Nightingale.

39 I'm stuck here.


Notas iniciais
THESE DAYS JUST AINT THE SAME I MISS THE STORM WEATHER IM NOT OKAY THREE THOUSAND MILES AWAY TCHAU TCHAU TCHAU EU NAO TO BEM VCS NAO TAO ENTENDENDO É MINHA MUSICA COM ESSE CAPITULO JUST MEANS THE WORLD TO ME CES TEM NOÇÃONAOOOO

"Three thousand miles away feels like it's forever, seems like yesterday, we're running 'round town together, these days just ain't the same"

Algo apitava. Como aqueles equipamentos de hospitais que medem seu batimento cardíaco. E me irritava muito. Mas eu não tinha nem forças para abrir os olhos, quem dirá fazer com que aquilo parasse.

E então, eu sentia como se estivesse no surto pela segunda vez.

Meus olhos jorravam lágrimas enquanto eu tentava gritar, mas nada saía da minha boca além de gemidos doloridos, eu tentava pedir desculpas para meu pai ou dizer eu te amo enquanto pulava da janela e meus joelhos pareciam gelatina, os carros negros vindo em minha direção e então, eu estava correndo, afundando sobre as ondas geladas, vendo, estática, a casa se fundir em chamas.

Por causa do meu isqueiro. Por causa de mim. Eu era a culpada. E finalmente, tinha me dado conta disso.

Eu deveria morrer.

Seria puro egoísmo deixar minha mãe sozinha, deixa-la desamparada como ela ficou quando se separou do meu pai, sem chão... Mas quem diria que eu não poderia acender o isqueiro de novo, fugir e deixa-la morrer? Ela tinha que se proteger de mim. Ela tinha que fugir de mim.

Respirei fundo.

Admitindo para mim mesma que qualquer coisa ruim que viesse poderia me levar, eu continuei ali de olhos fechados, aproveitando a escuridão... Mas nada aconteceu.

O equipamento continuava a apitar, algo incomodava meu nariz e alguém respirava pesadamente ao meu lado.

A culpa ainda me consumia quando abri os olhos, tentando me sentar, gemendo dolorosamente.

E então, alguém segurou minha cintura, me ajudando a apoiar as costas contra a cabeceira da cama. Suspirei de dor e levantei os olhos.

Percy parecia mais magro. Os olhos fundos denunciavam que ele não havia dormido muito bem, a parte esquerda do seu rosto estava vermelha, marcada pelas dobras do lençol, seus olhos piscavam frenéticos, procurando qualquer erro, por fim, ele acabou sorrindo, acariciando desde o topo da minha cabeça até meu queixo.

– Está bem? Quer que eu chame a enfermeira?

Neguei com a cabeça, focando meus olhos no equipamento que batia aceleradamente agora, o que era bem constrangedor.

Percy sentou-se no espaço vazio ao meu lado, levei meus olhos até seus cabelos bagunçados caídos pela testa. Estalei os dedos e tentei respirar calmamente.

– Quer me dizer o que aconteceu...? O que tinha naquela carta?

Minha garganta pareceu se fechar. Fechei os olhos, voltando a respirar com calma, tentando controlar toda aquela sensação horrível que não parecia deixar meu corpo.

Meu pai.

Mordi o lábio inferior e balancei a cabeça.

– Você está... Frágil ainda, certo? – Percy perguntou, parecendo estar com medo

Revirei os olhos.

– Eu estou falando sozinho e isso não é legal. – reclamou, aproximando-se

Ele inclinou-se tentando me dar um selinho, mas abaixei a cabeça e tentei desviar nossos olhos.

– Tá. – ele bufou, batendo as mãos no bolso e descendo da cama, enfiou as mãos nos bolsos dianteiros e ficou me encarando – É melhor eu chamar a enfermeira, certo?

Balancei a cabeça, novamente.

– E o que você quer que eu faça?

– Me abraça. – pedi, minha voz saiu arranhada, como um sussurro tenebroso

Percy estreitou os olhos, seus passos foram lentos, como se estivesse contando uma eternidade até voltar a sentar-se ao meu lado, os braços sendo passados calmamente por cima de meus ombros e então, nossos corpos estavam juntos enquanto eu controlava os tremores e as lágrimas voltavam a desabar sobre minhas bochechas.

