Nightingale.

38 Too Young For Love.


Notas iniciais
Eu tive que revisar esse capitulo tipo em trinta segundos antes de ir trabalhar pq eu tinha lido ontem mas eu tava tao chorosa que nem me liguei nos erros entao se tiver algum erro me avisem por favor ENFIM DSDSLÇK EU TO MUITO CHOROSA GENTE O PERCY DSLDÇLSKDÇS Primeiro e último pov do Percy então aproveitem pq nunca mais vai ter pov de ninguém awn crying

"Cause I'm made for you, and you for me, baby now is time for us, trying to keep it all together but enough is enough"

Eu estava desesperado. Totalmente. Desde que ela apagara no carro, eu vinha pensando o pior. E eu não sabia o motivo de todo aquele sangue que parecia sair de todo seu corpo. Verifiquei seus batimentos assim que chegamos ao hospital, estavam fracos, mas estavam ali.

Uma médica baixinha de cabelos escuros nos atendeu, levando Annabeth para dentro de algum lugar que não me deixaram passar quando eu segurava sua mão.

Eu ainda tive que me manter são a ponto de responder as perguntas que a recepcionista me fazia – perguntas banais como o nome dela.

E então, me ligaram. Era Thalia.

O que ela me disse me deixou ainda mais apavorado. Ela ainda tinha a voz fraca, o que fazia parecer que ela resmungava, disse que Nico havia avisado do sangue e perguntou se ela havia se cortado. Tipo... Como assim? Ela me informou que ela fazia isso com frequência um pouco antes da morte de seu pai.

Depois disso, eu estava muito mais desesperado. Juntando o fato de que a única pessoa que eu confiava, Nico, não poderia estar comigo (e isso soou bem gay), eu iria ter que me conformar com qualquer pessoa que viesse.

Enchi pela milésima vez meu copo com o café puro e ruim da sala de espera, bebendo em poucos goles e voltando a enchê-lo novamente. Deveria ser por isso que eu não conseguia sentar e esperar como qualquer pessoa normal.

E o que mais me irritava era o fato de que há dois dias atrás estávamos correndo na casa do maldito Jack e agora, estávamos aqui... Eu queria gritar contra o céu e perguntar se não podíamos ter um minuto de descanso, apenas curtir a praia e minha nova namorada como qualquer cara faria se estivesse na Califórnia.

Mas eu não era um cara normal, já deveria ter me acostumado com isso.
Em um minuto, eu via Luke atravessando a recepção da urgência, em outro, eu sentia minhas costas baterem contra a parede e eu nem conseguia me mexer, porque talvez, eu merecesse morrer espancado. Ele, sim, protegeria Annie mesmo que ela fizesse birra.

– Que merda você fez com ela? Eu vou arrancar essa merda no meio de suas pernas e vou te deixar morrer lentamente se...

– Cala a boca. — vociferei, empurrando seus ombros para que ele me soltasse

Luke ameaçou um soco, porém pareceu repensar quando eu revirei os olhos e voltei a encher meu copo térmico.

– O que aconteceu? E se...

– Eu não sei o que aconteceu, babaca. Ela estava lá, tomando um banho e depois só ouvi seus gritos. Fim.

– Fim? Fim?! — ele gritou, passando as mãos pelos cabelos

– É, o fim. — tentei parecer calmo enquanto bebericava meu café, andando de um lado pro outro

– Você é um imbecil mesmo. Como ela entrou lá?

– De roupa?

– Olha aqui, — novamente, ele me empurrou contra a parede — minha prima está correndo risco de vida lá dentro enquanto você está dando essas respostinhas idiotas.

– E você não acha que estou preocupado? — estreitei os olhos — Você acha que eu estou totalmente calmo por eu estar ali quando tudo isso aconteceu e não poder ter feito nada? Luke, você mais que ninguém sabe o quanto eu gosto de sua prima, então me acusar de estar calmo enquanto ela pode estar morrendo, soa bem paradoxal, não acha?

