Nightingale.
43 Like a dude.
Notas iniciais
“You think I can get hurt like you, you motherfucker”
Era o Grande Dia.
Meu cabelo havia sido pintado provisoriamente com uma tinta escura, fazendo-o ficar castanho claro enquanto o de minha prima estava um louro escuro. Eu tinha feito um coque em meu cabelo colocando mais pó do que deveria, um batom vermelho e me sentindo extremamente sexy na calça de couro justa e na blusa cinza com o blazer preto.
Thalia estava bem parecida, seus lábios, entretanto, eram cor de vinho e seu cabelo estava em um rabo de cavalo.
Mordi meu lábio inferior encarando minhas mãos cobertas por uma luva que cobria apenas minha palma. Elas suavam e eu tentava controlar o tremor de minhas pernas.
– Está pronta? – sussurrei encarando o grande espelho do meu corpo
Thalia deu de ombros, tocando as pontas do cabelo recém-pintado.
– É, deve estar. Vamos logo.
Nós descemos. Nossa casa estava repleta em silêncio. Minha mãe havia saído ontem de noite para casa do meu avô e ainda não tinha voltado, o que era estranho já que ela fazia questão de me ligar e explicar quando fosse demorar.
Ela nem ao menos disse nada para Mary e aquilo começou a me preocupar de uma maneira extraordinariamente revoltante. A cozinha estava silenciosa e vazia, o que já era de se esperar, mesmo assim, Thalia pegou um dos donuts de morango, andando despreocupada até a sala. Eu queria estar tão calma quanto ela.
Mudamos a mesma completamente.
Ela tinha cinco a sete aparelhos de computadores, tirando a eternidade de fios que havíamos desembolado mais cedo – os escutas. Eram tantos que nem tinha ideia como um metro e meio ia se infiltrar no meu corpo sem ninguém da segurança perceber.
Luke afirmava que ninguém ia descobrir, então só tínhamos que confiar nele.
Assim que chegamos à sala, nenhum dos três viraram para nós. Estavam todos vidrados em uma tela de doze polegadas na mesa de centro de minha mãe.
Eu e minha prima caminhamos até ficarmos atrás deles. Na tela, passava a cena de uma van onde vários homens entravam, desconfiados, na porta, em sua cadeira de rodas, Jack estava encarando todos com uma expressão confiante.
– Primeiro passo. – Nico disse em voz alta
– Feito. – Percy completou com um sorriso
Um sorriso que não era pra mim.
Thalia cutucou minha costela com seu cotovelo e percebi que aquela era minha deixa para eu falar sobre Thomas.
Pigarrei e todos os olhares se voltaram para mim.
– Uau! – Luke bateu palmas – Vocês estão ótimas. Vocês realmente pintaram o cabelo...
– Não, idiota. – Thalia revirou os olhos – Diz, Annie.
Engoli em seco e encarei o jarro de flores vermelhas do outro lado, tentando não gaguejar.
– Hm, quando... – tossi e encarei os olhos verdes sobre mim, seus braços estavam cruzados, ele ainda não tinha colocado o blazer então a camisa social estava puxada o antebraço musculoso tensionado: maravilhoso – Bem, quando eu perdi o bebê...
– Do que está falando? – Percy estreitou os olhos, parecendo incomodado por estar falando de algo que o envolvia, indiretamente
Ignorei-o.
– Na carta, Jack coloca o sobrenome dele.
– Jones. – Luke completou
– É... – voltei a engolir em seco, tentando desviar meus olhos dos de Percy – E... O sobrenome do meu psiquiatra, Thomas, também é Jones.
– E...? – Nico perguntou, os olhos sendo desviados dos computadores, como se estivesse muito interessado no que eu estava falando
– E... Que eu tinha visto Jack conversando com Thomas no chá...
– Naquele dia em que fomos... – Percy comentou
– E Thomas me disse que ele era seu paciente, mas eu acreditei, quer dizer, eu não sabia o sobrenome de Jack, mas...
– Annie. – Luke prendia o riso – Mesmo que eu não goste desse cara, isso é comum. Tantas pessoas tem o mesmo sobrenome.
