Nightingale.

32 Nothing more to say.


Notas iniciais
Capítulo dedicado à fofa da VivianValdez pela recomendação, linda! E bem, para todo mundo. E ah, uma nota final chorosa.

"I feel it every day, and that's what makes a man, not hard to understand"

Assim que meus pés tocaram a calçada e pude ver a caminhonete de Luke parada preguiçosamente rente ao meio fio, senti uma onda de alívio sobre meu corpo. Encarei os dois lados da rua, mas me arrependi ao ver carro de luxo parado na esquina. Poderia ser Jack, era ele. Minha respiração ficou superficial em segundos, fechei os olhos, tentando me focar em algo, tentando ignorar o medo que crescia dentro de mim, como se sugasse qualquer sentimento maior.

Uma buzina insistente me fez abrir os olhos e volta-los para a esquina onde não tinha nada além de uma senhora de cabelos repuxados atravessando a rua calmamente.

Olhei para a caminhonete velha e Percy estava lá com o cenho franzido, me encarando confuso.

Meus pés apressaram a pequena distância até o carro, abri a porta com um empurrão e segurei seus ombros contra meu corpo. Abracei seu corpo contra o meu, procurando a sensação de segurança que ele costumava me passar, suas mãos foram hesitantes as minhas costas, afagando meus cabelos levemente. Seu perfume era forte, fazendo-me roçar o nariz em seu pescoço, beijei sua clavícula, subindo para seu queixo e arranhando seu couro cabeludo.

Percy apertou minha cintura e tentou me afastar, o que me fez colar meu tronco contra o seu o máximo que eu podia, apertei ainda mais seus ombros e virei meu rosto para beija-lo com urgência. Apertei seu rosto entre minhas mãos, sentindo seus lábios formarem um sorrisinho embaixo dos meus. Suas mãos seguraram meu quadril e me afastou lentamente, controlei minha respiração pronta para brigar com ele e então, senti seus dedos segurarem meu queixo, seus braços me abraçaram levemente, beijando minha bochecha.

– Aconteceu alguma coisa, meu amor? — ele acariciou minhas bochechas calmamente

Balancei a cabeça e apertei suas mãos nas minhas.

– Me beija. — choraminguei

Percy riu e apontou com a cabeça para o banco de trás.

Virei o rosto e encontrei uma garotinha com os cabelos negros presos em um rabo de cavalo alto, os olhos verdes nos encarando com um misto de medo, culpa e mais medo. Encarei Percy que tinha um sorriso que se abria ainda mais.

– Surpresa? — sussurrou, inseguro

Abaixei o olhar e ri. Eu estava tão focada no medo que eu estava tendo, no medo que Jack poderia fazer algum mau a pessoas que eu amo, que eu prezo. Ele estava tirando o foco real das coisas. O foco real de ter voltado para Califórnia.

E naquele momento, meu foco era aquele moreno de olhos verdes com um sorriso enquanto parecia quicar no banco de couro.

– Diga oi para minha namorada, Kaya.

– Namorada? — perguntei para Percy e ele piscou

– Oi. — Kaya balançou a mão — Lembra o que mamãe disse? Não pode beijar. — soletrou

– Eu não beijei. Ela beijou.

– Mas você continuou. — ela reclamou emburrada, cruzando os braços e afundando no banco

– Ela é a culpada. — Percy apontou para mim, infantil

– Babaca. — empurrei seu ombro.- Kaya, quem está errado? — disse, encarando-a, ela apontou para o irmão com um beicinho e sorri — Ganhamos. — bati minha mão com ela e rimos

– Por quê? Ela é a culpada! Você devia me apoiar.

– Você é o culpado desde que você decidiu vir pega-la. — Kaya explicou simples

O moreno riu e encarei-a, tentando parecer raivosa.

– Kaya!

– Mas, ele disse que só ia ser nós dois. — resmungou

– Mas somos um casal. — envolvi eu e ele com o indicador — E quando formos casados como seus pais? Como vai ser?

– Meus pais não são casados. — respondeu simples — Meu pai não mora comigo, eu tenho um pradastro.

– Padrasto. — corrigiu Percy

– É. Isso. — Kaya revirou os olhos verdes — E vocês vão se casar?

– Claro! — respondi como se fosse a pergunta mais boba do mundo, ignorando o olhar de Percy sobre mim

– E quando vocês se casarem... O meu irmão vai te deixar como meu pai fez com minha mamãe? — sua voz foi baixa ao dizer aquilo e percebi o quanto ela podia se sentir machucada com não ter um pai. O verdadeiro pai.

Um silêncio tenso preencheu o ambiente. Mordi o lábio inferior e encarei Percy que ainda tinha os olhos cravados em sua irmã.

– Nunca vou deixa-la, Kaya. — disse

Engoli em seco, observando a menina que parecia estranhamente culpada e assustada.

– Então, que tal irmos para casa? Tem um garotinho muito fofo e gato para te apresentar. — pisquei

– Eca, garotos são nojentos! — gritou com uma careta

Percy riu, ligando o carro.

– Continue assim, linda.

Assim que chegamos a casa em um misto de silêncio e a voz baixinha de Kaya cantando uma música desconhecida a mim, entramos na sala e pude ver minha tia sentada no sofá, entediada, encarando as unhas rosas com seu vestido vinho longo, como se fosse a uma festa de gala.