Luke respirou fundo e me soltou, massageei meu pescoço encarando suas costas com certa raiva e louco para ter minha arma ali, assim eu poderia acertar sua nuca e talvez, metade da minha irritação teria se esvaído.

– O que você acha que ela fez para... Para isso?

– Thalia me disse que ela se cortava... — comecei — Eu não sabia, então...

– Ela não faria isso.

– Se ela fazia isso antes, dude, ela pode muito bem continuar fazendo.

– É por isso que ela não te merece, você não confia nela.

– Como posso confiar nela se...

– Se a ama tanto, deveria confiar. — me interrompeu – Esse é o princípio básico do “amor”.

Saltos ecoaram pelo corredor, fazendo nossa conversa parar imediatamente. Uma enfermeira rechonchuda nos encarou com um misto de carinho e raiva.

– Senhores, não façam barulho, por favor. Vocês deveriam rezar para que Deus perdoe os pecados da pessoa que vocês esperam.

Arqueei a sobrancelha e encarei Luke que sorria irônico, nos entreolhamos e assentimos, fingindo rendição. Não sabíamos o dia de amanhã, talvez algum dia, possamos precisar de ajuda, de verdade. Como por exemplo, eu poderia estar muito machucado e precisaria de uma enfermeira que não fosse me denunciar, talvez ela pudesse fazer isso.

– Desculpa, senhora. — disse, baixando o olhar

Ela sorriu e fez um movimento indiferente, voltando a seguir seu caminho.

– Conseguiu falar com Ethan?

Luke desabou no sofá branco que parecia bem desconfortável, apoiando os cotovelos nas pernas e enfiando a cabeça entre as mãos.

– O máximo que eu consegui foi um "estou ocupado". O tempo está acabando e estamos sem saída. Meu pai está voltando, bem, ele disse que vai tentar mandar uma equipe da inteligência, mas não é nada certo.

– Quando ele chega?

– Essa semana ainda. Sabe... Estou começando a achar que tentar falar com Jack foi pura tolice.

– E foi. — admiti — Só vamos ter que arcar com as consequências. Mais uma, na verdade.

– Mais uma. — saboreou a frase e virou-se para mim — Ela pode estar se sentindo culpada pelo que aconteceu com Thalia. Quer dizer, elas estavam juntas.

– Eu falei isso com ela, mas... Ela parecia aliviada até.

Luke suspirou pesadamente enquanto eu brincava com o resto de café do meu copo.

Poucos minutos depois, a mulher de cabelos escuros apareceu vestindo uma roupa verde escuro junto com a touca que cobria parte de seus cabelos. Ela retirou as luvas com sangue, jogando-as em um lixo que tinha antes de atravessar a porta da urgência, passou por nós indo a recepção e voltou logo em seguida com uma prancheta branca.

– Responsáveis por Annabeth Ch... — parou no meio da frase ao perceber que apenas dois adolescentes mal vestidos esperavam por notícias dela — Onde estão os pais de Annabeth Chase?

Encarei Luke, pedindo por ajuda, mas ele parecia ainda mais calmo enquanto digitava no celular.

– A mãe dela já está vindo, só...

Da recepção, dois seguranças entraram, atrás uma mulher com um vestido longo de verão exibindo a barriga de grávida de poucos meses, um lenço estampado cobria seus cabelos e óculos escuros escondiam seus olhos, no antebraço carregava uma bolsa meio quadrada, dando um sorriso abatido ao nos ver.

Alex. Salvadora da pátria. Anjo para todas as horas.

– Olá, Luke. Percy. — disse cordial, deixando o lenço cair e revelar seus cabelos tão dourados quanto de Annabeth — Sou Atena, mãe da paciente. — ergueu a mão, apertando cismaticamente a mão da doutora — Perdão por não poder tirar os óculos eu estou com aquelas doenças bobas, sabe? E acabei chorando assim que recebi notícias da minha filha, então meus olhos não estão da melhor maneira.

