Nightingale.
68 Too Late.
Notas iniciais
"You tell me that you need me, then you go and cut me down"
Era o último baile de minha vida.
Meu vestido era roxo escuro. Na verdade, não era bem um vestido. Ele vinha até meu tornozelo na parte de trás e pela frente, era um short de cintura alta e um top com pedraria prata. Meu cabelo estava solto atrás de mim e minha baixa era básica demais.
– Annabeth! – Thalia parou atrás de mim em meu quarto no nosso apartamento – Uau. Eu achei que a gente devesse se vestir como quem somos e não, como quem desejamos ser.
– Ah, é?
– Isso não é roupa de vadia. – ela deu de ombros e se apoiou na soleira
Thalia vestia jeans rasgados e uma blusa do Artic Monkeys.
– Você também está deslumbrante, querida prima.
– Eu sei, eu sei. – ela cruzou os braços e sorriu – Isso tudo é um pedido de desculpas para Percy?
– Não é um pedido de desculpas. – resmunguei — Eu...
– Lembro quando você comprou esse vestido. Ah, talvez eu fique boa nele. – afinou a voz, mexendo as mãos no ar – Talvez o Percy não esteja tão irritado, certo?
– Thalia, cala a boca.
– Ah, ele já deve ter esquecido aquela briga boba.
– Thalia.
– E ele vai me querer nessa festa. Ah. Ah. Ah.
– Isso foi gemidos? – segurei um riso, ela gargalhou – Tenho pena de Nico.
– Não tenha, querida. – piscou – E cadê a sombra preta?
Apontei para a maleta com todos os tipos de maquiagem espalhadas pela cama. Minha prima se debruçou sobre ela, pegando a sombra preta e ficando ao meu lado, de frente ao espelho.
Revirei os olhos e me encarei novamente no espelho.
– E olha, Nico pode até ter falado que Percy estava estressado, mas você também estava.
– Eu sei, mas logo quando tudo estava indo certo... Rob tem que surtar. E Rachel é irmã dele. Isso não é... Louco?
– É. — Thalia me encarou pelo grande espelho e abaixou a sombra — Muito. Rachel disse que Poseidon a pegou e a deixou com seus pais adotivos. Certo? — assenti — E por que não fez o mesmo com Rob?
– Ela disse que Poseidon achava que ele estava morto.
– Tem algo de errado nisso. Poseidon nunca deixaria alguém morrer.
– Só se ele fosse manipulado.
– Ou se isso fosse parte do trabalho dele. — completou
Arqueei as sobrancelhas, confusa.
– Uma família inteira?
– Não foi uma família inteira. Ele salvou quem pôde. Mas ele não sabia que Rob estava vivo.
– Você está me dizendo que Poseidon pode ter salvado Rachel por baixo dos lençóis.
– Provavelmente. Quando mandam matar, sempre dizem todos, aposto que ele não salvou Rachel só porque ela era bonitinha.
– Você deve estar assistindo muito CSI. — resmunguei
– Pode não ser verdade, mas pode apostar que é uma boa teoria.
– Uma boa e paranoica teoria.
Thalia deu de ombros.
– Até porque as melhores e mais verdadeiras teorias são minhas. De qualquer maneira, estou descendo.
– Nico já chegou?
– Vamos nos encontrar na portaria.
– Ele nem vem te pegar na porta?
– Pra sua mãe ficar fazendo meio milhão de perguntas? Não, obrigada.
Assenti, percebendo o quão seria constrangedor quando Percy viesse me pegar e minha mãe despejasse todo o ódio de sogra para cima dele, quase gritando aos quatro ventos o quanto ele era irresponsável.
Thalia saiu do meu quarto. Peguei meu celular e dinheiro, colocando entre meu short e minha pele. Virei-me para a porta, dando de cara com minha mãe enxugando as mãos em uma toalha amarela.
– Silena acabou de ir. Thalia também. — ela se encostou na soleira e cruzou os braços
– Está tão linda, sabia? Será que devo te pegar em um hospital também?
– Ah, mãe, é só um baile. — reclamei, andando até ela
– Também era só um jogo. — retrucou
– Vai dar tudo certo, ok? Sem nenhum ex-namorado maluco. Apenas eu e um baile.
– E Percy.
– É. — dei de ombros, sem ligar
Atena parou a minha frente assim que pensei em passar pela porta.
– Mãe. — suspirei, passando a mão pelos cabelos com força — Não vai acontecer nada. Prometo.
– Como tem tanta certeza se aquele maluco nem foi preso?
– Sabendo! Por que não surtou antes? Por que tem que estragar agora?
– Não estou estragando nada. — ela bufou e deu um passo para o lado — Volte antes das duas.
– Eu te ligo. — avisei, beijando sua bochecha antes de passar por ela
– E ah, seu par já está aí.
Sorri, apressando o passo até estar saltitando na escadaria e fazer Percy levantar os olhos para mim, depois de tentar ajeitar a gravata roxa.
Ele sorriu ao me ver. Corri até estar com os braços ao redor de seu pescoço, procurando sentir sua pele.
Senti seus lábios dando beijos desesperados em meus ombros desnudos.
– Me desculpe por ter sido um idiota.
– Me desculpe por ter colocado outras pessoas a frente de nós.
Ele sorriu.
– Me desculpe por ter ficado estressado.
