Nightingale.

37 I feel you.


Notas iniciais
Eu já disse que não tenho o que fazer? Ok, alright. Daí eu pensei ok eu vou postar pq eu sou uma coisa fofa do universo E ah, nightingale vai acabar dia 21 de março dia do meu aniversario socorro vai ser mto lindo dsçldksdçlsk OUÇAM ESSA MUSICA COLOCAM ELA NO REPEAT E CHOREM SÉRIO SAÇLKSLAK http://www.youtube.com/watch?v=899a8WlVpNk

"But goin' out of my mind in endless circles runnin' from myself until you gave me a reason for standing still"

Eu estava deitada em minha cama.

Cheiro de lavanda acusava que Mary tinha acabado de limpar todo meu quarto enquanto eu fingia dormir. Também sentia Percy se remexendo ao meu lado, e então, levantando-se e indo tomar banho. Agora, assim que a porta se abriu: lá estava aquele cheiro inconfundível de maresia, sabonete fresco e seu perfume masculino que se impregnava em minhas roupas.

Me enrosquei nos lençóis, encarando-o; ele estava nu.

A toalha enxugando os fios molhados enquanto com um movimento rápido, colocava a cueca preta e enfiava as pernas pela bermuda verde. Percy abaixou os olhos para encarar os meus e deu um sorriso falho, caminhando até mim e se embrenhando aos lençóis, suas mãos pousadas em minha cintura.

– Está tudo bem. – franziu o cenho quando não dei nenhuma resposta – Certo?

– Não. – respondi, tentando parecer calma

Sabia que ele não estava calmo. Tudo bem, nossos primos estavam são e salvos. Faltava uma semana para que estivéssemos longe e seguros em nosso quarto no internato em Hampshire, mas esse dia parecia chegar lentamente, como se fosse uma eternidade adiante. E mesmo que estivéssemos seguros em minha casa, os tremores que Percy teve na madrugada não acusava que ele estava bem e nem mesmo meu choro repleto de medo daqueles homens naquele corredor estreito representava que eu estava bem. No entanto, ele ainda insistia em me encarar com aqueles dois olhos com as cores do mar lá fora e mentir dizendo que tudo estava bem.

Mas não estava bem.

Eu estava ficando louca. A cada segundo que minha mente voltava para aquele corredor, para aquele barulho e os gritos de minha prima, da cadeira de rodas de Jack se perdendo pela escuridão e relutância de Zeus ao deixar Thalia conosco, ligar para Hera e sair, sem nenhuma explicação aparente.

Entretanto, eu sabia que uma conversa de extrema importância tinha ocorrido entre eles – Thalia, Zeus, Nico e Luke. Eles estavam mais reservados, e os outros, cansados.

Percy ainda teve a coragem de sorrir, colocando um fio sujo do meu cabelo atrás de minha orelha.

– Eu... Eu queria te fazer uma proposta.

Estreitei os olhos.

– Fugir? – sugeri

– Hm, não. É... Bem, quero dizer... Nós... – ele respirou fundo, acariciando minha bochecha com o polegar – Nós temos essa coisa de... Bem, ficar nos beijando e transando e tudo mais. Só que... Não temos nada sério e não sei se isso é mania de inglês e você vai zombar de mim, mas... Queria só saber se estamos, bem, namorando.

Eu tinha totalmente esquecido esse rolo com ele. Em meio a tantas confusões, o beijo dele, o toque dele era a única coisa que me reconfortava, tudo bem, sim, eu já tinha reparado que não tínhamos nada sério e sim, eu já me irritei várias vezes com isso, mas acabei me esquecendo, no entanto... Lá estava ele, inseguro e confuso quanto à mim enquanto seu primo tinha acabado de ser resgatado do covil inimigo.

– Eu estou enlouquecendo. Tenho uma doença desconhecida pela maioria das pessoas. Um cara mais louco que eu está tentando matar minha família completa, eu não sei se estou capacitada para me apaixonar. Você acabou de terminar com sua namorada, estamos... Cansados... Mentalmente também. E... Toda a Califórnia é perigosa para nós, nada é seguro, de acordo com você e Luke. Podemos morrer ou ser sequestrados a qualquer milésimo de segundo. E...