– Vai ficar tudo bem, eu juro. Juro... Você confia em mim, não confia? – sua voz trazia um tom desesperado, como se a qualquer momento pudesse chorar comigo – Só preciso de você. Só de você. Eu juro que tudo vai ficar bem, eu juro... Eu...

Assenti em meio ao seu abraço, deixando mais lágrimas caírem sobre seu ombro desnudo e então, senti seu corpo tremer junto com meu, seus ombros levantando-se rapidamente enquanto soluços baixos escapavam de sua boca. Apertei sua cintura, sentindo seus braços apertarem mais meus ombros ao tempo que chorávamos juntos.

Como dois bebês desamparados. Perdidos nesse grande mundo.

Podia ter passados segundos, minutos ou horas desde que estávamos abraçados, chorando... Para mim, foi uma curta eternidade onde podia sentir seus músculos se tencionando contra meu corpo e aproveitando cada segundo com ele.

Quando pareceu tempo suficiente, me afastei de seu corpo, voltando a sentar-me. Percy sentou ao meu lado, por cima dos lençóis, colocando um braço em volta de meus ombros e encarando o mesmo ponto fixo da parede que eu, sua respiração ainda estava rápida, seu rosto, vermelho, mas ele passou as costas das mãos finalizando qualquer vestígio que estivesse chorando.

– Quer falar agora?

– Aposto que você já sabe.

– Na verdade, só sei que foi... Ele que mandou.

Suspirei, apertando seus dedos no canto do meu ombro esquerdo.

– Eu tive um surto... – aninhei minha cabeça ao seu peito, sentindo seu carinho em meu braço – Eu... Sei como meu pai... Morreu. – engoli em seco, controlando as lágrimas de caírem novamente – E foi minha culpa. Totalmente minha.

– Não foi sua culpa, você precisa parar de se martirizar, Annie... – começou, mas balancei a cabeça

– Eu o deixei para morrer sozinho. Minha mãe conseguiu sair... – estreitei os olhos – Eu consigo lembrar dos paramédicos me pegando, da minha mãe chorando com parte do braço quase queimado...

– Eles não te deixaram ver seu pai. – encarei-o de lado, vendo-o engolir em seco – Não deixaram porque você poderia desmaiar, queriam te proteger... Eu também queria te proteger.

– Então, você viu meu pai?

– Isso não vem ao caso.

– Percy. – inclinei-me, sentindo minha barriga e minhas pernas doerem, no entanto, apenas encarei seus olhos vazios – Você o viu?

– Você não precisava vê-lo. Seu pai era impressionante. Uma semana antes dele... Bem, morrer, nós estávamos em uma pizzaria... – ele sorriu lindamente, virando os olhos para mim – Você consegue lembrar?

Balancei a cabeça, negando.

– E então, ele disse – riu, baixinho –, ele disse que não importava se uma pessoa tinha ido embora ou morrido, acho que ele estava falando da minha mãe, bem, ele disse que nada disso importava. A única coisa que importava quando deixamos de ver uma pessoa com frequência são as coisas boas que ela pode nos trazer, as boas lembranças, não as coisas boas que deixamosde fazer. Ele disse algo do tipo “Foque nas lembranças positivas, e as que você não fez, faça para outra pessoa”.

– Eu não lembro disso. Isso... É tão frustrante... Consegue entender?

– Eu só não quero... Nem ele queria que você se culpasse, Annie. Assim como ele, eu só quero que você entenda que se culpar não vai levar a nada. Eu me culpei tanto pelo desaparecimento da minha mãe e... Só fui encontra-la agora.

– Pelo menos, ela estava viva. – resmunguei, sentindo mal logo depois

Ele não pareceu se importar, apertando seu braço ao redor dos meus ombros.

– Eu te entendo. E... Espero que fique bem.

Assenti, aninhando-me novamente ao seu peito quente.

Ficamos em silêncio por algum tempo, eu procurava desesperadamente por um relógio, mas não conseguia achar nenhum por ali.

Pareceu mais alguns minutos até ele quebrar o silêncio.

– Annie... Você sabia... Sabia que estava grávida?

Apertei os olhos, tentando controlar minha respiração e apertando minha mão em sua coxa.

Tentei parecer relaxada ao assentir a cabeça.

Levei minha mão aberta até minha barriga, tentando sorrir ao encará-lo – mas ele não estava sorrindo.

– Sim, eu... Estava esperando a hora certa, me desculpe...

