Nightingale.

15 Then, we'll run.


Notas iniciais
Duas recomendações? Dois capítulos!! Cara, eu to tentando comprar meus livros MAS ESSA MERDA NAO TA ABRINDO, to descontando minha raiva em qualquer coisa. Ok, enfim, esse livro tem MUITO Percabeth ou seja ESCUTEM http://www.youtube.com/watch?v=Z4ufe-B_C2Y é uma das minhas músicas prediletas que eu NUNCA digo pra ninguém, ou seja, vcs entendem o quanto esse capítulo means to me, ok? Enjoy it!! P.S: Capítulo dedicado a Poliana por sua recomendação SUPER fofa!! Eu amei!

"So we'll fly until there is no wind, so let's crawl... Back to love."

O carro de Percy acelerava, parecia que a cada soluço que eu dava, mais rápido ele ia e eu só queria me afundar naquele couro macio e nunca mais sair dali.

Em um pensamento ridículo, eu queria que ele batesse o carro em qualquer lugar.

Abri a boca, deixando um ruído estranho e vergonhoso sair em meio aos soluços, tentando me controlar. Eu me sentia patética chorando, eu não entendia porque aquelas lágrimas caiam e porque eu estava tão mexida por algo tão... Idiota?

– Engole o choro. – ouvi a voz mandona dele ao meu lado

Não consegui obedecer. Chorei ainda mais, sentindo todo meu corpo estremecer a cada soluço, era como solavancos involuntários.

– Engole o choro, porra!

Encolhi-me com sua agressividade. Ele tocou meu pulso, forçando-me a encará-lo. Seu rosto estava vermelho, parecia assustado consigo mesmo.

– Você não manda em mim. – consegui dizer, sentindo o gosto salgado das malditas lágrimas – Não precisa me humilhar mais do que eu já estou sentindo, seu idiota. – mais lágrimas desciam pelo meu rosto – Já estou me sentindo patética o suficiente. – solucei e ergui o queixo, tentando parecer durona

Percy revirou os olhos, continuando a dirigir. Percebi que estávamos em uma estrada estranha, provavelmente, estávamos fora de Hampshire. Pelas placas avisando a quilometragem e tudo mais. Encarei um ponto qualquer a frente, tentando controlar as lágrimas e os tremores.

– Você também sabia?

– Do que?

– Dessa doença, dessa doença de louco.

– Você não é louca.

– Eu sou. Amnésia histérica. Quem teria isso? – ri nervosa, passando as mãos pela minha franja que caia do rabo de cavalo

– Thomas disse que não é nada demais, Annabeth. Ele é o médico, não é você. Agora, enxuga esse rosto. Agora.

Obedeci, vendo que ele entrava em uma curva fechada, entrando em uma estranha estreita de areia, a entrada de um motel.

Percy me encarou.

– Diga que quer a suíte mais luxuosa. – instruiu antes de abaixar o vidro

Abri um sorriso para a recepcionista. Não deveria ser o melhor sorriso porque meu rosto provavelmente estava muito vermelho, assim como meu nariz e meus olhos e todo meu cabelo deveria estar bagunçado – mas eu abri um sorriso grande mesmo assim.

– Oi, ahn, qual a melhor suíte daqui?

A mulher sorriu, interesseira e safada, para nós. Embora, seu sorriso tenha falhado, de primeira.

– Crianças. – balançou a cabeça e me entregou uma chave rosa – Aqui está, querida. É o último andar.

Assenti, vendo o vidro fechar-se e voltarmos a entrar.

Percy desligou o carro e apoiou a cabeça no volante, provavelmente pensando na merda que acabara de se meter. Seus ombros tremiam levemente, e sua respiração saía controlada, muito diferente da minha, aliás.

– Pode ir embora. – dei de ombros, tentando abrir a porta, mas estava trancada – É sério. Eu vou ficar um tempo e volto.

– Como está se sentindo? – ele não levantou a cabeça

– Como você acha? Eu acabei de me dar conta de que não lembro nada que aconteceu antes ou depois da morte do meu pai. Eu... Eu achava que sabia, que só não queria sentir... Aquilo que não lembro! – ri nervosa, passando as mãos pelo rosto – Mas, na verdade, eu não lembro. Eu me sinto uma inútil, sinto que esqueci meu pai. A pessoa que mais me apoiou, a pessoa que fazia tudo por mim. E só eu não sabia disso! Minha mãe sabia, Thalia sabia... Todo mundo sabia. – estreitei os olhos, encarando-o – Você sabia? – ri, enfiando meu rosto entre os joelhos – Claro que você sabia, por isso que você me esnobou todo aquele tempo. Todos sabiam. – murmurei, voltando aquele transe depressivo, sentindo todo o choro engasgar em minha garganta e eu voltar a chorar compulsivamente

– Para! – ele gritou, batendo no volante, puxando meu pulso para que eu o olhasse – Eu não sabia, ok? Não sabia de nada. Eu te esnobei... Te esnobei porque você é o típico de garota que só quer acabar com um namoro e fica por isso mesmo. – solucei, não deixando terminar e abracei seu pescoço

Seu cheiro calmante de maresia me fez soltar todas as lágrimas que eu queria guardar, ele me apertou contra seu corpo, puxei minhas pernas e as enrosquei em sua cintura, deixando-me, pela primeira vez, aliviar-me de todo aquele sufoco. De toda aquela merda que agora eu estava envolvida.

