Nightingale.

53 Someone Else's Fault.


Notas iniciais
OLÁ OLÁ OLÁ CAPITULO SURPRESA

"When you give, I want more, more, more"

Era segunda feira e eu colocava um short de couro de cintura alta e uma blusa de botões enquanto pegava o blazer preto junto com meus típicos coturnos, por fim, peguei um chapéu redondo e coloquei deixando os cachos para frente.

Encarei-me no espelho.

Eu havia tido um surto. Surto, não. Sonho. Sim, um sonho.

As mesmas imagens do surto de quando eu lembrei da morte do meu pai.

O que Thomas quis dizer que Jack planejou a morte, mas não foi ele que matou?

Eram os homens dele ali, eu tinha certeza.

No meu sonho, entretanto, quando a SUV negra vinha em minha direção, eu podia ver um rosto quando meus pés começaram a correr em direção ao mar. Um detalhe que eu havia perdido, bem atrás, quando a janela de trás abaixou lentamente, eu pude ver Jack, com uma linha de confusão em seu cenho.

Confusão?

Bufei e toquei em meus lábios vermelhos, ajeitando o batom antes de abaixar um pouco meu chapéu coco e virar as costas para o espelho. Pulei com um pé até pegar minhas muletas, saindo mancando pelo quarto.

Joguei a mochila sobre meu ombro. Abri a porta e a fechei com o quadril. Rachel estava saindo do seu quarto, mais a frente.

Vamos lá, você consegue. Joguei as muletas em um movimento a frente e elevando meu corpo com o tornozelo enfaixado, inclinado para trás.

– Quer ajuda com a mochila? – Rachel disse, ela estava o meu lado

– Não, obrigada. – grunhi, chegando ao topo da escada

Ontem, quando Percy me trouxe ao internato com sua nova Mercedes, eu fiquei em seus braços todo o tempo. Não trocamos nenhuma palavra, eu estava perdida em meus pensamentos e em minhas dúvidas, ele não se importou, como da primeira vez. Ele me deixou em minha cama e eu me virei, pulando de um pé só com Thalia me ajudando.

Mas agora, ela não estava ali. E eu não interromper seu sono para que eu chegasse cedo ao refeitório.

A escada ainda se estendia a minha frente.

– Talvez... – pigarreei, vendo o sorriso dela crescer ao meu lado – Talvez eu precise de uma ajuda.

Rachel assentiu. Ela pegou minha mochila, colocou do outro lado de seu ombro com calma. Segurou minha cintura enquanto eu apoiava minhas muletas nos degraus, pulando cada um de maneira lenta e cansativa. Quando chegamos ao fim da escadaria, eu senti o cansaço chegar em meus braços e tive vontade de dormir ali mesmo, mas as meninas do primeiro ano já saíam dos seus quartos.

– Mais alguma ajuda?

Balancei a cabeça, negando. Forçando meus braços a não falharem logo agora. Rachel não me escutou e continuou do meu lado, encarando meus passos. Levantei meus olhos para ela quando conseguimos alcançar a passarela. O colar que Rob havia tocado no pub em Londres.

– Conseguiu achar um igual a esse? – perguntei, erguendo o queixo para seu colar que pendia sobre seu pescoço

– Hã, não. É algo de família. Meu pai me deu quando eu era muito pequena.

– Hum, então quer dizer que não está a venda?

Rachel sorriu e deu de ombros.

– Provavelmente não. Como está seu namoro?

– Bem. – suspirei

Mais um corredor. Vamos lá, você consegue.

Mordi o lábio inferior, deixando de pensar na dor dos meus braços. Eu tinha que conversar com Rachel para continuar com a caminhada.

– E o seu?

– Eu não estou namorando. – respondeu

É, ela não estava. Cinco, seis... Eu poderia chegar lá.

Eu nunca pensei que o caminho até o refeitório fosse tão longo até Rachel abrir a porta com uma das mãos e as mesas de ferro entrarem em minha visão.

– Quer que eu pegue seu café? – perguntou enquanto eu me arrastava já sem forças para uma das mesas mais próximas

Desabei no banco. Sentindo meus braços tremerem. Acariciei-os com força. Rachel deixou a minha mochila em cima da mesa enquanto se apoiava nas duas mãos a minha frente.

– Ou... – ela virou o olhar para a porta novamente e sorriu – Pode pedir isso para seu amigo.

