Nightingale.
1 Prólogo.
Notas iniciais
Olá, pessoas, como eu disse lá em NBH, essa é minha história nova etc
Mas, enfim, é uma história (como sempre) totalmente diferente do que eu já escrevi ever!
Realmente, não tem nada com traição, nem são adultos etc, enfim algo totalmente novinho e folha, bem, espero que gostem.
Boa leitura!
"You better run, better run faster than my bullet"
- Mãe, não enche. — puxei o lençol fino sobre minha cabeça, tentando com todas as minhas forças ignorar os gritos de como eu era irresponsável
- Annabeth! — ela puxou o lençol e fechei os olhos com força — Quem é esse garoto? Outro garoto!
Ri e abri um dos olhos, vendo um garoto moreno de olhos castanhos usando bermudas e sem camisa, ele sorria brincalhão mesmo estando com o rosto corado e provavelmente, tão chapado quanto eu.
- Oi, — murmurei com um sorriso sedutor — eu não sei quem você é. — fiz uma expressão de pena para minha mãe e acenei para o garoto — Mas acho melhor você ir embora antes que a coisa fique feia pro seu lado, e ah, se quiser me levar também, você vai ser meu Charming Prince.
O garoto riu, mas não seguiu meu último conselho, passou pela porta e sumiu. Minha mãe bufou impaciente.
- Não sei mais o que fazer com você, Annie, — acariciou meus cabelos enquanto eu voltava a fechar meus olhos — não sabia que a coisa era tão drástica.
- Por favor, mãe, por que você acha que eu andava tão cansada quando você chegava a casa? — reclamei — Agora, por favor, eu ficaria infinitamente agradecida se você me deixasse dormindo.
- Annabeth, você vomitou muito!
- Aham, eu sei. Eu sempre faço isso. — disse com meu melhor ar de normalidade
- A casa está uma bagunça... Por favor, me diga que é a primeira vez que você faz isso.
Dei um risinho e neguei.
- Mãe, — choraminguei — temos essa conversa depois, que tal? Juro que pode passar qualquer sermão que quiser.
Atena balançou a cabeça, e saiu do meu quarto.
Suspirei, irritada, e fechei os olhos voltando a dormir, sem me importar qual seria o próximo castigo tenebroso de Atena.
Meu sono foi bem rápido, com direito à pesadelos do tipo aterrorizantes que, infelizmente, eu já estava acostumada com o suor que fazia quando eu estava nesses sonhos, às vezes, variava... Era um frio intenso, com dores nos pés e essas coisas.
Mas agora, eu realmente estava com calor.
Tirei o lençol fino e molhado em cima de mim, percebendo que só estava de calcinha... Provavelmente, fora isso que o garoto estava rindo. Legal. agora além de vadia, eu seria conhecida como o quê?Pior que isso não ficava, com certeza.
Abri a janela do segundo andar, fechei a cortina branca, suspirando. Sem sol por um curto período de tempo.
Entrei no box, sentindo as gotas frias percorrendo os vales do meu corpo... Analisei as gotas, caindo... Caindo, caindo, caindo... Sorri, eu ainda estava sobre o efeito da maconha e da vodka?
Felizmente, as paredes não giravam nem tentavam me esmagar.
Vesti jeans surrados e um casaco vermelho com rasgos atrás, e todo folgado, agradecendo pelas mangas me protegerem do frio que não fazia, mas para mim, sim.
Do banheiro, há uma porta de correr transparente com acabamentos brancos nos cantos que dá para o closet que minha tia, Afrodite designer de interiores, fez questão de fazer um desses, então agora eu tentava empurrar a porta emperrada que dava do closet pro quarto.
Quase cai quando isso aconteceu por causa da força que eu insistia em pôr na pobre porta.
- Qual é. — resmunguei, impaciente ao ver minha mãe sentada na minha cama já arrumada com um edredom lilás.
- Venha, tome um pouco de suco, eu pedi pra Mary fazer rabanadas e pães para você.
