Nightingale.
56 Make A Dream Last.
Notas iniciais
"You see her when you close your eyes, maybe one day you'll understand why"
Da última vez que eu fora a casa do Percy, não me lembrava de muitas coisas.
Dessa vez, quando o Jeep de Rob esperava a aprovação para poder entrar, pude perceber a pintura renovada cor de marfim da fachada, com seu estilo colonial e impotente. Duas colunas carregavam as laterais da casa, pude ver o jardim curto quando os portões de ferro se abriram e as flores crescendo ao redor da casa enquanto passávamos por um caminho de pedra brancas.
Curto o suficiente para que atravessássemos com, no mínimo, vinte passos.
A casa de Poseidon ficava afastado do meu prédio, mais a leste em um bairro nobre e calmo, ao redor, havia imensas casas com imensos jardins e portões de ferro que não nos deixavam ver nada além da fachada da casa. Rob me explicou que, talvez, era porquê só os ricos e famosos moravam ali.
Saímos do carro, Rob segurou minha mão e afundei meu dedo na campainha.
– Ele é rico ou...
– Ele não é tão rico assim. – murmurei
Rob arqueou a sobrancelha.
– Se isso não é ser rico... Além de que... Você já viu no prédio que você mora?
– Não sou rica, só...
– Tem muito dinheiro? – Rob perguntou, parecia estar magoado
Entrelacei meus dedos contra os seus e sorri.
– Não tem nada a ver...
– Deveria ser por isso que vocês namoravam, afinal.
– Você está...
– Não, ok, me desculpe.
Rob inclinou-se sobre mim, beijando-me calmamente.
– Não faça isso novamente. – sussurrei contra os seus lábios
Ele assentiu e apertou ainda mais meus dedos, talvez tentando extravasar seu nervosismo.
– Eu atendo! – uma voz abafada soou atrás da porta até Tritão aparecer em nossa visão – Ah, oi, gata.
– Tritão. – assenti, sentindo todo meu corpo tenso
– E ele é...
– Rob, namorado dela. – ele apertou a mão do irmão de Percy com firmeza
– Achei que os boatos eram falsos. – resmungou – Bem, podem entrar.
Ele deu um passo para o lado, entrei primeiro, evitando o contato visual enquanto puxava Rob comigo.
Assim que adentramos o recinto, podemos ver o piso de madeira que se estendia e as escadas duplas que davam para o segundo andar. Apertei meus dedos contra os de Rob quando Tritão passou por nós, em um pedido (muito mal educado) para que o seguíssemos.
Pude ver Anfitrite saindo do arco que nos levava para a cozinha já conhecida, ela enxugava a mão em uma toalha e tinha um sorriso no rosto. A elegância era clara: no modo de andar, no vestido verde longo e nos cabelos presos em um rabo de cavalo.
– Annabeth! Fico tão feliz em vê-la novamente! — ela atravessou a sala de jantar, agarrando meus ombros em um abraço
– Também fico, Anfitrite.
– E esse deve ser o...
– Rob. — ele estendeu a mão, Anfitrite repetiu o movimento e embora eu achasse que fosse ser um aperto de mão, meu namorado beijou a mão dela
– Que fofo! Aposto que é um legítimo inglês, certo?
Rob assentiu com um sorriso.
– Fui criado em um orfanato muito rígido, sabe como é.
– Ah, sinto muito, querido. — ela sorriu, parecendo realmente tocada e afagou seus cabelos — Bem, venham se sentar, estamos esperando Percy e sua acompanhante descerem. Eles se prenderam lá em cima que meu Deus. — resmungou, jogando a toalha em cima de uma das cadeiras — Venham, sentem-se.
Anfitrite indicou duas cadeiras do lado esquerdo, uma cadeira depois da cadeira da ponta, onde deveria ser Poseidon.
– Vocês não se incomodariam se...
– Salve, Annabeth!
Poseidon descia pelas escadas, ele vestia seus típicos jeans e camisas sociais de botões abertos. Os cabelos imersos em uma bagunça sexy para alguém da segunda idade, atrás dele Percy descia com o braço por cima dos ombros de Rachel.
Sinto pena dela. Ela pode ter sido a primeira namorada, foi ela que o fez "esquecer" de mim, mas antes de todas essas ações fofas acontecerem, ele as testou comigo. Então, ela só podia sentir uma imitação.
– Poseidon. — acenei com um sorriso
– E esse é o namorado-conselheiro e não...
– Rob. — o interrompi, apoiando minha mão no ombro dele
– É, prazer conhecê-lo, garoto.
– O prazer é meu, senhor. — Rob assentiu quando Poseidon descia, finalmente, da escada e ocupava seu lugar
– Annabeth fala muito bem de você.