– Espero, com todo meu coração, que isso seja um sim.

Eu sorri. Era impossível não sorrir enquanto aqueles olhos verdes lhe encaravam. Aproximei nossos rostos, roçando nossos lábios. Suas mãos apertaram em meu rosto e em minha cintura, meu corpo se arrepiou com seu toque quase inesperado.

– Então? – ele perguntou, os olhos fechados e as mãos fortes me envolvendo

– É um maldito sim, gentleman.

– Agora está tudo bem.

Nossos lábios se tocaram calmamente enquanto eu sorria pelo meio do beijo.

Minha barriga começou a dar cambalhotas e me afastei rapidamente, sentindo o gosto da bile em minha boca.

– O que foi? – perguntou, tocando minha testa – Quer que eu chame um médico ou...?

– Está tudo bem. Sério. – soltei uma risadinha – Você já viu Nico ou Thalia desde que eles chegaram?

– Eles ainda não chegaram. – disse, seus dedos voltando a acariciar meu cabelo – Por que não volta a dormir?

– Vocês vão criar mil e um planos mirabolantes. Eu quero participar disso. – afirmei

– Não vamos criar nada, ok? Luke nem está aqui. Eles ainda estão no hospital. Só dorme.

– Jura?

Percy bufou, beijando minha testa enquanto nos enrolava com o outro edredom.

– Juro.

***

Eu acordei vomitando.

Não é um bom jeito de acordar, decidi.

Todo meu corpo estava tremendo enquanto aquele monte de comida líquida saia do meu estômago e era jogado no vaso sanitário sem nenhuma piedade. Assim que senti que nenhum espasmo de nojo ia avançar contra meus membros, dei descarga e tentei me levantar – o que foi uma tarefa árdua de se fazer.

Por fim, tomei banho, me encarei no espelho e bufei.

Embora meu dia tenha começado de um jeito particularmente bom para os outros dias que o antecederam, eu não estava em meus melhores humores. Tinha a vontade de passar meu braço por todos aqueles cosméticos que não faziam efeito em minhas olheiras ou nas espinhas que começavam a borbulhar em minha face. Queria gritar e jogar tudo pelos ares sem dar a mínima para nada.

No entanto, isso estava sendo extremamente egoísta, portanto eu apenas respirei fundo, contei até cinquenta, afundei minhas unhas nas palmas das mãos e coloquei na minha cabeça que tinha que ficar calma. Não seria tão difícil, certo?

Zeus havia viajado com Hera e Jason para algum lugar que ninguém sabia, (de acordo com Percy) e como ele disse: não precisávamos saber. Na verdade, eu concordava completamente com ele. Não queria ser sequestrada e saber que eu realmente sabia onde eles estavam e eu poderia falar algo.

Assim que desci para o mundo real, pude ver a movimentação de minha casa: minha prima estava mais fraca que o normal. Desde que chegou do hospital, havia se enfurnado no quarto com a visita constante de Nico, que nem saia do quarto dela. Eles pareciam bem mais próximos do que antes, sempre juntos, sussurrando coisas e quase nunca sorrindo.

Percy me pediu para dar espaço para ambos, deixa-los se acostumar e saber que agora, pelo menos por um tempo, estavam protegidos. Luke era o mais incomodado, meu primo estava mais distante e procurava por falhas feito um louco. Seus contatos com Ethan haviam diminuído consideravelmente ao ponto de que Ethan esquecia os dias marcados dos encontros e nem nos ligava mais.

Eu estava em duvida se ficava assustada por estarem próximos de nos descobrir ou se ficava aliviada por não estar ocorrendo nada preocupante o suficiente.

– Querida... — Atena gritava descendo as escadas

Suspirei, ela não tinha a mínima ideia do que havia ocorrido conosco em nessas últimas semanas. Nem sabia que Thalia havia levado descargas elétricas, só que estava meio doente e a viagem de Zeus fora resumida em uma passeio de família para relaxar e eles se aproximarem de Jason.