- Mãe, eu só quero um remédio. Aqueles de antirressaca, tá ligada?
- Annie, vamos conversar.
- Mãe. Por favor, eu te imploro. — juntei as mãos e fiz um beicinho
- Não, Annabeth... É melhor fazer suas malas.
- Inglaterra? Mal começou o ano e você já vai me exportar.
- Eu não sei mais o que fazer! Eu tentei vir para Califórnia porque é calor, e você adora, eu pensei que você fosse, sei lá...
- Mãe, ok! Eu não me importo em ir para Inglaterra, todos os meus primos irão. Em um internato, não mudará nada. — dei de ombros
- Nem todos vão. — disse, passando as mãos pelos fios tão dourados quanto os meus, porém pareciam mais platinados
- Como assim? — levantei as sobrancelhas e voltei a dar de ombros, como se não me importasse — Quem vai?
- Apenas Thalia... Minha filha, isso é para seu bem. — estendeu a mão até minha bochecha, mas recuei
- Me afastar da cidade que, de todas, é que eu mais amo? Ah, claro, é parao meu bem. — frisei — Ok, mãe, eu não me importo, pelo menos, eu posso ficar bêbada todos os finais de semana, sem ter você para me encher o saco. — resmunguei
- O que aconteceu com você, Annie? O que eu fiz de errado?
- Deixar meu pai morrer. — terminei de comer meu pão doce e levantei-me — Quando eu tenho que começar a arrumar as malas?
- Annie...
- Mãe, olha, você sabe que eu te amo! Sim, era isso que queria ouvir? Eu não preciso ir para Inglaterra para mudar, porque eu não quero mudar. Eu só quero curtir, se for por causa das minhas notas, beleza, eu sou a número um da sala e você sabe disso. Eu só não entendo por que tenho que me mudar para lá! Só por que abriu uma nova filial da Goode? Com mais patricinhas para suportar? Não, obrigada, prefiro ser presa.
- Legal. Eu não estou perguntando o que você prefere, não é pra você decidir, Annabeth. Eu sou sua mãe, eu decido. É a terceira vez que chego de viagem e você acaba de dar uma festa, e tinha três... — respirou fundo e continuou — Três meninos no seu quarto! Como você acha que me senti? O que você acha que pensei de você?
- Sou uma vadia? — arrisquei e sorri — Muito obrigada, mas já ouço isso demais na escola.
- E você se orgulha por isso?
- Me orgulhando ou não, é o que sou agora e não vou mudar só porque minha priminha vai estar lá ou porque Thalia vai estar de olho em mim.
- Ares e Afrodite também estarão lá. Seu apartamento para os finais de semana é com a Afrodite. Tem câmeras e você está terminantemente proibida de entrar com alguém mais naquele prédio a não ser Thalia... Afrodite é psicóloga de lá, ou seja, ela sabe detudoque acontece lá. Você pode até me enganar, mas não Dite.
Isso era óbvio, e foi muito jogo sujo ela ter colocado logo meus piores (melhores e que mais me amam) tios para cuidarem de mim. Claro que Ares era um amor de pessoa, ok, ‘tô mentindo. Ele era um ex-comandante do exército, só andava armado e coisas do tipo. Parece que ele tinha um pub na Inglaterra, e para minha mãe ter me deixado ir tão longe dela, quer dizer, que deveria ser um pub onde todo mundo (principalmente os adolescentes desse internato) frequentavam.
Ótimo, agora eu tinha um tio que, também, tinha um pub, era ex-portador de arma, provavelmente, ou ainda tinha uma, "morava" no lugar que eu iria frequentar!
Lógica demais, ou talvez ilusão. Prefiro ilusão.
Certo, agora Afrodite. Minha linda e fofa tia Dite? Bem, talvez minha mãe tenha a ameaçado, como sempre. Ela, provavelmente, me acobertaria e seduziria tio Ares. Minha única esperança era tia Dite me amar tanto quanto eu achava que ela me amava.