– Tudo bem, eu sou Doutora Mackenzie, prazer, Sra. Chase.

Alex meneou a cabeça, séria. Ela realmente tinha encarnado em Atena ou?

– O que aconteceu com minha filha? Estou tão preocupada e...

– A senhora está grávida, certo? — Alex esboçou um sorriso e assentiu — Suspeito que tenha que chamar o pai da paciente, é aconselhável que...

– O pai dela morreu. — Luke se pronunciou — Eu sou o primo dela, então se...

– Quantos anos tem, garoto?

– Dezessete, dois meses pra dezoito.

– Eu aguento, doutora. Eu... Tenho certeza que minha filha está bem.

Mackenzie tentou sorrir em solidariedade, mas pareceu uma careta. Respirou fundo enquanto analisava a prancheta e nos encarou.

– A Srta. Chase estava grávida.

O mundo de todos pareceu se abrir diante daquela afirmação. Grávida. Meu Deus. Ela estava grávida e provavelmente, ou total certeza era de mim. Um filho meu.

Tentei respirar, mas todas as conversas que tivemos sobre ter filhos, vinha como flashes na minha cabeça.

Eu simplesmente tinha esquecido meu nome ou onde estava ou o que merda eu estava fazendo ali enquanto Annabeth carregava um filho. Meu filho.

– Perseu. — Luke vociferou e se não fosse Alex, segurando seu ombro, eu certamente estaria apanhando no chão

– Estava? — Alex perguntou, aproximando-se da médica — O que aconteceu com o bebê?

– Assim que deu entrada no hospital, não havia chances de que pudéssemos salva-lo. O útero da paciente é bastante frágil, por isso a qualquer impacto ou esforço, principalmente nos primeiros meses, acaba sendo fatal, muitas vezes para a mãe também.

– Ela está bem? Ela está viva, não está?

Mackenzie me mandou um olhar feio, mantendo sua postura enquanto analisava sua prancheta novamente.

– A Srta. Chase perdeu bastante sangue, conseguimos utilizar o sangue que tínhamos no estoque, então peço que, ao final, doem sangue. Mas... Seu quadro está estável agora. Ela está reagindo bem aos medicamentos e a qualquer momento pode acordar.

– Então, basicamente, ela perdeu o bebê e teve uma hemorragia? Por causa de uma queda? — Alex argumentou, parecendo realmente preocupada

– Sim, será mais difícil ela ter um bebê agora e se tiver, precisará seguir cuidados rigorosos...

– Tudo bem. Quando poderei ver minha filha?

– Assim que assinar alguns papéis, senhora. Siga-me, por favor.

Alex virou o rosto, como se pedisse um pouco de paciência e calma, era difícil entender com aqueles óculos de sol escondendo seus olhos. De qualquer maneira, ela seguiu Mackenzie.

E meu mundo ainda continuava aberto.

Eu não tinha ideia da proporção que era perder um filho. Porque nunca passou pela minha cabeça ter um filho tão novo... Se ela tivesse me falado, comentado comigo sobre qualquer suspeita... Nada disso teria acontecido, ela estaria bem... Comigo. E agora ela estava deitada em uma maca de hospital e eu nem ao menos poderia vê-la.

– Grávida? — Luke veio para cima de mim novamente, o que pareceu normal desde que ele chegou — Você engravidou minha prima?!

– Você não ouviu? Não ouviu que ela perdeu a criança?

– E ainda por cima, nem liga para a uma vida perdida. Quer dizer, seu pai já tirou tantas, uma a mais ou a menos na família Jackson não fará muita diferença.

Segurei a gola de sua camiseta, trocando a posições, deixando meu indicador contra seu rosto.

– Meu pai está totalmente fora disso. Esse filho era meu. A Annabeth é minha. Vamos resolver isso depois e não precisamos de você para nada além...

– Além de que? Uh? Além de tudo?