– Oi, mãe. — resmunguei, mexendo na panqueca com mel, aquilo estava me dando vontade de vomitar o que eu não tinha no estômago

– Tudo bem? — ela afagou o topo de minha cabeça — Estava pensando em fazer algo, tipo mãe e filha já que você vai embora próxima semana...

Ah, ela tinha que me lembrar que só faltava uma semana para acabar tudo e deixar minha mãe indefesa, mais uma vez. Já que agora tínhamos, realmente, aumentado a raiva de Jack sobre a família Olympus no momento em que invadimos a casa dele e deixamos claro que ele era fraco.

– É, mãe, uhu, ‘tô emocionada.

– Eu sei que você não quer voltar, mas só falta um ano para você escolher sua faculdade. Você é boa o suficiente para Oxford.

– Você não vai ter essa conversa agora, vai?

Atena sorriu.

– Bom dia, Sra. Chase. Annie. — Percy disse, colocando várias coisas que Mary tinha deixado pronto em cima da mesa pequena em seu prato

– Olá, Percy. E então, o que vão fazer hoje?

Ele me encarou e sorriu, tremi as pontas dos lábios, tentando parecer mais alegre que ontem, contudo minha face pálida, os olhos fundos e o fato que eu não estava comendo tanto quanto eu deveria, levando em conta minhas suspeitas, claro, tudo isso denunciava o quanto eu estava abatida e o quanto a minha parte covarde estava louca para voltar para Hampshire o mais rápido possível.

– Acho que vamos ficar relaxando na piscina, o que acha, Annie?

– É, vai ser legal. — sorri e empurrei o prato

– Não vai comer, filha?

Levantei o olhar para os olhos de minha mãe, cinzas e preocupados.

– Eu estou meio enjoada e...

– Enjoada? — ela franziu o cenho, confusa

– É, deve ter sido a comida ruim que comemos ontem no hospital. — Percy explicou mais uma mentira

– Ah, nem vi que horas chegaram! Eu deveria ter passado no quarto de Thalia, mas quando vi Nico estava dormindo com ela. Eles devem estar bastante cansados.

– É, eles estão. — concordei

– Bem, eu preciso resolver algumas coisas e vou visitar meu pai. Aliás, você só fez uma mera visita rápida para ele, Annabeth, seu avô sente sua falta, sabia?

Revirei os olhos.

– Ela vai, Sra. Chase. Eu mesmo irei leva-la para o Sr. Olympus.

Atena sorriu e afagou o topo da cabeça de meu oficialmente namorado.

Vi minha mãe sair e acenar para nós.

Levantei-me, deixando o prato em cima da mesa.

– Não vai comer? — Percy perguntou, arqueando a sobrancelha, balancei a cabeça — Eu estava falando sério sobre seu avô e a piscina.

Revirei os olhos, e levantei os o ombros.

– Tudo bem? — vi o moreno afastar a cadeira e preparar para se levantar

– Estou. Por que não estaria?

– Annie...

– Para. Eu só estou indisposta. Vou deitar ou sei lá, depois vamos para a piscina ou qualquer coisa do tipo.

Não esperei pela sua resposta, começando a subir os degraus em uma velocidade relativamente devagar. Joguei-me em meio aos meus travesseiros, encarando o teto desinteressada, esperando que algo de extraordinário fosse acontecer ou eu simplesmente poderia fazer algo... Como sair com Thomas. É.

Bufei, eles não me deixariam sair sem que Percy ou Luke estivesse em meu encalço. Era essa a regra depois do que aconteceu com Thalia e eu me sentia uma criança.

Alguém bateu na porta e tinha quase certeza que era Percy.

– Entra. — resmunguei

– Menina? — Mary colocou a cabeça para dentro e balançou um papel pardo no ar — Chegou para você.

– Tá, deixa ai em cima.

Fechei os olhos e escutei a trava da porta sendo fechada.