Minha mãe estava andando de um lado para o outro e não estava tão diferente com seu vestido vermelho-sangue colado ao corpo, um decote vantajoso demais, terminando com saltos enormes.

Seus olhos cinzas se cravaram em nós, como se estivesse nos dissecando. Nico assoviou na poltrona com Thalia em seu colo. Minha prima tinha uma segunda pele preta que você pode chamar de vestido enquanto Nico usava camisas sociais e jeans.

– Para onde vocês vão?

– Onde você estava, mocinha? Eu disse para Thomas te liberar mais cedo. Vamos ter um jantar importante com seu avô...

– E por isso você está vestida assim?

– Claro! — Afrodite gritou de onde estava — E quer que a gente vá assim?– apontou com o indicador pra minha roupa

Baixei o olhar para minhas roupas. Um vestido vermelho com tênis. Eu não estava tão errada para um mísero jantar em família.

– É uma reunião em família. Não uma festa de gala.

– Na verdade, nosso jantar em família é uma festa de gala. — Thalia explicou com um sorriso

Bufei e encarei minha mãe pronta para enfrentar uma batalha do quanto eu queria ficar em casa.

– Quem é ela? — Atena ergueu o dedo atrás de mim

Virei-me, percebendo Kaya agarrada a perna de Percy que nos encarava confuso.

Quem é ela? A pergunta ecoou na minha mente. Minha mãe sabia da existência de Sally? Sabia que seu possível amante havia lhe traído com outra amante?

Percy parecia procurar uma desculpa plausível. Prima? Quem seria a irmã ou irmão de Poseidon? Ela saberia que estávamos mentindo. Conhecida? Nenhuma mãe deixaria sua filha com dois adolescentes que nem conheciam.

– Annabeth, Perseu, quem é essa garota?

Eu nem conseguia respirar direito. O que Percy estava pensando quando trouxe Kaya para cá?

– Ela... — comecei

– Minha irmã. — ele disse com a voz trêmula, afagando os fios revoltos que saiam do aperto de seu rabo de cavalo

– Sua... Sua o quê?

Até Afrodite havia erguido os olhos para observar Kaya e o que aconteceria a seguir.

– Irmã. — respondeu com mais firmeza

– De quem ela é filha?

– Vocês estão atrasados, certo? Não queremos te atrapalhar, mãe, vamos ficar por aqui.

Atena massageou as têmporas e fechou os olhos, respirando fundo.

– Annabeth, suba e coloque um vestido. Percy, Afrodite trouxe algo pra você e...

– Kaya vai conosco. — afirmei — E ela vai ficar comigo, no meu quarto.

Atena bufou e apontou para atrás dela.

Meneei a cabeça para Percy ir na minha frente, ele pegou a irmã nos braços e avançou passos enquanto eu o seguia rapidamente.

Assim que chegamos na cozinha, começamos a gargalhar, até Kaya compartilhou de nossa adrenalina alta enquanto corríamos em direção ao meu quarto. Abri a porta com o quadril e nos jogamos em cima da cama.

– Essa é minha mãe, Kaya! — disse, fingindo comemorar

– Sua mãe? Ela está muito brava!

– Muito mesmo. — Percy abraçou-a e virou para si — Olha, você fica aqui enquanto a gente toma um banho, certo?

– E eu? Vou assim? — ela apontou para suas próprias roupas: um short preto e uma blusa verde

Encarei Percy, eu não tinha ideia onde poderia conseguir roupas para ela.

– Bem, você está linda. — murmurei

O moreno assentiu e deu um pulo da cama.

– Volto já. Fique aqui, ok?

Kaya assentiu, emburrada, vendo-o sair e fechar a porta.

– Quer procurar uma roupa pra mim? — disse com um sorriso

– Posso?

– Claro! — puxei sua mão em direção ao closet e a levei até uma arara com vestidos longos — Aqui está. E ali são os sapatos. Ali do lado tem as joias. Pode escolher o que quiser, juro que vou usar.

Kaya abriu um sorriso, me enxotando do meu closet. Suspirei aliviada indo em direção ao banheiro.

Eu estava rezando para que esse jantar fosse o mais rápido possível. Não é por nada, quer dizer, eu amo ver minha família. Mas o jantar que meu avô tanto prezava era um saco. Lembrei-me do encontro da família de Silena onde encontrei Poseidon pela primeira vez, todos eram ativos e mesmo com aquelas brigas, todos pareciam felizes de estar ali.

Já o nosso jantar era uma obrigação. Começando pelo fato de que tínhamos que vestir nossas melhores roupas, que costume lesado era esse? Da Idade Média, porque olha.

Depois de ter um banho relaxante e esquecer que eu ia ter que me comportar como uma criancinha fofa e indefesa na frente de todos, saí do banheiro.

Na cama de casal, um vestido azul longo sem decotes na frente e uma fenda atrás estava exposto junto com um sapato preto e brincos de pérola. Um papel branco arrancado das minhas notas na gaveta debaixo da cômoda tinha letras tortas de quem estava acabando de aprender a escrever com a mensagem "Cabelo preso!".

Ri de tudo aquilo e girei no próprio eixo, procurando pela garota que fez aquilo.

– Kaya?

Nenhuma resposta. Percy.

Dei mais um sorriso e comecei a me arrumar.

Como esperado, o vestido ficou muito bom, havia feito um coque bagunçado com alguns fios de fora e estava colocando meus brincos quando alguém bateu na porta.