Ri e assenti, afastando-me dele e acariciando as laterais de seu rosto.
– Eu te desculpo. – sussurrei encarando seus lábios inclinados e vermelhos
– Eu fui tão idiota. Mas eu... – ele pigarreou e acariciou a região abaixo dos meus olhos – Eu estava com ciúmes. De Rob. Quer dizer... – ele tentou
Beijei seus lábios com calma, sentindo suas mãos apertarem com força minha cintura. Acariciei sua testa, onde não encontrei nenhum vestígio de seus cabelos, separei-me lentamente, não me afastando demais.
– Esquece isso. – pedi, sorrindo
Percy assentiu e soltou minha cintura, afastando-se e rodando em seu próprio eixo.
Ele vestia um terno de risca azul escuro, a gravata era roxa, o paletó caia perfeitamente sobre seus ombros, assim como sua calça, embora a gravata estivesse um pouco folgada.
Aproximei-me, encostando meu corpo novamente ao seu e empurrei o nó da gravata para cima enquanto sentia os dedos de Percy acariciando minha cintura novamente.
– Por que mulheres tem um dom nato para dar nós em gravata? – ele perguntou, dando um beijo em meu nariz
– Porque é sexy. – pisquei, mordendo seu queixo
Alguém pigarreou atrás de nós. Revirei os olhos e virei-me lentamente.
– Antes das duas. – Atena avisou
Percy segurou minha mão com força, antes de assentir.
– Hã... Sra. Chase, meu pai nos chamou para um almoço amanhã, então como o salão de festa é perto da casa dele, estava pensando em irmos direto para lá... Sabe? E daí...
– Não. A Annabeth vai voltar pra casa e depois, pode ir para esse jantar. Depois que eu falar com seu pai e comprovar que isso é verdade.
– Sim, senhora.
– Mãe, você sabe que não precisa fazer isso, é idiotice. O que você acha? Que Percy vai em sequestrar? Fala sério.
Ela não me respondeu, continuou com sua expressão severa e nos virou as costas.
– Ela só está preocupada. – me desculpei, puxando-o para fora
– Eu entendo.
Percy fechou a porta. Esperamos o elevador em silêncio. Eu, particularmente, estava morrendo de vergonha, quero dizer, minha mãe não precisava fazer isso no último baile de minha vida com um maravilhoso cara.
Entramos na Mercedes negra. Percy colocou uma música baixa para tocar enquanto seus dedos apertavam meu joelho.
Meus olhos se perderam na escuridão da noite. Senti meu corpo se arrepiar involuntariamente; era sinistro. Não tinha medo do escuro, nunca tive, mas as ruas escuras eram totalmente diferentes para mim. Eu sabia quem fora meu agressor. Jay. Um cara de olhos negros artificiais que me encarou como se eu fosse um lixo usado, um lixo que duas pessoas queriam, um lixo sem valor.
Ele me afetou, não tanto quanto as ações de Rob ou tudo que aconteceu naquele dia. Eu me fiz superar aquela noite. Senti a dor que tive que sentir, superei os olhares de “pobrezinha”, ignorei os “sinto muito”, mas a dor psicológica que me consumia ainda estava ali. Porque eu sabia que nada aconteceria com ele. Sabia que, talvez, o nome dele nem fosse Jay e que ele poderia continuar fazendo aquilo com garotas que não tinham culpa de serem frágeis, de serem manipuláveis.
– Cem dólares pelo seu pensamento.
Ri baixinho, encarando o sorriso ladino de Percy.
– Sou tão cara assim?
– É, fiz baixo demais. – ele meneou a cabeça, como se estivesse indignado – Cem mil dólares?
– Aposto que você não tem todo esse dinheiro.
– Eu não tenho, mas eu acho legal fazer isso. – ele deu de ombros, parou o carro no sinal vermelho e me encarou – Então, no que estava pensando?
– Em como... Isso é legal. Sabe, nós dois. Somos tão bipolares, deve ser por isso que sempre voltamos.
Ele sorriu, segurou meu queixo, inclinando-se sobre mim e me beijando.
– Estamos juntos porque tem que ser assim.
Percy se afastou e eu sorri, enquanto ele voltava a dirigir o carro.
– Não quero passar muito tempo nisso. Eu odeio qualquer tipo de baile. – resmungou
– Você está de quê?
– Gentleman. – respondeu, como se fosse óbvio
– E a música?
– Que eu fiz sobre você? – assenti – Bem, deve estar na casa do meu pai e nós vamos ter coisas melhores pra fazer do que cantar... E antes que você venha me julgar, não é o que sua mente poluída está pensando.
– Ah, é?
– É. – confirmou, rindo – É esse aqui? – perguntou, manobrando o carro enquanto se inclinava sobre o volante
Encarei o salão de festa. Era enorme com dois seguranças na frente. Uma fila relativamente média porque o baile não era apenas para os alunos da Goode, porque, se fosse, seria muito chato, então Afrodite nos aconselhou a abrir para toda a cidade. Percy estacionou o carro do outro lado da rua, pegou nossos ingressos e desceu do mesmo. Imitei seus movimentos, puxando a cauda do semivestido comigo.
Segurei seu braço enquanto atravessamos a rua e furamos a fila para adentrar o local.