– Eu sei! Você acha que eu decidi do nada que eles eram parentes?! – gritei
– Ei, calma. – Luke se assustou
– Ela está certa. É muita coincidência. Jack pode ser bem discreto, mas trabalhamos com ele, cara, sabíamos da vida pessoal dele e ele nunca teve tratamento com psiquiatra. – Percy completou
– Isso é paranoia. – meu primo rebateu – Não tem nada a ver, não vamos ficar neuróticos...
– Concordo com ela, Luke.
– Thalia?
Minha prima suspirou ao meu lado.
– Eu liguei para Alex mais cedo, assim que ela me disse isso e... Ela me disse que o Jack não tem nenhuma consulta com psiquiatra desde que eles começaram a se comunicar. E bem, Alex é uma boa comunicante, certo?
– Não! – Luke gritou, parecia louco – Não acredito que deixamos passar isso! Ele pode estar escondendo, pode ser que ele ainda seja paciente e...
Nico pigarreou.
– Se for verdade ou não, não temos muito tempo. – retrucou – A SUV já está aí. Temos que colocar tudo isso dentro enquanto vamos para o covil do mal.
Luke respirou fundo, assentiu e saiu da sala como um furacão.
– Está falando sério, Thals? – Percy perguntou, inclinando-se da poltrona onde estava encostado
– Estou. – Thalia suspirou e me encarou, abraçando-me de lado – E vamos, coloque um sorriso nessa cara, sua linda! – ela beijou minha bochecha – Vou acalmar o Luke. Não se divirta sem mim. – piscou antes de desaparecer pela porta
Nico levantou-se, franzindo o cenho.
– Vocês precisam colocar os fios. Droga, por que ninguém... – resmungou consigo mesmo, pegando os fios separados com nossos nomes
Ele continuou andando, abrindo a porta e gritando por Thalia e Luke enquanto eu e Percy continuávamos parados, encarando um ao outro. Mordi o lábio inferior, mexendo-me para frente e para trás.
– Temos exatamente uma hora e cinco minutos para estarmos entrando no covil e vocês ficam lá foram juntinhos?
– Só estava explicando à ele...
– Não! Vocês estavam se abraçando...
– Aí, cara, você não confia em si mesmo? – Luke esnobou, sorrindo, os braços ao redor da cintura de minha prima
– Claro que eu confio em mim mesmo. Agora, por favor, solta a minha namorada antes que eu quebre sua cara.
– Quebrar minha cara? – Luke puxou as mangas e aproximou-se de Nico – Vem, fortão. Vem que eu quero sentir sua força.
– Isso soo bem pervertido. – Percy ficou entre eles, afastando-os pelo peito – Nico, coloca o escuta na Thals. Luke, vai fazer algo que presta. – revirou os olhos
– Ah, agora vai defender o priminho?
Percy riu, pegando os fios com seu nome e abrindo a camisa enquanto o prendia na bainha de sua cueca com casualidade. Luke bufou e repetiu seus movimentos enquanto Thalia sorria e beijava a testa de Nico no momento em que ele se abaixou para prender seus escutas.
E aqui estava eu, sem saber o que fazer.
– Ei... Eu, bem, não tenho um cara legal para prender esses fios e...
– Ah. – Nico mordeu o lábio inferior
– Percy, por favor. – Thalia revirou os olhos, embora exibisse um sorriso
– Eu espero pelo Luke. – assenti
Percy bufou, irritado. Pegou os escutas com o meu nome, vindo até mim. Encostou-se despreocupadamente no sofá, puxando-me pela bainha de minha calça. Nossos corpos se chocaram – eu entre suas pernas e suas mãos em meus quadris. Ele engoliu em seco, seus olhos cravados em meus lábios.
– Se afastem, por favor. – Luke empurrou-me pelo ombro, repetindo o movimento em Percy
Pigarreamos juntos.