Olhei para o lado e Percy adentrava o local. Ele tinha olheiras enormes e não parecia ter dormido muito bem pela sua boca repuxada de lado, seus cabelos molhados caindo pela testa, o blazer estava em seu antebraço enquanto ele seguia para a fila. Ele pareceu ver que dois pares de olhos estavam o fitando.

Ele sorriu para nós e desviou seu caminho até estar com um dos braços nos ombros de Rachel, depositando um selinho nos lábios dela.

– Bom dia, anjo. – ele colocou várias madeixas vermelhas para trás, virando-se para mim – Annie, bom dia.

– Ótimo. – resmunguei entre dentes – Então, o casalzinho pode ser generoso e pegarem meu café da manhã, por favor?

– Você ainda não disse o que aconteceu com seu tornozelo... – Rachel observou, um dos braços em volta da cintura de Percy

Desviei o olhar e encarei meu tornozelo que começava a desinchar.

– Eu caí... Da escada. Do meu loft.

– Deve ter sido bem feio.

– Foi. – Percy confirmou, os olhos mais escuros do que antes

– Como você sabe?

– Achei que não estivessem namorando. – ergui o indicador para os dois com um sorriso debochado, nenhum deles responderam – Sendo assim, ele não deve satisfações a você.

Amaldiçoei-me assim que as palavras caíram da minha boca. Rachel havia me ajudado. Mesmo que eu odiasse admitir isso.

– Olha aqui, Chase... – Percy apoiou a mão livre na mesa de ferro, levantei o dedo, pedindo silêncio

– Olha aqui, Jackson – disse seu nome em tom de desprezo -, eu quero um muffin ou panquecas – ele me encarou com a boca aberta, sem acreditar no que eu estava fazendo, apenas sorri ainda mais – com cobertura de chocolate. Torradas com geleia de morango, chocolate quente, uma caneca bem grande e se tiver que pagar, pague. – inclinei-me sobre a mesa – E talvez eu vá querer algumas barrinhas de cereal também, querido. E hm, é melhor andar rápido antes que o refeitório encha. Você me deve isso, sabe. – terminei com um ar provocativo

– O mesmo. – Thalia deu tapinhas em suas costas, pulando no banco ao lado dele, ficando ainda mais alta com seu creeper e a saia de couro junto com suspensórios, o cabelo negro preso em um rabo de cavalo – Vamos lá, Percyto. O tempo urge. – sussurrou perto do ouvido dele – Olá, Rachel.

– Oi. – ela resmungou, virando as costas para nós

– O que você fez dessa vez?

Percy me encarava, uma mistura de divertimento e raiva. Acabei piscando para ele enquanto Thalia sentava ao meu lado.

– Não sei se vou poder trazer três bandejas. Melhor me ajudar, Grace.

– Chego em minutos, Percyto.

Ele assentiu, voltando a ficar na fila.

– Por que não me chamou? Eu podia ter te trazido. – Thalia disse, abrindo minha mochila, procurando por alguma coisa

– Não queria te incomodar. Cadê o Nico?

– Ele estava na casa da mãe no final de semana.

– Ele tem família? – perguntei, sobressaltada, Thalia revirou os olhos e puxou uma bala da minha mochila, enfiando em sua boca – Ok, ok, é que eu nunca o vi falar nada sobre eles.

– Eu os conheci assim que chegamos em Hampshire. Eles são... Legais.

– E?

– Sinistros. Eles são... Bem parecidos com o Nico, tirando o senso de humor, eu acho.

– Eles gostaram de você?

– Bem, acho que sim. Eles são legais. E, como era de se esperar, o pai dele conhece nossos pais. – ela inclinou-se, encarando os dois lados antes de voltar a falar – Ele é da Scotland, como Poseidon.

– Já era de se esperar, certo?

– É, mas... Não sei por que ainda fico surpresa com isso. Não deveria.

– É. Temos que... Superar.

– Superar. – ela saboreou a palavra e me encarou – Parece tão difícil, Annie.

– Eu sei. Vem cá, meu amor. – abracei seus ombros, sentindo seus braços ao redor de minha cintura – Eu te amo, ok? Ainda estamos juntas e é isso que importa.

– Sobre... – ela pigarreou, soltando-se de mim – Conseguiram achar Thomas? – pronunciou o nome dele como se fosse um xingamento

– Eu não sei. – bufei, impaciente, eu ainda estava usando o resto de minha paciência e sagacidade para entender tudo que ele havia me falado

– E você ainda está... Com a ideia de encontra-lo?