– Relaxa. – murmurou perto do meu — Você vai conseguir um jeito... – sua voz era hesitante – Sei que vai. – pareceu mais confiante, seus braços apertando minha cintura

– Como tem tanta certeza? – solucei, apertando-o ainda mais – Eu estou... T-tão vulnerável. Eu quero voltar para Califórnia.

Percy me afastou e segurou meu rosto, carinhosamente, tirando as lágrimas e beijando minha testa com ternura, totalmente diferente do Percy há alguns segundos atrás.

Foquei meus pensamentos para que aqueles tremores parassem enquanto ele continuava a subir e descer as mãos em minhas costas, colocando as mãos dentro da minha jaqueta jeans.

– Vai ficar tudo bem. – murmurou mais uma vez com nossas testas encostadas e suadas – Prometo.

Ri. Acariciei os cabelos de sua nuca.

– Desculpa por ter te estressado tanto, gentleman. – falei, tentando me afastar, mas ele me agarrou pela cintura

– Já estou acostumado.

– Eu faço o que posso.

– Está melhor? Quer que eu peça alguma comida?

Balancei a cabeça, peguei minha mochila no banco de trás, aliviada quando ele destravou as portas e saímos do carro juntos, lado a lado.

Não era um motel qualquer, parecia ser de luxo. As paredes, com certeza, eram a prova de som já que a uma hora daquela deveria estar cheio e não ouvia-se nenhum gemido e gritos loucos. Subimos por um caminho de britas até uma recepção maior onde nos cobraram a primeira noite. Percy pagou por três noites, pedindo que enviassem um buffet completo para o nosso quarto, o que foi bem extravagante.

Ele continha aquela expressão sexy de que mandava em tudo, e mesmo que eu me sentisse frágil, me sentia atraída por aquela nova cara de mandão que ele possuía.

– Obrigado. – terminou quando recebeu um recibo ou orçamento e me puxava com seus braços em meu ombro para que entrássemos no elevador

– Estou com medo. – desabafei, encarando-me no enorme espelho

Provavelmente, a recepcionista achou que Percy estava praticando estupro. Meu rosto estava vermelho e inchado, meus olhos mais vermelhos ainda, antes cinzas, agora um completo misto de azul. Meus fios apontavam para todos os lados e minha franja dividida no meio estava totalmente ridícula. Amarrei tudo em um coque e virei-me para Percy.

– O que vamos fazer agora? – perguntei, cruzando os braços, encarando-o pelo espelho

Percy levantou os ombros, confuso.

– Você que decidiu fugir dos problemas. De casa. Onde as pessoas iriam te ajudar.

– Elas não iriam me ajudar. – protestei – Elas iriam ter pena de mim. Eu conseguia sentir a compaixão naquele lugar, eu...

– E por que você não acha que eu estou com pena de você? Morrendo de compaixão? – estreitou os olhos, desafiador

– Você não é o tipo de cara que costuma morrer de compaixão, gentleman.

– Sério, Chase? – arqueou as sobrancelhas, ainda com aquele olhar de superioridade – Sério?

– É. Se você estivesse com pena de mim – saí do elevador, caminhando até uma das duas portas, a que não continha uma plaquinha de “não perturbe” -, você não estaria aqui.

– Talvez, eu só esteja querendo ser um cara legal.

– Você não é um cara legal. – abri a porta com um pontapé e entrei – Então, Percy Sentimental, vai entrar ou ficar me encarando com essa cara falsa de pena?

O moreno bufou e me acompanhou, fechando a porta.

– Sua mãe está preocupada com você. – comentou – Não viu seu celular?

– Eu quero esquecer isso. – murmurei, tirando meus coturnos e cruzando as pernas em cima da cama

– Todos estão preocupados. Tenho certeza que sua mãe vai cortar a minha honra.

Arqueei uma das sobrancelhas.

– Pare de ser idiota, eu tô achando que ela é lésbica. – resmunguei

– Você não viu como ela me olhou. Tenho certeza que nunca vou ter um filho quando voltar.

