Nightingale.
22 Check it.
Notas iniciais
"Step up to my level you need to grow a little taller"
Acordar era um sacrifício. Sempre foi e sempre será.
Sentada, tentando pentear meus cabelos molhados com o sol radiando energia por todo lugar do meu quarto, esperando minha prima falar alguma coisa enquanto me avaliava pelo reflexo do espelho.
Por fim, ela suspirou.
– Nunca pensei que diria isso, mas, dois pontos, sinto falta de Hampshire.
Ri da maneira que falou e terminei de pentear meu cabelo, virando-me para ela.
– Eu acho que eu também falaria a mesma coisa. O que aconteceu ontem depois que saí?
– Nada. Eles só ficaram discutindo que estavam cegos e coisas que eu não entendi.
– O que você acha que eles estão fazendo? Se... Bem, eu estava pensando, se seu pai e o tio Hermes são agentes da CIA e essas coisas, e eles, com certeza, não vão ajudar seus próprios filhos, como três adolescentes...
– Cinco.
– Cinco adolescentes vão conseguir deter o maior criminoso da Califórnia?
– Eu não sei. – Thalia riu e bufou – Bem, eles devem ter alguma ideia. Não são tão idiotas a ponto de saírem na cega.
***
– Nós não temos nenhuma ideia. – Percy confessou, encarando o mapa erguido a sua frente – Aqui é a casa do Jack. Essas duas quadras são cheias de homens, não importa para onde olhamos.
– Aqui... – Nico apontou para uma viela – Poderíamos entrar por aqui, talvez.
– Muito perigoso. – Luke negou e desenhou o dedo por trás de uma rua desconhecida a mim, fazendo um círculo – Não adianta invadir o território dele com homens dele.
Os observei discutir sobre como entrar ou chegar perto da casa do tal Jack que eles citavam, mordendo minha maçã distraidamente. Thalia parecia bem mais nervosa com suas uvas verdes, opinando vez ou outra, recebendo elogios por isso.
– Vocês são idiotas. – resmunguei, pulando da poltrona e me aproximando da mesa, deixando a maçã de lado – Como é que vocês querem invadir a casa do chefão sem um plano? Sem um plano B? Sem um plano C? E sem o plano reserva de cada um deles?
– Vem cá, você tem ideias melhores? – Nico sorriu, esticando-se para pegar a maçã
– Tenho. – dei de ombros – Vocês não tem nenhuma pessoa que seja próxima do Jack e próxima de vocês?
Os três me encararam, confusos.
– Quero dizer, alguém que seja confiável o suficiente para te fazerem entrar dentro do território dele sem parecer uma ameaça.
Nico gargalhou. Luke e Percy o olharam em silêncio, como se fossem capazes de sacar suas armas – que agora eu poderia vê-las na bainha da calça – e atirar em sua cabeça.
De certo modo, achei tudo estranho, mas venhamos e convenhamos, tudo desde ontem está sendo estranho.
– Eles podem matar vocês? – Thalia perguntou, inclinada sobre a mesa de mármore da sala de jantar
Pela primeira vez desde que descemos, notei a mesa bem feita que Mary tinha deixado, uma mistura de pães, sucos e frutas estavam expostas. Porém, ninguém além de mim e Nico parecia se importar com toda aquela comida boa.
A pergunta de Thalia fez Nico se calar e os outros ficarem mais sérios do que antes. Arqueei a sobrancelha e os encarei, buscando por respostas também.
– Pode. – Percy respondeu – E nós podemos matá-lo também.
– Vocês são adolescentes! Uns moleques de dezessete anos!
– Ninguém pediu para você entrar nisso. A partir do momento que sairmos daquela porta e vocês seguirem a gente, estará correndo o mesmo risco que estamos agora, ou seja, morrer. – o moreno defendeu em plenos pulmões
– E quem disse que elas vão nos seguir? – Luke revirou os olhos – Olha, cara, eu tenho duas primas metidas nisso. Duas primas que estão correndo perigo desde que colocaram o pé nesse estado...
