Nightingale.
18 Make That Turn.
Notas iniciais
"Can we get back to the way it was?"
A prova de Salomão era extremamente difícil.
A semana de provas em si era tudo que eu não esperava.
A Goode era conhecida por isso.
Suspirei e terminei de fazer a última questão, e por sorte, eu tinha estudado. Entreguei a prova para o fiscal, saindo da sala com minha mochila nas costas.
Era sexta, depois de um mês do meu pré-surto e eu tinha duas alternativas: ficar na escola ou ir para minha casa onde minha mãe ainda me esperava e dizia ter boas notícias.
Só não sei o que significa boas noticias para ela.
Em meio ao silêncio do corredor vazio, verifiquei a ruiva.
Rachel Elizabeth Dare. Um verdadeiro e extremo pesadelo.
Desde do dia que peguei a discussão dela com Percy, ambos deixaram de se falar, embora todo café da manhã, eles estão juntos, conversando e rindo. E paralelamente, eu e Percy nos aproximamos mais. Sabemos mais um do outro.
Por exemplo, eu sabia que um dos sonhos dele era virar agente da Interpol, mas ele disse que não gosta muito das coisas de andar armado e coisa e tal. Talvez, Rachel não soubesse disso. Nem que ele tem vários maços de cigarro de várias marcas em um baú do seu closet.
De qualquer maneira, ela ainda continuava sendo o anjo dela.
E eu queria acabar com aquilo.
– Oi. – encostei-me no armário de ferro ao seu lado
Rachel me olhou de esguelha, e sorriu, sem dar muita bola.
– Como foi sua prova?
– Ótima, Dare. E a sua?
– Muito boa, obrigada.
– E como está sua vida?
– Essa é uma daquelas conversas que você quer saber porque Percy ainda fala comigo?
Bufei e encarei meus novos Doc Martens vermelhos. Eram lindos, brilhosos e Thomas tinha me dado quando fomos fazer uma sessão especial no centro de Hampshire.
– Hm, não. – dei de ombros – Bem, espero que vá bem nas outras provas.
Segurei a barra do meu vestido, agradecendo por estar vestindo uma segunda pele quando saí para o vento frio e o céu nublado da Inglaterra. Como os corredores, o estacionamento estava totalmente vazio apenas com alguns carros estacionados e poucas pessoas saindo com seus pais.
Mais a frente, percebi um carro desconhecido com um senhor encostado nele, de modo relaxado.
Encarei o outro lado e percebi Percy andando em direção à ele, tão relaxado como o próprio pai.
Comecei a andar, tentando chegar primeiro que ele, porém foi inevitável.
Pude observar o abraço desajeitado de pai e filho, sorrisos trocados e começaram a tagarelar.
Tentei me esconder atrás de alguns carros, poucas vezes, eu poderia ver uma cena como essa, quase nunca e agora eles estavam ali. Tentei me aproximar aos poucos.
Isso já estava virando rotina, na verdade. Ouvir conversas dos outros deveria ser a coisa que eu mais fazia.
Escondi-me no fundo de um carro onde podia ouvir a voz rouca de Poseidon e pouca coisa do que Percy falava.
– Eu queria te avisar antes que ela te pedisse...
Percy falou alguma coisa, pela sua expressão, era claro que deveria ser pura ironia.
– Filho. Vem, vamos almoçar em algu...
Hora de eu entrar.
– Ei! – acenei, pulando de trás do carro – Sogrinho! – pulei nos braços semi-abertos de Poseidon, beijando todo seu rosto – Estava morrendo de saudades!
O senhor nos encarou, confuso e Percy resmungou xingamentos.
– Vocês estão namorando e eu não sabia?
– Ah, eu não sabia que você só tinha Percy de filho. – revirei os olhos – Eu posso estar me encontrando as escondidas com Tritão, sabia? – pisquei o olho
– É melhor que isso seja uma daquelas brincadeiras sem graça que você tem mania de fazer, Annie.