Eu só queria desaparecer, como qualquer adolescente clichê. Apertei a palma de minha mão em torno de minha barriga... Eu estava me arrependendo pela maldita decisão que havia tomado e... Bem, se eu tivesse certa, se realmente estivesse crescendo uma criança ali, Percy não sabia e éramos tão jovens! Qual a burrada que eu fiz? No entanto, ao mesmo tempo que eu estava tão preocupado com o futuro dessa criança, com o nosso futuro, eu podia ver Percy brincando com uma garotinha de olhos verdes na praia ou tentando ensiná-la a surfar, como ele tentara fazer comigo uma vez. Eu consigo imaginar cada parte de nossas vidas juntas... Consigo imaginar o quanto ele ficaria irritado por eu não ter avisado nada a ele, e o quanto ele enlouqueceria quando percebesse que eu tomei a decisão por ser uma garota imatura, porque eu só o queria para mim e sabia que de um jeito ou de outro, se eu tivesse um filho dele, nós ficaríamos juntos.

Egoísta, imatura, idiota, retardada. Repeti muitas vezes em minha cabeça, sentindo aquelas lágrimas tão conhecidas descerem pelos meus olhos.

Continuei algum tempo, estirada na cama, com a visão embaçada devido ao choro e a soluços reprimidos.

– Annie? A piscina? — Percy abriu a porta, virei-me de bruços e tentei controlar minha respiração, fingir que estava dormindo sempre era a melhor opção — Annabeth?
Senti sua mão pesada em minha cabeça, afagando meus cabelos e seus beijos subindo pelos meus braços com uma gentileza impressionante, até virar meu corpo devagar e eu resmungar, abrindo os olhos.- Estava chorando? — ele retirou minhas mãos que estavam em cima do meu rosto e franziu o cenho — É por causa de Thalia? Você sabe que não foi sua culpa, amor.

Sorri, era impossível não sorrir quando ele usava aquela voz rouca, me olhando com aqueles olhos cor de musgo totalmente sexy, com aquela carinha de cachorrinho sem dono e confuso... Juntando que me chamava de amor, como alguém poderia resistir?

– Piscina! Piscina sempre melhora tudo. — sorriu, tentando me levantar

– Onde está o Luke? — sentei-me na cama, esticando meus braços

– Ele saiu... Acho que foi tentar contatar o Ethan de novo... Bem, você sabe, está tudo estranho, mas... Pode relaxar, nada com o que deva se preocupar, damos conta disso. Agora, piscina!

Ri, com seu jeito rude de falar e levantei-me.

– Tudo bem, gentleman, só vou tomar um banho, vai querer me acompanhar?

O moreno sorriu, malicioso e mexeu em meu cabelo enquanto sentia sua outra mão tocar minha bunda.

– Bem, não seria uma má ideia. E eu teria certeza absoluta que você estaria bem.

Revirei os olhos e o empurrei.

– Sem graça. Vou tomar um banho, sério.

Caminhei com passos lentos até ser chamada de novo.

– O que é isso? — ele levantou o papel pardo

– Não sei. — fui em sua direção — Mary trouxe para mim mais cedo, disse que foi uma correspondência. — avaliei o papel — Parece ser algo da minha família ou deve ser algo da Goode, sei lá.

– Eu vou v...

– Minha privacidade também? — puxei a carta de suas mãos e virei as costas — Me espere lá embaixo, por favor.

– Não me importo de esperar aqui, Annabeth.

Dei de ombros.

– Vai ter que esperar muito, então. — bati a porta com força e a tranquei

Onde eu teria paz nessa casa?

Segurei na parede assim que dei o primeiro passo, todo o piso estava molhado. Os empregados também decidiram não me deixar em paz, ou queriam me matar mesmo.
Apoiei meus braços na pia de mármore, respirando fundo para trazer de volta alguma calma que restava em meu corpo. Encarei o papel meio amassado e pardo, pensando se deveria abri-lo ou não. Rasguei o adesivo vermelho-sangue do meio da página e abri o papel, rude.

Franzi o cenho.

Querida Annabeth,

Creio que você e seus amigos devem estar cantando vitória por terem invadido minha casa e terem feito uma grande bagunça. Mas, tudo bem, eu já tive a idade de vocês, sei o quanto estúpidos — ou adolescentes, como preferir — gostam de desafios. Eu irei dar todos que quiserem.