Encarei Percy, em frente a cozinheira, arrastando três bandejas entre as barras de ferro. Nico já estava ao seu lado com um sorriso, eles deveriam estar falando sobre algo aleatório porque nenhum dos dois estavam fingindo algo e nos vigiando.

Assenti, segurando suas mãos debaixo da mesa.

– É minha única chance. Por favor, não conte nada para o Nico. Por favor.

– Eu sei, eu não vou contar nada, mas isso só vai acontecer se...

– Você está me chantageando? – quase gritei

–...me deixar ir com você.

– Não posso fazer isso. – ajeitei as pontas dos meus cabelos, jogando a franja para o lado – Não posso fazer isso porque... Bem, você sabe por que, eu estaria arriscando sua vida. Ninguém sabe o que Thomas está planejando. Talvez nem seja verdade.

– Ah, então você quer ser a protagonista dessa diversão? – Thalia revirou os olhos e bateu a palma na mesa – É isso: se eu não for, Percy vai saber por mim. E é aí que ele não vai te deixar sair do internato tipo nunca.

– Você não seria capaz.

– É, eu seria capaz e você sabe disso.

– Bom dia, senhoritas.

Era Rob e eu tinha esquecido completamente dele.

Rob sentou-se a nossa frente com um sorriso.
O sentimento de culpa me preencheu. Eu não havia nem pensado sobre ele nas últimas horas. Thomas apareceu, eu fiquei horas em um hospital com meu maldito tornozelo inchado e eu nem tinha lembrado que eu tinha um namorado, tinha beijado meu ex-namorado e tive um jantar com a família dele, como se eu fosse nora. E o cara por quem eu tive uma queda apareceu no restaurante dizendo coisas totalmente enigmáticas sobre a morte do meu pai.

E eu havia esquecido absolutamente que tinha um namorado. Bem, não era minha culpa, era?

Controlei a vontade de bufar e sorri para ele.

– Oi.

Rob arqueou as sobrancelha e inclinou-se.

– Está tudo bem? Você está...

– Cansada. Sabe, por causa do tornozelo... — Thalia o interrompeu

Assenti, concordando com minha prima.

– Certo, eu vou deixar o casalzinho em paz e pegar meu café. Quer alguma coisa, Rob?

– Não, obrigado. — Thalia assentiu, com um sorriso saindo em direção a Nico — Isso foi estranho. — apontou com o dedão por cima do ombro — Então, tem algo que eu deva saber?

– Não, nadinha. — sussurrei e desenhei algo abstrato na mesa

– Tudo bem, eu estava pensando que... Como você está com o tornozelo assim, achei que poderíamos ir para aquela clareira lá no fundo.

– Para onde?

– Uma tarde de namorados. — disse apressado

– Awn! — inclinei-me pela mesa e ele fez o mesmo até nossos lábios se tocarem — Tudo bem, podemos fazer um piquenique. O que acha?

– Seria ótimo.

– Panquecas com cobertura de chocolate, torradas com geleia de morango, chocolate quente na maior caneca, barras de cereal... — a voz de Percy cantarolou ao meu lado – Está faltando alguma coisa, meu amor?

Engoli em seco quando ele deixou a bandeja na minha frente. Eu senti a vontade de vomitar quando vi seu sorriso irônico a minha frente. Meu corpo se arrepiou por inteiro, ouvi-lo me chamar de “meu amor”, me lembrava os velhos e bons tempos na Califórnia. Quando ele me acalmava chamando-me de meu amor. Nesse momento, ele só fez crescer ainda mais minha raiva e minha excitação por ele.

– Hm, obrigada. – murmurei quando ele sentou no lugar que Thalia estava antes

Senti seu braço passar por cima do meu ombro. Cocei minha sobrancelha, tentando me afastar quando o olhar de Rob fuzilou nós dois.

– Espero que você goste. Escolhi as torradas mais claras, como você gosta. – apontou, inclinando-se com um sorriso

– Percy. – sorri – Obrigada. Mesmo. Agora, você... Pode, por favor... – fiz um movimento, como se tivesse expulsando-o, contudo ele continuou sorrindo

– Qual seu problema, cara? – Rob perguntou, as mãos estavam pousadas de maneira calma em cima da mesa de ferro, mas seus olhos não demonstravam o mesmo

– Hm, bem, o fato de você estar dando em cima dela, sim, isso é meu problema. Que tal você esquecer que ela existe e eu faço o mesmo com sua existência medíocre. – Percy vociferou, sua mão apertando meu ombro

Engoli em seco.