Era enorme como Silena havia dito. O teto era alto com colunas brancas que se erguiam e apoiavam uma passarela onde várias pessoas dançavam ao som de uma música agitada e desconhecida. Um bar à direita que, provavelmente, não vendia bebida alcoólica. Pude ver alguns rostos conhecidos enquanto eu e Percy caminhávamos, confusos, pelo local. Luzes de neon vagavam pelo lugar escuro. Não tinha nenhum palco e nenhum vestido extravagante demais, como eu esperava ver.
– Você acha que Rachel está por aqui? – perguntei, inclinando-me para frente
– Pra que você quer saber? – Percy retrucou, não arrogante, como eu esperava, um tom bem curioso, na verdade
– Só estou preocupada com ela, sobre aquela coisa...
– Sem ninguém entre nós, lembra? Não íamos esquecer?
– Mas ela pode estar mal e... Desculpe. – suspirei
Percy assentiu, como se estivesse feliz e inclinou a cabeça para frente.
– Nico está ali. Vamos?
Confirmei enquanto ele pousava a mão em minha lombar, empurrando-me gentilmente entre as pessoas. Algumas pessoas nos cumprimentaram até chegarmos ao balcão do bar. Nico beijava minha prima e “beijar” era uma maneira educada de falar.
Percy pigarreou. Thalia se afastou minimamente e revirou os olhos.
– Vocês demoraram séculos. – resmungou, passando o braço sobre os meus ombros
– Percy veio por alguns lugares errados. – retruquei
– Dois Martinis! – minha prima bateu a palma no balcão de mogno bem polido com um sorriso – E aí, o que vai fazer depois da festa?
– Já está pensando no depois? – pisquei o olho
Ela deu de ombros.
– Galera! – alguma voz reconhecida gritou perto demais de nós
– E aí, cara! – Percy cumprimentou Karl que estava muito bêbado com um braço por cima de Johnson
– A festa mal começou e você já está morrendo? – Nico zombou dando batidinhas em seu peito
– Morrendo, cara? – ele bufou e deixou o copo de algo transparente em cima do balcão – E, olha que gatas e gostosas.
– Lá em casa ia ser um desastre. – Johnson completou com um suspiro
Sorri, dando uma volta em meu próprio eixo, Thalia riu e fez o mesmo.
– Depende do que vocês tem em casa. – provoquei, aproximando de Karl e me apoiando em seu ombro
Ele segurou minha cintura, sorrindo.
– Tudo que você quiser, Annie.
– Vai nessa que você vai se dá muito mal, Karl. – Percy puxou-me pelo pulso
Karl soltou um muxoxo enquanto eu ria.
– Vão pra onde? – Nico perguntou, segurando minha prima pela mão ainda sentado no banco alto
– Viemos chamar vocês pra uma racha que vai rolar agora.
– Racha? – Percy perguntou, ligeiramente interessado
– É, cara, nessa avenida vazia, uns quatro quarteirões daqui. Está tendo uma festa super sinistra.
– Sinistra no sentido de...? – Thalia inclinou a cabeça, a sobrancelha arqueada
– Ah, vocês sabem. – Johnson deu de ombros e enfiou as mãos nos bolsos – Algumas bebidas pesadas, drogas pesadas...
– Pessoas pesadas. – Karl completou – Não é nada demais, vai ser legal. E aí?
Percy coçou a nuca e deu um sorriso. Encarei-o, lhe mandando um ar reprovador, ele apenas deu de ombros, acariciando meu pulso.
– Ele está bêbado, Annie. Não podemos deixar Karl bêbado nessa.
– É e... Além do mais, temos que voltar pra festa antes que a Silena faça o discurso clichê de todo ano. – Nico completou
– Que discurso clichê? – Thalia argumentou, cruzando os braços, parecendo brava
– É besteira. Uma coisa idiota sobre como ela está orgulhosos de nós, como se realmente importasse. – Johnson revirou os olhos
– E aliás, vocês se lembram do que aconteceu depois que fomos pra uma racha?
– Na verdade, foi bem legal. – Nico respondeu com um sorriso safado
– Você ficou quase seminua na frente de todo mundo. Tomou banho no mar. E... Outras coisas. – Percy piscou, malicioso
– Onde isso aconteceu e por que eu não fui convidado? – Karl resmungou
Percy socou seu braço, aparentemente na brincadeira.
– Nós vamos, então. – Nico anunciou e encarou seu relógio de pulso – Voltamos daqui a uma hora, fechado?
– Totalmente, cara! Vamos pegar nosso carro, siga a gente! – Johnson gritou antes dos dois saírem juntos
– Isso não vai dar certo. – disse
Percy sorriu, suas mãos segurando meu rosto com carinho.
– Relaxa, é só a formatura. Essas coisas costumam acontecer.
Arqueei a sobrancelha, segurando seu pulso e sentindo os batimentos de seu coração se acelerarem.
– Eu costumo dizer isso.
Ele assentiu, beijando-me em uma lentidão tortuosa.
– Vamos nos atrasar, pombinhos. – Nico puxou Percy pela camiseta, levando-me junto
Ele rosnou antes de segurar minha mão, fazendo-me atravessar a multidão que se estendia a nossa frente.
***
Karl estava certo quando disse que era uma coisa pesada.