Que tal começar a partir de agora?

Descobri que quer muito saber como seu pai, Frederick Chase, morreu, certo? Talvez, eu possa clarear sua mente e fazer você recobrar a memória.

Lembra-se da casa dele? Lembra-se dos homens que invadiram cada cubículo ridículo daquela casa, dos tiros e de como a pequena Chase estava assustada? Bem, eu me lembro muito bem. Até lembro quando nem planejava colocar fogo, mas você me ajudou bastante nisso. Nem havia pensado no isqueiro, muito menos no gás da cozinha, muito perigoso, hm?

Aliás, eu sei que foi muito feio da minha parte não ter te perguntado: a água estava fria quando conseguiu fugir? Uma pena que não pude matar dois coelhos com uma cajada só, mas tudo bem, mais aventura, mais adrenalina.

Foi um prazer te ajudar... Se te ajudei, claro.

É melhor lembrar logo para se reencontrar com seu papai onde quer que ele esteja.


Carinhosamente,
JACK JONES.

A caligrafia perfeita me fez ficar tonta. Toda minha visão girou. Eu li e reli várias vezes, contei as vírgulas e os pontos finais... Eu tentava com todas minhas forças saber o porquê dele ter feito aquilo e só lágrimas brotavam dos meus olhos e manchavam o papel bem feito, apenas dor saía de cada parte do meu corpo.

Cambaleei para trás e caí. Meu corpo caiu com um impacto horrível no chão, minhas pernas estavam tortas e minha cabeça doía, tudo estava ficando turvo... Como em um surto.

Não, eu não queria ter um surto. Eu não queria sentir a dor da perda de novo.

Não, não.

Encarei o chão, antes branco, agora sangue... Sangue grudado em minhas pernas que eu nem sentia mais, consegui emitir um grito em meio ao choro surdo, pedindo por ajuda...

Concentrar, eu tinha que me concentrar em alguma coisa. Nas palavras elegantes e falsas de Jack ou no sangue que parecia jorrar pelo meio de minhas pernas. Solucei alto, vendo a porta tremer.

– Annabeth!

– Percy! — gritei, arrastando-me para trás

– Abra a porta! Annabeth!

– E-eu não consigo...

Meu choro pareceu ter aumentado consideravelmente quando percebi que não tinha forças nenhuma de levantar-me e abrir a porta, fechei os olhos. Não conseguia encarar todo aquele sangue, meu corpo ficava mole a cada segundo e eu sentia a tontura me dominar.

Eu não posso! Repeti em minha mente várias vezes, eu não podia dormir, eu não podia ter um surto, mas era o caminho mais próximo. Tive tempo de ver Percy chocar-se contra a porta, ajoelhando-se em meio a sangue, em frente a mim, segurando meu rosto com as mãos.

– Meu amor, olha para mim. Meus olhos, não deixa de olhar para mim. Nico! Me ajuda!

Controlei minha respiração, tentando encarar seus olhos, um mar verde que se abria em preocupação, suas mãos apertando minhas bochechas com força e eu estava em dúvida se poderia chorar ou abraçá-lo.

– O que porra tá acontecendo, meu Deus? — ele olhou ao redor — Annie, meus olhos. Aqui, foco. — voltou a me encarar — Não dorme, não tenha o surto... Annabeth, eu.

– Eu... Eu estou olhando. Estou mantendo o foco. — sussurrei

– Isso, estou muito orgulhoso de você.

Tentei sorrir.

– Só não sei se vai durar por muito tempo.

– Amor, a piscina. Amor, não dorme.

Consegui visualizar Nico na porta, encarando tudo confuso, ele deu as costas para nós e começou a falar freneticamente no telefone.

– Hospital. — murmurei — Eu estou cansada, Percy, eu...

– Nico. — Percy levantou-se, puxando o primo pelo braço, pude o ver pegando alguma coisa e enfiando no bolso

Meu corpo foi levantado pelos seus braços, percebi o quanto estava tonta quando Percy descia as escadas, meu corpo balançava ao seu ritmo e minha cabeça girava.

