos contar tudo.

– Não precisamos lhes contar nada, garota. – Hermes riu e beijou o topo da cabeça dela, em seguida, veio até mim e me abraçou – Não quero que vocês duas se metam nisso, entendido? Caiam fora dessa, aproveitem as praias, façam coisas que garotas fazem.

Em seguida, eles desapareceram, trazendo um tom mais divertido na conversa enquanto eu ainda estava parado, poucos passos fora do meu esconderijo. Os meninos calados, de braços cruzados, encarando qualquer ponto que não fosse nossos olhos enquanto Thalia andava de um lado para o outro.

Entrei na cozinha e respirei fundo, trazendo a atenção de todos para mim.

– Não vamos seguir a ordem deles, vamos?

– Vocês vão. – Luke avisou

– Sabe que não vamos! – Thalia gritou e apontou o indicador em seu nariz, fazendo-o recuar – Se você nos colocar fora dessa, vamos entrar de qualquer jeito! Vamos ser iscas fáceis, certo? É melhor nos colocar nessa merda antes que saíamos gritando por aí de quem somos filhas e de quem temos poder.

– Não é tão fácil quanto aparenta, amor. – Nico segurou-a pelo ombro, fazendo-a se afastar de Luke e então, segurou seu rosto entre suas mãos – Não vamos recuar, mas vocês precisam estar seguras para que façamos todas essas loucuras.

– E por que vocês fazem essas loucuras? – me manifestei, ainda assustada com aquilo tudo – Porque... Bem, porque vocês não deixam os homens deles trabalharem?

– Eles trabalham na CIA, tem conexão com a Interpol, sabe disso? – Percy levantou os olhos para mim, encostado em uma mesa de plástico que ficava ao canto da cozinha – Assim como meu pai trabalhava e é por isso que estamos envolvidos até o pescoço com isso, se o velho descobrir que tem homens falsos em seu exército, vamos ser os primeiros a sermos mortos.

– O que você tem a ver com isso? Seu pai não parou de trabalhar?

– Ele ainda dá informações. Ele... Bem, ele sente como se fosse uma obrigação de cidadão. Assim, como seu pai achava.

– Percy. – Luke resmungou

– Meu pai? – tentei me aproximar dele, mas Luke parou em minha frente, segurando minha cintura

– Muita informação, pequena. Que tal um bom banho e...

– Você não vai nos tirar dessa. – afirmei com força em minha voz e fuzilei os olhos azuis-gelo a minha frente – Você não vai fazer isso. Se eu tenho algo a ver com isso, eu quero participar.

– Você não tem nada a ver...

– Para de mentir! Chega de mentiras! Eu tenho amnésia, isso não quer dizer que sou idiota. – respirei fundo e percebi todos me encarando, mais uma vez, cada olhar trazia uma imensa carga de pena – Eu quero saber de tudo amanhã. Tudo. Vou... Vou subir.

Virei as costas.

Como meu pai achava? Percy estava totalmente enganado. Meu pai era um engenheiro louco que reconstruía aviões de guerra e tinha um escritório bacana, ganhava muito bem para fazer pesquisas. Era isso que ele era. Não um agente do país.

A cada hora, eu me sentia ainda mais perdida que o comum. E era meu primeiro dia em Califórnia.

Na verdade, eu mal poderia esperar como seriam os próximos.

Notas finais
Respostas dadas. CERTO? CERTO SAÇLKSAKSKA Eeeeeeei, mereço reviews, alright? Por favoooor, deixem reviews, eu agradeço desde já. OBRIGADA SÇALKSÇAKS Me animei com outro quase-lá de Percabeth. Bullshit quando eles vao tomar vergonha na cara e FINALMENTE chegar nos "finalmentes"? Love, xx.