– É... Ela é uma ótima namorada. — ele apertou minha coxa e sorri
– Bom. — Poseidon revirou os olhos e apoiou as palmas na mesa — Onde está Tritão, Anfitrite?
– Eu vou chamá-lo em um segundo. Percy, pode se sentar aqui, por favor?
– Hã... — ele começou quando ela apontou para a cadeira vaga ao meu lado — Eu... Você pode ir para o outro lado, por favor? — apontou para mim e para a cadeira vazia do outro lado de Rob
– Não! — Anfitrite gritou, seus olhos se intercalaram para Poseidon que mexia em seus talheres, falsamente distraído — Não, você não pode sentar aí... — Percy arqueou uma das sobrancelhas e cruzou os braços
– Porque...
– Porque... Bem, porque. — ela riu, sem humor e colocou as mãos na cintura, fazendo uma expressão séria — Porque eu sou a dona da casa e eu quero que você sente aí, mocinho.
Rob pigarreou e afastou a cadeira.
– Tudo bem, eu venho para essa cadeira, Sra. Jackson, e a Rachel pode sentar ao lado dele, pode ser?
– Não! — Poseidon gritou dessa vez
Arqueei as sobrancelhas e inclinei-me.
– Porque...
– Não acredito que estão fazendo isso. — Percy apontou para os dois — Isso é ridículo e vocês sabem disso. Eu só a convidei porque você pediu, pai, eu também não sou obrigado a sentar ao lado dela, então, vá para a outra cadeira, Rogers.
– Por favor é sempre bem-vindo, Jackson.
– Não sou obrigada a ser educado dentro da minha própria casa. — grunhiu
– Então, eu devo admitir que você é a ovelha negra da família já que seus pais são ótimos.
– Quem você acha que...
Rachel se pôs na frente de Percy, segurando-o pela camisa.
– Podem parar com isso agora mesmo. — ela vociferou — Vem, sentem-se.
Abri a boca, tentando falar alguma coisa.
Esse era meu papel. O que ela estava fazendo ali. Engoli em seco e levantei-me, sentando-me uma cadeira ao lado enquanto Rachel sentava-se ao meu lado.
Respire, Annabeth. Cruzei minhas mãos em meu colo, torcendo para que ninguém percebesse meu nervosismo.
– Ah, Tritão, venha, sente-se aqui, querido.
– Isso aqui é um encontro duplo? Quero dizer, eu poderia...
– Modos, Tritão. — Poseidon disse, impaciente, correndo as mãos pelo rosto
– Seu filhinho preferido não trouxe o orgulho pra casa?
– Dá pra você calar a boca, cara? É um prazer que você faz para o mundo todo.
Tritão deu de ombros, piscando para mim antes de sentar-se em frente a Rachel.
Pattie adentrou o local, colocando travessas de macarrão com almôndegas.
Eu poderia descrever o quanto nosso almoço foi divertido e cheio de piadas, entretanto, não poderia descrever algo que foi coberto de silêncio e tensão. Eu sentia Rob se mexendo a todo momento ao meu lado, ele encarava a casa com certo apreço e admiração, então voltava a comer. Poseidon não disse nenhuma palavra às provocações que Percy e Tritão faziam, Anfitrite imitou seu silêncio e então, continuamos o almoço assim.
Eram quatro horas da tarde quando Percy e Poseidon subiram.
Eu e Rob estávamos nos preparando para dizer adeus, no entanto, decidimos esperar mais um pouco.
– Onde é o banheiro, Anfitrite? — perguntei
– Vem cá, querida. — ela enlaçou nossos braços, como se fossemos melhores amigas desde o colegial — Hum, você já pensou em voltar para o Percy?
Engoli em seco. Eu vim esperando por essa pergunta desde o surto inesperado de Anfitrite.
– Eu estou bem com Rob.
– Não foi essa pergunta que eu te fiz, querida.
– Olha... — tossi, tentando disfarçar meu nervosismo e cruzei os braços quando chegamos a base da escada — Eu sei que você considera o Percy como seu próprio filho, quer dizer, você o criou, praticamente. E olha, eu realmente aprecio isso e entendo sua preocupação, mas... Eu pretendo não ter nada nunca mais com ele.
As cenas dele em minha cama no internato invadiram minha mente. Aquilo nunca mais ia se repetir, no entanto, eu ainda podia visualizar seu boné de beisebol em cima do meu criado-mudo ao lado do meu relógio. Eu sempre o olhava antes de ir tomar banho e enfrentar mais um dia. E eu me odiava por isso. Às vezes, me perguntava se ele faria o mesmo com minha calcinha. Mas eu não achava que ele seria louco o suficiente para pendurá-la no criado-mudo.