O moreno enfiou a mão dentro de minha calça, meu corpo se arrepiou por completo, ele prendeu na barra de minha calcinha, seus dedos tamborilando calmamente minha pele, enfiando o fio transparente pela minha barriga, os fios se aderiam rapidamente a pele (essa era a grande dificuldade de desembalá-los), Percy continuou subindo os fios até passarem pelo meu sutiã e prendendo o pequeno microfone em meu seio esquerdo. Podia ter sido coisa de minha mente, mas seus dedos apertaram meu seio. Seus olhos se desviaram dos meus, então ele se afastou, pegando um pequeno fone, quase imperceptível, colocando-o em meu ouvido direito.
– Pronto.
– Obrigada. – agradeci
Ele repuxou os lábios e se afastou.
***
O que fazer quando seus joelhos tremem, seus dedos não conseguem ficar parados e tudo está horrível?
Meu cabelo falso preso em um coque deixava cair várias mechas pelo meu rosto. O que eu achava completamente estranho já que eu nunca vi nenhuma mecha castanha cair sobre meu rosto.
Eu estava ao lado de Thalia, com Nico e Luke na frente brigando sobre qual rádio parecia mais sério e mais agressivo. Percy estava com o braço sobre o ombro de Thalia e eles pareciam confortáveis desse jeito enquanto eu estava me mordendo de ciúmes. Talvez isso foi um dos fatores que contribuíram para que eu estivesse tão inquieta.
Assim que o carro chegou a rua da mansão dos Jones, eu suspirei.
– Repassando o plano. – Luke começou enquanto Nico diminuía a velocidade – Nos apresentamos como... – ele apontou para mim
– Carolina Storm.
Seu dedo virou-se para Thalia.
– Catherine Storm.
– Vocês são filhas de...
– Matt Storm. – respondemos juntas – O maior traficante do leste. – completei, sozinha
– Vocês conseguiram falar com ele? – Thalia perguntou
Nico sorriu, encarando-a pelo retrovisor.
– Algumas mudanças do sistema e a ligação caiu direta no meu telefone. E sabe, tem um aplicativo bem legal que muda voz ou imita vozes. Parece um papagaio. – comentou, natural
Percy riu.
– Certo. Foco. O que vocês vieram fazer aqui?
– Queremos manter uma aliança maior e completa. Estamos nos mudando para Malibu e precisamos de segurança, assim como precisamos trabalhar.
– E queremos participar do negócio do meu pai. Por isso, — dei uma pausa, engolindo em seco e abri um sorriso – queremos fazer aliança com um dos maiores do leste.
– Ótimo. E...?
– Queremos falar a sós com você, Sr. Jones. – Thalia falava
E então, sorríamos, esperando que apenas o segurança particular dele ficasse conosco.
– É, está bom. – Percy deu de ombros e aprumou-se ao lado da porta – Repassando o nosso plano, ficamos ao lado delas todo o tempo, certo?
– Correto.
– Plano B. – Nico anunciou apertando em um botão assim que chegamos em frente a porta dos Jones, ele abaixou o vidro e mostrou um cordão, abaixando os óculos escuros que usava, Percy e Luke colocaram os seus imediatamente – Vovô Cronos.
– É. – comentei, desanimada
– Esse botão aqui. – apontou para uma imensidade de botões instalados abaixo do som – Avisa para Sam entregar a carta para o vovô Cronos. De acordo?
– E esse botão aqui. – Luke nos mostrou sem inclinar-se para trás, fingindo que via alguma coisa na blusa – Avisa que estamos encrencados.
– Ainda bem que temos um botão na nossa blusa desse tipo. – Percy resmungou
– Preparadas? – Luke argumentou
Meu coração acelerou.
A promessa que eu fiz a Nico martelou em minha cabeça. Todas minhas consultas pareceram passar com um flash. E Percy me encarando de lado fez com que eu soltasse um sorriso confiante enquanto enfiava os dedos no coque, deixando os cachos artificialmente castanhos caírem sobre meus ombros.
Todos nós assentimos juntos. Um homem de negro saía em direção aos portões quando Luke e Percy desceram do carro, oferecendo as mãos para nós.
A pirâmide foi armada. Ao meu lado, dois passos atrás de mim, Percy ficava com as mãos cruzadas atrás das costas, um pouco onde sua segunda arma estava escondida. A primeira estava à vista, como a de todos os outros seguranças e a de Luke, em seu cinto no canto direito.