Estiquei e joguei mais um pãozinho na minha boca, sorrindo.
- Ok, mamãe. Partiu Inglaterra! Ihu! — levantei a mão com uma falsa empolgação
Minha mãe sorriu, talvez ela tenha tantos problemas quanto eu. Abraçou minha cabeça e beijou o topo da mesma.
- Eu tenho esperança em você, meu amor. Você é minha única família, aqui.
- Eu sei. — tentei parecer indiferente, mas... Cara, era minha mãe! Eu quase nunca a via, agora seria mandada para Inglaterra e mesmo que eu odiasse o fato de não ser livre para fazer o que quiser, ficar longe da única pessoa que mesmo que eu fizesse de tudo para contrariá-la, ela fazia de tudo para me fazer sorrir.
- Eu te amo tanto, Annie... — ajoelhou-se no chão e envolveu meu rosto com suas mãos perfeitas de arquiteta — Tanto, tanto... Acho que vou entrar em depressão sem te ver por tanto tempo.
- Sem drama, mãe. — sorri — Não me mande pra lá, eu juro... Juro que vou mudar! Sem festas aqui em casa, sem bebidas, sem sexo... Sem rock n' roll. — fiz um beicinho com direito a lágrimas falsas e tudo mais
- Annie, Annie... Você precisa mudar! Isso não vai te levar a nada. Só é seu último ano e fim. Fim. — beijou minhas duas bochechas e levantou-se enxugando o rosto que já estava vermelho e banhado em lágrimas
Como eu disse antes, minha mãe era a melhor mãe do mundo, e eu não sabia o porquê de ser tão diferente do quanto ela esperava que eu fosse. Ela não merecia e Thalia ainda ia sofrer comigo. Bufei, que tipo de melhor amiga eu era?
- Mãe, por favor. — implorei mais uma vez
- Não, Annabeth, esse é o primeiro e espero que seja o único castigo que eu te dê. Vou te ajudar a arrumar as malas.
- Atena! — gritei — Prometo que nunca mais na minha vida faço coisas desse tipo!
- Annabeth, não vai resolver. O voo sai hoje, às onze. Temos que sair daqui até onze horas, ainda temos que pegar um pra Orlando.
- Então, quer dizer, que isso não é um castigo drástico? — argumentei, raivosa — Você estava planejando isso há quanto tempo, mãe?
- Talvez umas duas semanas. Mas isso não importa já que você vai e não importa o que faça. E se tentar fugir, ou uma tentativa medrosa de suicídio, você vai ser levada de qualquer maneira para Inglaterra.
- Ah, mãe, por favor.
- Nhenhenhe, arrume suas coisas, vamos em duas horas.
***
- Eu fui, praticamente, exilada da minha casa! — resmunguei, sentando-me na cama
Thalia revirou os olhos. Usava uma blusa do Guns N' Roses com franjas e uma saia curta colada ao corpo, seus cabelos tinham uma cor de mel quase negra, mas dava para diferenciar. Seus olhos azuis eram hipnotizantes, e agora, antes de ouvir o quanto eu estava irritada, revoltada e excluída da minha própria família, ela me ignorava habilmente.
- Eu vou jogar esse Iphone 5 de merda no esgoto se você não falar nada!
- Ah, você quer que eu diga que eu ‘tô super feliz que vou ser deportada para Inglaterra? Não, obrigada, prefiro continuar com raiva sozinha.
- Eles te deram o mapa? E essas coisas de programação especial e culturais para estrangeiros?
- Uh, sim me deram, mas deve estar em um lugar emperrado bem no fundo da minha mala.
-E você vai assim? De saia curta e blusa dos Guns?
— Não achei minha calça de couro, então um sobretudo vai ter que servir.
Ri, enfiando mais algumas calças dentro da mala preta.
-E o uniforme! — exclamei, tentando não rir — Parece daquele seriado mexicano.