Quando Percy estacionou sua Mercedes elegante em uma calçada de areia, podíamos ver claramente o contraste. Havia caminhonetes com mulheres seminuas no frio de Hampshire, homens bebendo cerveja e carros potentes e extravagantes parados na ponta da avenida. Me senti em um contraste tortuoso. Minha roupa era roxa e parecia chamar atenção em meio aqueles homens de preto e mulheres seminuas. Thalia se adaptou, quero dizer, ela parecia uma daquelas roqueiras que vinham comprar droga.
Assim que saímos do carro, um homem gordo com uma cara de durão ofereceu um copo de vodka para Nico e Percy. Ambos aceitaram e beberam, pegando outra logo em seguida.
Quando o homem nojento e estranho saiu de perto de nós, percebi que meu corpo todo estava tenso.
– Vocês sempre se metem em confusão atrás de confusão. – Thalia brigou, pegando o copo de plástico e jogando em meio a grama não aparada – Vocês nem sabiam o que tinha naquela bebida.
– Mas era bom. – Percy retrucou
– E se não bebêssemos, ele não ia perceber que estamos do lado dele. – Nico piscou o olho dele e se apoiou contra meu corpo – Em quem você aposta agora, gata?
– Idiota. – empurrei-o, cruzando os braços
– Gente, estamos ali com aquelas gatas, a corrida vai começar agora. Querem alguma bebida? Algo a mais? – Johnson apareceu ao nosso lado, carregando um copo de plástico do mesmo que os meninos beberam
– Duas bebidas. – Percy pediu, segurando minha mão, puxando-me ao seu lado
– Vamos ficar na caminhonete do Karl, ok?
Assentimos e seguimos Johnson. A caminhonete de Karl era azul escuro e estava estacionando no meio da festança onde um som alto de rap tocava e mulheres desciam até o chão, algumas sem blusa alguma.
– Eu podia fazer isso. – pensei alto, avaliando o jeito sincronizado que elas dançavam.
– Eu apoio. – Karl gritou ao meu lado
Percy me encarou, uma sobrancelha arqueada. Ele levou a nova bebida até os lábios, os olhos verdes me encarando com uma malícia clara, a expressão sexy que seu corpo passava era absolutamente excitante.
– Não seria com você, Karl. – retruquei, a voz ofegante
Suspirei, tentando tirar a maldita tensão sexual que o maldito Percy me fez sentir. Ele estava apoiado na caminhonete, com um sorriso ladino, como se me desafiasse a fazer aquilo. Não percebi quando Thalia gritou alguma coisa do rap e se jogou no meio das garotas, dançando do mesmo jeito empolgante e sexy que elas. Todas gritaram e se juntaram, dançando juntas.
Sorri para Percy e me enfiei entre elas. Todas gritaram mais uma vez enquanto eu sentia alguém segurando meu quadril, me fazendo rebolar até que eu estivesse rente ao chão e me subisse em um impasse.
Gritamos juntas novamente, erguemos os braços acima da cabeça e gargalhamos enquanto passava o braço por cima de uma garota com cabelo platinado, ela sorria para mim, agarrando minha cabeça e me dando um beijo.
Mas que merda? Ela segurava minha cabeça com força enquanto me afundava em um beijo forçado, soltei-me dela, encarando-a com confusão.
– Quem é você, cara? – gritei em meio a música, parando de dançar
Ela deu de ombros.
– Quem você quiser. Agora, dance, baby. – ela deu um tapa na minha bunda enquanto desaparecia em meio as outras garotas
– Mas que merda foi essa? – Thalia gritou em meu ouvido
Encolhi-me, confusa, batendo em seu braço.
– Eu não sei, mas eca! Eu beijei uma garota.
– Seu namorado parece ter gostado. – minha prima piscou, levantando o dedo esguio para onde estava os meninos
Percy nos encarava com a boca aberta, a mão segurando um copo azul agora e sua mão repousando entre suas coxas.
– Isso é nojento. – resmunguei, segurando o braço de minha prima
– Como ela disse? Dance, baby! – minha prima gritou jogando os braços pra cima e rebolando até o chão
Revirei os olhos em um sorriso e repetindo seus movimentos. Senti novamente uma nova garota puxando minha mão, puxei minha prima até perceber que ela nos levava para a caminhonete que estava com poucas garotas antes. Tinha cerca de dez garotas pulando e roçando-se entre si, de um modo sexy. Os homens gritavam. Eram alguns gordos e alguns adolescentes, eles gritavam e eu me sentia sexy, gostosa ou qualquer um desses adjetivos que deixam as mulheres bem com a vida.
A música, finalmente, acabou e novamente, nós gritamos, levantando as mãos. Alguns homens pegavam as meninas pelas cinturas, colocando-as no chão, no entanto eu e minha prima descemos normalmente.
Rimos e andamos calmamente até estarmos em frente aos meninos.
– Vocês não tem noção, cara! – gritei, encarando-os – Isso foi muito bom!
– Isso? – Karl fez uma cara safada
Arqueei as sobrancelhas.
– Quer dizer, não isso! Estou falando da dança, não do, eca, beijo. Nada contra homossexuais, se você for um, Karl. – dei de ombros
Ele riu, levando o copo a boca.
– Podemos? – Percy apontou para algum lugar atrás de seu ombro, segurando minha mão
Nos afastamos da centralização da festa, estávamos indo em direção onde seu carro estava estacionado e poucas pessoas continuavam em seus carros, provavelmente comprando drogas ou algo do tipo.