– Entra.

Percy adentrou o cômodo, uma das mãos no bolso, os cabelos molhados sobre a testa e a camisa de botões com listras azul marinho.

Ele sorriu ao encarar todo meu corpo e veio até mim, ajudando-me a girar.

– Linda. — sussurrou, tentando beijar meus lábios

Afastei seu corpo do meu.

– Batom vermelho. Não muito bom pra beijar.

Ele fez um som indiferente e rodeou o quarto com os olhos.

– Onde está Kaya?

– Eu... — franzi o cenho — Achei que ela estivesse com você.

– Merda. — resmungou, saindo do meu quarto com passos apressados

Encarei meu reflexo no espelho mais uma vez e corri o máximo que meus saltos podiam. Desci as escadas a tempo de ver a blusa de Percy. Com passos rápidos e respiração ofegante, cheguei a sala ouvindo risadas.

Thalia se contorcia abraçada a Nico, minha mãe batia nos joelhos, bagunçado os fios loiros. E na poltrona grande, Afrodite fazia cachos nos cabelos de Kaya que usava um vestido rosa de tule.

Arqueei a sobrancelha.

– Onde você arranjou isso? — perguntei confusa

– Dite. — Thalia explicou, como se fosse o suficiente

– E então, vamos? Estamos atrasados demais, não acha? — Atena recuperou-se dos ataques, indo até a porta

Afrodite pegou Kaya no braço, mexendo em seus fios e conversando sobre algo que eu não ouvia. Percy estava meio perplexo ao meu lado, mas agarrei seu braço quando percebi que éramos os últimos ali.

No carro da minha mãe estava eu, Percy e Kaya enquanto os outros iam com tia Dite. A rua da casa (mansão) do meu avô era um pouco longe da minha casa e da cidade, ficava de frente para a praia a vista da areia branca e adentro, gramas preenchiam o local.

A casa dele era a típica casa da Idade Média, mas ele tinha dezenas espalhadas por Los Angeles. Uma era perto da casa do meu pai, meu avô só ia para lá quando se sentia muito sozinho ou... Quase sempre. Devia ser esse o motivo que eu evitava visita-lo. Não lembrava.

Depois de quase meia hora, adentramos os portões e no "estacionamento" havia mais alguns carros desconhecidos.

– Ah, não. — minha mãe resmungou

– O que foi? — perguntei

– Não é uma reunião em família. — franzi o cenho confusa — É uma reunião da empresa de seu avô.

– Não. — choraminguei

Repentinamente, minha mãe sorriu.

– Foi aqui que encontrei seu pai pela primeira vez.

– E o meu. — Percy adicionou fazendo eu e Atena virarmos os rostos para ele rapidamente, seu rosto ficou corado e ele desviou os olhos — Desculpe.

Ri.

– Garoto, é melhor não se aproveitar da minha paciência. Ainda teremos que conversar sobre dirigir o carro do Luke sem carteira.

E portar uma arma sendo menor de idade, completei. Percebi-o verificando a cintura discretamente antes de sairmos do carro.

Kaya não parecia tão tímida, minha mãe segurou sua mão enquanto iam à frente do caminho de pedras. Pendi meu braço na curva do cotovelo de Percy enquanto a seguíamos. Seus olhos estavam eufóricos verificando cada parte do terreno.

– Nunca esteve aqui?

Seu rosto virou-se rapidamente para mim e ele encarou a passarela à frente.

– Não. Não me sinto bem vindo aqui.

Acariciei seu antebraço com as pontas dos dedos com um sorriso calmo.

– Estamos seguros aqui.

Ele arqueou as sobrancelhas.

– Não digo sobre segurança. Aliás, não tivemos tempo de comentar, mas... O que aconteceu quando saiu do hotel? Thomas fez algo?

Desviei meus olhos, levantando a ponta do meu vestido ao perceber que estávamos em frente a porta de madeira branca aberta para nós, como um convite.
Não respondi, fomos chamados para uma mesa onde todos meus familiares estavam. Avistei Luke a tempo de eles não me verem e puxei Percy comigo.

Meu primo estava na mesa de ponche, como era de se esperar. Em seus braços, um garoto de oito anos tomava uma bebida colorida e abria um sorriso grande.

– Isso é muito bom, cara!

– Isso ai! — Luke fez um high-five estranho com ele e riu

Antes que eu pudesse avançar naquele garotinho adorável e maravilhoso, Thalia o pegou do colo de Luke, abraçando-o. Seus braços apertaram o garoto e ela afagou seus cabelos.

Um abraço entre irmãos.

Observei a festa ao meu redor. Os lustres descendo elegantes do teto, as mesas espalhadas pelo que antes era a sala, as duas escadas formando um círculo central que daria para a enorme mesa de jantar.

Tão fútil.

– Annie! — Jason abriu os braços em minha direção com o rosto sofrido por estar sendo apertado por Thalia

Puxei-o garotinho de seus braços, apertando-o contra meu corpo.

– Que saudade, bebê! — apertei-o mais e ele riu

– Eu também. Mas a Thalia me aperta muito! — ele riu, apoiando os braços em meus ombros — E você ainda é minha namorada, não é?

Inclinei a cabeça e acabei rindo.

– Eu disse que era pra sempre, não disse?

Jason riu e virou-se dando língua para Luke.