– Foda-se, tá legal? Elas querem ir, deixem-na ir. Elas só vão desistir desse caralho quando verem que a coisa é barra pesada, que qualquer deslize...
– As coisas são fáceis para você, não é? Qual delas você se importa, uh, Percy? Voltou a brincar com Annabeth? Voltou a brincar de ser amiguinho?
– Ei, caras... – Nico tentou intervir, colocando as mãos entre eles, porém em um único movimento, Percy o afastou
– Você sabe que eu nunca brinquei com ela! Você sabe, não é? Você sabe que essa merda todinha só está acontecendo por sua culpa, então trate de fazer algo que preste e deixa-las fazer o que quiser, porque se for por idade, estamos na mesma bosta!
– Parem! – gritei, empurrando Percy pro lado e ficando de frente para meu primo – Está tudo bem, ok? Não vamos nos machucar e vai dar tudo certo? O que vocês acham de só terem uma conversa com esse Jack? Algo politicamente correto. Ajam como adultos que ele agirá como...
– Um assassino profissional. – Luke me interrompeu
– Foco. – Thalia bateu palmas com a boca cheia de pães doces – Gostei da ideia de procurar alguém confiável, por que você riu, Di Angelo?
Nico soltou um olhar sugestivo para Luke e Percy que bufara m e sentaram-se em suas cadeiras.
– Alex. – murmuram juntos
Percebi um olhar íntimo como de velhos amigos entre Percy e Luke, meio alegres e meio secretos. Ambos sorriram e desviaram os olhares.
Gays? Gays.
– Quem é Alex?
– Tem certeza que querem sair pela porta?
– Claro. – respondi, revirando os olhos
– Quem é Alex? – Thalia repetiu
– É arriscado. – Percy avisou – Ela pode estar recebendo mercadoria, ou recebendo dinheiro, ou com algum político, ou não estar a fim de nos atender.
– Ela não vai negar um atendimento para vocês. – Nico revirou os olhos, cruzando os braços
– Nico, tem anos.
– Não importa. – deu de ombros – Vão sair pela porta mesmo?
Assenti e peguei um cacho de uvas, saindo na frente.
O carro em que estávamos era blindado e assim que minha mãe soube que íamos sair, ela totalmente autorizou porque Nico e Percy estavam indo conosco. Além de quase gritar comigo dizendo que eu teria que estar em casa as quatro para uma consulta com Thomas. Na verdade, eu estava completamente esquecida da existência do meu psiquiatra gostoso.
Por fim, estávamos a muitas quadras de distância da minha casa, porém o estilo de luxo e nobreza continuava, era um bairro vizinho e se brincar, bem mais rico que o meu. Sam havia nos levado até a casa que Luke havia sugerido e desde que saímos da minha casa, todo um silêncio tenso havia pairado em cima de nós.
– Alguém vai ter que sair. – disse, percebendo a movimentação que estava a nossa frente
– Ela deve estar recebendo alguma mercadoria. A segurança dobrou. – Luke esticou o pescoço e suspirou – Vamos?
Rapidamente, o medo entrou em minha mente. E se não desse certo? Se essa Alex fosse uma louca e não os ajudasse em nada? Tudo apontava para dar errado, rapidamente, todo meu corpo estava agindo por impulso e adrenalina. Eu seguia Percy que havia me oferecido sua mão a qual eu agarrava com toda minha força.
– Medo? – ele sussurrou em meu ouvido, tentando tirar sua mão da minha – Ela não vai morder, garanto.
– Pode dar tudo errado.
– É, pode dar muito errado. – Percy beijou minha testa e puxou sua mão da minha enfiando no bolso – Hm, não podemos mostrar qualquer ligação, certo? Tudo é motivo de... Ponto fraco, sabe? – ele fez uma careta estranha, caminhando atrás de Luke
Assenti com um sorriso mínimo vendo-o seguir adiante com Nico e Luke que conversavam com um segurança.