Vi Nico e Thalia se aproximarem.

– Pena que ela te largou para ficar comigo, não é? Porque ela me escolheu. Ela te esqueceu e você deveria fazer o mesmo. – Rob provocou

– Ela me esqueceu? Eu acho que se ela não tivesse me esquecido, ela não faria isso.

Não pude me dar conta do que aconteceu até que os lábios de Percy estavam grudados contra os meus. Continuei com os olhos abertos, mas parecia impossível. Ele cheirava tão bem, seus lábios eram macios e quentes, sua língua deslizou pelo meu lábio inferior e eu tive a sensação que não existia ninguém além de nós dois. Seu braço estava ao redor do meu pescoço, e eu senti que ele apertava, esperando que eu fizesse o mesmo.

Mas não podia.

Eu não podia fazer isso com Rob. Ele confiava em mim.

Soquei o ombro de Percy. Ele se encolheu, mas sua língua continuava a massagear meu lábio inferior.

Ele não te quer, Annabeth, isso é só um joguinho masculino, seja forte.

Abri os lábios e pude sentir um sorriso vencedor, inclinei-me e mordi seu lábio inferior com força. Ele gemeu, soquei seu peito seguidas vezes e ele se afastou.

Nunca mais faça isso. E obrigada pelo café da manhã. – respondi

Peguei um torrada e mordisquei. Rob estava com o olho vermelho, ele levantou-se de onde estava e ficou do meu outro lado. Eu ainda sabia que Percy estava do meu lado. Levantei os olhos só para ter certeza, percebendo Thalia e Nico comendo casualmente. Traidores.

– Annie...

– Eu não quero falar sobre isso. Nos encontramos na clareira. Certo?

– Sabe... – Percy debruçou-se sobre a mesa, seus dedos massageando seu lábio inferior – Algumas garotas tem uma queda, não, um penhasco pelos seus ex-namorados. Annabeth é uma dessas. – provocou, levantou um sorriso – Pode ter certeza. Aliás, não vai demorar muito para que ela te esqueça. – ele vestiu o blazer em uma calmaria que chegou a me irritar – Ela é minha. E eu sei que você, Rogers, sabe disso, tanto quanto ela sabe. – Percy jogou a mochila sobre o ombro e sumiu de minha visão

Deixei meus ombros desabarem. Eu não tinha que bancar a de forte na frente de ninguém agora, eu só teria que me esconder em algum lugar e chorar porque meu ex-namorado era ridículo e absolutamente idiota. Porque ele podia, sim, seguir em frente e eu tinha que continuar presa a ele. Presa as suas ordens. Essa não era eu. Nunca foi.

Desabei minha cabeça em minhas mãos, contei até dez e arrumei meu chapéu em minha cabeça.

– Está tudo bem. – sorri para meu namorado e segurei seu queixo, senti seus dedos deslizarem pela minha bochecha e toquei meus lábios com os seus – Não deixe ele estragar tudo, por favor.

– Não deixarei. – ele colocou algumas mechas atrás da minha orelha e beijou minha testa – Eu preciso passar na secretária. Três horas? Quer que eu vá te pegar?

– Não, eu vou sozinha. Sem problemas. – confirmei

– Certeza?

Assenti. Rob sorriu e me beijou novamente antes de sumir.

Nico assoviou.

– Competida, hein. Eu imagino se Luke estivesse aqui. Com quem acha que ele aprovaria, Thals?

– Rob, sem dúvidas. Percy é muito...

– Mandão? – Nico completou, Thalia mergulhou sua torrada em minha geleia e balançou a cabeça, negando – Idiota? Retardado?

– Talvez um pouquinho idiota, mas totalmente possessivo.

– É, eu também percebi isso. – Nico concordou, mordendo seu sanduiche – Eu acho que eu sou Team Rob. – ele coçou o queixo, encarando a namorada

– Ai, como você é chato. Eu sou Team Percy. Desde a racha, lembra?

– É verdade, mas eu acho que Rob merece uma chance, você não acha?

– Dá pra parar?

Eles me encararam e caíram em gargalhadas. Bufei, dando um sorrisinho de lado, bebericando meu chocolate morno.