– Não iluda o garoto, Annabeth. — meu primo reclamou — Jason, sabe quem é esse? — ele apontou para Nico que rodeava a cintura de Thalia

– Não. E ei, Thals, a Annie ainda é minha namorada.

– Idiota, não faça isso com ele.

– Ai, mas quem não aceitaria namorar com esse ser perfeito? — apertei as bochechas de Jason

– Jason! Esse é o namorado da Thalia. — Luke explicou — E o que eu disse sobre fazer com os namorados das irmãs?

Jason sorriu e se remexeu em meus braços indo para o chão, em segundos, senti o braço de Percy em minha cintura e sorri para ele.

Virei o rosto a tempo de ouvir um gemido doloroso de Nico e o loirinho com um sorriso vitorioso.

– Isso dói. — Percy reclamou ao meu lado

– É, eu sei. — Nico gemeu e apertou as mãos em torno do tornozelo — Por que você fez isso, garotinho? – grunhiu a última palavra que pingava com seu sarcasmo

– Ninguém mexe com minha irmã! Nem com minha namorada! — Jason correu até mim e tentou abraçar minha perna.

Ri e afaguei seu cabelo.

– Jason, você não pode seguir tudo que Luke diz ser certo. — expliquei calmamente

– Tem que seguir sim!

– Não é pra seguir, não! — Thalia retrucou e levantou a palma, estalando contra o rosto de Luke

– Estamos em uma festa! — disse alto e abaixei meu tom ao perceber poucos olhares para nós — Modos!

– Percy... — abaixei o olhar para observar Kaya encarando o moreno — Estou perdida.

– Ei, garotinha. — Luke acenou — Jason, tá venda essa menina? Ela não é linda?

Percy levantou os olhos raivosos em direção a Luke e franziu as sobrancelhas.

– Luke... — tentei

– Garotas assim são pra você. – disse ele

O garoto ao meu lado pegou Kaya em seus braços e encarou Jason.

– Sabe o que eu faço quem mexe com minha irmã?

– Nada. — Thalia se intrometeu e levantou o dedo — Tenta tocar em meu irmão.

– Ele ia tocar na minha irmã.

– Ele tem oito anos! Ele não ia fazer nada.

– Eu sou o Jason, qual é o seu nome? — ele perguntou ignorando a briga que se seguia entre Percy e Thalia

– Kaya. — ela respondeu tímida

Quase fiz um "awn" enorme ao ver que eles iniciaram uma conversa infantil e fofa. Em poucos minutos, Percy e Thalia quase estavam se matando enquanto Jason contava uma piada para Kaya que ria com as bochechas coradas.

Isso é amor infantil?

– Por que vocês não brincam no jardim? Lá tem uns balanços ótimos. — sugeri, segurando o ombro de Jason com um sorriso

– Verdade! E Kaya, essa é minha namorada. — apresentou

Balancei a cabeça, negando e voltei a apontar para fora.

– O jardim. — avisei — Antes que eles notem. — apontei para eles brigando atrás de mim — Vão.

Kaya assentiu, sendo levada por Jason enquanto eles corriam entre as pernas dos convidados.

Levantei e sorri. Trabalho de unir criancinhas: concluído.

– Bom te ver, querida.

Soltei a respiração de meus pulmões, tentando parecer relaxada. A briga de Thalia e Percy pareceu ter acabado no minuto que meu avô falou. Ergui os olhos para ele, encarando a pele meio flácida, os olhos cobertos de rugas, o sorriso repuxando-as ainda mais. Seus olhos castanhos claros traziam um velho ar de "lar doce lar", seu corpo ainda continha certo porte de atleta e parecia mais elegante do que era com o blazer e a taça em uma das mãos.

– Bom te ver, vovô.

Ele revirou os olhos e sabia o que ele pediria se não fizesse. Imitei seu movimento e peguei sua mão.

– Benção, vô.

Cronos sorriu e afagou minha testa.

– Deus te abençoe, querida. E você, Thalia, até Annabeth deixou a rebeldia de lado. — brincou

Minha prima corou e veio até ele, repetindo o movimento e as palavras.

– Pensei que demoraria muito mais. Estávamos esperando vocês para que o jantar fosse posto. — declarou com a voz rouca e arranhada — Luke, filho, pode avisar isso para seus pais e tios?

– Sim, senhor.

É, todos respeitavam e admiravam Sr. Cronos Olympus. O fodão da família, se quer saber. Até Luke que negava aceitar as ordens do pai, a qualquer palavra dita do meu avô era uma ordem a ser seguida por ele.

– E... Quem são esses rapazes?

Thalia pigarreou e deu aquele típico sorriso ensaiado que tínhamos desde os nove anos. Ela colocou as mãos atrás do vestido preto e deu um passo para o lado, esperando que Nico viesse, mas tudo que ele fez foi dar um sorriso rápido, ficando parado no mesmo lugar.

Minha prima bufou e rapidamente, voltou a posição anterior.

– Esse é o Nico. — apresentou com o mesmo sorriso — Ele é inglês. Nos conhecemos no internato.

Cronos franziu o cenho e balançou o conteúdo de sua taça, pensativo.

– Zeus me disse que era um internato só para meninas... Ele mentiu?

Fiz uma careta, imitando o sorriso da morena e assenti.

– Um internato só para meninas? Isso não existe mais, vovô. — expliquei

– Claro que existe. Farei o possível para que sejam trans...