A mesma que eu usei para apontar na teste de Percy.
Engoli em seco assim que meus saltos afundaram na grama e um segurança aparentemente mordomo se apresentava para nós.
– Senhoritas Storm. – ele meneou a cabeça
Eu e Thalia continuamos de queixo erguido, sem exibir um sorriso como treinamos há dias. Apenas assentimos de lado, fingindo algum interesse com um mero funcionário que poderia morrer a qualquer momento.
– Vocês podem me seguir até o escritório do Sr. Jack.
– Vocês pediram que ele se encontrasse no escritório de negócio? Não queremos ser ameaçadas. – Thalia se inclinou para frente enquanto falava, seus olhos gelos pareciam duas navalhas pronta para a morte
O segurança pareceu ter medo da gente, mas era orgulhoso e audacioso. Ele deu um sorriso de lado.
– Meu nome é Philip. E me sigam, por favor.
Continuamos parada quando ele deu dois passos para frente.
Luke, ao lado de Thalia, avançou.
– Por favor, Philip, responda a nossa senhora.
O segurança revirou os olhos, embora sua mão esquerda tremesse onde sua arma estava.
– Não posso dar informações. Aqui, ao ar livre. Por favor, me sigam.
Babaca, Nico resmungou em nossos escutas.
Todos nós tomamos um susto. Meu corpo estremeceu, e eu tive o descuido de abaixar a cabeça, fingi ajeitar meu cabelo, com uma expressão zangada. Percy mexia no ouvido, parecendo desinteressado e entediado enquanto Luke batia no relógio de pulso sem parar, como se ele tivesse parado. Thalia estava batendo contra o próprio ouvido, mas percebeu que parecia uma louca tentando tirar um inseto, então apenas enfiou o dedo e continuou sorrindo.
O segurança já estava de costas, na calçada que nos levava para duas portas de vidro de correr.
A casa era extremamente grande. A sala de entrada tinha uma iluminação escura enquanto atravessamos o piso onde nossos saltos faziam um movimento repetitivo. Philip seguia a frente, alguns homens de preto riam e bebiam café na cozinha acoplada a sala. Pareciam legais se não fosse pelas armas jogadas onde deveria estar as frutas.
Atravessamos por uma cozinha grande com algumas cozinheiras jovens. Fingi que não vi quando um segurança apertou a bunda dela e ela continuou a fazer o que quer que estivesse fazendo, parecia amedrontada.
Percy tocou minha cintura. Eu não conseguia ver seus olhos verdes, mas seus lábios se mexeram para o lado, como se estivesse desapontado. Forcei minha mente a esquecer daquela cena e fazer com que minha expressão de zangada voltasse. O som dos saltos contra o piso ficou mais decididos enquanto avançávamos.
A iluminação mudou assim que entramos em um corredor estreito, estava mais clara, como se estivéssemos em um laboratório – totalmente diferente do tipo da casa que conheci quando invadíamos.
Um elevador apareceu a nossa frente.
Engoli em seco, ele se abriu assim que Philip apertou no pequeno botão que, imediatamente, ficou vermelho e apitou.
Ele segurou as portas de ferro, encostando-se.
– Por favor, senhoritas.
Avançamos juntas. As portas eram tão espaçosas que passamos juntas sem problema nenhum, ficamos atrás, então Percy ficou a minha frente, e Luke ao seu lado, Philip entrou, ficando de costas para nós.
– Estão gostando de Califórnia?
Percy forçou o sotaque inglês ao responder.
– Vocês deveriam nos oferecer água.
– Água seria uma boa. – Luke completou
– Senhoritas?
– Água. – respondemos juntas, abafando um riso em nosso rosto sério
– Irei pedir para que leve assim que cheguem ao escritório dele.
Assentimos. Ele não viu.
O elevador se abriu.
Estávamos no subterrâneo. Onde nós havíamos invadido.
Meu coração parou.
Ethan nos encarava do outro lado. Seus olhos estavam arregalados quando outro garoto, aparentemente da nossa idade, nos olhava, como se nos reconhecesse.