Soquei o ombro de Percy e encarei Poseidon.
– Então, vai me oferecer uma carona? Um almoço? Aceito qualquer coisa que venha do senhor, aqui entre nós, a Anfitrite tem uma puta sorte de ter um coroa gostoso como você.
Poseidon riu e ajeitou a camisa social verde no corpo.
– É, eu sei, esses filhos babacas tinham que puxar alguma coisa que preste, certo?
– Claro, o senhor é o gentleman. – virei-me para Percy, encarando-o por cima do ombro e comecei a ajeitar a gola de seu pai – Um verdadeiro e legitimo gentleman, Poseidon.
Ele riu novamente e afagou o topo de minha cabeça.
– O que acha de eu te deixar em casa?
– Anfitrite não está preparando um daqueles cookies maravilhosos, não? E Pattie? Ela deve estar fazendo uma daquelas lasanhas italianas e...
– Annabeth, nós vamos almoçar juntos. – Percy cortou meu barato e me empurrou para longe de seu pai – Podemos te deixar em casa, se quiser.
Suspirei e peguei meu celular. Mandei uma mensagem para Thalia, pedindo para ela arranjar carona.
– Ok, eu aceito.
Poseidon, como sempre, foi o cara mais prestativo do mundo, querendo sempre apaziguar as grosserias que Percy me falava e decidi que ele estava em um péssimo dia. O senhor de olhos verdes insistia em dizer que se não fosse algo sério, me levaria para qualquer lugar de mundo, porém ele tinha assuntos sérios a tratar com seu filho. E eu, como uma boa e fofa futura nora, deveria ser caridosa e compreensiva em relação a isso.
– Certo, obrigada pela carona, tio. – inclinei-me sobre o banco, deixando minhas costas e minha bunda na cara de Percy de propósito enquanto beijava a bochecha de Poseidon
– Sempre que quiser, querida.
– E tchau, seu grosso.
Percy só revirou os olhos, assim que saí do carro.
Não esperei eles saírem, só entrei no condomínio com um aceno ao porteiro e chegando rapidamente ao meu andar.
A sala estava vazia, verifiquei a cozinha e observei minha mãe tentando fazer cookies desastrosamente.
– O que é isso? Bolhas queimadas? Está ridículo. – joguei minha mochila na soleira da porta e peguei uma lata de Coca
– Se aquela mulher pode fazer cookies deliciosos, eu também posso. – minha mãe resmungou
– Que mulher? Você está delirando agora?
Atena resmungou alguma coisa deixando a bandeja de ferro cair em cima da pia.
– Qual é, mãe, que mulher?
Atena respirou fundo várias vezes e jogou todo o conteúdo da bandeja no lixo.
– Ninguém, querida. Pensei que chegaria mais tarde.
– Ah, não. Pode ir me dizendo. Quem é essa mulher que está mexendo com sua cabeça?
– Promete que não vai contar pra ninguém?
Assenti, voltando a beber meu refrigerante.
– Aquela mulherzinha multifuncional de Poseidon. Aposto que ela nem deve ser tão boa de cama. Quero dize...
– Pode parar. Não consigo imaginar você fazendo sexo com outra pessoa, mãe.
– Annabeth... – revirou os olhos
– Sabe, eu realmente estou aprendendo coisas novas com o Thomas, então... Eu não tenho ciúmes de você. E o tio Poseidon é um cara legal, você deveria investir nele.
– Annie, eu acabei de dizer que ele tem uma mulher? Entendeu?
– E ai? O Percy também tinha uma namorada. – dei de ombros e joguei a latinha de refrigerante no lixo – Se liga, mãe, nenhum cara troca uma loira gostosa por uma ruiva ou morena qualquer. Embora eu adore a tia Anfitrite, não duvido que Poseidon negaria você na primeira vez que pudesse.
– Você acha? – ela perguntou, pensativa
Eu ri.