Alguém pigarreou atrás de mim. Respirei fundo antes de soltar Luke e virar-me para uma Alex aparentemente irritada e uma Mackenzie, confusa.

– Aqui está sua identidade, Sra. Atena.

– Obrigada. — Alex respondeu e a guardou na bolsa, franzi o cenho

– Vou verificar como está sua filha e em instantes, peço para que entre, tudo bem?

A loira assentiu e ainda com aqueles seguranças parados ao lado da sala, ela sentou-se como se estivesse tudo bem e estivéssemos em sua casa, prontos para um chá da tarde.

– Eu quero saber o que aconteceu.

– Ela foi tomar banho e...

– Ela foi tomar banho com o quê? Ela não cairia do nada.

– Não sei, ela só foi tomar banho e... Não... A carta. — bati em minha testa — Burro, burro, burro!

– O quê? — Alex ajeitou-se melhor no sofá, acariciando a barriga

– Ela entrou com uma carta! Uma carta que a empregada levou...

– Mary?

– É! Droga, depois disso... A carta deve estar lá ainda.

– Eu vou ligar pro Nico. — Luke saiu da sala, digitando em seu celular enquanto eu continuava me martirizando

– O que vocês vão dizer quando a mãe dela, de verdade, descobrir isso?

– Ela não vai descobrir. — assegurei

Alex me encarou como se eu fosse um louco, pelo menos, é o que indicava pela paralisia de seus movimentos e sua boca estagnada em um "o".

– Como assim? A filha dela está correndo perigo! Isso é apavorante para uma mãe, sabia?

Sentei ao seu lado, com pressa, segurando suas mãos.

– Olha, Alex, se a Atena sonhar que estamos aqui... E que a filha dela estava grávida... Bem, de mim, você nunca mais me verá. E... Bem, a mãe dela não sabe de nada disso. Provavelmente, nem imaginava que seu ex-marido era agente da CIA.

– Claro que...

– Não, ela não sabia. — confirmei — É sério, eu juro.

– Por que... Mas, como... Como vocês...?

– Nós vamos esperar a hora certa e... Muito obrigado por ter nos ajudado, você sempre é um anjo.

Ela afastou suas mãos das minhas e fungou.

– Isso é tão errado. Atena vai descobrir e...

– Quando ela descobrir, estaremos livre daquele velho, curtindo nossa viagem para o Caribe.

A loira tentou um sorriso fraco e acariciou minha bochecha.

– Você merece tanta coisa boa. Não deveria estar metido nisso, querido.

– Eu já estou metido nisso. — sorri

Mackenzie nos interrompeu, deixando uma enfermeira para nos guiar até o quarto.

– Estamos esperando o Luke. Só espere um pouco. — ela pediu

E a enfermeira ficou lá, feito um encosto.

– Sabe alguma coisa do Jack?

– Nada que vocês não devam saber.

– Já tirou o deputado disso?

– Ah, ele não mexe muito com essa parte errada... Sabe?

– E você?

– Bem, até vocês se livrarem de Jack, eu continuarei recebendo as cargas. Para ele, é bem mais fácil e mais discreto. Ninguém vai pensar que a mulher do deputado recebe as cargas. E muito menos, ele que manda.

– Isso vai mudar, prometo. — afaguei sua cabeça e sorri, vendo Luke chegar

– Foi ele.

– Jack? — Alex perguntou, levantando-se em um pulo

– Foi aquele velho... — o loiro encarou a enfermeira meio assustada com sua chegada abrupta — O que está fazendo aqui, minha senhora?

– A enfermeira, Luke. — avisei — Pode nos levar até ela?

– Um de cada vez. — disse com a voz baixa e quase correu para o corredor que nos levaria para os quartos

Deixamos a mulher magra ir à frente, enquanto Luke se acalmava com um copo de café forte.