- Ridícula. — minha prima revirou os olhos — Se liga, garota, deve até ser bonitinho. Aqueles suspensórios azuis são legais e é optativo, duvido se aquelas patricinhas irão usar uma daquelas.
- Argh, você vai dar uma daquelas roqueiras rebeldes até todo mundo perceber que você é tão puta quanto eu.
- E a blusa é tipo, qualquer uma! — dançou em cima da minha cama — Tá ligado que eu posso usar qualquer blusa?
- Vou usar sutiã.
Novamente, ela me ignorou.
- Sabe, eu acho que prefiro um colégio interno mesmo. Embora, eu não goste muito do fato de ficar presa e só estudar... Bem, acaba sendo melhor que ver meus pais tendo luas de mel eternas.
Ri, era engraçado ver o quanto Thalia repugnava o fato de seus pais serem tão apaixonados a ponto de terem relações sexuais quase todos os dias.
Eu cheguei a pensar que tamanha curiosidade de Thalia seria tanta que viraria prostituta. E não, eu não estava brincando.
Terminei de dobrar um dos misteriosos sobretudos perdidos no guarda roupa de Nárnia que eu chamava de closet, e que eu nem sabia que era tão grande (ou maior) que o guarda roupa de Silena. Ugh, tinha quase certeza que era.
Diferente do que todo mundo acha, que eu deveria pular em cima da minha mala, jogar pela janela e coisas do tipo para fechar minha mala, puxei o zíper como qualquer pessoa normal faria.
Sorri.
- The eeeeend. — disse com uma voz grossa e melancólica — Pronta para dar pra metade da Europa?
-Toda a Europa. Vamos ver se os ingleses são melhores que os californianos.
- Isso eu duvido. Na boa, existem pesquisas que comprovam que os californianos tem o melhor beijo do mundo.
- Sério? E se ele só nasceu aqui e se mudou?
- Se for californiano, continua sendo lindo, maravilhoso e com o melhor beijo já conhecido. — expliquei com um sorriso enorme.
- Ah, dude, vai ser tão legal! Você sabe, atravessar aquele canal lá e conhecer toda a Europa em um final de semana, voltar tão chapada que nem iremos lembrar do nosso nome. Vai ser um máximo.
- Só temos que saber se as ameaças de minha mãe são mesmo verdades.
- Então você acredita que tio Ares vai deixar de ser um grosso? Que tia Dite vai ser rigorosa? Que planeta você vive, Annabeth?
- Em um que tudo pode acontecer.
- Não me venha dizer que acredita em milagres.
Franzi os lábios, e recusei a dar um gostinho de revolta para minha prima. Empurrei as três malas que arrumei com todas roupas de frio, shorts rasgados, casacos folgados e rasgados (não era minha marca registrada já que ninguém me via assim, nem minhas primas). A mala com meus melhores coturnos, botas, rasteiras e sapatilhas já estavam no carro do meu tio, Zeus.
Eu e Thalia pulamos os degraus com sorrisos. Diferente dela, eu usava uma calça justa e totalmente rasgada mostrando quase toda minha perna, optei por um cropped preto que se assemelhava à sutiã repleto de tachinhas, e um blazer... Sim, porque se eu queria parecer apresentável naquela escola eu deveria me vestir apresentavelmente.
Eu até vinha pensando em largar arquitetura, para fazer moda, mas daí eu me lembrava que Silena iria fazer isso também e ela era mil vezes melhor em vestimentas que eu.
Obrigada, mas não gosto de ser a segunda no que faço.
De qualquer maneira, aqui estou chorando toda a água do meu corpo no ombro de minha mãe, tentando convencê-la de que eu poderia mudar se continuasse na cidade que eu mais amava.
- Eu vou te visitar daqui há quinze dias, tudo bem?
-Mãe.- implorei pela milésima vez
- Eu te amo, querida.
Assenti antes que entrássemos no avião e eu só conseguisse ouvir Suit & Tie de Justin Timberlake nos meus headphones verdes.
Notas finais
Bem, espero que tenham gostado.
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