Eu estava sendo colocada no banco de passageiro, Nico colocava o cinto de segurança em mim, assustado enquanto meus olhos estavam focados em Percy.

– Luke, ‘tô levando ela pro hospital. Hã? Não sei! Não! — ele praticamente gritava e parou de falar quando nossos olhos se encontraram — Já estou dirigindo, tchau.

Ele beijou minha testa e meus lábios logo em seguida, acariciando minha bochecha com o polegar.

– Vai ficar tudo bem, você confia em mim?

Assenti levemente, hipnotizada pela segurança que seus olhos me passavam.

– Só precisa que mantenha o foco. Não tenha o surto, por favor. — implorou, mais pra ele mesmo do que para mim

Sem esperar por resposta, ele rodeou o carro, pulando no banco de motorista, ouvindo instruções gritantes de Nico que eu não conseguia entender.

Tentei focar em algo, qualquer coisa que me fizesse continuar acordada, parecia difícil demais, entretanto.

Eu não conseguia aguardar mais, eu não conseguia deixar meus olhos abertos e ver Percy dirigindo feito um louco rasgando as ruas da Califórnia.

Fechei os olhos.

E os flashes vieram de novo.

Eu estava sentada, com as pernas cruzadas em cima do tapete da sala do meu pai. Ele estava com seu isqueiro a minha frente e colocou outro isqueiro azul.

– Quando estiver com medo...

– Acenda, blábláblá, eu sei, pai. — revirei os olhos e peguei o novo isqueiro — É para mim?

Frederick sorriu e acariciou minha cabeça.

– Tudo que eu faço é para você, filha. Gostou?

Assenti.

– Quando você vai para Nova York?

– Já disse que lá não é meu lugar. — ele levantou-se, passando as mãos pelos fios grisalhos

– Pai, seu lugar é ao nosso lado.

– Filha, você já é bem grandinha para saber que eu e sua mãe não temos nada, certo?

Mexi a cabeça a contragosto, acedendo e apagando o isqueiro, seguindo-a para dentro da casa.

– Quer comer pizza? Mussarela? Três queijos?

– Tanto faz. Mas, pai, eu tenho que voltar para NYC, quando você vai poder, sei lá, passar só um tempo?

Ele não respondeu, seguindo para a cozinha e acedendo o fogão, preparando algum molho louco que eu comeria sem pestanejar.

Sentei-me à mesa enorme de vidro na cozinha, balançando os pés... Acendendo e apagando o isqueiro seguidamente. Meu pai fechou a porta que dava para o jardim, arrumando a mesa com jogos americanos, pratos e os copos, parecia incomodado com algo.

– Pode ligar pra pizzaria, filha? — empurrou-me o telefone e sorriu — Sabe que eu te amo, não é?

Revirei os olhos, ele sabia muito bem que eu faria birra e não ligaria até ele me fizesse promessas falsas de que iria para Nova York. Arrastei-me até o telefone na parede oposta ao lado da geladeira, arrancando o telefone do gancho e discando os números da melhor pizzaria de Los Angeles.

E então, os barulhos chegaram. Meu corpo tremeu, mas eu não conseguia olhar por cima do ombro ou através da porta ao lado da geladeira – onde eu estava.

– Chão!

Foi instantâneo quando meus joelhos bateram contra o chão, e meu pai empurrou meus ombros para o solo. Senti meus olhos se encherem de lágrimas pela dor, pelo medo.

Tiros. Não eram muitos.

Tentei encarar meu pai pela minha visão embaçada e o vi apontando armas para caras encapuzados, como vemos no filme em que eles roubam o banco e tentam se disfarçar. Ele se agachou a minha altura. E por um momento, pensei que ia desistir até que a geladeira caiu a nossa frente com um estrondo.

– Pega o isqueiro e vai.

– Pai, eu...

– Me obedeça. — seu grito fora forte e mais lágrimas banharam meu rosto

Hesitante, levantei-me ficando pela proteção do corpo do meu pai

Verifiquei onde estava o isqueiro e pude ver meu pai jogando cadeiras em cima dele, ele avançou alguns passos e podia ver três homens mortos. Aquilo era covardia!