– Licença, garotos. – pediu
Percy avançou alguns passos, desinteressado, sendo acompanhado por Luke e então, eu e minha prima.
O garoto continuou nos encarando quando o elevador se fechou.
Percy voltava a ficar atrás de mim; voltamos a nossa posição.
– Ei, Philip! – o garoto desconhecido falou.
Nos viramos.
Ok, tenham calma. Nico falou de novo e evitei a sensação de arrancar aquele escuta do meu ouvido. Quem é esse?
Não respondemos.
Tudo bem, continuem seguindo o plano. O Plano B não está sendo cogitado ainda. Aliás, acabei de perceber que só temos vinte e cinco homens dentro da casa. Está tudo bem.
– O que é, Jordan? – Philip parecia impaciente enquanto seguia nossos olhares – Você está assustando as senhoritas Storm.
– Olha, Ethan. – Jordan riu – Você é tão idiota, Philip, esses...
Um tiro fez com que meus ouvidos doessem.
Luke acertou um tiro na perna do garoto que gritou.
– Luke? – Ethan estreitou os olhos, um sorriso esnobe se projetando pelo rosto
– Droga. Fodeu. – Percy sussurrou
Fodeu. Plano B mudando. Façam com que eles morram. Antes que venham me pegar e eu não consiga fazer mais nada.
– Câmbio. – Luke sussurrou – Em ação.
Ele virou-se tão rápido quanto tinha atirado. Philip ainda sacava sua arma, Luke chutou sua barriga, ele caiu. Eu e Thalia nos encostamos contra a parede.
Eu tinha uma arma, ela era pequena, mas tão potente quanto a que os meninos usavam. Ela estava escondida no salto fechado que eu usava. Então, eu tinha que me abaixar para pegar a arma e tentar me proteger. Mas a única coisa que fizemos foi ficar quietas enquanto os meninos completavam o trabalho. Como foi pedido.
Philip sangrava enquanto Luke batia seu rosto contra o chão, até que ele estivesse desacordado.
Percy teve mais classe; um completo gentleman. O fato de Jordan estar machucado foi de grande ajuda, ele atirou algumas vezes em Ethan, mas ele fugiu. O que foi um grande problema para nós.
Luke desapareceu por alguns segundos, o que nos deixou com medo. Percy apenas acertou a nuca de Jordan e o colocou dentro de uma porta a sua esquerda.
Meu primo apareceu a nossa frente.
– Vamos, vamos. Seguindo. – sua voz era carregada de remorso
Um dos seus melhores amigos tinha trocado de lado.
Tinha nos traído.
Eu queria chorar.
Percy segurou minha cintura, empurrando-me para frente.
– Vamos.
Nossos passos continuaram, estávamos com pressa. Não éramos tão decididos. Só queríamos acabar as coisas e sair dali.
O que pareceu um mar de seguranças – mas era apenas nove – estavam a nossa frente. Eles abriram caminho assim que passamos e um deles agarrou o braço de Thalia.
– Me solta. – vociferou
Luke segurou o braço do cara.
– Ela é uma Storm, cara, não vai mexer com ela.
– Eu só quero essa belezinha na minha cama.
Filho de uma puta. Nico comentou.
– Sabe o que você vai querer? – Thalia se aproximou dele, parecia mais alta com o queixo erguido, ela bateu o joelho em seu membro e sorriu – Isso sem nenhum uso, filho de uma puta.
Luke sorriu e bateu em seu peito.
Mas agora tínhamos um mar de seguranças rindo e passamos com tranquilidade.
Finalmente, estávamos no corredor que nos levaria ao tão esperado escritório de Jack. Faltava sete portas e chegaríamos lá. No entanto, estávamos passando pelo corredor que cortava o corredor principal, Ethan estava na ponta com cinco caras ao seu lado. Ele apontou para a gente, sorrindo.
– São eles! – gritou
– Não, cara. – Percy resmungou enquanto sacava a arma
Abaixei-me.
– Não. – ele disse quando deu o segundo tiro
Thalia, Luke, cuidem deles. Nico pediu, sua voz era trêmula.