– Se esconda. – reclamei, jogando-me contra o colchão fofo e fechando os olhos

– E a Thalia? Ela, com certeza, vai me matar.

– Percy! – gritei, vendo-o deitado do meu lado — Qual parte de eu quero esquecer isso, você não está entendendo?

– E Dite estava com uma cara de safada de sempre.

Bati em seu ombro, rindo.

– Ok. – ele resmungou, puxou meu ombro, fazendo meu rosto se chocar com seu peito – Vou ser um gentleman pela primeira vez em minha vida.

– Por mim? – ergui o rosto, encarando seu queixo desenhado, percebendo que seus olhos encaravam a parede atrás de mim

– Não, por compaixão.

Bufei, aceitando o carinho em meu cabelo, abraçando seu peito com mais força.

Decidi fechar os olhos, aspirar seu cheiro de maresia que invadia meus pulmões e ficava impregnado lá, continuei fazendo o mesmo movimento: respirar. As imagens do surto mais cedo foram desaparecendo, deixei de pensar no olhar sofrido de minha mãe e a dificuldade de Thomas ao dizer sobre a amnésia. Sentia que, mesmo que ele fosse um profissional no que fizesse, era sempre difícil ver uma vítima da vida sofrer.

Esqueci-me de tudo que aconteceu mais cedo, bloqueei todas aquelas imagens que me assustaram e pensei na noite anterior, no jogo, quando vencemos, quando eu e minha prima dançamos feito loucas em cima do balcão, quando nossos garotos estavam do outro lado nos admirando, quando todos nos abraçaram e estavam felizes.

Lembrei do sorriso de orgulho de Hedge, do olhar confiante de Ally em cima de mim, da adrenalina de cair do topo de uma pirâmide.

O que me prendia ainda naquela cama de motel era o peito subindo e descendo do garoto a minha frente e do seu cheiro que colava em meu corpo, que me fez relaxar por poucas horas.

***

As cortinas do quarto estavam abertas. Percebi que a tinta das paredes descascava em lugares escondidos na tintura vermelha, o carpete parecia estar em boas condições e o cheiro do quarto era atrativo. Uma mistura de maresia, perfume masculino e comida. Podia sentir que tinha um jardim muito perto, aquele cheiro de natureza penetrava em minhas narinas como se tudo que tinha vivido fosse apenas um pesadelo ruim. Entretanto, sabia que não era.

A cama fofa demais, e os lençóis vermelhos de seda comprovavam que eu estava em um motel de luxo na beira da estrada em Hampshire, não na Califórnia, em um quarto que desconhecia.

Suspirei, coçando os olhos, sentindo meus braços livres da jaqueta que escolhera, sem meus coturnos, cocei um pé no outro, forçando meus olhos a se acostumarem com a claridade maldita. Tateei o espaço ao meu lado, onde deveria estar Percy, mas, em vez disso, estava um vazio.

Legal, o cara me abandonou.

Realmente, me senti uma vagabunda de esquina. Não, eu era pior que ela porque a prostituta sabia com quem dormira na noite passada, e eu não lembrava como meu pai morreu.

Continuei me martirizando até ter coragem o suficiente para levantar daquela cama confortável. O cheiro de comida me atraiu ainda mais quando vi um carrinho grande cheio de comida. Era um café da manhã completo, com brownies, panquecas com variados tipo de caldas, bolos, frutas, como morango. Uma vitamina de banana e outra de morango. Sucos dos mais variados sabores em pequenas jarras, por fim, leite condensado, chantilly e uma garrafa de champanhe na parte de baixo.

Quem toma champanhe pela manhã? Ah, sim, estávamos em um motel. Não, eu estava em um motel sem chances de voltar para casa.

Suspirei, me conformando em começar a comer toda aquela comida.

Cruzei as pernas e peguei um pedaço das panquecas enquanto mordiscava um morango e enchia um copo enorme de vitamina de morango.

Liguei a televisão, que para um motel de luxo não deveria ter, observando o noticiário.

Hampshire era tão parada que as pessoas deveriam se matar.

Continuei procurando algum canal que prestasse até deixar em um canal supostamente americano onde passava os Simpsons.

– Pensei que fosse dormir por muito tempo. – Percy disse, abrindo a porta com o quadril e fechando-a do mesmo jeito

Arqueei as sobrancelhas, ignorando-o. Ele resmungou algo sobre ser sempre a mesma coisa, mas ignorei, encarando a televisão como se aquilo fosse muito engraçado.

– Trouxe algumas roupas pra gente. – jogou uma bolsa que provavelmente seria de um brechó

– Nunca vou vestir isso. – disse, petulante

– Você vai vestir o que eu trouxe e fim.

