Nightingale.
41 Life Out Of Control.
Notas iniciais
"Talk to me, I'll listen; All the love that I'm giving, don't act like you don't know"
Eu não queria chorar. Realmente não queria. Mas parecia ser impossível quando a pessoa que você contou todos seus segredos tinha te traído da pior maneira possível.
Sentei em minha cama, assim que a porta se abriu .
Era Percy.
Meu coração bateu fortemente contra meu peito. Eu sentia as lágrimas aumentarem, no entanto, fiz todas voltarem para seu lugar e sorri, pulando na cama.
Ele não parecia tão feliz em me ver. Seu rosto estava vermelho, assim como seus olhos, sua camiseta branca estava suja, imunda pra falar a verdade, seus cabelos estavam bagunçados enquanto sua barba estava por crescer – o que o deixava super sexy.
Ergui os braços, pronta para me abraçar.
Ele me empurrou.
Meu corpo cambaleou para trás enquanto ele me olhava acusador.
– Você foi se encontrar com ele de novo!
Engoli em seco, me encolhendo.
– Do que você está falando... Do que...?
– Você foi se encontrar com aquele psiquiatra de merda, Annabeth! – ele gritou contra mim – Você acha que eu vou ser corno de novo? Assim na cara dura? Você é uma puta, isso que você é! E sempre vai ser!
Franzi o cenho, joguei minhas pernas para fora da cama, me aproximando dele lentamente. Seus olhos verdes estavam cravados em mim no momento em que consegui chegar perto o suficiente para tocar seu peito com a ponta dos dedos.
– Eu fui falar com ele porque eu finalmente desvendei...
– Desvendar? – seu hálito estava podre de álcool, e de algo mais que me fez segurar meu vômito; ele chorava agora – Você só quer que eu seja seu idiota de novo... E de novo...Por que você faz isso comigo? – ele fungou, as lágrimas caindo em suas bochechas
– Eu não fiz isso, meu amor. Percy, me escuta...
– Pare de mentir!
Meu rosto ardeu, eu sentia as lágrimas caírem involuntárias sobre minhas bochechas enquanto parte de meu rosto ardia. Tentei respirar e levantar do chão, mas pareceu difícil demais, difícil mais ainda processar que ele havia me batido .
– O que você fez? – me afastei dele assim que consegui ficar de pé
– Isso é por fazer de palhaço de novo.
Percy se aproximou de novo; seus movimentos eram lentos, mas o que eram seus movimentos lentos para o meu raciocínio lento? Suas mãos se prenderam em meu corpo enquanto eu me debatia em seus braços, seus lábios me atingiram e eu tive mais uma ânsia de vômito, tentando me afastar.
Ele me empurrou mais uma vez, ficando por cima de mim, seus dedos se voltando para meu pescoço, apertando-o. Minha respiração ficou rápida enquanto eu chorava e tentava fazer com que ele me soltasse.
– Você é uma vadia. – resmungou com nojo, suas lágrimas caindo em meu colo – Uma vadia. Eu te odeio tanto. Tanto. Você deveria morrer. Eu mesmo poderia te matar.
– Percy, o que você está falando? Você está se ouvindo? Percy? – murmurei, puxando seus dedos para longe de seu pescoço
Ele não pareceu ouvir nada já que com a outra mão, rasgou o pijama que eu usava me deixando com um top de renda. Seus lábios voltaram para os meus com voracidade, o gosto de álcool se propagava pela minha boca, franzi os lábios e mexi o rosto tentando afastá-lo. Só recebi mais um tapa em troca.
– Fica quieta, caralho! Você não ouviu? Sabe o que acontece com vadias?! – apertou minha intimidade com força, meu choro aumentando a cada segundo – Para de chorar!
Me preparei psicologicamente para mais um tapa, o que veio rápido. Percy continuava a jogar insultos enquanto eu chorava e tentava pensar em algo.
Ele segurou minha cintura, jogando-me contra a cabeceira da cama o que me fez soltar um gemido sufocado.
– Sabe o que me dá mais nojo? – as lágrimas descendo pelo seu rosto me dava uma esperança, uma esperança que ele só estava bêbado, que aquilo ia passar e alguém tinha feito a cabeça dele, engoli em seco – Eu acreditei em você. Eu amei você. E você me traiu... De novo.
– Eu não te traí! – gritei contra seu rosto, chutando sua barriga, o lugar mais próximo de meus pés
O tempo que Percy se debruçou sobre si mesmo foi o suficiente para fazer seus olhos desfocarem de mim e me dar tempo para pensar. O criado mudo estava ao meu lado, se eu tivesse sorte, a arma dele ou qualquer arma reserva estaria ali. Respirei fundo antes de engatinhar até a primeira gaveta e puxar uma arma pequena.
Assim que ele afundou a mão em minha coxa, virei-me com a arma para sua cabeça.
– Saia daqui! – gritei, um soluço atrás do outro – Saia daqui! Eu... Saia! – usei todo meu fôlego, cambaleando para fora da cama
Ele poderia estar bêbado, mas não estava burro.
– Está acontecendo algo aí dentro? – Nico gritou, batendo o punho na porta
– O Percy tá bêbado! Ele... Está louco!
Ouvi vários xingamentos, Percy me encarava, os olhos repletos de culpa, nojo, mais lágrimas descendo sobre suas bochechas vermelhas – assim como estavam as minhas. Eu queria fazer com que aqueles tremores escapassem, mas lá estava o cara que eu sabia que sempre seria o meu cara. Me batendo. Bêbado. Louco. Meu corpo doía, mas a adrenalina me mantinha em pé. A porta se abriu, para meu alívio.
Nico me encarou, atormentado, ao ver a arma em minhas mãos.
Os olhos de Percy – uma mistura de vermelho com verde – me encaravam, como se dissessem: “Vai ter coragem de continuar me olhando?”
Infelizmente, eu tinha essa maldita coragem.
– Cara... Percy...
Percy engoliu em seco. Então, começou a sussurrar seguidos “desculpas”, eu realmente queria abraça-lo. A arma caiu de minhas mãos enquanto eu me aproximava lentamente e Nico levantava a mão, pedindo que eu continuasse no mesmo lugar.
– Cara, vamos...
– Eu sou um idiota. Me dê a arma! – ele gritou, me assustando – Me mate! Eu não posso viver. Não posso...
– Percy, cara! – Nico bateu em seu rosto, fazendo-o encará-lo, parecia enojado – Vem, vamos. – afirmou e puxou Percy pelos braços
Eles saíram, calmos e silenciosos. Percy continuava encarando a arma no chão e eu ainda queria abraça-lo.
Segundos depois, Thalia entrou no meu quarto correndo.
– Ai, meu Deus! O que é isso no seu rosto e ah, meu Deus... – sussurrou
Eu nem ao menos conseguia raciocinar. Apenas percebi minha prima tirando os trapos que restara do pijama, me acompanhando até a banheira. Era constrangedor. Eu estava encolhida, chorando e detalhando com a voz embargada tudo que ocorrera. Ela me assegurou que minha mãe estava no jardim dos fundos com Mary plantando novos jarros de flores e que, provavelmente, nem viu Percy entrar.
Eu só continuei chorando.
– Vai dar tudo certo. Ele só estava fora de si... – murmurou – Seria melhor manterem vocês afastados...
– Temos o Plano A. – disse
– Pensamos nisso amanhã, ok? – Thalia sorriu e beijou minha testa, enrolando-me em uma toalha
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