– Se eu falar que estou me mijando de medo, você acredita?
Foi inevitável não dar uma gargalhada, o que atraiu os olhares – raivosos – dos meninos e olhares curiosos dos seguranças, que começavam a nos olhar com interesse. Rapidamente, me recompus e todos voltaram a conversa séria que estariam tendo.
– O que acha que pode estar aí dentro além de uma mulher muito rica? – perguntei, revirando os olhos
– Olha... – Thalia apontou para algum ponto dentro da mansão, onde um jardim grande, aberto e rasteiro se erguia
Estreitei os olhos e pude ver bastantes homens rondando a entrada que se fazia por degraus curtos, o problema é que esses homens carregavam armas de todo porte. Agradeci mentalmente por eles também estarem armados, alguns homens esticavam o pescoço, tentando ver a movimentação nova que estava ocorrendo por aqui, mas no final, todos continuavam em seus lugares, rodando ou fazendo qualquer outra coisa com suas armas enormes.
– Eu acho que eles não estão conseguindo. – franzi o cenho, observando a cena: Percy mexendo nos cabelos e colocando as mãos nos quadris, o que passou a me significar problema
Não esperei a resposta de Thalia e comecei a andar na direção delas, provavelmente ou não, ela estaria do meu lado. Fiquei ao lado de Nico e o segurança mudou o olhar dele para nós.
– O que essas crianças est...
– Elas estão com a gente, cara. – Nico disse – A Alex nos conhece, só viemos fazer uma visita para ela. Relaxa.
– A Sra. Albuquerque não quer receber nenhuma visita.
– Ela está ocupada... Hm, com algumas daquelas coisas?
O segurança olhou para Luke como se ele estivesse pedindo para morrer, senti um arrepio passar pela minha coluna no momento que o cara grandão apertou ainda mais a arma que estava escondida em sua cintura. Será que as pessoas não viam isso quando passavam?
– O sobren... Ah. – Nico deu um grande sorriso – Ela se casou com o Senador Albuquerque, é... Eu lembro dela ter dito algo quando nos falamos. Olha, não se preocupe, se nos deixar entrar, não vai acontecer nada contigo... Somos velhos amigos da Sra. Albuquerque.
Percy e Luke encararam o moreno como se ele fosse o Sherlock Homes, porém tudo que Nico fez foi ampliar o sorriso, mandando o melhor jeito de convencer o segurança.
Respirei fundo e apertei os lábios.
– Olha aqui... – segurei o braço que o segurança estava segurando a arma, dando um sorriso aberto e esperando que meu decote estivesse aberto demais para ele ver algo – Precisamos muito falar com a Alex. Ela é uma amiga de longa data e...
– Eu trabalho com a Sra. Albuquerque há mais de dez anos e nunca a vi por aqui, senhorita.
– Internet. – tentei dar um sorriso convincente – Você pode, por favor, dar um jeito de f...
– Luke, cara!
Um garoto, aparentemente a mesma idade que nós, saiu da mansão. Os cabelos ruivos extremamente bagunçados caíam sobre a testa, tinha algumas cicatrizes perto do olhos esquerdo e um sorriso alegre no rosto. Ele estava com uma mochila, parecia pesada, mas deu um abraço de urso no ruivo.
– O que está fazendo aqui, cara? – Luke perguntou com um sorriso de “salvos”
– Seu motorista? – o ruivo apontou para Sam que estava fora do carro, observando tudo – Melhor o mandar dar um fora, daqui a pouco vamos receber uma mercadoria então... Vaza, velho. – ele fez um movimento com as mãos que fez o Sam franzir o cenho
– Ei. – reclamei, segurando sua mão – Não fala assim com ele, tá? Nós já podemos ir embora...
– A ideia foi sua. – Percy resmungou ao meu lado e sorriu – E aí, Ethan!
– Garanhão Jackson de volta? É isso mesmo que estou vendo?!