– Tudo bem. — Anfitrite sorriu e inclinou-se — Poseidon está preocupado. Ele não gosta muito da ruiva.
– Ele vai ter que se acostumar com ela e então, onde é o banheiro?
– Terceira porta à esquerda.
Assenti em agradecimento, subindo as escadas.
Eu nunca tinha avançado naquela parte da casa. Era arejada e surpreendentemente elegante, as paredes eram de um vinho claro, como se fosse desbotado de propósito enquanto a madeira abaixo dos meus pés se erguiam até o fim do corredor. A escada pela qual subi foi a direita, do outro lado, o corredor esquerdo se erguia com quatro portas até seu fim e então uma passarela juntava os dois lados. Continuei andando, até me deparar com a última porta do corredor direito aberto.
Parecia uma discussão.
Me aproximei o suficiente para ficar na parede entre as duas portas. Se alguém estivesse lá embaixo, me veria com facilidade. Torci para que ninguém tivesse a louca fantasia de ir comer ou de pegar mais sobremesa.
–...verdade?
– Talvez seja. — era a voz de Percy, uma tosse se seguiu — E sobre Thomas? Conseguiu encontrá-lo?
– Ele está se escondendo bem, na verdade. E que história é essa sobre elas estarem procurando-o?
Fiquei tensa no mesmo momento. Percy havia falado para seu pai nosso plano fabuloso. E eles ainda não tinha encontrado Thomas, isso queria dizer que eu tinha chance de fazer minha curiosidade se calar. Mordi o lábio inferior e encarei a sala de jantar. Vazia. Que continue assim, amém.
–...vai passar. Elas não vão ter coragem. Sabem que ele é perigoso. E você tem ideia do que seja aquela verdade que ele comentou?
Poseidon demorou para responder. Tomei isso como uma atitude de medo, ou ele estivesse bebendo água ou algo do tipo.
– Não sei. Realmente não sei.
– É sobre Frederick. E ele disse sobre nossa família. Pai, nossa família está envolvida nisso?
Meu coração palpitou, senti minhas mãos agarrando a parede e a porta bateu com força.
Senti o sangue subir pelo meu rosto. Eu seria pega, pronto, era isso. Encarei os dois lados, pensando em algo para fazer. Eu não podia escutar a conversa e eu ainda queria ir ao banheiro.
Ok. Vamos lá.
Abri a porta do banheiro e me joguei lá dentro, fechando-a com suavidade. Encarei-me no espelho.
Meu cabelo estava arrumado, como esperado. Minhas bochechas estavam mais vermelhas que o normal e meus lábios imitavam aquela cor escarlate. Mordi o lábio inferior afundando meus dedos em meus cabelos quando ouvi as batidinhas ocas na minha parte.
– Tá ocupado! — gritei, parecendo impaciente
Liguei a torneira, tentando abafar o som da minha respiração nervosa.
– Desculpe, Annie. — era Poseidon
Acenei, mesmo sabendo que ele não veria. Eu era uma idiota.
Eu não confiava neles. Não queria passar nem mais um segundo ali dentro e eu precisava falar com Thalia, precisávamos falar com Thomas o mais rápido possível. Afundei minhas mãos na água e tive a vontade de enfiar meus dedos em minha garganta.
Contei até dez, mordi o lábio inferior antes de abrir a porta.
Percy estava cinco passos a frente de mim.
Andei com passos mais rápidos que ele, chegando ao topo da escada mais rápido.
– Annie? — ele perguntou com a voz abafada — Annie! O que houve?
Senti seus dedos agarrarem meu pulso. Eu sentia nojo dele mais uma vez e ao mesmo tempo em que ergui meus olhos, eu queria abraçá-lo e esperar que seu cheiro amadeirado com uma mistura de maresia fosse me deixar segura, como sempre fazia.
– Nada. — vociferei e encarei seus dedos, apertando meu pulso — Você está me machucando. Me solta.
Percy inclinou-se.
– Você... Está chorando?
– Não! Me. Solta.
– Me diz o que aconteceu.
– Não aconteceu nada. Eu só estou me sentindo mal, eu quero ir. — choraminguei, tentando puxar meu braço
– Não vou te deixar ir com um cara que nem ao menos te entende. Me diz o que está acontecendo.
– Dá pra você me soltar?
Ele sorriu, arqueou uma das sobrancelhas e puxou meu pulso, segurando minha cintura, e então, me jogando contra a parede. Seus lábios empurraram os meus e eu nunca me senti tão grata por ele ter sido um cafajeste e ter me beijado enquanto meu namorado e sua acompanhante estavam lá embaixo.