– Olha, se foi por causa do beijo, não teve nada demais. Quer dizer, você está surtando por besteira, sabe disso, não é?
– Não estou surtando. – respondeu simples, jogando o copo azul de plástico no chão, ele destravou o carro e abriu a porta de trás – Entra.
– Não vou entrar. Já estamos conversados. Qual é, amorzinho, não surta. – resmunguei, segurando sua camisa branca de botões aberta, já sem o paletó e a gravata folgada
– Só entra, Annie. – ele sussurrou, mordendo o lábio inferior
– Eu... – elaborei uma frase boa até sentir sua mão segurando minha nuca, seu corpo empurrando o meu contra o carro oposto ao dele.
Senti sua ereção chocando-se contra minha coxa. Ofeguei, sorrindo. Seus lábios desceram sobre meu pescoço, beijando minha mandíbula enquanto eu agarrava seus ombros e subiam meus dedos até sua nuca, agarrando seus ralos cabelos.
– Como você é gostosa. – ele sussurrou, empurrando minha cintura com força contra o carro – Você deveria fazer isso mais vezes. E por que você beijou aquela garota?
– Eu não a beijei! Ela me beijou. – rebati
– Não importa. – ele segurou meu cabelo com brutalidade, chocando nossas bocas
Seu beijo era totalmente viciante e sexy. Sua língua explorava a minha com força. Eu me sentia entregue, entorpecida pelo seu cheiro, pelas suas mãos que seguravam minha cabeça.
Virei-nos, empurrando-o contra o carro e me colocando na ponta dos pés para conseguir beijá-lo com a mesma intensidade. Nos separamos o suficiente para que ele me empurrasse lentamente até estarmos dentro do carro, Percy por cima de mim, apertando meus seios com força.
Tamborilei meus dedos frenéticos, abrindo os botões que pareciam difíceis demais. Nos afastamos mais uma vez para que ele tirasse a camisa. Nossas pernas estavam uma entre as outras, éramos uma mistura de membros sem conseguir identificar uns aos outros.
Ele tentou puxar meu short que, na verdade, tinha um zíper ao lado e acabou rasgando a saia que ficava atrás.
– Percy. – resmunguei, vendo o estrago que ele havia feito
– Eu te dou outra depois. – reclamou, puxando minha cintura e me fazendo voltar a beijá-lo
Claro que não me importei muito. Era o beijo dele. Ninguém se importaria. Ergui meu corpo, descendo minhas mãos até seu cinto e sentindo meu top subindo, suas mãos cobrindo meus seios enquanto eu colocavam minha mão dentro de sua calça.
Pude ouvir socos na janela do outro lado. Percy rosnou alguma coisa, deitando-se sobre mim, seus lábios beijando meu pescoço com voracidade.
– Percy. – segurei seu ombro
– Não é ninguém.
– Percy, está continuando. É melhor você ver.
– Deixa pra lá. – seus beijos continuaram, descendo para meu seio
Os socos continuaram, mais fortes, mais decididos.
– Percy! Veja!
Ele levantou-se, arqueando a sobrancelha.
– Não deve ser ninguém. Isso costuma acontecer em rachas. – resmungou
Encarei seus olhos. Um verde musgo predominava, ficando mais forte.
– Você está bêbado. – disse com a voz trêmula – Veja quem merda está lá fora. – empurrei-o
– E você vai ficar nua?
– Não me importo de ficar nua se você estiver bêbado! – gritei, batendo em seu peito – Saia de cima de mim! – fechei os olhos, estapeando-o
– Caralho. Calma. – ele segurou minhas mãos – Olha pra mim.
Bufei, abrindo meus olhos e encarando seu rosto vermelho.
– Eu vou ver quem é e você não sai daqui, tudo bem?
Assenti, embora soubesse que não ia seguir suas ordens. Ele pegou sua camisa em cima do banco do passageiro e abrindo o mínimo da porta. Sentei-me assim que ele fechou-a, abaixando meu cropped rapidamente.
–...acabou de levar uma pancada! E que merda você está fazendo aí dentro que não saiu, idiota?
– Estava fazendo coisas importantes, Grace. E por que merda vocês deixaram o Karl dirigir um carro se ele estava bêbado?
– Não somos babás dele, Jackson! Agora...
Abri a porta do carro dando de cara com uma Thalia irritada, com as mãos pintadas de vermelho, seu rosto era choroso e vermelho.
– O que aconteceu?
– Eu pedi pra você ficar lá dentro. – Percy enfiou as mãos no cabelo, andando de um lado para o outro, ele já havia vestido a camisa que estava aberta e mostrando sua barriga definida
– Karl. – Thalia ergueu as mãos – Ele foi inventar de apostar uma racha com um cara, só que ele estava bêbado. Não teve nada com o carro, mas ele bateu a cabeça e está sangrando.
– Merda. Quem deixou ele entrar no carro?
– Adivinha. – Percy resmungou – Onde está o Nico?
– Está com Karl no carro dele.
– Vamos pro hospital. É o jeito. – falou – Nos encontramos lá. – avisou para minha prima
– Tudo bem. Não demorem. E nem inventem de terminar o que estavam fazendo lá dentro.
Ela suspirou, percebi suas mãos tremendo antes de se virar e sair correndo.
– Me dá a chave do carro. – pedi, erguendo a mão
– O quê? Não!