Ambos riram e fizeram um jogo com as mãos, mexi os lábios pedindo para Sam ir embora que rapidamente balançou a cabeça. Luke fez o mesmo movimento e depois de uma batalha sem som, ele levou o carro para o fim da rua.
Ao me virar, Nico, Percy e o ruivo já estavam em uma conversa alegre.
– Sério? Eu pensei que vocês nunca iriam voltar, sabe, Nico, você tem que pegar aquelas gatas que você deixou por aqui.
– Ele tem namorada, pessoa desconhecida. – Thalia segurou seu braço – Vocês já resolveram isso ou eu e Annabeth vamos ter que dar em cima do segurança de novo?
– Oi, prazer, segurança. Podem dar em cima de mim. – o ruivo pediu com um sorriso de lado
– Ethan, não. – Luke balançou a cabeça – Minha prima, Annie, lembra?
– Annabeth? – ele arqueou a sobrancelha – Cara, meu sonho é te pegar! Sério, se ainda estiver fazendo aquelas festas, e...
Percy deu dois “tapinhas” fortes em seu peito com um sorriso cínico no rosto.
– Ethan, não. – repetiu
– O que? Mas ela...
– Olha, garoto, você vai nos ajudar ou não? Eu posso até parecer uma puta, mas eu sei usar esse lado para coisas melhores que você, então...
– Pode usar essas coisas em mim? – ele deu mais um sorriso grande e Nico riu
– Vamos, cara, pode nos levar para Alex?
– Voltou a trabalhar por aqui? – Luke perguntou antes que Ethan pudesse dizer se poderia nos ajudar ou não
O ruivo apenas assentiu e acenou para o segurança grandão que estávamos falando antes.
– John, meus convidados! Abram os portões!
E então, saiu a nossa frente, conversando com seguranças e pedindo para abrir alas. Segurei a mão de Percy e puxei-o rapidamente para baixo.
– Quem é ele?
– Um velho amigo. Relaxe, ele não vai tocar em você. Nem mexer com você, novamente.
– Não estou com medo disso. – resmunguei enquanto subíamos os degraus curtos, sentia o coração batendo fortemente contra meu peito – Quero saber se ele é confiável.
Percy encarou o ruivo que abriu a porta, deixando Luke entrar com uma brincadeirinha bem gay e rindo, logo em seguida.
– É, ele é. Ele nunca nos colocaria para dentro se fosse uma emboscada.
– Certeza?
– Está com medo? – bufei e o senti afagar minha cabeça, soltando minha mão e a enfiando no bolso – Eu estou aqui, certo? Vai dar tudo certo.
E então, apontou para frente com a cabeça, pedindo para que eu fosse primeiro.
Com um suspiro, obedeci. À minha frente, Thalia e Nico estavam de mãos dadas enquanto Luke ria de alguma coisa que Ethan tinha acabado de falar, nos aproximamos dele.
– Eu vou chama-la. Talvez, ela tenha tomando um daqueles banhos loucos dela. Volto rápido, não fujam. – e sumiu pela escadaria central
– Quem é ela? – Thalia perguntou novamente
– Ela é uma mulher... – Nico começou, recebendo um tapa dela – Qual é? É a verdade. Muito generosa, aliás. Ela trata o Percy como se ele fosse o filho dela.
Luke aproximou-se de nós e deu dois tapas nas costas de Percy, amigavelmente.
– Uau, cara, se ela te trata como filho, sou seu padrasto, valeu?
Fiz uma careta de nojo e em segundos, deu para entender quem era essa Alex.
– Que nojo, dude. – Percy se afastou de suas mãos com um sorriso – Não vamos nos distrair, ainda pode ser perigoso. Quero dizer, já estamos correndo perigo.
Decidi ignorar aquela conversa máscula sobre quem tinha pegado quem e observei a sala. Um enorme espaço praticamente vazio. Tinha poucos sofás vintage espalhados longe de uma escada no centro com degraus largos e curtos, eu conseguia ver corredores amplos que seguiam por algumas portas e então, nada poderia ser visto.