– Vô! — reclamamos juntas

– Tudo bem e... Qual seu nome mesmo, garoto? — apontou para Nico

– Nicolas Di Ângelo.

– Onde... Que mundo pequeno, não? — ele meneou a cabeça com um sorriso pequeno e virou-se para Percy — E você?

– Hã... Esse é Percy. — apresentei, aumentando meu sorriso — Eles são primos, que coincidência, não?

– Primos?

– Sim, senhor. Percy Jackson, prazer.

Meu avô entortou o nariz ao ouvir o sobrenome Jackson e me encarou, como se estivesse decepcionado.

– Mundo pequeno, mesmo. Di Ângelo, Jackson... Onde minhas meninas foram arranjar vocês mesmo?

– No internato. — repetimos juntas

– Que internato mais imundo. — resmungou — Sem ofensas, rapazes.

– Ofensa nenhuma, senhor. — Nico respondeu prontamente — Mas quando você quis dizer "internato imundo" foi conosco, senhor?

– Sim, rapaz.

Segurei uma risada, encarando meu avô e Thalia revirou os olhos, mexendo nas pontas dos cabelos.

– Vovô, não pode falar assim com ele.

– E por que um Jackson veio?

– Bem... Nós estamos juntos.

– Estamos namorando. — ele corrigiu

Revirei os olhos.

Cronos riu.

– Namorando? Annie não me esconderia algo assim, se estão juntos, estão juntos, não namorando.

– Senhor, é que...

– Sem mais, rapaz. O jantar, garotas? Aliás, irei conversar com os pais de vocês a respeito disso. Di Ângelo, Jackson... — bufou — Não esperei todos esses anos para ver vocês com eles.

Meu avô saiu andando na frente, avisando a um e a outro que o jantar seria servido. A música de uma banda qualquer parou repentinamente e foi trocada por uma música ambiente bastante calma. Caminhei com passos rápidos atrás dele, sentindo meu braço ser agarrado com uma força inesperada.

– Estamos juntos, sério? — ele resmungou em meu ouvido

Senti meu corpo se arrepiar e coloquei um dos fios soltos do coque atrás da orelha.

– Não faça isso aqui. — avisei

– Então, tem vergonha de mim? É isso?

Revirei os olhos e virei-me para ele.

– Não é isso. Nunca foi isso. — sussurrei

Percy desviou os olhos, soltando seus braços das minhas mãos.

– Conversamos sobre isso depois.

Ele foi em direção a Kaya, segurando-a pela mão.

A mesa imensa fora divida em duas partes: convidados e família. A região norte fora ocupada por nós, na ponta, meu avô, ao lado dele, Zeus e Hermes com suas respectivas esposas ao lado ocupavam o lugar. Minha mãe estava ao lado de May e Dite estava à sua frente. Olhei para Percy, avisando com um mexer de dedos que seu lugar seria ao meu lado, como se fosse uma ordem. Sentei-me junto a minha mãe, segurando a cadeira ao lado para que ele ocupasse o lugar. Mesmo bufando, ele sentou e ao seu lado, fez com que Kaya estivesse confortável. Ao lado de Dite, estava Thalia, Jason, Nico e Luke.

Cronos levantou-se de sua cadeira e pediu a atenção de todos.

Momentos clichês e desnecessários

– Sejam bem-vindos à minha casa. Espero que estejam gostando da hospitalidade. Estou grato que esta festa, além de amigos da área de trabalho — vulgo sócios que me dão dinheiro -, minha família esteja reunida como há tempos não vem estado. Zeus, Hermes, Afrodite e Atena. Seria pedir demais uma salva de palmas?

Todos riram e fizeram o pedido.

– Bem, agora espero que degustem dos nossos pratos feitos pelo chefe Juán.

Em poucos segundos, garçons equilibravam bandejas de prata, despejando em nossos pratos alguma mistura de macarrão, sardinha e legumes.

– Que nojo. — Percy sussurrou ao meu lado

– O que foi? — disse, remexendo aquele macarrão de cor estranha

– Eu... — ele balançou a cabeça — Esquece.

– E então, o internato não é de freiras?

Primeiro round.

– Nunca disse que era, pai. — Zeus disse, revirando os olhos — Disse-lhe que era um internato da Goode.

– Asneiras. E você, Atena? Como deixa sua filha ir ao internato na Inglaterra e se encontrar com um Jackson? Aliás, Zeus, estou decepcionado com você. Deveria cuidar mais de sua filha.

– Pai, não julgue um livro pela capa. — minha mãe disse, calmamente — Percy é um bom rapaz.

– E você, o que tem a me dizer, Zeus?

Meu tio revirou os olhos até Nico que se encolheu, tentando sair da visão dele.

– O que quer que eu faça? Sequestre o garoto e o mate?

– Muito agressivo. Aliás, por que vocês não ligaram, garotas?

Eu e Thalia levantamos a cabeça rapidamente, encarando nosso avô, surpresas.

– Hã... Estava acontecendo muitas coisas...

– Lá. — completei

– E por que não vieram me visitar? Faz uma semana que chegaram, não é?

– Hm, nós... — comecei

– Estávamos resolvendo... Coisas.

– Muito importantes. — disse, por fim

– Mais importantes que seu avô? — falou com um sorriso

– Claro que não. — respondi, rápido — É só que... Não tivemos tempo.

– E em que cidade vocês ficaram mesmo?

– Hampshire. — Thalia resmungou com um sorriso — Bela cidade.