– Percy está me dando nos nervos. – Nico fingiu um tremor e um vômito – Quero dizer, ele acaba com você. Não quer voltar, ok, até aí eu entendo. Mas depois ele quer. E você quer também, mas ele não aceita e tem o Rob. Ele é o inocente, ele merece uma chance.

– Vendo por esse lado... – Thalia inclinou a cabeça, fingindo pensar – Talvez Rob tivesse uma chance, se... – ela deu um sorrisinho de lado – Pode completar minha frase, querida prima?

Corei. Bufei e continuei bebendo meu chocolate quente, talvez pudesse esconder o rubor de minhas bochechas enquanto Nico encarava sua namorada meio confuso.

– Se o quê? – perguntou

– Ah, é tão fácil. Eu vou dizer, ok? – revirei os olhos quando ela disse e comecei a comer um pouco das panquecas – Se ela já tivesse transado com o Rob, ela escolheria, fácil, fácil. Mas, você sabe, ela ama aquela coisa do Percy.

Nico fez uma careta e empurrou o sanduiche pela metade, jogando-o na bandeja. Não pude deixar de sorrir.

– Isso foi meu limite. Acho que não vou conseguir comer nada pelo resto do dia.

– Você que pediu por isso. – Thalia deu de ombros, dessa vez, tirando o plástico de sua barra de cereal

Não, eu não pedi por isso. Você poderia ter resumido o que seria...

– Annabeth não transou com o Rob, mas transou com o Percy, então ela sabe, sim, o que espera ela. Satisfeito?

– Olha, eu cansei de você. Vamos terminar.

Thalia revirou os olhos, puxando Nico pela manga preta. Desviei os olhos, provavelmente eles dariam um daqueles beijos de casais que eu dava com Percy quando estávamos na frente dos outros – e não nos importávamos.

Dito e feito.

– Nos vemos depois. – Nico sussurrou contra o rosto dela, depositando um selinho e vindo em minha direção – Até depois, solteirona. – me deu um beijo na testa e se perdeu no meio dos alunos que começavam a encher o refeitório

Terminei minhas panquecas, peguei as duas barras de cereal de morango que Percy trouxera e as enfiei em minha mochila caso ficasse com fome em uma das aulas até o almoço. Bebi o resto do meu chocolate quente e deixei as torradas junto com a geleia que Thalia fez o favor de comer e guardar o resto da geleia em sua mochila.

– Você é nojenta. – resmunguei, fazendo uma careta

– Qual é. Está em um potinho de vidro. Aposto que quando sentir fome, vai me pedir um desses.

Revirei os olhos. Ela se levantou, pegando minha mochila, ajudando-me a levantar. Apoiei minhas axilas nas muletas enquanto me arrastava, sem fazer esforço nos braços até estar fora do refeitório, no silêncio dos corredores vazios onde o sinal ainda não havia tocado e faltava meia hora para que estivéssemos na loucura de um dia de aula.

– Temos um jogo na sexta. Será que você vai estar sem isso?

– Em casa ou fora? – perguntei, acompanhando os passos propositalmente lentos de minha prima

– Casa.

– Vou tentar não forçar. Embora eu não esteja muito afim de dar cambalhotas.

– Não temos muitas coreografias prontas, você sabe disso?

– Podemos nos virar com o que temos. – retruquei

– Tudo bem. Eu sei que você não quer conversar sobre isso. Sei que quer resolver tudo sozinha, mas não vai, então... Temos que nos preparar caso algo horrível venha acontecer por causa do Jones.

Meu corpo gelou. Forcei meus braços a jogarem as muletas para frente em um ato automático enquanto pulava meu pé são e minha outra perna voava. Continuei com esses passos três vezes até que paramos em uma esquina onde era o armário de Thalia e ela colocava vários livros ali.

– Nada vai acontecer. – assegurei, apoiando meu corpo contra a parede, observando-a pegar várias coisas e colocar várias outras lá – Só preciso conversar com Thomas. Ele não é louco. Se ele falou aquilo, quer dizer, que existe, sim, uma verdade. E eu preciso descobrir o que é.

– Percy sabe disso?

– Ele ouviu uma parte da conversa... Tecnicamente.

Thalia inclinou-se para trás, o suficiente para me encarar com as sobrancelhas arqueadas em desconfiança. Bufei e desviei o olhar.