– Eu só preciso de uma calcinha. – resmunguei, enfiando uma boa parte da panqueca em minha boca

Ele deu de ombros e se enfiou no banheiro, me deixando com meu desenho infantil e comendo todas as panquecas, acabando com toda a vitamina de morango e o suco de laranja.

Estava deitada na cama, entediada e ainda conseguia ouvir o barulho do chuveiro, abafado. Bufei e peguei a bolsa de plástico que ele trouxe consigo.

Era um vestido parcialmente curto com mangas curtas florido e azul. Sem sutiã nem nada e uma calcinha em um estado agradável. Por baixo estava uma cueca azul, uma regata azul escuro e uma bermuda branca. Encarei o vestido a minha frente e as roupas amassadas que usava.

– Vai usar? – ele saiu com uma toalha pendendo provocativamente na cintura e outra toalha enxugando os cabelos

Mordi o lábio inferior, e suspirei.

– É o jeito. – reclamei

– É só manha. – ele pegou a cueca e a bermuda, voltando para o banheiro e saindo poucos segundos depois

Ficou mais de dez minutos, bagunçando os cabelos com a toalha na frente do espelho, me encarando, talvez não fosse o que queria, porém ele estava mais sexy do que o normal.

– V-vou tomar banho. – avisei, pegando uma das toalhas na poltrona perto da janela

– Seja rápida, quero sair daqui ainda hoje.

– Vamos embora? – perguntei, surpresa – Não quero ir, não estou pronta. Você pagou por três noites! – acusei

Percy arqueou a sobrancelha e jogou a toalha no chão.

– Dinheiro não é problema. Vamos para minha casa, se for algum problema.

– Prefiro ficar em um motel do que ficar naquele prédio horrível.

– Pegue seu celular. – apontou para o aparelho que vibrava loucamente na cama

Neguei com a cabeça.

Fechou os olhos, parecendo controlar a calma, caminhando lentamente até mim.

– Atenda seu celular, agora.

Neguei outra vez, me afastando dele.

Percy segurou meu pulso, rodando-me e fazendo uma gravata em meu pescoço, achei que ele estava brincando e comecei a rir, até que ele apertou com mais força e senti que ele ia me enforcar.

– Vai atender?

– Louco. – disse, sufocada

Percy não parou até que eu estivesse de joelhos aos seus pés, agarrando os lençóis com força, tremendo de medo com o telefone quase caindo da minha mão.

– Vou te matar. – vociferei, afastando-me

– É melhor você escolher o cara que tem compaixão. – disse, continuando com aquele olhar superior ao virar as costas

Encarei o visor, era um número desconhecido. Sabia que era minha mãe, ia ignorar, mas quando Percy virou, encarando-me com aquele olhar medonho, decidi atender.

– Filha? Annabeth?

– Oi.

– Filha, ah, graça a Deus! Onde você está?

– Estou descansando. Não me procure, mãe, não me procure. – avisei – Vou estar no internato, só me deixe em paz neste fim de semana.

– Filha, eu te amo. Vai dar tudo certo. Vamos passar por isso de novo.

– É, eu sei. Mas... – minha voz falhou, tossi várias vezes sobre o olhar atento de Percy – eu preciso disso agora. Eu te amo também. Nos vemos depois, tchau.

Desliguei o telefone antes que ela passasse para mais alguém e assim continuasse.

– Por favor. – pedi, deixando meu orgulho ferido de lado – Por favor, não vamos hoje.

Percy me encarou e bufou.

– Tá, estou lá embaixo. Se arruma logo e vamos dar uma volta.

– Para onde vamos? – perguntei, apoiando minhas mãos no carpete, provavelmente imundo e tentando me levantar, mas continuei ali, no chão, aos seus pés, de joelhos

Percy apoiou um joelho no chão, seus olhos verdes cravados em minha expressão de raiva, medo.

– Você não está em um bom estado de fazer perguntas. – inclinou-se sobre mim, seus dedos tocaram meu queixo, nossos lábios perigosamente próximos – É melhor segui-las, Chase.

E assim, ele se foi. Bateu a porta. E eu continuei lá, tentando me dar conta de que o cara do pub de Ares, o cara que estava mal porque a namoradinha não foi para o jogo tinha ido embora, tinha se perdido em algum lugar enquanto eu chorava no carro. E agora, estava ele, um cara desconhecido, sexy e mandão que eu estava loucamente tão atraída (ou mais) que o cara do touchdown.

Notas finais
Minha vontade é de colocar a letra da música toda naquele comecinho ali e ver todo mundo cantar junto comigo pq eu AMO AMO AMO essa música. Não sei mais o que falar. Só que as pessoas são como Percy, elas mudam, elas se revelam e o Percy não é um anjo, nem santo, ele vai se revelar ao longo da fanfic. E a Annabeth tem problemas, é a vida. Love, xx.