Ele fechou os olhos, respirou fundo e voltou a encarar a parede.

– Você deveria ter me dito antes, nós poderíamos...

– É, eu sei, me desculpe, eu só...

– Você perdeu o bebê, meu amor. Eu sei, sei que são muitas informações, mas...

Eu tinha parado de escutar.

Eu tinha acabado de me dar conta que a morte do meu pai era culpa minha. E mais algo se colocava no pacote: eu nem podia segurar uma vida dentro de mim.

– Annie... – Percy segurou meu rosto entre suas mãos – Me escuta. Eu estou aqui. Nós vamos passar por isso... Vamos voltar para Hampshire e...

– Eu quero morrer. – sussurrei

– Não. – sua voz foi determinada, seus olhos estavam tão frenéticos quanto antes, me avaliando – Nunca mais repita isso. Você não pode ser egoísta a esse ponto, Annie. Você precisa superar.

– Mais? O que mais eu tenho que superar? Até quando eu tenho que ser forte? – eu já estava chorando novamente – Até quando, Percy?

– Até quando a vida te obrigar. – ele segurou meu rosto com força – Até quando for preciso. Você não pode se deixar levar pelo que Jack lhe disse. Se você cair agora, você vai estar perdendo. Quer se sentir humilhada? – neguei, segurando meus soluços com um morder de lábios – Você não pode cair. Você tem que superar. Ok? Eu estou aqui. Seus primos, seus amigos... Estamos aqui. Te ajudando.

Respirei fundo e suspirei.

A porta do meu quarto se abriu, revelando minha mãe.

Ela parecia irritada.

Percy pulou da cama, o rosto novamente vermelho e ajeitando a roupa rapidamente.

– Sra. Chase, eu...

– O que você acha que estava fazendo?!

– Tia! – Luke entrou, ficando entre Percy e ela – Calma! Eu sei que pode parecer...

– Você... – ela apontou para Percy – Você traiu minha confiança. Total. Eu só ainda o deixo na minha casa porque prometi ao seu pai, mas você, garoto, você não presta. Olha o que fez com minha filha!

– Mãe. – tentei gritar, mas não saiu muito bem

– Annabeth, fica calada! – ela baixou o tom de voz e voltou a encará-lo – Saia agora! Luke, leve-o.

– Tia, você nem sabe...

– Os dois, calados. Saiam.

– Sra. Chase...

Ela não esperou por resposta, apenas abriu a porta, e apontou para fora.

Percy olhou por cima do ombro e me lançou um sorriso confortante. Tentei sorrir, provavelmente saiu como uma careta e então, eles desapareceram quando a porta foi fechada.

– Mãe, você não pode fazer isso!

– Eu posso fazer o que eu quiser... Minha filha, olhe como você está! Olhe em que eles te meteram...

– Em que eles me meteram, mamãe? O surto só... Foi... Bem, surpreso demais. O banheiro estava molhado, eu fiquei tonta e caí.

– Só isso? – minha mãe franziu o cenho – A doutora disse que você estava passando mal e tinha perdido... Perdido um bebê. Annabeth, você estava grávida. Grávida. Consegue entender isso?

– Mãe, eu acabei de acordar e eu sei o que é estar grávida.

– É, você estava grávida. – ela acariciou minha testa – Você poderia ter morrido. E estava grávida de quem? De um Jackson.

– Você traiu meu pai com um Jackson.

Atena corou e revirou os olhos.

– Além disso, os papéis já estão assinados, o hospital já está pago... Quem pagou? – argumentou, estreitando os olhos

– Se você não notou, eu acabei de acordar. Então, eu ainda não saí dessa cama e ninguém veio aqui me dizer sobre os programas burocráticos do hospital, me desculpe. – reclamei

– Annie. – suspirou – Graças a Deus, falta apenas alguns dias até que voltemos para Hampshire.

– Voltemos? Você vai voltar?

– Não quer que eu volte?

– Não, eu... – respirei fundo, fechando os olhos, sentindo minha cabeça girar, e tudo perder o foco – Acho que eu deveria tomar um remédio agora.

Notas finais
VCS ME ENTENDEM NÉ POR FAVOR CARA I JUST CANT GET IT O CAPITULO É O MENOR DA MINHA VIDA MAS TEM TANTA COISA NAO SEI Ok, sem drama, é isso. Último capítulo do