– Ele assinou com o nome completo, Jack Jones. Isso é uma afronta? — ele não nos deixou terminar — Eu vou matá-lo com as minhas mãos. Ele... — respirou fundo, bebendo um gole favorável de café — Quem ele acha que é? Ele fez minha prima... Minha prima levar malditos choques por minha culpa e agora, a minha outra prima perde um filho. Em que mundo ele vive? E que maldita vingança é essa?

– Senhores, aqui. — a enfermeira indicou um quarto com números grandes, 365 — Ela está muito debilitada, então aconselho tentar falar com ela... Bem, se ela acordar, por favor, acionem o botão vermelho. Alguém vai dormir com ela, por hoje?

– Sim, eu. — me prontifiquei

– Deixe seu nome na recepção, por favor. Estarei aqui, por enquanto, verificando a entrada. Meu nome é Sheila.

Alex tentou mais um sorriso antes de virar-se, respirar fundo e entrar no quarto. Eu não saberia dizer se ela estava confusa, enjoada ou algo parecido, quer dizer, ela estava grávida e tinha vindo nos ajudar em um hospital em que ela estaria em poucos meses. Ela nem poderia passar por emoções fortes e estava aqui. Definitivamente, eu amava aquela mulher.

Luke não me afrontou nem me culpou, continuou bebendo seu copo enorme de café enquanto eu encarava a porta branca e via o tempo passar lentamente.

– Se você vai dormir com ela, é melhor ir a casa. Pegar algumas roupas.

– Eu estou bem. — lhe assegurei sem desviar o olhar

– É sério, cara, só estou...

– Tudo bem, obrigado.

Ele voltou a se calar. Depois do que pareceu anos, Alex saiu com o lenço na cabeça, deixando a entrada de Luke autorizada.

Ela sentou-se ao meu lado, apertando meu joelho.

– Assim que derem a alta para ela... Me liguem, eu dou um jeito de vir assinar.

– Tudo bem, mas... Droga, Atena vai chegar hoje e...

– Meu Deus! — Alex quase gritou, diminuindo a voz assim que percebeu o olhar assustado da enfermeira sobre si — O que... Ela vai passar a noite aqui, a mãe dela vai desconfiar.

– Alex... — sussurrei, tendo um plano falho — Nico e Thalia estão na casa dela, sabe onde é? — assentiu — Bem, você poderia passar lá e levá-los a casa de Zeus? Ele nem a esposa estão lá, então Atena teria que acreditar que a filha havia dormido lá para...

– Cuidar da prima. Ótima ideia. Se ela quiser ir ver as duas...

– Manda o Nico se vestir de Annabeth e fingir que está doente.

– Sério? — ela juntou as sobrancelhas, ligeiramente confusa

– Sério.

– Você não está brincando, está?

Neguei com a cabeça, abafando um sorriso.

– Tudo bem, eu irei fazer isso. Posso te ligar, certo?

– Sempre que quiser.

Alex assentiu mais uma vez, como se tivesse que acreditar inteiramente no plano e levantou-se. Falando sozinha enquanto descia o corredor deixando apenas o som oco de seus saltos ecoarem por algum tempo.

Luke saiu poucos minutos depois.

– Ela acordou. — avisou para enfermeira — Foi por uns cinco minutos, ela voltou a dormir novamente, tem algum problema?

Sheila não respondeu, entrando no quarto em um vulto e saindo em outro. O loiro sentou-se ao meu lado, pensativo.

– Ela está bem? O que ela disse?

– Algo sobre ser culpada. — sussurrou — Não sei se ela está bem.

– Pode... Hm, pode parecer muito louco o que eu vou falar agora, mas... Não deveríamos chamar o psiquiatra dela?

– Boa ideia. Só não quero fazê-la.

– Vamos deixar para amanhã.

– Concordo.

Voltamos ficarem silêncio, os médicos já haviam chegado e disseram que tudo estava bem. Luke levantou-se e suspirou alto.

– Assim que ela acordar, me liga.

Assenti e o vi desaparecer.

Era minha vez de entrar.