Alguns minutos depois, Ethan desceu com uma mulher de roupão. Ela tinha um sorriso doce enquanto gargalhava das brincadeiras que ele estava fazendo, sua pose ao descer das escadas era elegante e quase automaticamente refiz minha postura, todos pareciam prestes a se curvar diante dela, porém assim que ela pisou o pé descalço no carpete, aparentemente limpo demais.
– Meus meninos. – ela disse com um sorriso grande, aproximando-se de Percy e Luke – Pensei que nunca mais os veriam juntos.
E então, rodeou os braços firmes em seus pescoços, apertando-os contra as curvas de seus ombros, ambos abraçaram levemente sua cintura e senti um ciúme possuir meu corpo porque eles eram meus meninos. Meus.
Seus cabelos loiros eram alguns tons mais escuros que o meu e estavam presos em um coque forte e redondo ao topo de sua cabeça, seu sorriso era doce e se ela esticasse a perna um pouco mais para o lado, eu poderia ver seu útero.
– Quem são essas meninas fofas? Não me digam que elas são...
– Minhas primas, A. – Luke falou com um sorriso grande
– Ethan, meu amor, você poderia pedir para alguém trazer donuts e alguns... Vocês preferem chá ou café?
– Café, por favor. – Nico pediu
– Um bule de café, leite, creme... Tudo, pode ser?
– Sim, senhora. – Ethan deixou a mochila no canto da sala enquanto passava para um corredor ainda no térreo
Estranhamente, Alex deu duas palminhas e mordomos brotaram do chão trazendo uma mesa de madeira e colocando-a diante de nós com cadeiras acolchoadas para todos, nos obrigando a sentar enquanto Alex sentava no extremo da mesa, fazendo o papel de anfitriã.
No máximo, foram cinco minutos que se passaram até que eu me recuperasse do susto e uma toalha de mesa verde estampada caísse por cima da madeira e então, mais mordomos surgissem com quatro bules de café e outros potes pequenos cheios de coisas que eu desconhecia.
– Eu pedi para preparar alguns cookies para meu marido... Peçam para trazê-los, por favor. – Alex deu um sorriso para o mordomo que deveria ter uns vinte e cinco anos
Esse deveria ser o motivo da sala não ser decorada.
Vi Ethan sentar-se ao lado de Luke no lado esquerdo enquanto eu estava entre Nico e Percy, tentando passar códigos para Thalia que nem sequer arriscava uma olhada rápida para mim.
–E então, o que devo a honra das presenças desses meninos?
– Queríamos saber se está tudo bem. – Luke deu um sorriso grande – Soubemos que você se casou com o Senador Albuquerque. Nem nos chamou para o casamento, uh?
– Ah, sinto muito, meus amores. – ela deu um sorriso alegre e sincero – Sabe, foi bem familiar e tudo mais, quase ninguém fora da nossa família foi. Não queríamos que a mídia descobrisse nada.
– Sei como é. – meu primo disse, bebendo o café que fora posto em sua xícara de porcelana
Encarei o líquido preto e adicionei creme, tentando fazer com que se parecesse com o café de Thomas, pelo menos, ele me passava uma segurança e não a imensa confusão que se passava na minha cabeça. Comecei a mexer com uma colher pequena e pesada, tentando prestar atenção na conversa e não em meus pensamentos confusos que mudavam de foco rapidamente.
– Eu fico feliz que Percy e Nico tenham voltado para Califórnia. Vão passar muito tempo aqui?
– Ah, não. – Nico respondeu – Só as férias. Estamos... Resolvendo algumas coisas.
Um mordomo surgiu com uma bandeja incrivelmente cheia de cookies de diferentes sabores deixando no meio da mesa e colocando dois em pratos do mesmo conjunto de nossas xícaras, deixando em nossa frente. Vi Ethan comer rapidamente seus biscoitos e esticar-se para buscar mais. Tosco.