– Você está bêbado. Não vou deixar você dirigir um carro porque eu não quero morrer hoje. Me dá a merda da chave do carro.
– Não vou te dar porra de chave nenhuma porque você não vai dirigir meu carro! – gritou
Encolhi-me, afastando-me um passo. Ergui a cabeça e engoli em seco.
– Tudo bem, eu vou a pé.
Ele respirou fundo e colocou as mãos na cabeça.
– Não estou bêbado. Então, pare você de surtar. E entra no carro.
– Não vou entrar no carro...
Percy beijou-me. Segurou minha cintura e pude sentir quando ele abriu a porta. Empurrei seu peito, mas ele era mais forte que eu quando me jogou dentro do banco de passageiro.
Ele deu a volta rapidamente, ligando o carro e dando a ré.
– Eu te odeio. – resmunguei.
Ele deu de ombros, sem dar muita importância.
Não disse nada. Encarei a rua passando as pressas pela janela, Percy acelerava a cada segundo e não respeitava nenhum dos sinais vermelhos, devido a isso chegamos praticamente em dez minutos no hospital.
Eu tinha medo daquele lugar na verdade. Sempre que eu vinha aqui, era seguida de alguma coisa.
A última foi o sequestro de Rob.
Percy parou em frente ao hospital. Johnson carregava Karl junto com dois garotos do time de futebol que, aparentemente, estavam na racha.
Nico bateu na minha janela. Abaixei-a, ele suspirou.
– Vai entrar e esperar? – perguntou
– Vou levar a Annie pra casa e depois volto, pode ser?
– Vou pedir pra Thalia ir com vocês...
– Eu não quero ir. Quero saber como o Karl vai ficar.
Nico me encarou mortalmente, dei de ombros, cruzando os braços.
– A Thalia está tremendo, ela não está tão bem porque ela foi a primeira a ver o Karl, então pare de fazer birra e vai pra casa, Annabeth. – Nico disse, a voz firme e dura, encolhi-me
Ele fechou os olhos e balançou a cabeça, indiferente.
– Vou pegá-la.
Percy começou a batucar os dedos no volante constantemente.
– Você ainda vai pro almoço amanhã, certo?
– Não sei, Percy! Não sei!
Ele se encolheu e mordeu o lábio inferior assim que parei de gritar. Nico abriu a porta de trás, colocando Thalia lá e dando um beijo em sua testa, sussurrando algo que não pudemos ouvir.
– Não vou demorar, cara. – Percy avisou
– Tudo bem. – acenou
Não demorou muito para chegarmos a nossa casa. Thalia parecia estar bem melhor que antes, apenas com as mãos entre as pernas. Continuamos em silêncio até eu sair do carro junto com minha prima e Percy arrastar o carro.
– Melhor maneira de terminar o último baile. – ela suspirou
– Maldito seja Karl e Johnson. – grunhi
– Silena vai nos matar.
– Eu sei.
– Eu os odeio.
Suspirei e segurei seu ombro, empurrando-a suavemente até a entrada do prédio.
– É a vida.
Andamos juntas até o telefone dela tocar escandalosamente. Thalia levantou o dedo e se apoiou na guarita, enquanto eu prendia meu cabelo em um coque bagunçado.
– Quem é? – perguntei, ela ergueu a mão e sorriu, assentindo
– Tudo bem... Quero dizer, não, nem subimos ainda. Está tudo bem mesmo? Não! Não... Certo, estamos te esperando aqui. O quê? Ok.
– Quem era? – repeti, apressando o passo quando Thalia sorriu e andou com passos largos a minha frente
– Nico. – ela soltou mais um sorriso, dando-me passagem
– Certo, e o que ele quer?
– Silena não fez o discurso ainda. Dá tempo de a vermos.
– Calma. – parei na calçada, massageando minhas têmporas – Você está me dizendo que Karl teve algo lá e ainda vamos pro baile?
– Karl teve o negócio lá e foi um ferimento superficial, de acordo com Nico. Annie. – reclamou – Ande logo, ainda temos que pegar dois cafés puros no Starbucks.
Thalia atravessou a rua em um segundo enquanto eu ainda estava parada na calçada.
– Você vem ou não?
Assenti, meio entorpecida, atravessando a rua, seguindo seu caminho quando ela já estava debruçada sobre o balcão.
– Eu achei que Nico tivesse dito que você estivesse mal pelo Karl e...
– Ah, ele está bem. Só é o maior idiota do mundo por ter feito aquilo. Sim, dois cafés.
Sentei-me ao seu lado no banco, franzindo o cenho.
– Não senta, eles já estão chegando. Ali. Obrigada. – ela pegou os cafés e adiantou – Vamos, não queremos nos atrasar.
Não respondi, continuei seguindo-a até que Nico saiu do banco da frente e abraçou-a pela cintura, beijando-a.
– Chega de show, por favor. – resmunguei, puxando minha prima e empurrando-a para dentro do carro
– Voltamos. – Percy cantarolou, apoiando o braço atrás do banco do passageiro e piscando pra mim – Sentiu minha falta, meu amor?
– Eu estava torcendo pra você estar no lugar do Karl. – grunhi
– Bem, isso foi tocante. – Nico comentou, assim que Percy deu a ré e engatou, pegando o caminho para o salão de festa, acelerando o carro de um jeito assustador
– Nico, cale sua boca. Porra de tocante.