Embrenhei meus dedos pela sua nuca, puxando-o ainda mais para mim. Senti seus dedos empurrando minha blusa para cima enquanto nos afundávamos em um beijo.
Como disse antes, me senti segura com suas mãos em volta do meu corpo. Eu precisava daquilo, mesmo que fosse por segundos.
Por fim, grunhi e soquei seu braço. Percy se sobressaltou e pulou para o lado.
– O que você está fazendo? Está louca?
– E nunca mais faça isso. — vociferei, embora um sorriso enorme quisesse irromper do meu rosto — Entendido?
– Você é absolutamente louca. — ele tentou segurar meu pulso mais uma vez com um sorriso
– Não encosta em mim! — gritei histérica
Pulei de seu braço e me certifiquei que não iria cair escada abaixo, então pulei os degraus ouvindo os passos pesados de Percy bem atrás de mim.
Eu precisava sair dali e eu precisava falar com Thalia e teria que ser muito rápido.
– Annabeth? O que aconteceu? — Rob perguntou, levantando-se do sofá em um pulo
– Nada, vamos sair daqui, vem. — o puxei pelo braço
Parei de caminhar e respirei fundo, virando-me para trás.
– Hã, desculpa pelo jeito, mas... Obrigada pelo almoço, foi ótimo. — agradeci a Poseidon e Anfitrite que nos encaravam confusos
Rachel focava os olhos em Percy que segurava o corrimão da escada com os olhos pousados em nós enquanto Tritão nem ligava para o que estava acontecendo. Eu realmente queria ser ele.
– Tudo bem, mas... Por que você não fica mais um pouco?
– Annabeth já estava um pouco... Mal. — Rob disse, adiantando os passos — Não é, amor?
– É, mas, obrigada. — agradeci novamente antes de Rob me puxar e pularmos em seu Jeep — Oh, meu Deus, muito obrigada!
– Não se preocupe, eu não suportava mais ouvir Tritão falar sobre academia. — resmungou, ligando o carro e dando ré
Rob colocou o braço atrás do encosto do meu banco e sorriu enquanto olhava para trás e passava pelo portão com destreza.
– E eu não suportava mais ficar naquela casa.
– Temos mais algo em comum. — ele piscou quando alcançamos a rua — E então, o que vamos fazer pelo resto da tarde?
– Starbucks, topa?
– Adoraria.
Suspirei, encarando a rua arborizada com casas enormes de jardins enormes e de portões assustadores ao nosso lado. Eu me sentia intimidada naquele lugar, a qualquer momento, parecia que aquele bairro cheio de fantasias e nobreza poderia cair sobre mim e me sufocar.
Peguei meu celular no bolso dianteiro da minha calça e encarei as horas. Onde minha mãe estaria aquela hora? Talvez em uma das melhores praias de Cancun? Eu queria culpá-la por não estar comigo, eu também sofri um trauma louco, eu tinha a amnésia e eu precisava de seu apoio, contudo, eu não conseguia sentir raiva dela. Ela soube em apenas um dia que seu ex-marido era um agente secreto do CIA, que todos seus irmãos e seu pai seguiam o mesmo caminho e que seu ex-amante (que eu esperava que fosse) e que ela foi presa por um psicopata que queria vingança, mas que até hoje não sabíamos nada sobre isso.
Thomas era minha única chance de entender essa loucura de uma vez.
Meu celular vibrou em minhas mãos.
– Quem é? — Rob inclinou-se em minha direção, curioso
– Thals. — sussurrei
Atendi de imediato.
– Annabeth! Ai, meu Deus, você não vai acreditar!
– Eu preciso falar com você, é super sério.
– Não importa, o que eu vou falar é, tipo, mil vezes mais sério.
– Aposto que não.
– Ah, é? Então fala.
Encarei Rob ajustando o som, mudando de uma música de ópera para um rap que eu mal conseguia identificar uma palavra.
– Não... Dá pra falar agora. É coisa de menina. — resmunguei, embora quisesse esfregar na cara dela que as minhas notícias eram melhores
– Tem alguém aí?
– É. Diga logo sua grande notícia, sabichona.
– Tudo bem. Preparada? Ok, eu sei que está! Tudo bem, então vai lá: Thomas ligou pra escola e pediu para falar com você, então, como você não estava, ele pediu para falar comigo e adivinha quem são as garotas que tem a sorte de se encontrar com um ex-psiquiatra em um restaurante no norte de Hampshire! – ela disse tudo isso em um fôlego só, e acabou suspirando — E então, ansiosa ou tipo não consegue se aguentar em pé?
– Isso é bom. — suspirei, ofegando — Quer dizer, eu estou sentada.
E então, ela gritou. Afastei o telefone do ouvido e considerei que aquilo seria a melhor notícia do meu dia.
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