– Claro. Olhe em que ponto você chegou, seguindo conselhos de sua filha.
Atena riu e beijou o topo de minha cabeça, seguindo para a sala comigo. Comecei a comer biscoitos recheados, ligando a televisão.
– E qual era a boa notícia que a senhora Atena-Louca-Por-Poseidon queria me contar?
– Ah... – ela deu vários pulinhos, ficando na frente da televisão e sorriu para mim – Conversei com Thomas sobre seu progresso nas sessões, e eu e ele concordamos que... Bem, que vamos te ajudar a recuperar sua memória.
– Ah, mãe... – resmunguei, tentando mudar de canal – É muito chato ter esses surtos, sabia? Na verdade, é a coisa mais chata do mundo.
– É, eu sei, querida, mas isso ia ter que acontecer alguma hora, não acha?
– Tá, e como vocês pretendem me ajudar nisso?
Atena sorriu e pulou ao meu lado.
– Que tal algumas viagens temporárias para Califórnia?
Meu mundo paralisou.
Por poucos segundos, eu senti que já estava em casa. Só de ouvir aquela palavrinha da boca de minha mãe.
– Eu juro, juro que nunca pensei que diria isso, mas... Eu não posso largar tudo aqui e voltar para Califórnia.
– Ah, claro que isso não vai acontecer. Vocês ainda tem dois jogos antes das primeiras férias de inverno, certo? – assenti, concordando – E então, nós voltamos para Califórnia, mas você vai terminar o ano aqui... Em Hampshire.
– Hm, acho que a Thalia não vai querer ir e... Eu só iria para rever o Luke, seria melhor ele vir pra cá.
– É por isso que eu estou com tanta raiva. Eu fui visitar o Poseidon... – grunhiu – e como ele é o responsável por Nico e aquele garoto, bem, a mulher perfeita dele concordou que seus meninos precisavam de um tempo longe de Hampshire enquanto dava um jeito em seu outro filho.
– Como assim... Você vai levar todo mundo para Califórnia?
– Algum problema? Você não gostou? Achei que ia adorar.
– Não, mãe, eu amei! Vai ser as melhores férias. Quero dizer, você consegue imaginar quantas festas vamos dar? E como vai ser ótimo com Luke lá...?
– É, tem algumas condições, querida. Sem bebidas alcóolicas, sem nada que prejudique seu corpo, certo?
– Mãe... Cali é minha. O que você acha q...
– Eu também falei com Luke sobre seu estado e ele concordou plenamente que te manteria longe de drogas, bebidas e festas horríveis de mais.
– Mãe, é o Luke...
– Ele deu a palavra dele.
É, então a coisa estava realmente séria.
Luke era o cara mais fiel do mundo, sempre que ele dava a palavra dele, poderíamos ter certeza que ele ia cumprir com que havia prometido. A vontade de voltar para Cali diminuiu significativamente, mas se eu consegui passar tantos meses assim sem drogas e nem nada... Só um mês e meio, não seria tão difícil assim.
– E... Como vai ser?
– É uma sessão diferente. Thomas quer saber como você reage agora, sem... Drogas, festas e sem nada para te atrapalhar... Claro, sabendo que você tem amnésia.
– Eu acho que já estou acostumada com isso. – disse, encarando os biscoitos pensativas – Eu vi uma frase que dizia que o passado não irá dizer quem somos.
– Se não quiser ir, querida...
– Mas ele constrói parte de nós. – terminei e suspirei – Claro que eu quero voltar para Cali! Los Angeles, Venice Beach, mal posso esperar para correr por Newport... Nossa casa em Malibu ainda está intacta?
Atena riu e assentiu, um filme de romance adolescente passando na televisão em nossa frente, enquanto comentávamos o que poderíamos fazer ou não em Cali.
Assim que Thalia chegou e analisou a situação: eu e minha mãe tendo um momento raro de mãe e filha, quase caiu pra trás. No entanto, seu novo namorado, Nico, estava atrás com um daqueles sorrisos que ele não largava.