– Ainda não acredito que o internato de vocês não é de freiras.

– Sinto lhe dizer. — reclamei

– E você, Jackson? — Cronos inclinou-se sobre a mesa depois de algumas garfadas — Por que não come?

Como antes, todos encararam Percy, tentando ver algo. Hermes bufou com um sorriso e Luke escondia o próprio.

Virei o rosto para o moreno, reparando em sua comida toda remexida e espalhada pelo prato.

Ele pigarreou, afastando o prato de seu corpo.

– Eu... Não como frutos do mar. Sou alérgico. — explicou com a voz baixa

Abri a boca várias vezes, tentando falar algo. Do tipo, algo inteligente e que fosse fazer as pessoas ao fundo da mesa, pararem de rir e fazer Luke morrer engasgado. Mas tudo que me passava pela cabeça era que eu devia saber disso. Eu deveria saber que ele era alérgico, quer dizer, eu tinha namorado com ele antes, certo? E se... Balancei a cabeça, segurando seu braço.

– Tudo bem... — sussurrei, procurando uma ideia rápida — Nós... Nós vamos procurar algo pra comer na cozinha, certo? — encarei meu avô, pedindo permissão

Ele pareceu levemente decepcionado, e ainda assim, consegui ver uma pitada de orgulho em seus olhos. Assentiu brevemente e levantei-me, segurando meu vestido pela saia.

Percy me acompanhou, resmungando um "licença", sussurrando algo para Kaya enquanto eu o puxava para fora da mesa. Tive tempo de ver Thalia rindo para mim e dizendo sem emitir som "sortuda". Ainda consegui acompanhar sua risada.

Em segundos, eu o puxava pela cozinha, desviando de garçons que iam e vinham.

– Você realmente quer comer algo? — perguntei, tentando achar alguma coisa fácil que pudéssemos devorar.

Percy avaliou o local repleto de correria e de pessoas vestidas de branco nos empurrando. Decidi levar aquilo como o não e lhe puxei para os fundos, em direção aos jardins.

Apressei o passo até estar longe daquele murmúrio da cozinha, sentando-me arrasada no balanço.

– Minhas pernas doem. Minha cabeça dói... Tudo dói. — resmunguei, afundando minha cabeça em minhas mãos

– Suas pernas doem porque...

Revirei os olhos, com raiva e levantando o olhar para encará-lo. O moreno observava tudo atentamente, fechando os olhos e respirando fundo. Enfiou as mãos no bolso, inclinando-se para trás e para frente.

– Se... Se irmos até a praia, alguém vai se dar conta de que saímos?

Ponderei sua ideia por segundos. E levantei-me em um pulo. Tirei os saltos de meus pés, voltando a puxar Percy pela mão. Andamos pela lateral da casa, com passos apressados e respirações entrecortadas. A distância da casa até a praia parecia imensa de onde estávamos, mas assim que parei para respirar, ele voltou a me puxar, correndo, desta vez.

Rapidamente, meus pés entraram em contato com a areia fria e eu ria escandalosamente em meio a brisa morna que vinha do oceano, apoiei minha cabeça em seu ombro, abraçando sua cintura, segurando meus sapatos e continuando a rir.

– Eu nunca fugi de uma reunião de família. — confessei, levantando o rosto para ele — Acho que estou ficando ainda mais rebelde ao seu lado.

Percy riu e beijou minha testa.

– É a vida, não é? — ele abraçou minha cintura e colou nossos lábios

Todo meu corpo se arrepiou em um misto de choques enquanto eu abraçava sua cintura, sentindo-o tentando bagunçar o coque.

Em um minuto, eu estava em pé, segurando sua cintura e beijando seus lábios, em outro, eu estava deitada contra a areia, rindo feito uma boba e sentindo quilos de areia entrar pelo meu nariz, olhos e boca.

Ele riu comigo, continuando a me beijar.

Momentos depois, estávamos em silêncio, encarando-nos firmemente. Seus globos verdes tinham um tom mais claro e suas bochechas, como sempre, vermelhas, seus dedos acariciavam minha bochecha calmamente, como se tivéssemos o mundo todo a nossa espera. Percy depositou um beijo casto em meus lábios, tirando os fios que insistiam em atrapalhar nosso contato.

– Eu não sei se devo me sentir ameaçado por um namorado seu, tipo dez anos mais novo.

Ri e bati em seu ombro.

– Ele apareceu primeiro que você! — avisei — Ele tem muito mais direitos.

– É? — ele sussurrou, descendo a mão até a minha perna e puxando o vestido lentamente — Eu não gosto disso.

Ofeguei, revirando os olhos.

– Problema seu.

Percy riu novamente e beijou meu queixo inclinado. Apoiou-se sobre os cotovelos, ainda em cima de mim, voltando a acariciar meu rosto.

– Vem cá, podemos voltar ao assunto de você sair aflita do hotel?

Balancei a cabeça com um sorriso, negando. Ele bufou.

– É sério. Aconteceu algo que eu deva saber?

– Não?

– Nada do tipo dele ter te assediado ou... — ele desviou o olhar para o mar — Ou você ter assediado?

– Percy. — resmunguei, puxando seu queixo para mim — Confia em mim, não foi nada, certo?

– Tudo bem. Desculpa. Eu só estou um pouco inseguro enquanto a isso. Droga.