– Hm. – Alex bebericou seu café, nos encarando por cima da xícara – Algo perigoso? – balançou a cabeça – Vocês nunca vão mudar, não quero que se metam em encrenca dessa vez. Não posso me meter nessas coisas.
– Você parou de receber as mercadorias de Jack?
Alex encarou Percy com raiva e bufou, deixando a xícara de lado e mordiscando o biscoito com extrema elegância.
– Claro que não, meu amor. Eu preciso ganhar meu próprio dinheiro, mas ei... Vocês são Thalia Grace e Annabeth Chase, certo? Awn, eu conheci vocês quando vocês eram uns bebês.
Me entalei com o café quente, sentindo-o descer rasgando pela minha garganta e queimar todos meus órgãos.
– Quantos anos você tem? – minha prima perguntou tão assustada quanto eu
– Ah, não são muitos. – deu um sorrisinho
Essa velha tinha feito sexo com meu possível namorado... Não namorado, mas foda-se. Com meu primo e namorado, e se tinha me visto nascer, tinha visto Luke e todos os outros e fez sexo com eles. Que tipo de pedófila ela é?
– Vocês continuam lindas, meninas. Podíamos fazer algumas compras qualquer dia desses, o que acham? Não se preocupem, é tudo por nossa conta.
Balancei a cabeça.
– Hm, acho que estaremos ocupadas demais. Vou tentar achar algum espaço livre. – dei um sorriso forçado
Luke me mandou um olhar zangado, provavelmente me pedindo para calar a boca, mas Alex só riu.
– Estarei esperando, hein? Mas, enfim, sinto ter que avisar, mas os minutos de nosso pequeno encontro está sendo contado. Tenho que receber algumas visitas... Não tão agradáveis quanto a de vocês, claro.
– De fato, queríamos lhe pedir uma coisa, Alex. – Percy deixou a xícara no lugar de antes e percebi que ele estava forçando seu sotaque britânico mais uma vez, não consegui definir se aquilo me irritou ou se o deixou ainda mais sexy – Hm, precisamos fazer com que Jack não nos mate. Talvez, você pudesse conversar com ele.
– É, aquele velho ainda guarda remorsos porque decidimos largar o tráfico dele...
– E acabamos com o tráfico por um tempo aqui na Califórnia. – Luke completou
– E quase o colocaram na cadeia. – Alex sorriu ao dizer – Bem, não sei se isso de tentar falar com Jack daria certo. Só se... Bem, o tirassem do território dele.
– Como vamos tirar aquele velho de lá? Ele só anda de cadeira de rodas e às vezes, ele anda sozinho e olhe lá.
– Eu posso ajudar com isso. – Alex estalou os dedos algumas vezes e outro mordomo apareceu – Pode trazer minhas vitaminas, querido? Obrigada.
– Vitaminas? – Thalia arqueou a sobrancelha
– Você está grávida? – perguntei
Alex sorriu e assentiu, parecia chorosa e feliz ao mesmo tempo.
Os meninos se remexeram desconfortáveis e Ethan riu.
– Eu vou ser o padrinho, não é, Alex?
– Querido, não faça inveja à eles.
– Não acredito! – Luke riu – Eu posso te dar um abraço agora mesmo e te apertar toda! Meu Deus, você continua gostosa pra caralho.
Ele não esperou a resposta dela apenas foi ao seu encontro, apertando-a em seus braços enquanto Alex ria e batia em seu ombro.
– Isso é totalmente injusto. Pode ficar sabendo disso, Alex. Até porque eu fui seu primeiro garoto, então eu tenho total direito de ser padrinho dessa criança. – Percy resmungou com um sorriso, ajoelhando-se ao lado dela – Podemos ver a barriga?
Eu provavelmente devo ter ficado roxa, azul, branca... Porque no final, apenas eu e Thalia continuamos sentadas, sendo ignoradas por todos aqueles moleques que queriam ver a barriga dela e tudo por nossa culpa.