O quarto em que ela estava era o típico quarto de hospital chique. Acabei percebendo que Alex pagou o hospital, assim que foi "assinar" os papéis, na verdade, me senti extremamente mal por não ter ajudado a pagar. Ou seja, meu lado "gentleman" de novo. Sorri. Ao canto um sofá, como de costume, desconfortável, já estava calculando quanto eu andaria com ele para deixá-lo perto da maca. Poucos passos depois, via-se a cama do paciente.

Annabeth estava deitada, inerte, os lábios brancos e os cabelos espalhados pelo travesseiro branco, usava uma daquelas roupas brancas e um lençol fino que lhe cobria até o peito. Alguns aparelhos ajudavam-na a respirar e várias agulhas estavam impregnadas em seu braço. Acariciei os ralos cabelos que estavam na testa. Se eu tivesse insistido mais um pouco para ficar com a carta... Eram tantos "e se..." que eu poderia me perder na minha culpa. Não tinha mais volta, era isso e pronto. Ela tinha perdido o filho e não tinha como voltar atrás.

Não era o fim. Só tinha que superar.

Provavelmente, ela nem sonhava nisso. Nem sonhava que estava grávida, e deveria ser esse o motivo de sua confusão quando a peguei nos braços. Suspirei, arrastando o sofá para perto de sua maca.

Ótimo. Visita com o vovô Cronos, cancelada. Mãe Atena gostar de mim, cancelada. Annabeth perder um filho, surpresa. Continuei acariciando seu braço, coberto por tubos cheios de remédio. Encarei o relógio do outro lado da cama. Cinco horas da tarde. Quanto tempo esperamos para o que quer que os médicos estavam fazendo terminasse? Quanto tempo eu estava aqui sobrevivendo de café ruim e puro?

Apoiando minha cabeça na parte livre da cama, deixei meu corpo descansar o máximo que ele poderia descansar, sentado de mal jeito em um sofá branco enquanto minha cabeça estava em uma colchão fino e minhas mãos desciam e subiam pelo braço dela.

E eu precisava dela.

Era ridículo admitir que mesmo vendo-a transar, e quando digo transar, quero dizer que ela realmente estava fazendo sexo com ele no espaço da escada, eu estava aqui. Apavorado, desesperado e preocupado com uma garota que só me dava problemas. Depois de ter me adaptado a vida monótona de Hampshire, aceitado que nada daria certo na minha vida além de um pai quase-presente e carinhoso, uma madrasta que me adorava e um irmão que me odiaria pelo resto de minha vida, ela tinha que aparecer. Ela tinha que me assombrar de novo e de novo até que isso virasse um circuito fechado.

Suspirei pesadamente, vendo sua pele se arrepiar em uma das minhas carícias. Eu precisava dela, como eu precisava do meu cigarro matinal ou de um café forte no final da noite. Eu não queria entender aquilo, eu me recusava a sentir qualquer coisa por ela que não fosse um desejo incontrolável de tê-la. Era como se eu quisesse sempre lhe dar a vingança, mas quem saia fodido era eu. Sempre.

Era um círculo vicioso e não tínhamos como sair dali. Quer dizer, ela tinha, porque ela sempre saia.

Encarei seu rosto pálido mais uma vez, perguntando-me se isso seria uma doença ou algum tipo de amor que ninguém encontrara.

Só poderia ser doença.

Uma doença que provocasse prazer, delírios, ciúmes e várias coisas consigo.

É, uma doença. Delírio.

Trouxe seus dedos, fazendo-os ficar rente aos meus lábios e beijando cada um.

Eu precisava alimentar meu vício, precisava do remédio da minha doença. Com criança ou sem criança.

Ela tinha que estar ali, em algum lugar, comigo.

Notas finais
CRYING ADEUS EU NAO SEI O QUE FAZER DPEOIS DISSO DEU SOMEPCSDNCLKNCJKNCDS Tá, reviews?? Please???? Vamos aguardar calmamente vocês deixarem seus reviews para que eu continue, ok? Thank you, babies. Xoxo