– Você sabe, ele apareceu, fez o papel de herói e Thomas começou a jogar na cara dele que ele sabia. Algo sobre segredo dos Jackson. Você lembra quando Luke disse a mesma coisa? Assim que chegamos?

– Tenho a vaga impressão que sim.

– Vaga impressão? Isso ‘tá na minha cabeça.

Pude ouvir a risada fraca de Thalia.

– O que você acha, então? Era só um jeito que Luke conseguiu de irritar Percy.

– Um jeito? – pisei com meu pé bom – E por que Thomas citou a mesma coisa?

– Olha, Annie – Thalia fechou a porta de seu armário com um rangido e ajeitou a mochila no ombro -, você consegue imaginar, sei lá, Poseidon matando alguém? Eu consegui matar alguém para me defender. Acho que era o máximo que ele conseguiria fazer.

Inclinei-me para frente.

– E quem disse que estamos falando de Poseidon?

Ela arqueou as sobrancelhas, deu uma risadinha fraca e sem humor, andando até mim. Ajeitei minhas muletas para apoiar e continuei andando ao seu lado, virando o corredor para nossa primeira aula do dia. Minha prima ficou tensa ao meu lado, ao passo que caminhávamos, eu tentava acompanhar seu ritmo que aumentara consideravelmente. Ela parou, repentinamente e virou-se para mim.

– Você está pensando em Percy? Percy pode...

Tentei jogar meu cabelo para o lado, mas parecia impossível tirar meu braço de onde estava e não cair de cansaço. Então, deixei a mecha continuar em frente ao meu olho, enquanto encarava seu olhar acusador.

– Não estou dizendo isso...

– Bom. Porque se estivesse, eu mesma faria você se arrepender. – ela inclinou-se para mim – Percy não faria nada para te machucar. Mesmo... – ela pigarreou e envolveu o colégio com o dedo – Mesmo com tudo isso, ele ainda gosta de você. E é bom que isso fique claro. Para nós duas.

– É, eu sei. – bufei – Só estou dizendo que a família Jackson não tem Poseidon e Percy. Tem Tritão, Anfitrite... E se ela estava com ciúmes de Poseidon? Porque descobriu que ele se deitava com minha mãe? Tipo... – Thalia começou a andar e eu tentei acompanhar seu ritmo – Se ela quisesse fazer minha mãe sofrer, só que... Mil vezes pior?

– Seus pais já estavam separados naquela época.

– Mas minha mãe ainda gostava dele!

– Anfitrite não tinha como saber disso, Annabeth. – ela revirou os olhos

Entramos na sala de filosofia, Salomão estava sentado na sua cadeira, inclinado sobre um livro muito interessante já que ele nem levantou os olhos para se dar conta de que estávamos ali. Caminhei com dificuldade entre as cadeiras até estar sentada em uma dos fundos, com as muletas de lado. Thalia sentou-se a minha frente, virando-se totalmente para mim.

– Mais opções?

– Tritão. – respondi, prontamente

– Sem chances. – ela deu de ombros – Percy disse que ele não sabe nem que o pai dele trabalha na Scotland.

– Thalia. – massageei as têmporas, tentando não ser grossa – Estamos falando da família Jackson, qualquer argumento que venha deles é inválido.

– Você está falando como se Percy não tivesse ajudado você todo esse tempo.

– Ou me enganado todo esse tempo. – resmunguei

– Sabe, eu não estou acreditando que você está supondo, imaginando, pensando ou qualquer merda do tipo que aquele cara ali estava realmente te enganando. Ele pode ser tudo, e pode fazer tudo, menos te enganar.

Segui a ponta do seu dedo a tempo de ver Percy entrando e desmaiando em uma das últimas cadeiras, três fileiras afastadas das nossas.

– Fala mais baixo. – grunhi, aproximando-me dela

– Nós vamos falar com Thomas. – ela sussurrou – E vai ser o mais rápido possível. Vamos tirar a limpo o fato de que ele deve estar tão louco quanto o pai.

– Ele não está louco.

Thalia revirou os olhos e virou para frente.

Fechei os olhos e desabei meu rosto entre minhas mãos.

Onde eu estava me metendo?

Notas finais
Cara pq vcs nunca respondem minhas perguntas why eve why entao isso ai postei esse capitulo hoje na vdd ele foi programado pq eu n tava afim de postar no domingo entao eu postei hoje por isso é um capitulo surpresa MAS nao esperem pro isso pq vcs deixaram de me mandar recomendações entao eu to chorosa adeus