– Isso é uma alucinação? – murmurou por cima do ombro
– Por quê? – ele perguntou, confuso
Revirei os olhos e pulei do sofá.
– Vamos voltar para Califórnia! – cantarolei, pulando ao redor da minha prima
– Quê? – gritou e segurou meus ombros – Tia! Você está louca?
Atena deu de ombros e voltou a prestar atenção na televisão.
– Eu vou estar lá dessa vez... Férias, lembra? Você vai estar... Nico vai estar também. – piscou
– Eu vou?
– Claro que vai, bobinho. – minha mãe disse com aquela voz doce dela, vindo até nós – Você, Silena, talvez, Percy... Afrodite também... Talvez a Si leve aquele novo namorado.
– Bleh, vai ser um encontro de casais? Não vamos para Paris.
– Desde quando você e Percy são um casal? – Thalia argumentou, cruzando os braços
– Não falei que seria nós. – mandei língua e imitei sua posição – Estou falando de você e Nico, da Si e o do Beckendorf... Do Percy e... Rachel. – emiti aquele nome com certa arrogância
– Eles terminaram. Há algum tempo já. – Nico continuava confuso com as sobrancelhas arqueadas
– É, eu sei. – resmunguei – Mas até que ela podia ir. Aposto que ela nunca saiu daqui.
– O pai dela é super-rico. – Nico voltou com aquela voz confusa – Sabe, ela já deve ter rodado o país todo.
– Foda-se, minha mãe é tão rica quanto o pai dela, queridinho.
– Vão ficar disputando riquezas agora? – minha mãe reclamou, já com sua bolsa na dobra do cotovelo – Eu vou encontrar Afrodite, não saiam de casa. Volto logo.
– Onde ela está?
Atena bufou e teclou alguma coisa em seu telefone.
– Vamos mexer alguns pauzinhos para sua recuperação.
– Mãe. – resmunguei – Não acred...
– Ei, — Nico segurou meus ombros me afastando da porta – aposto que todo mundo que vai, irá adorar conhecer suas casas de rico.
E assim, mal pude ver minha mãe desaparecer.
Eu e Nico estávamos sozinhos em meu quarto brincando de jogo de alguma coisa bilionário. Consegue sentir o quão ridículo isso soa? Eu e um cara deitados no chão jogando algum tabuleiro.
É, ou eu havia mudado pra caramba, ou Nico não era nenhum pouco atraente... Ou éramos legais e bons amigos.
Bufei e sentei-me com raiva.
– Cansei, vamos fazer outra coisa.
– Eu estava ganhando. – soltou um muxoxo, despencando a cabeça entre os braços
– Ai, não, acorda... Hm, vamos falar sobre Califórnia!
– Eu não quero... Um Percy vai ter um surto se o pai dele concordar com isso.
Franzi a testa e chutei seu peito, forçando-o a girar e encarar o teto.
– Por quê? Ele não gosta de lá?
Nico fez uma cara de culpado, fechando os olhos.
– Ele não teve boas experiências por lá.
Sentei-me ao seu lado e encarei a porta, esperando que a qualquer momento minha prima chegasse e acabasse com meu novo estoque de informação.
– Quando eu o conheci, ele e Thalia me disseram que eu estava bêbada e drogada demais para me lembrar dele, mas agora...
– Eles estavam mentindo. – afirmou de modo calmo – Não quero acabar com seus neurônios, nem te transtornar ainda mais... – o moreno abriu um dos olhos e apoiou-se no cotovelo – Nem te ver fazendo aquelas coisas assustadoras que te faz desmaiar, mas... Muita gente mente só por medo, só para não ver você sofrer. Outra coisa: você deveria saber mais disso e não acusa-los quando mentirem.
– Eles mentiram! – aumentei o tom de voz e abaixei logo em seguida – Isso já é o suficiente para eu acusa-los, Nico.