– Que namorada irritada você tem, cara.
– Pode apostar. – Percy sorriu, me encarando pelo retrovisor – Ela fica bem melhor assim.
– Isso foi nojento.
– Muito. – Nico concordou com minha prima
Não demoramos muito, no entanto o clima estava bem mais descontraído. Nico havia ligado o rádio, uma musica eletrônica fazia eu e minha prima rimos de alguma coisa inusitada enquanto Percy e Nico riam de nós.
Corremos em direção ao salão assim que chegamos, passando pelos seguranças apressados até estarmos ao meio das pessoas incrivelmente quietas parando para uma Silena chorosa ao lado de onde deveria estar o DJ, que estava ao seu lado, canhões de luzes coloridas estavam direcionadas à ela.
Era o tipo de coisa que apenas Silena inventaria de fazer.
Ficamos quietos entre todos. Percy sorriu para mim, beijando minha testa e se pondo atrás de mim.
– Eu só queria que todos soubessem que é incrível terminar o ano com pessoas que passei quatro anos seguidos. É maravilhoso. Eu sei que vamos seguir caminhos completamente diferentes, no entanto... Talvez possamos nos ver no futuro próximo e rimos de alguma idiotice, o que acham? – ela riu, sem graça, sendo acompanhada por todos, como se eles fossem obrigados a tal coisa
– Você me desculpa? – Percy sussurrou rente ao meu ouvido, em seguida espalhou beijos pelo meu pescoço – Eu... Não queria... Me perdoe.
– Percy. – revirei os olhos, segurando a gola de sua camisa – Eu te odeio tanto que é uma linha muito tênue pro amor. E por que você continua a beber se é mais fraco que eu pra isso?
– Eu só queria me divertir.
– Não vou te dar um sermão responsável porque...
– Você é Annabeth. Nunca vai ser responsável. – deu de ombros, como se fosse obvio
– Você me ofende falando assim.
Ele ergueu o lábio inferior, fazendo um beicinho. Prendeu suas mãos entre meu rosto e me beijou com voracidade.
– Eu tenho milhares de maneiras de te ofender e com certeza, essa não é a melhor. – ele sussurrou, os lábios roçando contra os meus
– E qual você acha melhor? – provoquei, apertando sua nuca contra mim
Senti seus lábios se abrindo em um sorriso.
– Que tal... Irmos pra casa?
Virei os olhos para o palco improvisado onde Silena continuava a declamar suas palavras sábias sobre o ano que lhe inspirou.
O ano.
Eu conseguia imaginar milhares de momento que nunca sairiam da minha cabeça neste ano: quando eu soube que tinha amnésia histérica, quando Thomas aprovou minha viagem para Califórnia, a vingança perdida e louca de Jack – que, por sorte, nunca mais iria me atormentar -, a racha... Os momentos loucos e totalmente californianos que vivemos juntos... Nosso término... Rob. Sempre teria Rob. Tirei-o da minha mente.
Havia apenas Percy e seu sorriso ladino em meio as luzes que me hipnotizavam e seus olhos verdes focados em mim.
– O que acha?
– Vou aonde você estiver.
Ele assentiu, mordeu o lábio inferior e juntou nossos lábios novamente. Senti meu peito pular dentro de mim, uma pontada forte dentro do meu estômago, como das outras vezes que ele era carinhoso e calmo.
Não demorou muito, sua mão se entrelaçou com a minha de modo forte, senti o típico sentimento de segurança se sobrepor sobre mim.
Atravessamos os corpos parados que encaravam, chorosos, o palco enquanto Percy atravessava e me levava juntos. Assim que atingimos a rua, ele beijou minha têmpora, carregando-me entre seus braços até o carro.
– Como Nico vai voltar?
– O carro dele deve estar por aí. – ele deu de ombros, sorrindo – Não vai se preocupar com ele agora, não é?
– Como você é insensível.
Ele riu, abrindo a porta de passageiro e me deixou sentar. Rodeou o carro e sentou-se, arrastando.
Não demorou muito até que estivéssemos no prédio. Percy imprensou meu corpo contra o elevador, seus lábios me atacando com força e rapidez enquanto suas mãos exploravam meu corpo. Puxei os pelos de sua nuca até cambalearmos para sua porta. Senti suas mãos se afastando de minha cintura, ele abriu a porta com um pontapé e a fechou com o mesmo.
Minhas pernas se curvaram pelo sofá e me deitei com um gemido de surpresa. Percy se pôs em cima de mim, cada perna ao lado do meu quadril, seus dedos acariciaram minha bochecha, seus olhos me encarando com admiração, a trilha de seus dedos afastaram uma mecha loira dos meus joelhos.
– Você é a garota mais linda do mundo.
– Todos dizem isso. – dei de ombros, sorrindo, inclinando-me para beijá-lo
Ele se afastou, com um sorriso.
– Quem disse isso?
– Não vai fazer charminho agora, vai?
Percy não pareceu se importar muito porque seus dedos continuaram calmos em meu rosto, descendo pelo meu pescoço e refazendo o mesmo caminho, seus lábios beijaram minha testa, seguindo os mesmos passos de seus dedos.
– Eu te amo. – ele sussurrou quando seus lábios roçaram em meu ouvido – Se era isso que queria ouvir... – continuou, beijando a área de meu queixo – Aqui está. Mas, saiba que é bem mais que isso.