Sorri e beijei seus lábios em uma intensidade calma, sentindo-o apenas.

– Não se sinta.

– Como não me sentir quando você não quis me apresentar como namorado para seu avô?

– Só não houve um pedido formal e... Eu não sou o tipo de garota para isso.

– Você é o tipo de garota que quiser ser. — retrucou

– Eu sou uma vadia. Uma puta. Casta, agora. — expliquei

Percy segurou meu queixo com força e me encarou, sério.

– Minha vadia. Minha puta. Isso é o suficiente para ser chamada de namorada, não?

– Não. — confirmei — Podemos mudar de assunto?

– Não.

– Certo, que história é essa de...

– De o quê? Não mude de assunto.

Bufei, irritada.

– Somos um casal. Isso não é o suficiente para você? Até Kaya aprovou!

Ele sorriu e balançou a cabeça.

– Ainda não somos casados para ser um casal. E você que disse isso para ela.

– Eu só estava brincando.

– Calma aí. Além de não querer namorar comigo, você não vai querer casar comigo?

Ri, batendo em seu peito.

– Nem sabemos se vamos morrer amanhã, Perseu!

– Bem, se eu fosse morrer amanhã, queria saber que você foi minha namorada hoje.

– Posso ser sua namorada até hoje à noite.

Ele revirou os olhos.

– Quando nos casarmos, hein.

– Nem vem! Você que veio todo clichê "eu nunca vou deixá-la", que tipo de romântico é você?

– Ei, eu só estava dando um ar tenso para ficar dramático, sabe?

– Aham, sei.

– Sabe... — ele sussurrou, colocando mais fios atrás da minha orelha, o que me fez mexer em seus cabelos, dividindo-os no meio de um jeito bem tosco — Quando a gente casar, eu quero ter muitos filhos.

– Eu não estou acreditando que você tá falando isso. — um tremor passou pelo meu corpo, lembrando-me rapidamente do que eu tinha feito naquela manhã

– É, eu estou sim. E daí, vai ser uma garotinha loira de olhos verdes. Ela tem que parecer comigo porque se depender de você... Esquece.

– Babaca. Sai, levanta, temos que voltar. — empurrei seu corpo, tentando levantar

Percy jogou seu peso contra mim, subindo meu vestido abruptamente, seus lábios foram de encontro ao meu e sem demora, meus dedos estavam cravados em seu cabelo, bagunçando-os do melhor jeito possível. Suguei seu lábio inferior ao sentir uma das suas mãos apertando meu seio.

– Eu nunca fiz isso na praia. — ele sussurrou, beijando meu pescoço

– Eu adoraria testar. — sussurrei

Ele riu e subiu meu vestido até meus seios, massageando-os levemente. Embrenhei minhas mãos para dentro de seus jeans, apertando seu membro com força enquanto rebolava contra o mesmo. Percy mordia meus lábios, subindo meu sutiã e descendo os beijos para meu colo. Abaixei suas calças com bastante dificuldade com os pés e arqueei meu corpo contra o seu.

– Aqui mesmo? — ele sussurrou, mordendo meu pescoço — Na frente da casa de seu avô?

– Tem outro lugar? — arfei, tentando me sentar

Passei meus olhos rapidamente pela praia, verificando uma pedra grande.

– Ali. — falamos juntos e sorri — Rápido. Tudo tem que ser rápido.

Ele segurou minha nuca, aprofundando mais um beijo. Levantamo-nos rapidamente. Abaixei meu vestido até a coxa, vendo-o chutar os jeans e caminhar com pressa até a pedra que nos esconderia.

Rapidamente, minhas costas estavam de volta na areia já sem o vestido e meus dedos tamborilavam, trêmulos, pelos botões de sua camisa. Afastei-a, passeando minhas mãos pelos seus ombros bem malhados e as costas flexionadas. Percy tirou minha calcinha com uma das mãos, penetrando dois dedos enquanto eu reprimia gemidos e arqueava minhas costas, procurando por ar e pelo corpo dele, claro. Em outro segundo, seu membro já estava em mim.

Suas estocadas rápidas e fortes, fizeram-me prender meu corpo ao dele. Mordi seu ombro, abafando os gemidos altos, voltando a morder seu pescoço, clavícula e orelha, soltando gemidos baixos rente ao seu ouvido e seus movimentos ficavam mais rápidos e fortes. Percy levantou minhas pernas, segurando-as em seu peito, continuando com os mesmo movimentos. Inclinei minha cabeça na areia, fechando os olhos, sentindo os espasmos tão conhecidos vagarem pelo meu corpo.

Mordi o lábio inferior a ponto de ouvir seu gemido rouco.

Continuamos parados naquela mesma posição até eu descer minhas pernas e ficar sentada em sua barriga.

– Você toma anticoncepcional, certo? — ele sussurrou, descendo e subindo os dedos pelas minhas costas

Assenti, confirmando.

– É melhor irmos. — avisei — E, cara, minhas pernas estão muito doloridas. Você me paga, Perseu.

Você me seduziu. Você me tirou do jantar. Então, eu tenho todo o direito de te deixar do jeito que eu quiser.

– É? — mordi seu queixo com um sorriso e arranhei seu peito — Só não te mostro quem manda nisso agora porque eu estou com medo que nos encontrem assim.

Percy espalmou as mãos em minha bunda, dando tapas estalados logo em seguida.

Eu mando nisso aqui, gata.