Ele revirou os olhos e sentou-se, me encarando transtornado.
– Não, não é, Annie. Eles omitiram, eles não queriam te ver sofrer. Aliás, se você quisesse sofrer e se você fosse forte o suficiente, nem teria essa amnésia.
– Está me chamando de fraca?
Nico assentiu, calmo.
Eu queria, eu juro que queria e que tentei ter raiva daquele serzinho branquelo e magrelo a minha frente. O máximo que tive foi um sentimento enorme de concordância, eu sabia que ele estava certo. Sabia que tinha sido fraca e idiota, sabia que nem deveria estar tendo sessões com psiquiatra, porém aqui estava eu.
Sentada, prestes a ter outro surto, mas não de sentimentos ou coisas que aconteceram do passado e sim, de raiva. Raiva de mim mesma.
– Certo... Eu tenho que concordar com isso. – afirmei e enfiei as mãos em meus cabelos, puxando-os
– Não quero que se sinta mal... Percy me mataria por isso, mas... Você sabe, — Nico sorriu e me puxou para um abraço – você é quase minha irmãzinha. Aquela garota chata e irritante...
– Eca, não começa a me irritar, seu idiota.
Bati repetidamente em seu peito, gargalhando enquanto ele bagunçava meus cabelos maniacamente.
– Momento fraterno e eu não estou no meio?
Thalia se jogou em mim, caindo em cima da minha barriga, no mesmo momento enquanto eu perdia o ar e tentava rir ao mesmo tempo. Puxei o máximo de oxigênio que pude e empurrei minha prima.
– Momento fraterno. – frisei, tendo uma expressão séria – Não, momento sexual.
Recebi um tapa ardente em meu braço e em seguida, me jogando no chão de novo e começando a gargalhar.
Nico me empurrou com o pé e Thalia repetiu o movimento com as mãos, continuei rindo enquanto parecia uma bola de gude sendo jogada de um lado para o outro.
– Ai, chega! – pedi, ficando em posição fetal e tentando fazer com que as gargalhadas parassem – Por favor!
– Vocês vão matar a garota. – ouvi uma voz conhecida e forcei meu pescoço a inclinar-se para ver o dono da mesma
Percy, como sempre lindo e sexy, encostado na soleira da porta, encarando-nos com um meio sorriso no rosto. Sentei-me com dificuldade e ri mais um pouco.
– Eles estavam me batendo... – imitei uma voz infantil – Você deveria ser um Charming Prince e bater neles também.
– Não, vamos ter o momento sexual agora. – Nico pediu e puxou sua namorada pela cintura dando um beijo insano
– Eu não vou dormir por uma semana. – resmunguei, puxando Percy junto comigo saindo do meu quarto
Caminhei até chegar ao fim do corredor, que ainda sim, dava uma visão pequena e nada gratificante da sala. Lá embaixo, eu via Poseidon e minha mãe sentados no nosso sofá, conversando baixinho. Parecia algo sério demais para eu prestar atenção.
Quando me dei conta, Percy já estava encostado à parede, sentado no chão e esperando que eu fizesse o mesmo.
Sentei-me e o encarei, provavelmente minha expressão era a mais feliz do mundo. Eu só conseguia sorrir e saltitar, porém agora era impossível, já que eu encarava seus olhos com todo fervor do mundo.
Beijá-lo era uma ótima opção.
– O que foi? Seu pai já te disse? – virei-me para ele, apertando seu joelho
– Já. – Percy encarava a sua frente, o que não era nada, apenas uma grade chique de vidro que nos impedia de cair no último andar do loft
– Você não está animado? Quero dizer, você me disse que eu estava bêbada quando nos conhecemos. – adicionei aspas na última palavra – Provavelmente, eu deveria estar na fase de negação da morte do meu pai. – inventei
– Você lembrou de mais alguma coisa? Mais algum S?