Afastei seus ombros de mim, franzi as sobrancelhas e mordi o lábio inferior. Seus olhos me encararam, confusos.
– Não precisava falar isso. – sorri, intercalando meus olhos entre meus dedos que ajeitavam seus cabelos ou seus olhos – Eu sei o que você sente. E estou feliz.
– Feliz? – Percy grunhiu, beijando todo meu rosto enquanto eu inclinava a cabeça pra trás, rindo – Só feliz? – ele sorriu, beijando meu pescoço
Estapeei seu peito, tentando me afastar enquanto seus dedos subiam fazendo cócegas em minha cintura e ele continuava a beijar meu rosto.
– Chega! Perseu! – resmunguei
Ele riu e beijou minha testa.
– Hm. – ele resmungou e me encarou – Sem chance.
– De quê?
– De parar.
– Com o quê?
Seus lábios tremeram em um sorriso maior.
– De fazer isso.
Com calma, senti seus lábios tocaram os meus com gentileza, meus dedos acariciaram e apertaram seus ombros enquanto suas mãos apertavam meu quadril contra seu corpo. Nos beijamos por um longo tempo, podia se passar minutos, horas, uma eternidade e eu não me daria conta.
Em minutos, Percy abaixou a calça com lentidão, mordi o lábio, vendo-o deitar-se sobre mim, enquanto abaixava meu zíper com calma, como se fosse algo que ele devesse apreciar. Seus olhos não eram selvagens, como das ultimas vezes, parecia mais uma despedida e eu odiava ter que encarar as coisas desse jeito.
Beijei-o mais uma vez, respirando com dificuldade quando ele me penetrou devagar. Senti um gemido baixo escapar entre meus lábios, como uma baixa nota distante demais para ser minha. Estávamos no ápice desde que chegamos ali. Estávamos em êxtase. Sentia que nossos corpos estavam unidos por uma tênue linha que poderia arrebentar a qualquer momento e eu a segurava com tanta força que realmente tinha medo que ela se arrebentasse.
Eu me entreguei à ele. Me entreguei desde o momento que eu o vi, mesmo sem descobrir que tínhamos um passado. E eu não me arrependia nenhum segundo por isso.
Percy beijou meus lábios mais uma vez, subindo suas calças enquanto eu me aninhava ao seu lado, sentindo seu peito subir e descer de um jeito acelerado.
Ficamos em silêncio. Eu contava seus batimentos embaixo dos meus dedos, aproveitando sua respiração quente se chocar contra minha bochecha, seus lábios entreabertos estavam pousados rente ao meu queixo.
E eu amava aquela posição.
Existia apenas eu e ele em uma sala bagunçada onde morava dois garotos idiotas.
Claro que eu esqueci que morava outro garoto na casa.
A porta se abriu em um grunhido, como se alguém fosse cair e som de beijos ecoaram.
Percy se afastou, hesitante e encarou por cima do ombro, rindo.
Inclinei-me, apoiando meu corpo pelos cotovelos para ver Thalia com as pernas, nuas, abraçando o quadril de Nico que a carregava enquanto eles tinham uma seção de amasso grátis.
Percy pigarreou, sentando-se ao meu lado.
Nico puxou seu rosto do beijo de Thalia e corou.
– O que vocês estão fazendo?
Arqueei a sobrancelha ao perceber a raiva em sua voz.
– Aparentemente, a mesma coisa que vocês. – resmunguei
Percy riu e espreguiçou-se, passando o braço por cima do meu ombro.
– E isso foi nojento. – apontou para os dois – Aliás, belas pernas, Thalia.
– Por que está olhando para as pernas de minha garota? – Nico argumentou assim que minha prima ficou de pé
– Bem, porque ela está seminua? – Percy deu de ombros
– Olha aqui, cara...
– Ok, você está bem estressado. – Thalia se pôs na frente dele
Percy levantou-se com um sorriso bobo no rosto.
– Qual é aquela doença mesmo... Ah, sim, bolas azuis. Cuidado, Nico. – ele piscou antes de me puxar para a porta
Thalia riu, Nico brigou e saímos do apartamento.
– Acho que tenho que ir pra casa. – falei, assim que deixamos o loft
Percy apertou o botão do elevador, encostando-se na parede ao lado.
– É, eu sinto muito.
Franzi o cenho, cruzando os braços.
– Não deveria sentir. Ainda vou sair com você e olha, não vou dormir com raiva.
– Queria dormir com você. – ele murmurou, os olhos estreitos e a expressão serena
Aproximei-me dele, segurando seu rosto antes de beijar seus lábios com suavidade.
– Vamos sair amanhã.
O elevador abriu as portas pesadas de ferro. Percy empurrou minha lombar até estarmos dentro do elevador.
– Não estou afim de ir pra casa do meu pai. Quero ficar com você. – reclamou
– Pare de ser idiota. – briguei, batendo em seu peito e afastando-me quando finalmente cheguei ao meu andar – Vai ter que ouvir os momentos de amor de Nico.
Percy fez uma careta.
– Ou sentir a fúria de Atena. – completei
– Na verdade, momentos de amor me parecem muito mais legais.
Ri, beijei-o novamente antes de sair.
– Nos vemos amanhã. – me despedi
Ele assentiu, um sorriso feliz no rosto.
O último do dia.
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