– Pai, o que é isso? Eu não posso te deixar aqui! — choraminguei

– Só corra!

– Pai...

– Vai!

Tudo aconteceu extremamente rápido. Enquanto invadiam a casa pela frente, meu pai apontava para a janela com o olhar e nenhum deles parecia perceber que eu estava fugindo. Meus dedos acendiam o isqueiro constantemente, e então tudo realmente deu errado.

Eu tentava pensar calmamente, bolar um plano e sair ali com meu pai. Mas nada vinha a minha mente. As coisas aconteciam com tanta rapidez que eu nem tinha tempo de pensar em nada.

Meu corpo foi impulsionado contra a parede com uma força extraordinária, cada parte de meu corpo implorava por uma boa tarde deitada na areia em frente a casa.

E o telefone tocou. Do outro lado.

Todos os invasores estavam perdidos devido às chamas que cobriam tudo e impediam qualquer visão, forcei meus olhos para ver meu pai com a arma em punho e atirando contra eles enquanto falava calmamente no telefone, até com um sorriso no rosto, dizendo aquelas palavras que eu tanto conhecia "eu te amo", mas não saberia dizer pra quem.

Nossos olhares se encontraram mais uma vez e ele soletrou "Atena" e depois, levantou o indicador apontando para mim enquanto todos estavam desnorteados, dizendo "eu te amo" mais uma vez, insistiu em lembrar-me da janela atrás de mim enquanto meus olhos estavam focados nele.

– Vem, pai!

– Corra para o mar! Você vai se machucar aqui!

– Pai! — choraminguei mais uma vez

Ele revirou os olhos e se abaixou rente a geladeira, me encarando com aquele olhar que me mataria se eu não fizesse algo.

Mais a frente, minha mãe entrava com um lenço úmido no nariz.

Então, eu pulei. O impacto de um metro, eu acho, fez meu tornozelo latejar e minha panturrilha doer ainda mais. Olhei por cima de meu ombro chamando pelo meu pai.

Minha garganta arranhava a cada grito que eu dava e as chamas começaram a atingir as paredes. Quebrar o vidro da janela por onde pulei.

Meus pais.

Mais uma explosão e o fogo pareceu ter aumentado consideravelmente.

Eles não podiam morrer. Bati meu corpo contra o cimento, gritando por eles e pude obter uma resposta de Frederick. Corra. Foi o que sua voz falha e abafada gritou para mim.

Encarei um carro negro vindo em minha direção.

Corri. Corri muito. Deveria ter ficado, sido mais corajosa, mas eu só corri e tive sorte de meu pai morar na praia. Assim que meus pés atingiram a areia, pude sentir uma calmaria iminente e em seguida, eu estava nadando o máximo que eu podia adentro do mar. Meu corpo gelava e eu não conseguia ver nada mais que um bréu, tentei manter minha respiração estável enquanto batia meus pés afim de me manter viva.

Parecia cada vez mais difícil. Eu parecia estar horas batendo as pernas em estátua no mesmo lugar enquanto as chamas se consumiam em minha frente, a mansão se perdia em cores flamejantes de vermelho e amarelo, eu nem conseguia imaginar o calor que deveria estar ali.

E então, ambulâncias, carros de policia e carros desconhecidos estavam na rua apitando, buzinando enquanto minhas pernas continuavam ali, batendo.

E eu só rezava para conseguir ver meus pais quando todo aquele pesadelo tivesse terminado.

Era a única coisa que eu conseguia fazer.

Então... Todo o tempo que eu acusava minha mãe de não ter salvado meu pai, no final, a culpa fora minha. Totalmente e absolutamente minha pela minha covardia.

Eu não merecia estar aqui. Não merecia ser salva.

E mais uma vez, eu estava perdida na minha própria escuridão, nos meus erros, nas minhas burrices.

E era lá que eu deveria permanecer. É onde eu deveria estar.

Notas finais
Adeus vida Adeus tudo Adeus adeus eu nao sei o significado da minha vida depois disso acho que vou me jogar ali da ponte ok eu nao to preparada eu nao to bem eu nao to conseguindo nem surtar ok adeus