Revirei os olhos e me levantei, encarando a bagunça que tínhamos feito.

Todo meu corpo estava repleto de areia, até em partes que eu tenho vergonha de mencionar. Percy levantou-se, batendo a mão em seu peito, pernas e até onde conseguia.

– Eu... Preciso de um banho. — confessei

O moreno me encarou, intercalando o olhar entre mim e algo a nossa frente.

– Não me diga que tem alguém da minha família nos olhando, por favor. — implorei

– Tá louca? Só estou pensando que deveríamos ir até a praia e... Tomar um banho, juntos.

– Não, Percy. Se você sonhar em tocar em mim de novo... Eu juro que desmorono.

Ele riu e franziu o cenho.

– Você está brincando, certo? Eu não te machuquei, machuquei?

Revirei os olhos e encarei o terreno atrás de nós. Ninguém.

– Vamos logo. — resmunguei

Comecei a correr em direção ao mar, depois de alguns passos, meu corpo estava banhado por uma água congelante e meu corpo debaixo de uma água salgada. Procurei ar e sorri.

– Isso é tão legal! — gritei

Percy veio até mim, abraçando minha cintura e beijando-me.

– Com você. — murmurou

Nos beijamos. Mais e mais. E eu estava apaixonada por aquilo.

Afundei meus dedos em seus cabelos, arqueando minhas costas e cruzando minhas pernas ao redor de sua cintura.

– Você disse que não queria outra rodada.

– Eu estava brincando. — sussurrei, arranhando seus ombros — Eu quero mais, mais, mais... — sussurrei em meio a um riso

– Vamos sair daqui logo. — senti suas mãos apertando minha bunda — Aposto que quando você acordar amanhã, você vai me odiar.

– Provavelmente. Então, me faça te odiar ainda mais. — aproximei nossos rostos e me beijei mais uma vez

– Vamos. — ele bateu em minha coxa, fazendo-me voltar a ficar sobre meus pés

Voltamos a andar em direção à areia. O primeiro vento me fez tremer, abracei meu corpo, sentindo o braço de Percy sobre meu ombro. Aninhei-me a seu corpo enquanto andávamos rapidamente até nossas roupas.

Percy abaixou-se e ergueu minha calcinha na altura de seus olhos, fazendo uma careta.

– Você ainda vai querer isso?

O tecido estava grudado de areia por toda a parte, balancei a cabeça com nojo e ele sorriu.

– Eu até te daria minha cueca, mas acho que ela não está em condições melhores.

– Concordo.

Tentei me secar com minhas próprias mãos, o que foi idiotice, então decidi colocar o vestido de qualquer jeito. A parte da frente estava úmida, como era de se esperar.

– Dá pra fechar aqui? — apontei para o botão abaixo da nuca

Ele já estava de jeans, sem camisa, com a camisa em cima da pedra que havíamos nos escondido.

Continuamos em pé, encarando o nada. Percy tentava se secar para não molhar a maldita camisa e eu estava irritada porque não queria perder mais um minuto ali, não iria me surpreender se minha mãe me deixasse ali.

– Vamos? — perguntei pela milésima vez

– Não está seco... — ele murmurou

– Percy! Pare de ser gay! — resmunguei

– Annabeth!

Nos entreolhamos, confusos e inclinei-me sobre a pedra.

– Transando na praia, hein? — Thalia gargalhou com Luke e Nico atrás dela que estavam se empurrando

– Cara, que nojo. — Nico fez uma careta ao nos encarar

– Eu vou matar você, primeiro. — meu primo apontou para Percy à minha frente — E você vai ter um castigo eterno quando o vovô souber disso.

– Vovô, rá! Só está falando dele porque está na casa dele, idiota. — resmunguei

– Vem logo. Sua mãe está feito louca atrás de vocês e Kaya está quase chorando.

– Merda. — Percy vestiu a camisa rapidamente

Ele puxou minha calcinha com um sorriso da areia, discretamente o suficiente para que eu apenas visse. Senti meu rosto corar e então, ele enfiou no bolso com uma expressão preocupada.

– Vamos logo.

E então, estávamos correndo com as gargalhadas de Thalia, com as reclamações de Nico e com as ameaças de morte de Luke.

Depois de uma despedida cheia de conselhos do meu avô, dizendo que qualquer coisa deveria te ligar, com olhares enigmáticos para Luke e Nico, fomos em direção ao carro.

Meu corpo doía e assim que me encostei ao banco, eu só pensava em dormir. E provavelmente, foi isso que eu fiz e era só isso que eu queria fazer por um longo tempo.

Notas finais
O ANO ESTÁ ACABANDO, YAY! Eu não sei se isso é bom ou ruim, mas eu só queria agradecer a cada um de vocês por me acompanharem, por lerem minhas histórias e gostarem delas, o que, pessoalmente, é uma surpresa, MASSS, sim, um ano está acabando e eu queria agradecer e pedir para que todos vocês tenham um ótimo ano novo, onde quer que vocês estejam, ok? Espero que tenham muito amor, muita paz, muito carinho e tudo de bom, tudo de melhor, tudo que desejarem e tudo mais. ENFIM, eu to muito feliz porque eu acho que esse vai ser o último ou penúltimo capítulo do ano, então OBRIGADA POR TUDO, eu amo muito vocês, tipo vocês não tem noção do quanto, é sério!! Enfim, obrigadaaa!! E curtam o ano novo.