– Isso é suicida, certo? – ela perguntou, sua arma saia de sua cintura com facilidade, seus dedos tremiam, mas ela estava decidida
– Não. – Luke sorriu
Os cinco estavam perto o suficiente quando o terceiro tiro de Percy acertou a perna de um deles que caiu no chão.
– Você tem um fetiche por pernas ainda? – Luke falou por cima do sons
– Vamos. – Percy segurou minha mão
A última coisa que vi foi minha prima empunhando a arma e atirando. Um filete de suor descia rente a sua orelha.
Estávamos na sétima porta quando Percy me parou contra a parede, suas mãos envolveram meu rosto e eu fui possuída por um beijo. Era rápido, agressivo e sem muita vontade de apreciar o momento.
Só era uma coisa carnal.
– O que...? Eles vão ficar bem?
Ah, vão sim. Thalia está adorando aquela carnificina. Nico disse, mas não parecia ser irônico
– Eu confio em você. – Percy apertou minhas bochechas, beijou minha testa enquanto eu apertava sua cintura em minhas mãos – Está pronta?
Sem momento romântico, por favor.
Engoli em seco e me afastei dele.
Uma porta de madeira se destacava entre as outras.
Abaixei-me e peguei minha arma, empunhando-a.
Percy abriu a porta.
Plano B em ação. A voz de Nico ressoo em nossos ouvidos.
Só tinha um segurança que não esperava por dois adolescentes empunhando suas armas. Ele não teve tempo de sacar a arma, Percy pulou em cima dele, deitando no chão e socando seu rosto.
Jack não tinha para onde fugir.
A sala era pequena; tinha um espelho fumê no canto direito enquanto uma mesa de mogno se erguia a minha frente, Percy trancou a porta, com as costas contra a mesma, meu coração batia tão forte que mesmo se Nico falasse, talvez eu não o escutaria.
Jack sorria.
– Bem vindo a minha sala, crianças.
– Crianças? Vamos terminar logo o que eu vim fazer aqui, seu velho nojento. – resmunguei, minha arma apontada para seu peito
– Me fazer sofrer? Ah, bem... Que tal termos uma conversa? Você não respondeu minha carta, pequena Olympus. Onde está sua... Ah.
– Não. – respondi, revirando os olhos – Vim resolver cara a cara. Se você tem medo, eu não tenho.
O fato é que eu não sabia o que fazer.
Agora que estávamos frente a frente, eu não sabia o que deveria dizer ou fazer. Ele deveria morrer mesmo? Eu deveria mata-lo como Nico esperava. Eu até podia ouvir um “vai, vai, vai” de Nico ao longe e os olhos de Percy atrás de mim.
– Ah, olá, ingrato Jackson, como vai sua irmãzinha?
– Ótima, obrigado por se lembrar.
– Ah, é uma honra. Estou tentando me adaptar aos costumes ingleses. – mexeu a mão, indiferente no ar
– Acho que você não vai ter muito tempo para lidar com isso. – Percy comentou, desinteressado – Sabe, essa garota aí... – bufou – Ela é bem estressante quando está com raiva.
– É, devo confiar em você, infelizmente. E então, Annabeth, o que veio fazer aqui? Me disseram que você queria água.
– Eu quero saber porquê você fez aquilo com meu pai.
– Eu? – ele riu – Você que fez. Você que incendiou, não se lembra? Eu achei que tinha te ajudado...
– Não fui eu! – gritei, minhas mãos tremeram, no entanto, fiz com que elas continuassem estáveis, evitando fazer meu rosto virar para trás, pedindo ajuda para Percy – Você mandou aqueles homens. Por que fez isso?
– Estou ficando velho, talvez...
– Sem joguinhos, Jack. Tanto eu quanto você não temos todo o tempo do mundo. – Percy resmungou, rude
– É? Talvez, possamos reavaliar isso. Bem, seu pai me estressava. Como vocês, crianças. Um agente da CIA querendo me prender? Não, obrigado.
– Você o matou... – minha voz estava embargada – Porque...
– Tem problema de audição? Eu tenho um ótimo...