Neguei com a cabeça e segurei seu queixo, para que seus olhos me fitassem.
– Por que você não está feliz? Podemos ir para Cali!
– Não é meu lugar preferido. – resmungou e empurrou minha mão – E eu, definitivamente, não quero ir para aquele lugar.
Desfiz minha careta quase imediatamente.
– Nosso encontro foi tão horrível assim?
– Por que você acha que tudo gira ao seu redor? – seu tom de voz era baixo, porém cortante
Encolhi-me, entretanto tão rapidamente, voltei a posição de ataque.
– Se você não quer ir conosco, é alguma coisa a ver com você.
– Talvez eu não queira ir, porque eu não gosto de calor. Sabe, Hampshire é meu lugar. O lugar que eu amo e eu quero morrer aqui...
– É só um mês e meio. – revirei os olhos – O que pode acontecer? Você morrer?
– É. – disse sério demais
Ri e soquei seu ombro.
– Dramático. É melhor se acostumar com a ideia, você precisa ir. Você precisa visitar Malibu.
– Eu já fui lá.
– Você não foi comigo. – pisquei
– Se isso significa beber até cair, se...
– Não. Eu não vou me drogar nem fazer qualquer coisa que eu fazia, ok? Eu sou uma vadia, sim, mas eu não quero fazer aquelas coisas. E eu não mudei, ok? Eu só quero voltar para Hampshire e saber que eu fiz algo certo. Não vou me divertir lá, vou descobrir o que aconteceu com meu pai.
– É passado. – Percy segurou minhas mãos com força, dessa vez, olhando fundo em meus olhos – Passado. Por que você não foca no futuro? No agora?
– Que futuro? Eu nem sei quem sou. Nem sei c... Como me formei. – gaguejei e encarei minhas mãos, agora, soltas – Eu não era assim, acho. Deve ter sido alguma coisa com a morte, algum tipo de negação que não consegui suportar. Sou fraca. – admiti e encarei mais uma vez o andar de baixo – Sou fraca e não me orgulho disso, Percy, mas eu preciso... Sabe, eu preciso saber o que fiz. O que aconteceu. Como aconteceu e porque tudo aquilo aconteceu. Preciso encontrar respostas e sabe...
– O que?
– Você está me omitindo algo. Não só você, vocês. – frisei e me levantei – Você que sabe se vai querer ir ou não. – suspirei e o encarei de cima – Thomas vai estar lá, Thalia, Nico, Si... Até Beckendorf, acho. Você consegue entender o quanto isso é grandioso? O quanto vai ser demais ter umas férias boas além de neve? Praia, festas... Vai ser ótimo, Percy. Se você não quiser ir, tudo bem, acho que entendo. Mas meus primos vão estar lá e sabe de uma? – pisquei forçando um sorriso – Eu só conheci você há alguns meses, não estou tão dependente assim. – ri e lhe mandei um beijo, refazendo um caminho para a sala
– Ei. – ele me chamou antes que eu chegasse a metade do caminho
Meu sorriso era enorme quando me virei, sabia que ele havia mudado de ideia, sabia que o tinha em minha mão agora e estava orgulhosa do meu processo de chantagem.
– Rachel pode ir, certo? – perguntou
Não. Não mesmo. Nunca. Forcei meu sorriso a continuar no mesmo estado e assenti, de forma distraída.
– Tanto faz. Se ela quiser ir. – dei de ombros – Férias entre amigos. Olha, que coisa ótima.
– Você está sendo irônica. – afirmou e veio em minha direção, segurando meu cotovelo e acariciando meu braço – Talvez seja legal. – suspirou, parecendo arrependido do que acabara de fazer – Olha, se eu for... Que fique claro que não é por você. É por mim. Absolutamente por mim.
Abracei seu pescoço e depositei um beijo na curva para seu ombro, senti seus braços me apertarem ainda mais em minha cintura, praticamente desfalecendo.
Com toda certeza, seria as melhores férias da minha vida.
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