E qual é dessa “eu fui seu primeiro garoto?”. Ele acabou de esfregar na minha cara que transou com ela? É isso?
Respirei fundo e contei até dez, calmamente.
Eu tenho que aprender a ficar calada.
A loira assentiu e tirou o roupão ficando com um sutiã de renda – que dava para ver todo seu seio – e uma calcinha de renda também.
– Você continua em uma perfeita forma. – Nico sussurrou alto o suficiente para Thalia amassar o guardanapo em seu colo
– Totalmente. – Percy concordou e passou a mão por sua barriga levemente cheia – Quantos meses, Alex?
– Três meses. Ele ainda é um bebezinho.
– É um garotão? – Luke perguntou, também passando a mão pela barriga dela
– Ainda não sei, meninos. Querem tocar também, meninas?
Balancei a cabeça, furiosamente. O que essa mulher tinha? Na verdade, ela tinha muita cara de inimiga, como podíamos confiar em alguém que tinha algo a ver com Jack e que se resolvia com ele? O que esses moleques burros tinham na cabeça?
O mordomo voltou trazendo uma bandeja prateada com um copinho apenas com uma vitamina e um copo de água enorme.
– Se tudo der errado, só vou voltar para Califórnia para ver esse garotão. – Percy beijou a testa dela, abraçando-a pelo ombro, voltando a sentar-se ao meu lado
– Sentem-se, vamos. – Alex pediu com um sorriso, voltando a colocar seu roupão – Ethan, você vai ajudar os meninos com tudo isso?
O ruivo nos encarou e deu um sorriso.
– Desculpe, Alex, não posso deixa-los se divertir sozinhos.
Ela balançou a cabeça assim que tomou o comprimido e continuou sorrindo.
– Vocês juntos de novo. Ethan, se precisar de homens, sabe onde encontra-los. Meninas, vocês vão ter que participar disso fervorosamente, certo?
– Hm, Alex, queríamos deixa-las fora disso.
– Por quê? – ela revirou os olhos – Comecei minha vida com essa idade, dezesseis, certo?
– Dezessete. – corrigi
– Tanto faz. Elas vão fazer vocês conseguirem o que querem, Luke. Certo, escutem, esse sábado, um senador muito importante vai dar uma festa, uma lei foi aprovada e muita verba desviada, então para disfarçar, eles vão fazer essa festa. O plano é prático e fácil já que a presença de Jack já está confirmada.
Todos sorriram, mas eu ainda estava voando nisso tudo.
– Vocês podem se disfarçar de garçons. Vão ter tantos e essa gente nunca olha para os empregados. – Alex suspirou e terminou seu café – Bem, aqui está a ideia. Do jeito que vocês vão desenvolver é o problema de vocês. Me surpreendam, me façam ter orgulho.
Novamente, com a mesma pose elegante que havia descido as escadas e bebido todo seu café. Ela levantou-se da cadeira com um sorriso largo, estalando os dedos duas vezes, só percebi que era para retirada da mesa quando apenas minha xícara e o pires continuou em minhas mãos, e quando um mordomo educadamente, segurou meus cotovelos para retirar a cadeira acolchoada. Beberiquei o mais lentamente possível meu café e deixei nas mãos de outro mordomo que esperava pacientemente.
– Da próxima vez que forem me fazer uma visita, me liguem antes... Vocês poderiam estar encrencados agora. Chaster! Por favor, quero a garagem pronta em poucos minutos e o subsolo também. Não quero aquela podridão de pó na minha sala.
Do mesmo jeito espetacular e fascinante que havia aparecido, pude ver Alex desaparecer ainda no térreo em um corredor depois da escada.
– Então, é só isso? Temos três dias e meio para organizar como invadir uma festa de alto porte e fim?
– Não vamos falar disso aqui. Nem agora.
Fui puxada pelo seu braço em meu ombro, seu humor aparentemente bem melhor em comparação ao que tinha chegado.
E para mim, eu ainda tratava aquela mulher como minha inimiga número um.
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