– Pai? – uma voz conhecida se propagou pela pequena sala
Percy apressou-se em sacar a arma e aponta-la para um Thomas de bermudas com uma regata carregando livros.
– Annie...
Meus olhos se encheram de lágrimas.
– Pai...
– Ah, vocês já se conhecem, não é mesmo?
– Pai, você prometeu. – Thomas tentou avançar, mas Percy deixou a arma pousada em seu peito
– Um passo. E pode dizer adeus.
– Eu fiz o possível, filho. – Jack sorriu, não era o típico sorriso que eu esperava, estava mais para um sorriso triste e culpado – Uma vingança nunca morre. Agora, solte-o, Jackson. Eu tenho uma surpresa para sua namorada.
– Pai! Não! O que você está pretendendo?
– Você me enganou. – cuspi, Percy me olhou por cima do ombro – Eu tenho nojo de você. Tentou me ajudar e o que fez? Acabou com minha vida, mas tudo isso estava planejado, não estava?
Thomas balançou a cabeça. Seus olhos não estavam em mim, entretanto.
– Eu estava tentando te tirar disso. Por que é tão ingênua?
– Você é mais bonitinho calado. – Percy o empurrou – Você a queria! Você não acha que eu não sei quando um cara quer sua mulher? Você é um filho da puta que nem consegue suas próprias mulheres.
– Olha o que você tá falando! Olha o que...
Percy socou seu rosto. Levantei minha arma para meu psiquiatra. Minhas mãos não tremiam mais; meus olhos estavam cegos de raiva, eu quero mata-lo. Era mais instinto do que minha mente raciocinando, eram meus dedos engatilhando a arma e deixando as pontas dedilharem o gatilho.
– É melhor você sair. Antes que eu faça isso por você. – ameacei
Medo transpareceu nos olhos dele, o que me fez sorrir. Eu deveria parecer uma maníaca com o cabelo castanho bagunçado e olhos cinza assassinos, mas era assim como eu sentia e era desse jeito que eu sempre quis me sentir.
– Você é a culpada. – Jack voltou a comentar quando Thomas desapareceu do mesmo jeito de antes, sabia que ele procuraria reforços
Não se deixe levar pelas palavras dele, Annie. Nico dizia.
– Você sempre foi. Por que acha que seus pais se separaram? Por causa de você. Por que seu namoradinho aí nunca te quis? Por que ele se foi quando seu pai morreu e não te ajudou a recuperar a memória, você já se perguntou isso, querida?
Minha mente estava atolada.
Eu podia sentir Percy nervoso, podia sentir seus músculos tensos atrás de mim e não tão relaxado e descontraído como estava quando começou a ameaçar Jack.
– Annabeth... – ele sussurrou
– Eu não quero saber. Eu te odeio. Eu vim aqui te matar. E é isso que eu vou fazer. Você só destruiu vidas e com esse seu império ridículo de drogas destrói a vida de muitas outras pessoas.
Jack riu.
– As pessoas querem ser destruídas. Elas querem algo perigoso para testar. Me diga você, criança Olympus, o que seria da sua vida sem adrenalina? O que estaria fazendo nas férias se não estivesse planejando me matar?
– Não sei, talvez surfando? – sorri de canto – Hm, aprendendo a cozinhar, namorando... Quer mesmo que eu liste?
Anda logo com isso. Corredor da esquerda, Luke.
– Ah, deixa eu chamar uma pessoa para participar de nossa conversa. Só um minuto. – Jack inclinou-se sobre a mesa, procurando alguma coisa nas gavetas
Não sei o que ele fez, no entanto, o painel ao nosso lado começou a subir, onde estava o vidro fumê se encontrava agora uma pequena sala de paredes sujas, aparentando muito mofo, o chão era infestado por baratas e eu podia ver um rato ou outro, o que me deu muito nojo. Percy ofegou atrás de mim.
Meus olhos pousaram em uma figura desgastada, seus olhos azulados eram mais fundos do que eu vi no dia anterior, seus cabelos antes cheio de brilho e loiros, estavam presos em um rabo de cavalo desleixado. Lágrimas caiam pelas suas bochechas e acabavam no pano sujo e nojento que fazia com que sua boca ficasse fechada.
– Mãe. – murmurei
Eu deveria sentir ainda mais raiva, no entanto, meus olhos ardiam e eu podia sentir as lágrimas caindo sobre minhas bochechas. Minhas mãos tremiam, mas meus dedos estavam firmes no gatilho.
– Solte-a! – gritei
Um garoto ruivo estava do lado esquerdo, de braços cruzados, seus olhos verdes estavam confiantes. Ele sorriu para mim e mexeu os lábios “atire”.
– É seu amigo, não é? – Jack perguntou, com um sorriso – Seu amigo. Não temos amigos nesse mundo, garota. É bom que aprenda isso.
Ele mexeu os lábios “atire”. Revirou os olhos quando percebeu que eu não seguiria suas ordens.
Observei minha mãe novamente presa em uma cadeira, como a de Thalia e me perguntou se a teriam deixado levar descargas elétricas. Aquilo deixou minha garganta seca.
Ethan abaixou-se. Soltou os pés de minha mãe, os pulsos e desamarrou a boca. Ela desatou a chorar.
– Mas que merda... – Jack murmurou, confuso
O ruivo sorriu, o que estimulou meu sorriso e gritou, mesmo que eu não pudesse ouvir devido aos vidros: “acredita em mim agora? Atira nesse velho, loira!”
– Amigos. Bom ouvir você dizer sobre isso. – sorri – Porque eles nunca me abandonam.
– Bem, se estava pensando em nos deixar um contra o outro... – Percy sorriu
A porta foi arrombada e um homem sozinho entrou, o encarei por cima do ombro, Percy já tinha atirado nas duas pernas dele, deixando-o agonizar.
Sorri, virando-me para Jack.
–...você não vai conseguir tão cedo. – terminei
Engatilhei minha arma mais uma vez. Respirei fundo. Mirei em seu ombro e deixei meus dedos desabarem.
O tiro fez com que meu corpo fosse lançado para trás, fixei meus pés no chão e assim que o zunido em meus ouvidos passaram, me deixei encarar Jack.
Ele estava com a mão no ombro e assustado.
Várias pessoas entraram na sala naquele momento. Eles vestiam capacetes e traziam armas de grande porte, em frente aos seus coletes estava escrito POLICE em letras amarelas berrantes. Era no máximo dez e eles rodearam Jack nos excluindo.
– Quantas vezes vou ter que dizer para você não brincar com coisa de gente grande, minha neta?
Meus olhos se encheram de lágrimas, eu comecei a chorar e a soluçar como quando tinha sete anos e mexia nos papéis que ele escondia ou quando ele trazia bebidas para comemorar algo e eu insistia que poderia beber, por fim, ele brigava comigo. E eu chorava, como estava agora.
Cronos sorriu.
Ele inclinou a mão para apertar a de Percy, como se estivéssemos em um jantar formal.
Percy suava quando apertou a mão dele.
– Você, seu primo e meu neto fizeram um ótimo trabalho cuidando delas. Sempre serei grato. Mas... – ele balançou a cabeça, tirou uma arma do bolso e revirou os olhos – Não podem sair por aí achando que podem tudo. Ainda bem que meus homens estavam infiltrados nessa casa há meses.
– Seus homens... O quê? – perguntei
– Veremos isso depois. – ele encarou onde estava minha mãe – Ethan a levou para cima. Voltem para casa. Sam estará por lá. E, Annie?
– Você foi corajosa, garota. Assim como Thalia. Estou tão orgulhoso de vocês, mas... Não façam isso novamente.
– O que vai fazer com ele? – perguntei, minha voz era trêmula
Os olhos de Cronos mudaram, estavam duros.
– O que deveria ter sido feito há anos atrás.
– Vô, você precisa me explicar tudo isso.
– Annabeth! – Percy gritou
Senti uma pontada em meu braço, Cronos sorriu triste e avançou, porém meu corpo já estava desfalecendo, caindo para o lado sem saber para onde realmente ia. Minha mente se embaralhava em pensamentos cabisbaixos. Eu tinha perdido tudo.
Eu tinha falhado.
E eu era culpada. Mais uma vez.
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